R&I - Wish You Were Here
19 Capítulo 18 - O Despertar
Notas iniciais
Queria fazer uma propaganda aqui de uma fic nova que eu comecei. Ela é crossover de quatro casais: Rizzles, Swan Queen, Calzona e Vausman (Pra quem não conhece, é um casal de uma série nova, Orange Is The New Black). Apesar de conter esses quatro casais, o enredo da fic é no universo de Rizzoli & Isles misturado com Grey's Anatomy. Se vocês curtem pelo menos rizzles e a maneira que eu escrevo, já acho suficiente para darem uma conferidinha. ;)
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Obrigada pelos comentários, suas lindas. Amo vocês ♥
Despertar. "Acordar, tirar do sono." E também "Provocar, excitar: despertar um desejo." As definições de despertar nos dicionários são estas. E no caso elas não estão erradas, mesmo que o sentido de despertar, no caso de Jane, seja mais filosófico do que qualquer outra coisa.
Ao ver os olhos de Maura se abrindo, ao vê-la "despertando", ainda que não tivesse tempo suficiente de perceber, pois estava ocupada dominada com a emoção daquele momento, Jane despertou também. Despertou de duas formas diferentes. Primeira: Ver Maura ali, abrindo os olhos, despertou o desejo da detetive, — desejo esse que sempre teve mas que era como se tivesse tendo pela primeira vez por conta da intensidade daquele momento-, o desejo de ficar do lado de Maura para sempre, de se casar com ela, de não esperar mais nem um segundo sequer para ter completamente uma vida ao lado dela. Segundo: A despertou para a vida. Para a verdadeira vida.
Desde que Maura retornou e elas finalmente se entenderam, Jane estava feliz e vivendo dias maravilhosos. Ainda assim, ela não tinha despertado. Porque viver, saber viver e principalmente amar e saber amar e ser amado é fundamental, mas despertar para a revelação única da vida, que está sempre ali, nítida diante dos nossos olhos, para qualquer um ver, e que mesmo assim poucos conseguem enxergá-la, é mais que fundamental é essencial.
Na verdade, esse segundo despertar de Jane se iniciou no exato segundo em que aquela bala atravessou o corpo de sua amada como se ela fosse um pedaço de papel. A realidade cruel e amarga a fez enxergar o que não parecia ter percebido, até então: Tudo muda, tudo passa e tudo acaba. Às duas primeiras ela já sabia, porque ninguém mais do que Jane e Maura haviam mudado tanto em todos aqueles anos difíceis, mas parecia que a detetive havia se esquecido do "tudo acaba", simplesmente porque até nos piores momentos da sua vida, como quando Maura partiu, ela sabia que aquilo não significava um término, um fim definitivo, mas sim, talvez, o começo de algo novo ou esperava, internamente, por um retorno.
A grande questão é que se tudo realmente acaba, se tudo tem um começo, meio e fim e o fim está interligado diretamente com a morte, ela não pode simplesmente viver tranquilamente, tão despreocupada e desapressada assim. Sim, a maioria das pessoas vivem uma quantidade significativa de anos, e para cada coisa que se quer fazer, há sempre fases na vida, mas Jane realmente naqueles dias felizes ao lado de Maura havia se esquecido, havia se desligado da verdade de que tudo aquilo, toda aquela felicidade acabaria um dia, de uma forma ou de outra.
Cada minuto que passou dentro daquele hospital, observando o movimento de médicos e enfermeiros cuidando de pacientes, de pessoas doentes, baleadas, acidentadas, ao ver o número infinito de pessoas morrendo em um único dia, pouco a pouco, ela despertava ainda mais para aquela revelação que parecia dura, que de fato era dolorosa, mas que se fazia necessária. Todos nós vamos morrer. É inevitável. E por isso devemos aproveitar bem cada pequeno instante que temos, porque nunca sabemos quando ele poderá ser o último.
