R&I - Wish You Were Here
31 Capítulo 30 - Escolhas Erradas.
Notas iniciais
E realmente preciso de psicóloga, porque sou cheia dos problemas.
Espero que gostem desse capítulo, levando em conta o último.
Jane só conversou sobre aquele assunto com Alex, à noite, quando chegou no apartamento dela.
- Porra, eu não acredito nisso! — Alex disse pálida ao receber a notícia de Jane. — É sério?
- E você acha que eu iria brincar com isso?
- Meu Deus... O desgraçado comeu... — Ela se corrigiu ao ver o olhar de Jane — Ele se aproveitou da Maura quando ela estava desacordada. Isso é nojento. Cara, você quer ajudar pra matar esse desgraçado? Porque eu não só te ajudo a matá-lo como também a esconder o corpo.
- Eu agradeço sua disponobilidade, Alex, mas não. Eu não tenho cabeça nem para matar o filho da puta. Maura transou com o Ian. Com a segunda pessoa que entrou na vida dela depois de mim. Antes dele, Maura era só minha. Só eu tinha a tocado, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Ele foi a segunda pessoa, ele marcou. Eu sei disso. E ela transou com ele sábado...
- Você sabe que ela estava tipo desmaiada e que ela não sentiu e nem lembra de nada?
- Não importa, ela transou com ele! Você não entende... se coloque no meu lugar. Pense em qual seria sua reação se fosse Lauren.
- Eu ficaria louca também, com certeza, mas não a culparia. Porque ela não me traiu. Maura não te traiu.
- Vai se foder...
Jane levantou, pegou suas chaves e se encaminhou para a saída do apartamento.
- Espera cara!
E Alex só ouviu o barulho da porta se batendo.
[...]
Jane vagou pelas ruas a madrugada inteira. Ela precisava de um tempo sozinha, isolada de tudo. Parecia que ninguém, nem mesmo Alex a entendia. Mesmo Maura não tendo traído-a, mesmo não tendo sido algo voluntário, aquilo era terrível. Só de imaginar aquele cara em cima de sua Maura, tocando seu corpo, fazendo coisas tão íntimas lhe embrulhava o estômago. Tudo aquilo era horrível e nojento. Era demais para alguém processar tantas informações em poucos dias. Jane precisava digerir tudo aquilo. E não sabia quanto tempo levaria até sua cabeça "estabilizar" e tomar qualquer decisão.
A semana passou lenta para todos. Jane se isolou em seu apartamento. Ela não falava com ninguém, não atendia telefonemas que não fossem referentes ao trabalho e era estúpida com qualquer um que tentava tocar no assunto, e não, ela não falava com Maura, nem lhe dava espaço para tal. Agia de forma ríspida ao encontrá-la na cantina, no Dirty Robber ou onde quer que fosse.
Lauren voltou de viagem na terça-feira e ficou abismada quando Alex lhe contou tudo que estava acontecendo. Não podia acreditar que a Jane que conheceu, que sempre foi louca por Maura Isles, mesmo em doze anos de distância absoluta iria deixar de se casar com o amor de sua vida por causa da armação de um mal amado. Era absurdo demais. E como Lauren era inquieta e não se calava diante tais coisas, decidiu procurar a morena, ajudá-la, afinal, eram todas amigas agora.
Maura estava péssima. Tão péssima que nem quis se dar ao trabalho e ao contrangimento de passar por uma perícia para acusar Ian de estupro. Ela praticamente roubou Jonathan só para ela naquela semana terrível. Ele deixava de sair à noite com seu namorado Anthony para ficar com Maura, e ela se sentia péssima por estar atrapalhando-o, mas o amigo dizia que o novo namorado era muito compreensivo e que ele não a deixaria por nada naquele momento.
- Jane Clementine Rizzoli — Lauren disse alto, após bater e chamá-la pela milésima vez — Eu sei que você está aí dentro e não vou embora enquanto não abrir essa porta e conversar comigo.
Já não aguentando mais às batidas ou os gritos da ruiva, que daqui a pouco acordaria toda a vizinhança, Jane resolveu abrir a porta e a ruiva fez cara de nojo ao ver o estado lastimável que se encontrava o apartamento dela e a própria Jane, usando moletom rasgado e os cabelos ainda mais desarrumados.
- O que é que você quer aqui? Vou ter que colocar uma placa na porta dizendo que não quero receber ninguém? Que inferno! São quase 00:00h.
- Eu sai da faculdade agora pouco e aproveitei para vir direto pra cá... — Disse, já empurrando a morena e entrando sem ser convidada — Que diabos aconteceu aqui? Seu apartamento tá horrível. Só não está pior que essa sua cara e suas roupas.
- Muito obrigada — Ela disse ironicamente, fechando a porta. — Eu estou depressiva, ok? Peguei minha noiva pelada na cama com outro cara. Depois descobri que era armação, mas que ele transou com ela de todo o jeito. Acho que tenho direito de ficar depressiva.
