R&I - Wish You Were Here

6 Capítulo 5 - Noites de Verão


Notas iniciais
Depois de, sem brincadeira, perder umas cinco vezes esse capítulo, consegui reescrevê-lo e espero que agora essa merda envie em nome da santa Sasha, amém.
Haha, mas sem brincadeiras agora, queria agradecer vocês que estão lendo e comentando na fic, porque sem os comentários fica difícil de saber se estão gostando, o que estão achando de cada capítulo e tudo mais. Obrigada meninas.
Esse capítulo é voltado novamente para young rizzles. Espero que gostem. Mais um capítulo que achei gostoso escrever :3
Boa leitura!

Elas gastaram um tempo infinito em beijos e carícias. Elas eram jovens, estavam descobrindo o mundo agora e só queriam aproveitar. Elas queriam se conhecer melhor, cada vez mais. E a cada beijo, a cada carinho, cada toque, pareciam se entenderem ainda mais, porque tudo acontecia de forma harmoniosa, perfeita.

Elas não sabiam que horas haviam pegado no sono. Quem é que estava contando o tempo que ficaram acordadas se beijando?

Quando os primeiros raios solares adentraram o quarto pela janela, Jane dispertou lentamente, abrindo os olhos devagar, se acostumando ainda com a claridade e então teve a visão mais maravilhosa da sua vida: Maura dormindo sobre si feito um anjo. Sua cabeça deitada no peito da morena, o braço sobre seu abdômen, a perna entre as dela. Estavam encaixadas ali de forma perfeita, como os casais que Jane via nos filmes e seriados. Sorrio feito uma boba. Aquela com certeza era a melhor forma de se iniciar o dia.

- Jane? — Maura murmurou baixinho, mexendo levemente o rosto, esfregando-o no peito dela, ainda de olhos fechados. — Já acordou?

- Sim... Bom dia, minha menina linda — Sussurrou no ouvido dela, sua mão deslizando pelas costas da loira, beijou-a na tempôra

- Bom dia! Menina linda é? — Maura abriu os olhos e levantou o rosto para encará-la.

- Linda... linda! Dormiu bem?

- E como eu poderia não dormir bem estando nos seus braços?

Jane abriu outro sorriso enorme e então roubou um selinho da loira.

- Temos que nos arrumarmos para o café da manhã... — Maura lembrou, sentando na cama.

A morena fez uma careta e fechou os olhos.

- Não, agora não... É cedo ainda, nós temos tempo. O café é servido a partir de 9:30h.

- Temos tempo para quê? — Perguntou fingindo inocência, mas já imaginando e abrindo aquele sorriso levado que a morena adorava.

Jane abriu os olhos e ao ver aquele sorriso, puxou Maura para cima de si, que deu uma risadinha.

- Pra você me beijar...

[...]

Na hora do café da manhã, Angela, Frankie e os garotos já estavam todos em uma mesa e logo avistaram Jane e Maura se aproximando, ambas diferentes, com um brilho no olhar e um leve sorriso nos lábios que demonstrava que algo bom havia acontecido. Angela foi a única a notar isso.

- Bom dia! — As duas disseram em coro, antes de se sentarem.

- Bom dia minhas meninas! — Angela disse.

- Bom dia garotas! — Frankie e os garotos falaram juntos.

- Dormiram bem? — Angela olhou sorridente para elas, que se entreolharam e então ficaram um pouco tímidas.

- Dormimos sim, dona Angela, obrigada.

- Já te disse que não precisa me chamar de "dona", Maura. Você é como uma filha para mim.

- E então vai querer que ela te chame do que? De "ma"? — Jane arrancou riso de todos.

- Como você consegue levantar tão bem humorada sempre, minha filha? — Angela lançou um sorriso irônico para Jane, que fez careta enquanto se servia.

O café da manhã do hotel era como um banquete.

- Nem reclama, mãe. Hoje a Jane tá menos mal humorada que o normal — Frankie Junior apontou, fazendo todos olharem para Jane, inclusive Maura, que tinha um sorriso discreto nos lábios.

- Que isso vocês! Não posso acordar bem humorada, não? Querem que eu acorde sendo grosseira? Por mim não tem problema...