Ela mal conseguia respirar naquele momento. Seus olhos escuros de súbito se encheram de lágrimas, lágrimas carregadas com todo o seu amor, com toda saudade que já estava sentindo em uma semana. Assim que piscou e suas lágrimas rolaram, Jane sentiu pela primeira vez naqueles dias que ela estava viva.
Maura apertou a mão de Jane com mais força e abriu os olhos ainda mais, encarando-a. Sentia-se um pouco tonta, confusa. E uma leve dor acompanhada de uma coceira vinha do seu peito, de onde tinha levado um tiro. A bala atravessou alguns centímetros ao lado do seio esquerdo, mais para o centro entre seus seios e mais a cima dos mesmos, o que garantiu que ela estivesse viva agora.
A morena mal podia acreditar no que estava vendo. Ela tinha alimentado tanto a esperança de que Maura acordaria, e ainda assim, morria de medo por dentro que isso não acontecesse, principalmente quando o médico lhe dizia para não ser tão esperançosa e quando via na expressão de seus amigos que iam visitar Maura que eles não estavam tão certos que ela acordaria como Jane estava. Ela sabia que Maura acordaria.
- Meu amor... você acordou! Graças a Deus você acordou... — Disse baixinho. Jane já estava em pé e debruçada ali. Continuava segurando na mão de Maura e a outra colocou sobre sua cabeça, acariciando seus cabelos.
Maura piscou devagar algumas vezes e seus olhos giraram pelo quarto, voltando a fixar os de Jane. Um filme se passou em sua cabeça e ela lembrou da noite no ateliê, da conversa simpática com Matthew e de repente a discussão, as revelações, o medo, o pânico. Jane estava lá fora com ela discutindo com o psicopata, que era o Vingador e de repente o barulho do tiro e uma dor excrucitante emanando de seu peito, a pele queimando por dentro. Maura caiu nos braços de Jane e ficou consciente até que então tudo se fez escuridão. Mesmo desacordada, Maura se lembrava de ouvir Jane chorando no caminho e implorando para que ela sobrevivesse.
Era por isso que estava numa cama de hospital. Porque havia tomado um tiro. Notou que Jane não estava com as mesmas roupas, então não deveria ser mais sábado.
- Ja... Jay... — Disse bem baixinho, mas a morena conseguiu ouvir e sorrio largamente. — Que dia é hoje?
- 05 — Ela sabia que quando Maura perguntava que dia era, ela não queria ouvir "segunda ou sexta" mas sim o número, o que a localizava de imediato ao mês e ao dia da semana.
- Quando tempo estou aqui?
- Uma semana. Você tomou o tiro no sábado e viemos pra cá. Te operaram assim que chegou e então você entrou em coma e os médicos não sabiam que você ia acordar, mas você acordou... — Maura olhava para Jane e vinha nos olhos dela toda sua felicidade em vê-la acordada, todo o seu amor. — Você acordou justo hoje. Eu fiquei com tanto medo que você não fosse acordar...
Maura abriu um pequeno sorriso quando Jane levou sua mão até os lábios dela e a beijou. Fazendo um pouquinho de força, devagar, ela ergueu sua outra mão e levou até o rosto de Jane. Notou logo que ela estava abatida, fraca.
- Eu prometi que nunca mais ia te deixar, esqueceu? — A morena sorrio e mais uma lágrima caiu de seu rosto, lágrima essa que Maura limpou prontamente — Hoje é seu aniversário.
Jane não se espantou que ela lembrasse. Mesmo acordando agora de um coma, ainda zonza e confusa, ela era Maura Isles. Era a mulher mais inteligente e com a maior capacidade de armazenar informações e processá-las em instantes em seu cérebro que Jane conhecia.
- Sim.
- E eu estou aqui nessa cama e não posso sair com você pra comemorar...