- O que? Não, não tem não! — Lauren disse séria, jogando sua bolsa cheia de material no sofá desorganizado da morena — Você teria direito de ficar depressiva se Maura tivesse morrido, mas não é o caso. Ela está viva, bem viva e está sofrendo porque você fica com essa palhaçada toda enquanto faltam menos de duas semanas para o casamento. Aliás, é sábado que vem, não é?
- Nem lembro... — Disse em ar indiferente, já estava levemente alcoolizada.
- Meu cu que você não lembra! Pare de se fazer de durona, Jane Rizzoli. Eu te conheço e sei que você está nesse estado deplorável porque ama aquela mulher. E eu não perdi mais de um ano da minha vida, sofrendo por sua causa, pra depois te apoiar quando você me trocou pela Maura assim que ela voltou pra ver agora você jogar o amor de vocês na lata de lixo. Faça o favor de me respeitar!
- E que diabos quer que eu faça?
- Pare de agir igual uma boçal! Eu sei que deve ser uma merda saber que outra pessoa comeu sua mulher, mas ela não teve culpa! Ela estava desacordada! Isso foi um estupro! E vocês se amam!
- Precisa gritar? — Resmungou fazendo careta e abaixando a cabeça, praticamente deitando em cima do balcão da cozinha. — Minha cabeça dói...
- É sério, Rizzoli. Sai dessas... Vocês se amam.
- EU SEI PORRA! — Ela levantou a cabeça e berrou, assustando Lauren — Acha que eu não sei de tudo isso? Acha que você é a primeira a querer me dizer essas mesmas coisas? Eu amo a Maura, eu sei que a amo, ninguém sabe disso mais que eu e sei que ela me ama também. Eu sei de todas essas porras, mas eu estou mal. Estou mal porque a mulher que eu amo foi estuprada. Tem noção da gravidade disso e de como Ian conseguiu fazê-lo tão facilmente? Quero dizer... me sinto culpada, porque Maura está comigo, minha função deveria protegê-la. Se eu estivesse com ela, se tivesse passado a noite com Maura, ele não teria... Minha cabeça tá confusa. Eu não sei exatamente o que fazer. Estou tentando pensar, mas com vocês todos querendo berrar na minha orelha fica difícil! Eu preciso tirar férias de toda essa minha vida nem que for apenas por um dia porque senão eu vou enlouquecer...
Lauren ficou em silêncio em meio ao desabafo da amiga, não esboçando nenhuma reação, até que quando a morena parou de falar, ela disse:
- Você não precisa de férias. Não há como e nem para onde fugir, porque daqui uma semana é o seu casamento, e se eu fosse você eu nem ousaria cogitar a hipótese de não mais se casar com Maura — Seu olhar era sério e até mesmo intimidador — Aquela mulher te ama, Jane Rizzoli. E ela está te provando isso desde a adolescência de vocês, com todas as suas ações. Ela não deixa a desejar em nada, nunca. Maura desdobra-se para te agradar, porque ela te ama mais do que a si mesma e todo mundo percebe isso, assim como todos nós percebemos o quanto você a ama também e sabemos que você faz o possível e o impossível para ajudá-la e mantê-la segura. Só a maneira como você e Alex agiram no nosso sequestro... como se arriscaram... Isso é amor verdadeiro. E isso é raro de se encontrar, Jane. Pessoas passam uma vida inteira procurando esse sentimento, essa pessoa "ideial" para si, e elas muitas vezes morrem sem nunca terem tido a chance de sentir, ainda que por pouco tempo um sentimento tão especial e agregador como esse, por isso deixe de ser imbecil!
Naquelas alturas, os olhos de Jane já transbordavam em rios de lágrimas que não se continham. A verdade é que ela estava assim tão mal porque se sentia culpada pelo que aconteceu com Maura e preferia fingir estar com raiva da legista e fugir do que admitir essa sensação de culpa.
- Eu sou uma imbecil — Disse por fim.
- Sim, você é. Mas Maura te ama.
[...]
Jane pegou a cópia que tinha da chave da casa de Maura e entrou na mesma, depois de tocar a campainha diversas vezes seguidas em menos de um minuto e ninguém vir atendê-la. Mal fechou a porta atrás de si depois de entrar e um Jonathan com um pijama de bichinhos e cabelos desgrenhados surgiu ao lado de Maura, também descabelada e sonolenta, usando um pijama rosa. Os dois olharam assustados para a morena, como se ela fosse um fantasma e então se entreolharam.
- Eu preciso falar com você, Maura. E tem que ser agora.
- Já tô dando o fora... — Jonathan correu para dentro de volta ao quarto de hóspedes. Estava tão cansado que voltou a dormir no mesmo instante sem se preocupar com as duas.
Maura, ainda imóvel no lugar onde estava, olhava para Jane receosa. Não fazia ideia do que ela queria conversar e tinha medo que fosse algo relacionado ao casamento, como por exemplo o cancelamento do mesmo, pois na semana que passou, como as duas não conversaram, nada ficou decidido. Mesmo Jane tendo dito que não teria mais casamento, ela não cancelou nada. Continuava tudo marcado.