- Não! — Angela disse depressa, e todos riram — Você está ótima assim. Se eu soubesse que passar à noite num hotel fazenda melhoraria tanto assim seu humor, Jane, com certeza a família Rizzoli teria vindo para cá antes.

Jane olhou para Maura, que estava sentada ao seu lado e não precisavam dizer nada uma para a outra. Seus olhares falavam por si mesmos. O motivo do bom humor da morena era sem dúvida alguma aquela loirinha de olhos verdes, sorriso tímido, leves sardas e bochechas coradinhas.

Depois de tomarem café tranquilamente, seguiram para as atividades do dia. Enquanto Frankie e Angela desfrutavam sozinhos dos seus momentos no hotel, Jane, Maura, Frankie Jr e Tommy "brincavam". Depois de fazerem outra trilha, eles foram nadar na piscina. Inevitavelmente Jane reparou muito no corpo de Maura, e vice versa. Depois da noite anterior realmente, tudo havia mudado. Mais do que terem noção agora que se gostavam realmente de outra forma, estavam sentindo muitos sentimentos e sensações completamente desconhecidas, o que poderia ser um pouco assustador.

Da piscina, todos com suas peças de banho, sem se importarem, começaram a brincar e apostaram corrida, assim, saíram correndo pelo espaço que era enorme.

No meio da corrida, Jane e Maura acabaram indo para caminhos diferentes que os garotos, um caminho que elas não conheciam e que as levou a descobrir uma pequena lagoa que nenhum dos guias do hotel haviam mostrado. A lagoa era linda.

- Uau! — Jane disse.

- Lindo, não é? — Os olhos de Maura brilhavam, ela estava na beirada, bem perto do lago e Jane logo atrás.

- Lindo é pouco. Não imaginava que tinha um lago desses por aqui...

A água era tão clara que chegava a quase ser transparente.

Maura fechou os olhos por alguns instantes, sentindo o vento que agora soprava na direção delas, seus cabelos de ouro movendo-se de forma leve, levando seu perfume para Jane, que estava bem atrás dela. Ficou assim por alguns instantes, sentindo a energia daquele lugar, as sensações que estava lhe trazendo aquele momento. Maura podia ser muito inteligente e gostar de ter todas as explicações possíveis para tudo, vindo diretamente da ciência, mas ela acreditava nas energias do Universo, acreditava em paz de espírito e principalmente no amor.

- Eu nunca pensei que pudesse me sentir assim um dia — Começou dizendo, ainda de olhos fechados e então abriu os olhos, encarando a lagoa novamente. Jane a olhava nas costas com curiosidade. — Eu sempre soube que a felicidade existia, porque a ciência comprova que ela existe, e que é causada por uma substância chamada dopamina, que é quem faz a ponte de sinais de bem-estar ao cortéx cerebral... — Ela se virou, ficando de frente para Jane, fitando seus olhos escuros — Mas eu acho que eu nunca realmente senti a felicidade. Não essa felicidade.

- Está feliz por estar aqui? — A voz da morena era baixinha.

- Estou feliz por estar aqui, com você.

Jane não pensou duas vezes, a puxou pela cintura e beijou seus lábios de forma apaixonada. Elas estavam cheias de sentimento, transbordando de amor. Maura a envolveu pela nuca e quando deu por si, já estava encostada em uma árvore e o corpo da morena, quase nu, se não fosse pelo biquini, encostava no seu, o que lhe causava arrepios e um calor inimaginável que vinha de dentro para fora, de baixo para cima, algo que ela nunca tinha sentido antes.

Enquanto as mãos de Jane apertavam sua cintura e deslizavam pelas laterais de seu corpo, suas mãos se perdiam nos cabelos rebeldes, logo descendo por suas costas, apertando-a mais contra si, o que deixava a situação ainda mais quente. O beijo era muito intenso e cheio de movimentos rápidos. A medida que os dedos de Jane apertavam mais a pele de Maura, as unhas da loira começaram a dar sinais de vida, arranhando levemente às costas de Jane, o que lhe assanhava completamente os instintos e ela nem mesmo sabia disso.

Quando o beijo cessou, Maura ergueu um pouco o rosto e encarou Jane. As duas ofegavam. Enxergou nos olhos da morena algo além do que havia enxergado na noite anterior, algo profundo e intenso que Maura também estava sentindo: Desejo.