- Não tem comemoração maior do que te ver acordar! — Ela se inclinou e beijou a testa de Maura. — Eu vou ali rapidinho, porque preciso avisar o médico, ele precisa te ver, se certificar de que está tudo bem.
Jane levantou da cama mas Maura segurou em sua mão rapidamente.
- Não me deixa sozinha.
Após despertar e lembrar de tudo que havia acontecido, Maura se sentiu tomada por uma sensação de medo. Não queria ficar longe de Jane.
A morena sorrio.
- Eu nunca vou te deixar sozinha. Fiquei com você essa semana inteira. Só as vezes que tive que te deixar com minha mãe ou Jonathan pra poder ir em casa cuidar da Jo, mas eu não te deixei.
- Eu senti sua presença. Jonathan e sua mãe estiveram aqui?
- Eles, Frost, Korsak e Alex também. Mandaram até flores e chocolate suíço — Jane apontou para a mesinha e com esforço Maura virou o rosto para olhar. Todos haviam se preocupado com ela. — Você é uma pessoa muito querida, Dra. Isles.
- Sua boba... — Ela foi soltar um risinho e acabou gemendo de dor.
- Você está bem, Maur?
- Sim, só me sinto um pouco tonta e estou com um pouco de dor.
- Eu vou ir chamar o médico, assim ele já te examina e aumenta a dosagem da medicação para você não sentir dor. É rápido. Eu já volto, prometo.
- Está bem.
Como uma criança eufórica que acabara de fazer uma descoberta incrível e precisava compartilhar com alguém, Jane saiu do quarto de Maura ainda desnorteada com tamanha felicidade e correu pelos corredores do hospital atrás da enfermeira que cuidava de sua amada, mas teve ainda mais sorte de cruzar no meio do caminho com o médico. Contou a ele, quase berrando, que Maura havia acordado e ele não fez questão nenhuma de esconder toda sua surpresa. O médico, parecendo outra criança também, correu com Jane até o quarto de Maura, ficando ainda mais surpreendido ao vê-la acordada.
O caso é que desde o início Dr. Carlos ficou comovido com o amor de Jane pela loira. E cada dia que a via a morena ficar ali, sozinha, se dedicando à uma pessoa em coma, ele torcia muito para que ela despertasse.
Ele ouviu o coração e o pulmão de Maura, checou o aparelho, viu que Maura estava conseguindo respirar tranquilamente sozinha, examinou onde ela havia tomado o tiro, os pontos, a pele já estava quase completamente cicatrizada, testou os reflexos dela e nada havia sido alterado.
- Você teve muita sorte, Dra. Isles — Ele disse com um sorriso explítico no rosto — Teve sorte por ficar apenas uma semana em coma. Têm pacientes que ficam anos em coma, outros a vida inteira. E se alguns tem a sorte de acordar, eles precisam de um longo processo de readaptação para conseguirem se mover, andar.
- Eu disse que ela acordaria, Doutor, eu disse.
- Jane é sempre otimista — Lembrou Maura com um sorrisinho.
- Mas dessa vez ela acertou. E disse mesmo. Aliás, você precisava ver toda a dedicação dela com você. Jane ficou aqui todos os dias e todas às noites.
Maura olhou para ela. É claro que havia ficado. Já devia ter imaginado. Sabia muito bem o quanto a morena a amava, embora ela tivesse algumas dificuldades, as vezes, em demonstrar isso sem parecer idiota. Se bem que da adolescência até os trinta anos, ela havia mudado e melhorado bastante em vários quesitos, uns que fizeram Maura corar por lembrar naquele momento.
Jane deu um sorriso de lado, tímido, e suas covinhas apareceram.
- Você tem muita sorte, Maura. É difícil hoje em dia ver alguém tão dedicada assim, tão apaixonada. E se me permitem a indiscrição, vocês fazem um lindo casal!
As duas sorriram, agora de forma mais relaxada e alegre.
- Obrigada — Respondeu Maura, voltando a olhá-lo — Eu realmente tenho muita sorte.