- S-enta, Jane. Quer... quer um café, alguma coisa? — Perguntou sem graça, passando os dedos em baixo dos olhos para tentar disfarçar suas olheiras, andava dormindo pouco e chorando muito.
A morena não respondeu nada, permaneceu onde estava também, fitando Maura fixamente, com uma expressão tensa, até que passou a língua por entre os lábios secos e decidiu falar tudo o que queria.
- Eu não mereço você — Disse primeiro, surpreendendo Maura, que já ia dizer algo, seu rosto notóriamente dizendo que Jane estava errada naquela afirmação — Sou uma covarde que vem até sua casa, à essa hora da manhã dizer que não merece você, tentando usar isso como desculpa para fugir do que eu quero fazer. Porque eu quero me casar com você mais do que qualquer coisa. Quero me casar com você desde sempre, Maura. Mesmo antes de te conhecer eu já queria me casar com você nos meus sonhos. Mas eu tenho medo. Eu estou em pânico! Falta uma semana... uma única semana para realizar o meu maior sonho, e isso me apavora de uma maneira que me faz ficar estúpida o suficiente ao ponto de fazer essas merdas todas!
- C-om... como assim? Medo? — Maura estava com os olhos marejados já.
- Pânico! Medo é pouco... Eu tenho medo de me casar com você, de realizar o meu maior sonho e depois tudo mudar. E depois você descobrir que por mais que você me ame e eu tenha qualidades, não sou o suficiente para te fazer feliz. Medo de estragar tudo. Medo de não conseguir te dar tudo o que você merece, e pior: medo de não conseguir te proteger, como eu não consegui agora! O I... aquele... — Fechou as mãos em punho e seu rosto se tornou sombrio ao pensar nele — Aquele desgraçado fez aquilo com você e a culpa é minha! — Berrou — É minha porque eu não consegui proteger você. Eu deveria estar aqui tomando conta de você o tempo todo e...
- Não, Jane! Não diga um absurdo desses! A culpa não é sua! Eu sei que você me ama e por isso quer me cuidar, me proteger. Esse sentimento é comum em todos que amam, mas isso não te torna responsável por mim. Isso não te culpa por algo me acontecer sem que você possa evitar. E nesse caso, a culpada sou eu por ter sido uma ingênua. Eu admito e aceito essa culpa e mesmo estando magoada e com raiva da sua atitude imbecil, você não tem culpa do que o Ian me fez! Não pegue isso para você...
As duas choravam. As lágrimas corriam e elas se olhavam fixamente, transbordando várias emoções, mas não se moviam de onde estavam.
- Eu sei que você tem medo que algo me aconteça, até mais medo do que o que as pessoas normalmente costumam ter em relação a quem amam, porque uma vez eu fui embora e te deixei sozinha, e depois tomei um tiro e quase morri, e depois houve o sequestro... mas eu não morri, Jane. Eu voltei todas as vezes para você. Eu estou viva, aqui e agora, e eu te amo. E você pode ter medo, trauma, a paranoia que for, e pensar a besteira que você quiser, mas EU tenho certeza que quando estiver morando contigo na nossa casa, depois de celebrar e assinar os papéis do nosso casamento, eu jamais irei me arrepender ou pensar que você não é o suficiente para me fazer feliz, porque você é a minha felicidade! — Maura dizia cheia de emoção, num tom alto, emocionando ainda mais à morena que chorava igual criança — Você continuou me amando doze anos depois que te abandonei, você ficou dias enfiada num quarto de hospital me esperando acordar, você arriscou sua vida e sua carreira de detetive indo até um cativeiro me salvar, e mesmo assim sei que não é perfeita. Pelo contrário. Você é uma imbecil insensível e por vezes grosseira que não sabe lidar com todas as situações, que me magoa sem pensar duas vezes dizendo bobagens, que prefere cerveja a vinho, que arrota na mesa, que detesta usar vestido e salto, que prefere ver jogos do Red Sox a ir em museus ou consertos. Você não é nem de longe perfeita, nem a mais educada, ou a mais inteligente, e talvez escolher você para ser a minha esposa não seja a escolha "certa", porque você é toda errada, mas Jane, você é "A Pessoa", a minha, e mesmo tendo dias como esses dessa semana em que me encontro tão magoada e com raiva de você que minha vontade é te socar e depois desaparecer, eu te amo e nunca vou me arrepender disso.
Aquela foi a declaração de amor mais linda e sincera que Jane já tinha ouvido em toda sua vida. A forma como Maura disse aquelas palavras, seu rosto, suas lágrimas, seu olhar. Jane não podia viver sem aquela mulher, mesmo morrendo de medo das coisas que já havia lhe dito.
Avançou na direção da loira, atravessando toda sala, segurou seu rosto e a beijou da forma mais urgente, desesperada e apaixonada possível e foi correspondida da mesma forma, com a loira enlaçando seu pescoço, num abraço firme.
Elas se amavam, e isso não mudaria. Independente do que acontecesse, elas iriam se casar.
Notas finais
Espero que não me xinguem mais, porque estou magoada u.u
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