De repente Jane deslizou os lábios pelo pescoço dela, beijando-o todo rapidamente, com vontade, logo dando uma chupadinha que arrancou um gemido de Maura, que estava toda arrepiada. A sua mão direita foi parar na coxa da loira, que se remexia toda na árvore e se segurava nos ombros de Jane, e a outra mão subiu desajeitadamente até o seio esquerdo da loira, numa tentativa de acariciá-lo e foi então que Maura "despertou" e empurrou Jane pelos ombros. Olhou-a nos olhos, completamente confusa.

— Jane... eu... me desculpa — Estava completamente envergonhada, o rosto queimando de tão vermelho, saiu correndo dali, sem olhar para trás, deixando a morena com o corpo todo quente e a cabeça mais confusa do que antes.

[...]

A morena ficou ali por uma meia hora e depois foi para o chalé. Maura já estava lá, vestida, usando uma blusinha rosa e um short jeans, sentada em sua cama, lendo um livro e não ousou erguer o rosto para encarar Jane quando a mesma chegou. Ainda sem entender bem porque Maura estava agindo assim e nem o que devia fazer, Jane pegou uma muda de roupas e foi para o banheiro tomar um banho. Ficou mais meia hora ali e saiu do mesmo vestida, Maura já não lia mais o livro e sim estava sentada e a encarava, como se estivesse lhe esperando. Sem pensar duas vezes, Jane se aproximou, sentando na beirada da cama.

- Maura, eu... — Estava nervosa, não sabia exatamente o que dizer, só sabia que tinha que dizer alguma coisa — Queria te pedir desculpas pelo que aconteceu lá na lagoa.

- Não precisa se desculpar, Jane. Não foi culpa sua. Já te expliquei que na adolescência os hormônios ficam muito "ativos" e até mesmo incontroláveis.

Essa era Maura. Se Jane se escondia atrás das suas ironias e brincadeiras, Maura então se escondia atrás do seu conhecimento. Mas Jane não iria se esconder, tampouco fugir do assunto ou fingir que era somente aquilo que ela dizia.

- Maura, independente de sermos adolescentes ou não, dessa coisa dos hormônios, eu tenho certeza que em qualquer idade eu teria reagido da mesma forma que reagi na lagoa, porque... — Sentiu um nervosismo ainda maior, e Maura a olhava em expectativa, querendo que ela continuasse — Porque eu sinto coisas... coisas muito fortes por você... uma atração... algo que... eu não sei explicar.

A loira quase ofegou ao ouvir a confissão de Jane, feita com aquela voz rouca. Só de lembrar dos beijos em seu pescoço, do toque dela, Maura sentia calafrios. Ela bem sabia dessas coisas "muito fortes" que a morena falava.

- Não precisa ficar com vergonha — A loira disse, pegando na mão direita de Jane e trazendo-a para seu colo — Eu também sinto essas coisas por você, e como sinto! E é muito bom sentir isso. É só que...

- Que?

- Que é tudo muito novo... e está acontecendo rapidamente. Logo no dia em que nos conhecemos mesmo, na festa, eu já senti algo por você que não soube explicar. Sua presença, a forma como me tratou, seu humor... eu tinha tudo para ter ido dormir arrasada naquele sábado mas fui dormir com um sorriso de orelha a orelha.

Jane sorrio com a revelação, não sabia disso. Apertou a mão de Maura, que ainda segurava a sua.

- Eu sei que tudo parece estar acontecendo rápido, e que é novo para nós duas, mas... não sei você, mas eu estou adorando tudo isso. Quero dizer, estar com você é maravilhoso, Maura. Eu não podia imaginar estar em outro lugar agora, com outra pessoa, que não fosse você.

- Verdade? — Os olhinhos verdes brilharam.

- Sim. Eu amo os seus olhos, sabia?

Maura corou levemente e então virou um pouco o rosto, olhando-a de lado, com aquele sorrisinho levado.

- Ama é? E por quê?