- E Doutor, quando Maura poderá ir embora?
- Ótima pergunta, Jane. Não vejo a hora de sair daqui...
- Bom, todos os seus sinais vitais estão ótimos, você não apresenta nenhum problema aparente. De qualquer forma, vou deixá-la aqui por mais um dia só para me certificar de que tudo realmente está bem, e se continuar como hoje, segunda-feira mesmo está liberada. Seus pontos serão tirados amanhã. Vou pedir pra aumentarem a dosagem da sua medicação por causa da dor e a tontura logo logo já passa. Agora se me dão licença, preciso ver outros pacientes.]
Assim que o médico saiu, Jane sentou na cama.
- Agora eu vou ligar pra todo mundo e dizer que você acordou, aposto que todos vibrarão de felicidade!
- Não — Jane se surpreendeu ao ouvi-la, Maura pegou a mão dela que estava sobre a cama e segurou entre as duas — Eu queria te pedir que não avisasse ninguém que eu acordei. Não hoje. Porque é seu aniversário e já que não posso sair daqui e comemorar dignamente com você, pelo menos quero que fiquemos a sós! — Disse daquele jeito fofo que só ela tinha.
A morena abriu um sorriso largo e levou sua outra mão e tocou por cima das mãos dela que seguravam sua outra.
- Tem certeza disso? — Ela assentiu — Acho que seu plano vai dar certo, porque eu já tinha avisado a ma que ficaria enfiada hoje aqui sem parar, porque queria passar meu aniversário com você e ontem à noite Jonathan e Alex vieram te visitar, provavelmente eles não virão hoje. Estão todos muito abalados e ao que parece na homicídios eles tiveram um caso complicado essa semana.
- E você presa aqui no hospital, por minha causa — Disse com pesar, suspirando.
- Ei, não importa. Eu não conseguiria me concentrar em nada, muito menos em um caso, sabendo que você estaria aqui, sem mim. Eu tinha certeza que mais cedo ou mais tarde você acordaria, Maura e queria estar aqui quando isso acontecesse.
Maura sentia a mão de Jane entre as duas e a outra por cima e a encarava de perto. Aqueles olhos escuros. Era tão mágico e tão surreal como ela só precisava ver aquele olhar para se sentir daquela maneira, completamente segura. Jane emanava segurança, proteção e afeto para Maura desde que elas haviam se conhecido, já em uma circunstância em que Jane teve que se mostrar protetora e afetuosa, vindo atrás dela, quando ninguém mais veio e logo dois dias depois defendendo-a dos outros.
Definitivamente ela tinha muita sorte por ter alguém como Jane.
- Fica juntinho de mim? Me abraça? — Pediu, com os olhos verdes marejando.
- Claro, meu amor, claro que sim.
Soltaram suas mãos e Maura foi um pouco mais para o lado, dando espaço que Jane subisse na cama e sentasse ao seu lado. Maura abraçou Jane pela cintura e encostou sua cabeça no peito dela. Só ela sabia dizer o quão bom foi sentir os braços da morena lhe envolvendo naquele momento. Sentia-se como se não sentisse aquele abraço há tanto tempo, mesmo sendo só há uma semana.
Jane aspirou o perfume dos cabelos loiros e beijou-a na testa com carinho enquanto a abraçava delicadamente. Durante aqueles intermináveis dias, o que ela mais pedia era que pudesse ter novamente Maura em seus braços. Alguém lá no céu talvez tivesse ouvido suas preces.
- Obrigada — Maura sussurrou.
Jane então olhou para baixo e a loira sabendo que ela faria isso, se ergueu para poder olhá-la.
- Está me agradecendo pelo que?