- Porque seus olhos mudam de cor quando você sorri pra mim. E porque você tem um jeito de me olhar que é único. Você não olha assim para mais ninguém, o que faz com que eu me sinta a pessoa mais sortuda do mundo... — Jane disse, toda apaixonada, perdida naquele olhar encantador. Ergueu a mão de Maura por um instante e depositou um beijo na costa da mesma e então sorrio para ela, mostrando suas covinhas.

- Eu amo o seu sorriso — Maura começou a dizer.

- Por quê?

- Porque você tem covinhas — As duas riram — E porque embora todos os seus sorriso sejam lindos, esse sorriso, esse que está dando agora, é o mais lindo de todos e é exclusivamente meu. Você não sorri pra ninguém assim, tão abertamente, tão visivelmente feliz. Esse seu sorriso faz com que eu me sinta abençoada e que eu tenha a certeza de que não importa o que aconteça, tudo se torna suportável, porque eu sei que no final eu vou ter você ali, sorrindo assim pra mim.

Se qualquer um pudessem vê-las naquele momento, sentadas na cama, próximas, segurando uma na mão da outra e trocando aqueles olhares tão compenetrados, eles certamente saberiam o quanto elas se amavam, o quanto elas se queriam bem. Era um sentimento tão puro e sincero, mesmo havendo desejo. Elas queriam tanto o bem, a felicidade da outra, que não havia como não achar encantador aquele sentimento.

- O que mais você ama em mim? — Jane perguntou.

- Seu cabelo todo rebelde, que faz essa moldura linda do seu rosto, seus lábios, a sua voz rouca, o formato do seu rosto, o seu queixo quadrado... — Maura dizia, enquanto olhava para o rosto de Jane, "analisando-a", fazendo a morena se sentir constrangida.

- Pare com isso! — Com a outra mão ela cobriu os olhos de Maura, que soltou uma risada.

- Não posso te olhar?

- Não assim. É constrangedor.

- Sua boba...

Soltaram suas mãos e de repente se tocavam no rosto, até que estavam se beijando. Ficaram assim por longos minutos até pararem.

- O que nós estamos fazendo exatamente, Jane?

- Como assim?

- Quero dizer, em relação a nós — Maura a olhava com aquela carinha de incompreensão. Ela tinha quase que necessidade de entender tudo, para que assim pudesse ter controle das situações.

- Sinceramente? Não sei.

- Porque, veja, nós nos beijamos, certo? E a partir do momento que duas pessoas se beijam, por mais que elas sejam amigas, as coisas tendem a mudar aquele relacionamento. Mas isso também depende do que elas sentem, ou do motivo que as levou a se beijarem. Porque você me beijou?

Jane fugiu o olhar, ficando nervosa novamente e Maura deslizou a mão pelo seu braço.

- Vamos, não fique constrangida, diga só a verdade.

- Ué, eu te beijei porque senti vontade.

- Disso eu sei, mas... — Não era a resposta que Maura queria ouvir, talvez fosse melhor nem reformular a pergunta, tinha medo da resposta. Na verdade a loirinha queria era que a morena sentisse exatamente as mesmas coisas que ela sentia.

- Mas? — Esperava que ela continuasse.

- Deixa pra lá.

- Não, agora eu quero saber, continue!

- Queria saber se você me beijou porque gosta realmente de mim ou se foi só por curiosidade, por um impulso — Disse baixinho e já se sentia triste só de imaginar a resposta, não ousava nem encarar Jane, abaixou o rosto.

- Eu te beijei porque senti vontade — Repetiu novamente, e tratou logo de prosseguir, vendo a tristeza de Maura — E porque eu estou... — As palavras pareciam sumir na garganta, mas ela precisava dizer, não queria que houvesse mal entendidos entre elas — Estou... completamente apaixonada por você.

Maura sentiu seu coração acelerar. Ela havia mesmo acabado de ouvir aquilo? Rapidamente levantou o rosto e encarou Jane, seus olhos escuros brilhavam para ela, deixando-a ainda mais feliz.

- Você... está apaixonada... por mim?

- Completamente — Deu um sorrisinho.

- Oh Jane! — A loira saltou, ficando de joelhos e então se jogando em cima da morena, envolvendo-a pelo pescoço e beijando seus lábios — Eu também estou completamente apaixonada por você!

Perderam mais um tempo infinito com beijos. Perderam não, ganharam. Porque todo tempo que se gasta amando, é ganhado e nunca perdido. Apesar do desejo sentido anteriormente, na lagoa, desejo esse muito forte e que elas desconheciam, já que ambas eram inexperientes nestes assuntos, os beijos seguiam tranquilos, pois ambas estavam se controlando. Elas queriam muito a continuação daquilo que ocorreu na lagoa, queriam muito descobrir tudo juntas, mas deixariam que tudo acontecesse na hora certa, no momento certo.

Já era madrugada, mas elas ainda estavam acordadas. Maura deitada da mesma forma que na noite anterior, debruçada na morena, ouvindo as batidas de seu coração, enquanto sentia a mesma acariciar seus cabelos.

- Estou me sentindo como se estivesse sonhando, sabia?

Jane sorrio largamente ao ouvir aquilo, estava de olhos fechados, não podia ver o rosto de Maura naquele momento, mas sabia bem o sorriso que ela estava dando.

- Bem que as pessoas dizem que as noites de verão são ótimas para se sonhar.

- "Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."

Maura, que já havia erguido a cabeça no final da primeira frase, para encarar surpresa e admirada a morena, sorrio em encantamento.

- "Sonho de Uma Noite de Verão", William Shakespeare!

- Eu sei — Jane abriu um sorrisinho.

- Desde quando Jane Rizzoli decora e ainda interpreta a obra de Shakespeare?

- Desde que eu me apaixonei pela garota mais intelectual que eu conheço.

As duas sorriram bobamente uma para a outra.

- Posso fazer minha colocação a respeito desse trecho do Shakespeare?

- Uma colocação? — Maura estava ainda mais surpresa — Claro!

- Eu concordo com tudo que ele disse. O importante são os sonhos. E os meus sonhos, acordada ou dormindo, à noite ou durante o dia, aqui, nesse lugar, em casa ou em qualquer outro, são sempre os mesmos. O meu maior sonho é você.

Maura sentiu os olhos marejarem e sorrio, se jogando sobre Jane e a abraçando com todas as suas forças, sentindo o abraço ser correspondido no mesmo enlaço forte. Não sabia como isso era possível, mas estava se apaixonando cada vez mais pela morena, a cada pequeno instante que se passava.

[...]

Os dias seguiam lentos e ao mesmo tempo rápidos. Se ambas pudessem, elas com certezam escolheriam para que aquelas férias nunca acabassem, para que os dias naquele hotel fossem eternos, pois nada havia sido tão bom em suas vidas como aqueles dias. Faziam suas refeições na presença da família de Jane e davam boas risadas. Depois "brincavam" com Tommy e Frankie ao longo do dia e sempre davam um jeito de escapar, perdendo-se por aí, trocando beijos e carícias em baixo das árvores. Às noites eram as mais perfeitas noites de verão. Ali, na privacidade do chalé, elas podiam conversar abertamente sobre seus sentimentos, e também namorarem tranquilamente sem se preocuparem se podiam ou não ser vistas. Estava tudo perfeito, mas nada, perfeito ou não, durava para sempre.

Finalmente o último dia delas e a última noite também naquele lugar havia chegado. Um domingo ensolarado e divertido, como todos os outros dias. Fizeram mais ou menos o que faziam todos os dias, e uma hora antes do Sol começar a se pôr, elas foram até aquela lagoa que haviam descoberto e que não tinham compartilhado com ninguém.

- Eu gostei tanto daqui — Maura disse. Agora, diferente daquele dia, estavam lado a lado olhando para a lagoa — Principalmente dessa lagoa. Ela é tão linda...

- Por isso sugeri que viéssemos aqui. Acho que a melhor despedida que poderíamos fazer desse lugar, é aqui, não acha?

Maura a olhou com um sorriso de assentimento.

- E nós não chegamos a vasculhar...

- Como assim? — Ela a olhou desconfiada.

- Não entramos na lagoa. Um lugar lindo desses e nós nem ao menos nadamos! É um pecado...

Maura parecia surpresa, olhou para a lagoa e depois voltou a encarar Jane.

- Mas nós não sabemos se pode nadar aqui...