- Por tudo. Por você existir em minha vida, por ter ido atrás de mim aquele bendito sábado e se importado comigo quando ninguém mais fez. Obrigada por todas as vezes que me defendeu, até se machucando por conta disso, por todas as vezes que você sentiu ciúme. Obrigada por ter ficado aqui comigo essa semana, por não ter me deixado sozinha e obrigada principalmente por me amar desse jeito tão... tão lindo, que me deixa sem palavras, que me deixa sem fôlego... — Jane se sentiu tão emocionada e até mesmo constrangida ao ouvir Maura, mesmo adorando cada palavra dela e ia dizer algo, mas então ela prosseguiu — Eu não podia sequer imaginar que ter me mudado para Boston, numa escola nova e totalmente desconhecida fosse me trazer o melhor presente da minha vida. Eu sei que hoje é o seu aniversário, mas quem aparentemente ganhou um presente fui eu. Você é o maior presente da minha vida, Jane.
- Maura, Maura, Maura... — Dizia meio boba, com um sorriso enorme — Você é... Deus, eu não tenho nem palavras. Você salvou minha vida e está me agradecendo?! Não posso acreditar. Você salvou minha vida duas vezes. Primeiro quando foi embora pensando em me proteger, achando que alguém fosse me fazer algum mal e salvou minha vida aquele dia, tomando um tiro que era pra mim! Eu que te devo minha vida, eu que te devo isso, Maura.
- Você também salvou minha vida, Jane.
- Salvei?
- Salvou no maior e mais amplo sentido da palavra. Mais do que salvar o meu corpo da morte e me permitir respirar, você me permitiu viver de verdade. Ter te conhecido, ter sido amada por você me fez ver como a vida era muito mais do que ela poderia ser. Você me mostrou que a vida era mais do que solidão, conhecimento e dinheiro. Me mostrou que eu realmente poderia ser amada pelo que eu era e que isso me faria feliz.
As duas já estavam emocionadas na altura daquela conversa. A verdade é que haviam chegado num nível de amor e intimidade tão grande que um pequeno momento, uma pequena troca de olhares seria mais do que suficiente para despertá-las àquela emoção sem igual.
- Eu te amo. Eu sempre vou te amar.
- Eu também te amo, Maur. Hoje é meu aniversário. Eu posso te pedir uma coisa?
- Claro, o que você quiser.
Jane respirou fundo, pigarreou, sentindo-se nervosa. Mesmo com tanto amor e intimidade algumas coisas pareciam difíceis. Mas ela já havia despertado e nenhum medo e receio era maior do que aquele seu desejo de aproveitar toda sua vida ao máximo possível ao lado da mulher que amava.
- Casa comigo?
Maura olhou assustada para Jane. Não que a ideia de se casar com ela a deixasse em pânico. Não que ela não quissse. Não que ela não fosse simplesmente gritar que sim. Mas foi pega totalmente de surpresa pelo pedido inesperado, feito assim, de súbito, no hospital, meia hora depois dela despertar de um coma ocasionado por um tiro que levou. Até pensou por um momento que estivesse ouvindo coisas, que fosse efeito da infinidade de remédios deixando sua cabeça grogue, mas ao ver o olhar em expectativa de Jane, encarando-a, estudando-a, vendo se havia feito à pergunta na hora certa ou não, ela teve certeza de que havia ouvido certo. Jane tinha acabado de pedi-la em casamento.
O que ela mais queria na vida era se casar com Jane. Mesmo que antes do tiro elas estivessem bem unidas, passando maior parte do tempo juntas e por diversas vezes dormiam na casa uma da outra, ela queria mais. Queria ser oficialmente uma Rizzoli. Queria acordar todos os dias ao lado da pessoa que mais confiava e amava nesse mundo. Casar com Jane era o seu maior sonho desde a adolescência.