- Tem alguma placa dizendo que não? — Maura negou com a cabeça — Tem alguém aqui além de nós? Aliás, em algum momento você viu alguém aqui além de nós? — Outro aceno — Ou é porque não conhecem esse lugar ainda, ou porque não dão importância. Em ambos os casos, é melhor pra gente.

- Mas e se a lagoa for funda?

- Você não sabe nadar?

- É claro que eu sei!

- Então pronto!

- Mas nós estamos de roupa, Jane...

A morena olhou para ela fazendo cara de "e daí?" e então tirou sua camiseta, jogando-a no chão, começou a abrir sua calça, tirou o tênis.

- Que você está fazendo?

- Não vamos nadar de roupa, não é?

- Jane! — Maura a olhava chocada. Como Jane podia ser daquele jeito? Tão despreocupada com tudo, tão despudorada?

Ela continuava tirando as roupas, até que ficou só de calcinha e sutiã, ambos pretos e então ela santou, mergulhando na lagoa, que não era muito funda, pelo menos não perto da borda, mas que também não era nem um pouco rasa.

- Vamos logo, Maura! Pare de frescura! — Gritou, assim que sua cabeça saiu para fora da água e a loira piscou lentamente ao vê-la ali, toda linda, os cabelos molhados e mais bagunçados.

- Ok, eu já vou.

Ela se virou de costas, timidamente e lentamente se despiu, ficando só com um conjunto de lingerie cor de rosa antes de pular na lagoa. A água estava geladinha mas rapidamente esquentou, por causa do Sol forte. Elas mergulharam, abriram os olhos e começaram a nadar lado a lado, explorando o território, descobrindo a beleza submersa daquele lugar. Elas se olhavam o tempo todo e sorriam, se aproximavam, se envolviam, se tocavam, selavam os lábios e tornavam a nadar, até que subiam a superficíe quando perdiam o fôlego e tacavam água uma na outra, brincando e rindo, num estado agúdo de felicidade.

O Sol ia começar a se pôr, fazendo aquela vista espetácular no céu, quando elas pararam de nadar, mas ainda na água, foram se aproximando. Estavam numa parte da lagoa onde conseguiam tocar o chão com os pés, e que a água batia na altura do umbigo de Maura. As mãos de Jane seguravam na cintura da loira, que tocava seus braços.

- Esses foram os melhores dias da minha vida — Jane disse, encarando-a. Seus olhos estavam vidrados nos olhos verdes. — Graças a você.

- Eu também posso afirmar com toda certeza que foram os melhores da minha, Jane.

- Não sei como perdi tanto tempo... se soubesse que seria tão bom assim quando finalmente ficássemos juntas...

- Sh, não perdemos tempo nenhum! Só ganhamos, nos descobrindo — Maura sorria para ela, suas mãos deslizando pelos braços úmidos — Somos jovens, temos uma vida inteira pela frente e eu não sei você, mas eu não imagino minha vida sem você nela.

Jane estava tão feliz e ouvir aquilo só a deixava ainda mais feliz. Ela podia dizer o que quisesse para Maura. Poderia tentar explicar incansavelmente tudo o que sentia por ela, tudo que ela lhe causava e nada iria ser suficiente perto do que realmente sentia. E ali, naquele momento com ela, Jane sentiu que só havia uma coisa que poderia dizer.

- Eu te amo, Maura.

A sinceridade e a seriedade no olhar apaixonado de Jane causaram um arrepio que percorreu todo o corpo da loira, que com os olhos marejados, segurou no rosto de Jane.

- Eu também te amo!

Se envolveram novamente naquele contato quente e agora mais inevitável que antes. Os corpos molhados e quase nus colados. Jane apertava Maura em seus braços enquanto se beijavam intensamente. Suas mãos vagaram livremente pelo corpo da loira, passando pelas costas, apertando a cintura, descendo pelas coxas, subindo novamente, apertando os seios e Maura não ousava interromper nada, porque tinha certeza de que era aquilo que ela queria. Era Jane e aquele momento com ela.

Maura se deixou ser conduzida até a borda da lagoa, sendo encostada ali. Fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás enquanto sentia os lábios em seu pescoço. Segurava com a mão direita nos cabelos de Jane e a outra mão lhe arranhava às costas com certa pressão. Os lábios de Jane alcançaram o colo da loira e então tirou o sutiã dela, jogando-o para fora do lago e abocanhou os seios, um de cada vez, lentamente, descobrindo a textura, o sabor, e percebendo atenta cada reação que Maura tinha, os gemidos baixinhos que escapavam de seus lábios.

- Oh Jane... — Sentiu a mão da morena passar pela parte interna de sua coxa até alcançar sua calcinha, adentrando a mesma, seus dedos tocando-a pela primeira vez, de forma lenta, se aventurando, fazendo o que Jane sentia vontade.

- Você... você gosta disso? — Jane perguntou um pouco insegura, pois não fazia ideia exatamente do que devia ou não fazer. Ergueu o rosto na altura do rosto de Maura e ao ver a expressão dela, sabia que estava fazendo certo.

- Sim...

Seus dedos moviam-se lentamente sobre o clitóris dela e Maura apertava as unhas em seus braços com força, enquanto revirava os olhos e gemia baixo, movendo seu corpo lentamente, o quadril acompanhando o ritmo lento de Jane.

Maura segurou no rosto da morena quando estava sentindo algo muito mais forte e intenso do que antes, prestes a explodir em seu corpo, o que devia ser o famoso orgasmo que ela tanto estudava e então a beijou de forma intensa.

[...]

Elas correram para o chalé, e mal entraram no mesmo e começaram a se beijar de forma intensa, os corpos ainda mais quentes do que na lagoa. Foram tirando suas roupas no meio do caminho até o quarto, caindo na cama ambas apenas de calcinha.

Jane deitou em cima de Maura, entre as pernas da loira, que com os joelhos dobrados, tinha as coxas na altura da cintura de Jane.

- Eu te amo tanto... — Sussurrou, passando a ponta do nariz no nariz de Maura, que sorria abobadamente, enquanto acariciava as costas dela.

- Eu te amo muito mais! — Selou os lábios dela, beijou sua tempôra, depois as bochechas, a testa, ergueu as mãos até o rosto de Jane — Você é tão linda...

- Você é muito mais...

Se beijaram e logo os lábios de Jane desciam pelo pescoço, fazendo aquele mesmo trajeto, passando pelos seios, onde sugou um mamilo de cada vez, lentamente, enquanto suas mãos acariciavam as coxas de Maura, que se contorcia e arqueava as costas.

Jane foi abaixando, logo seu rosto na altura da barriga, os beijos ali naquela pele macia causando arrepios em Maura. Segurou na calcinha dela e foi descendo-a lentamente até tirá-la. Os beijos desceram mais e então ela encarou a vagina de Maura, pequena e delicada, assim como ela. E depois olhou para Maura, que não a encarava, porque estava com vergonha.

Lentamente Jane começou a vasculhá-la com a língua, provando do seu sabor e descobrindo o quão aquilo era gostoso. Sua língua era atenciosa e não deixava escapar nenhum pedacinho. Ainda que não soubesse o que fazer, se deixava levar pelo seu desejo e tudo parecia correr bem, já que Maura reagia gemendo, mais alto do que na lagoa, movendo todo seu corpo, não conseguindo ficar quieta, como se estivesse eletrizada, e ela estava, estava eletrizada com aquelas sensações deliciosas que Jane causava em seu corpo.

Jane a chupava com cada vez mais vontade, sua língua mais rápida e o corpo de Maura ainda mais quente, pegando fogo. A loira levou a mão direita até os cabelos da morena, enroscando os dedos ali com força, pressionando, querendo que ela continuasse e não parasse mais, pois estava prestes a sentir de novo aquela explosão...

A língua de Jane não parou até que Maura gozasse e mesmo assim continuou com a boca ali, estava louca por aquele sabor. Sugou tudo que havia por lá antes de subir lentamente, beijando todo o corpo de Maura até que seus rostos estivessem juntos novamente.

- Isso foi... — Maura ofegava ainda, as maçãs de seu rosto avermelhadas — Isso foi bom...

Jane sorrio, tinha que concordar. Foi muito bom sentir o gosto da loira.

- Isso foi muito bom... — As duas soltaram uma risadinha e se beijaram brevemente.

- E pode melhorar... — Jane sussurrou num tom de voz ainda mais rouco e sensual, tom esse que Maura desconhecia e que nem a própria morena sabia ainda que tinha.