Notando a demora da loira em responder, e já ficando nervosa com isso, achando que havia se precipitado, Jane disse:
- Eu sei que... que pode parecer cedo, porque nós nos entendemos tem poucos meses e... e te pedir em casamento assim, no hospital, sem um anel, sem saírmos para jantar, sem nada de muito especial não é muito bacana, mas eu precisava fazer esse pedido agora. Desde que você levou o tiro e desmaiou nos meus braços, Maura, eu percebi que as coisas infelizmente não duram pra sempre e que um dia eu vou perder você, ainda que seja só na morte, eu vou te perder e é por isso que enquanto eu estiver viva, enquanto eu tiver tempo, eu quero ficar do seu lado, todos os dias. Eu quero você e eu pelo resto da minha vida.
Maura segurou no rosto de Jane e encostou seus lábios nos dela, beijando-a.
De repente a porta se abriu e elas pararam rapidamente, Jane quase caiu da cama, descendo rapidamente, achando que fosse o médico ou alguma enfermeira, mas era sua mãe, Jonathan e Alex. Os três haviam resolvido ir visitar Maura e dar parabéns para Jane e quando chegaram ao hospital receberam a notícia que à loira tinha acordado.
Os três ignoraram Jane por um minuto e foram todos abraçar e beijar Maura, que se sentiu muito querida. Eles mal a deixavam respirar e Jane riu da cena. Jonathan começou a chorar e sua mãe vibrava de alegria, enquanto Alex xingava.
- Maura, você acordou minha filha! Ai que maravilha!
- Minha deusa acordou. Graças a Deus.
- Porra Maura, eu sabia que você ia conseguir.
- Quando vai poder sair do hospital?
- Quer que eu traga alguma coisa gostosa pra você comer?
- Assim que você sair daqui a gente tem que sair pra beber.
Mesmo sendo aniversário de Jane, ela não se importava de Maura roubar toda atenção, até preferia, porque não gostava de todo mundo querendo abraçá-la e coisas do gênero. Só não ficou tão feliz por ver todo mundo recepcionando Maura da maneira que ela merecia, porque haviam acabado de interromper um momento romântico e crítico, onde Jane não havia obtido a resposta para o seu pedido.
Acabou que eles ficaram praticamente o dia todo lá enfiados com Jane e Maura e às esperanças da morena de receber sua resposta naquele sábado se foram. E ela não conseguiu escapar da paparicação deles também por conta de ser seu aniversário e sua mãe ainda saiu e trouxe um pequeno bolo de chocolate para eles comemorarem. Ficaram conversando durante horas e Maura não parecia ótima, como se nunca tivesse ficado em coma.
Quando sua mãe, Jonathan e Alex foram embora, já era um pouquinho tarde e por conta da medicação, Maura estava bem cansada, sonolenta. Jane ainda teve que deixá-la para ir até seu apartamento colocar ração para Jo e levá-la fazer suas necessidades. Quando voltou encontrou à loira num sono tranquilo e mesmo querendo muito a resposta para o seu pedido, não ficou chateada por ela ter dormido. O importante era que Maura estava viva, acordada e a amava.
[...]
Depois de todo aquele drama e sofrimento, finalmente Maura estava em seu lar. Já havia feito infinidade de exames e todos constatavam sua perfeita saúde. Já havia retirado os pontos e sua pele cicatrizado. O cirurgião que lhe operou foi tão bom que ela não ficou com nada além de uma pequena cicatriz no lugar onde foi feito o corte para remoção da bala.
Ela estava tão feliz de estar em casa.
Em sua ausência, Jonathan, que tinha uma cópia de segurança de suas chaves, cuidou de Bass e de sua casa, alimentando o cágado e mantendo tudo limpo.
Nada era melhor do que estar em sua casa depois de tudo que passou. Além do tiro, estava processando ainda as informações de que o assassino, o Vingador, realmente era seu pai. Eles pegaram um fio de cabelo dela enquanto estava em coma e fizeram um teste de DNA com Matthew, que estava num presídio de segurança máxima, numa cela isolado dos outros presos e apresentava sinais de insanidade total. Em duas semanas, ele seria consultado por um psiquiatra e um psicólogo escolhidos pelo Estado para ser encaminhado para uma clínica.
Com todas aquelas notícias e ainda se recuperando, ela e Jane não tiveram tempo de ficarem sozinhas direito e conversarem da forma como haviam conversado no sábado e por isso ela ainda não havia dado sua resposta ao pedido de casamento, o que deixou Jane ainda mais nervosa e insegura, achando que se precipitou ao fazer aquele pedido.
Como Maura ainda tinha licença do trabalho, ficava em sua casa, enquanto Jane já havia retornado para a central. E por lá, todos já haviam notado o nervosismo e falta de concentração da morena, que acabou confessando que havia pedido Maura em casamento. Ninguém pareceu surpreso, apenas felizes que ela finalmente tomou tal atitude.
No final daquele dia, Jane estava cansada e só queria ir para seu apartamento tomar um banho, comer e se deitar para dormir e conseguir parar de pensar, pelo menos por um minuto, no pedido de casamento que fez para Maura e que não obteve resposta ainda. No entanto, ao chegar na porta de seu prédio, se surpreendeu ao ver Lauren sentada nas escadas e já se preparou para alguma briga ou coisa do gênero, pois desde à última vez — há um bom tempo atrás — que haviam se vito, a conversa não tinha sido nada boa.
- Oi, Jane.
- Ei Lauren... Tudo bem com você? — Disse ela, parando em frente às escadas.
Lauren se levantou.
- Eu estou bem e você? — A morena assentiu com a cabeça — Eu fiquei sabendo do que aconteceu com Maura, só não fui no hospital porque estava em uma semana atolada de seminários e provas, mas torci muito para que ela se recuperasse.
- Obrigada. Sua torcida deve ter sido boa, então — Disse com uma leve animação e Lauren sorrio.
- Soube que ela recebeu alta semana passada.
- Sim. Ela acordou do coma muito rápido, pelo menos do que se poderia esperar e isso foi bom porque não a deixou com nenhuma sequela e nem tendo que passar por toda aquela coisa de fisioterapia.
- Ela teve bastante sorte.
- É, teve.
- Na verdade ela tem muita sorte — Desceu os degraus e parou na calçada, de frente para Jane — Porque ela tem você.
A morena pode sentir pelo olhar e pelas palavras da garota uma intensidade, e ficou tensa e com os músculos contraídos, já esperando que a ruiva fosse tomar alguma atitude impensada em relação à ela e claro que Jane recuaria.
- Da última vez que nós nos encontramos, não tivemos uma conversa muito amigável. Eu não entendi você. Disse que não podia entender porque você havia a escolhido apesar dos pesares. Agora eu entendo. E sinceramente, gosto muito da Maura depois do que ela fez por você. E espero que vocês sejam felizes, de verdade.
Jane sorrio boba, totalmente surpreendida. Aquelas palavras também haviam sido sinceras.
- Obrigada, Lauren. Eu também quero que você seja feliz. Sabe que eu nunca quis te machucar, que eu gosto de você.
- É claro que eu sei, sua babaca. Se você não gostasse de mim, acha que eu me daria o trabalho de perder tanto tempo com você, detetive Rizzoli? — Disse de bom humor, soltando uma risada. — Me dá um abraço agora que estamos de bem novamente.
- Por quê? Estávamos de mal antes e eu não sabia? — Ironizou.
- Vai se ferrar...
Elas riram e então se aproximaram e se abraçaram de forma carinhosa, mas totalmente amigável. O problema é que Maura, que também não aguentava mais esperar para dar uma resposta ao pedido de Jane, havia decidido ir até o apartamento dela justamente naquela noite para dizer o seu tão esperado "sim", e ela estacionou o carro e viu de sua janela aquela cena que não tinha como ser agradável, já que Lauren era ex namorada de Jane, e já que ela não sabia o contexto da conversa para poder entender porque diabos SUA Jane estava abraçando aquela garota.
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