Voltou a atacar o pescoço da loira, parte que adorava, depositando várias mordidas e chupadinhas ali enquanto acariciava suas coxas, e sem se demorar muito levou a mão direita para o meio das pernas dela, encaixou delicadamente dois dedos na entradinha de Maura e os empurrou para dentro de forma lenta. Maura fechou os olhos, mordeu seu lábio inferior com força e cravou as unhas na lombar de Jane, soltando um gemido alto, agúdo, sentindo uma ardência e ao mesmo tempo um prazer enorme ao sentir os dedos dela dentro de si.

Jane tinha medo de fazer algo errado, ou pior, de machucá-la. Por isso era bem delicada e fazia tudo sem pressa. Tirou lentamente os dedos e olhou para Maura, erguendo seu rosto novamente.

- Quer que eu continue? — Sussurrou.

Maura a olhou com um olhar embriagado e assentiu.

- Por favor...

- Se você sentir dor, se eu te machucar... me avisa, tá? — Perguntou tão preocupada e tão fofa, que Maura não pôde deixar de sorrir.

- Sim...

Novamente ela afundou os dedos dentro de Maura, agora de forma mais impetuosa, indo até o fundo, desaparecendo com os dedos ali. Começou a movê-los lentamente e então as unhas de Maura subiram por suas costas, arranhando-a com força, fazendo Jane fazer uma careta de dor, uma dor deliciosa. Era muito gostoso sentir aqueles arranhões...

Maura gemia cada vez mais, perto do ouvido de Jane, o que a provocava e a estimulava a continuar. Seus dedos entravam e saíam agora com facilidade, por Maura estar bastante excitada, e os movimentos eram mais rápidos e intensos. Maura se agarrou contra Jane, os braços envolvendo-a os ombros.

- Oh Jane, oh...

Quando finalmente Jane sentiu Maura tremer em seus dedos, os movimentos pararam, e o corpo da morena caiu sobre o de Maura, ambas ofegantes e levemente suadas. Jane encostou a testa na testa de Maura, ambas de olhos fechados.

- Você está bem? — Jane perguntou, abrindo os olhos primeiro.

- Uhum... e você? — A morena assentiu.

- Eu te machuquei? — Maura negou com a cabeça e selou os lábios dela. — Fiz alguma coisa que não gostou?

- Eu amei tudo, Jane... tudo... — Ergueu as mãos até o rosto dela, acariciando suas bochechas com os polegares — Você é incrível.

- Não está arrependida de termos feito isso?

- Nem um pouco. Essa foi a noite mais linda de toda minha vida.

Jane abriu um sorriso enorme ao ouvi-la, também era a noite mais feliz da sua vida.

- Agora que nós... já beijamos... já... fizemos amor... — Jane dizia envergonhada, e Maura ficou boba ao ouvi-la falar "fizemos amor" — Nós somos namoradas?

- Eu não sei, não houve um pedido ainda — Disse com aquele olhar que Jane bem conhecia. Ela queria que a morena pedisse.

- Hum... se eu pedisse, qual seria sua resposta?

- Só pedindo pra saber, senhorita Rizzoli.

- Você é tão espertinha... — As duas riram, ela selou os lábios de Maura — Então, senhorita Maura Dorthea Isles, você aceita ser minha namorada?

O sorriso que ela deu já respondia por si mesmo. Não sabia o que estava sendo mais perfeito até agora, se aquela tarde linda, à primeira vez delas, Jane dizendo que a amava, ou esse pedido de namoro que parecia pedido de casamento, com a morena falando seu nome completo.

- É claro que eu aceito! — Selou os lábios dela demoradamente e depois a beijou com veemência.

Naquela última noite das duas ali, dessa vez Jane que dormiu embalada nos braços da loira, seu corpo sobre o dela. Maura beijou a testa da morena e encostou o queixo em sua cabeça, respirando fundo e sentindo seu cheiro antes de adormecer com a certeza de que amava aquela garota mais do que tudo, e que ela era o grande amor da sua vida.

Notas finais
Está aí o capítulo. Que acharam dele? Da primeira vez delas? Sempre tive uma coisa com esse negócio de lagoas, SOS, haha. Beijos e até o próximo.