R&I - Wish You Were Here

32 Capítulo 31 - Cosmic Love


Notas iniciais
Meninas, me desculpem pela demora a postar, mas é que eu realmente estou muito atarefada nesse final de ano, a rotina mudou um pouco, mas mesmo assim prometo que postarei pelo menos um capítulo por semana.

Queria avisá-las de que, infelizmente, a fic está na reta final. Eu realmente não sei quantos capítulos ainda terão (vai depender da minha inspiração) mas quero que fiquem cientes de que a fic está no fim =/

Capítulo dedicado a Bruna Cezario, já que os anteriores que lhe dediquei foram, digamos assim, muito "pesados", esse é para compensar ;)

Espero que todas vocês gostem. Fiz com todo carinho.

Todos dizem que antes da nossa morte, um filme se passa diante de nossos olhos. Um filme que nada mais é do que um ampunhado de todas as memórias mais marcantes que tivemos de nossas vidas, tanto dos momentos bons quanto dos ruins. Jane não poderia dizer que aquilo era verdade, porque ela não esteve ainda diante da morte, mas ali, agora, naquele momento, no altar, esperando por Maura, um filme de toda sua vida e sua trajetória com ela passava diante seus olhos...

Podia ver claramente à primeira vez que viu Maura no colégio, usando um vestido rosa. Lembrava-se do dia da festa quando a viu beijando um babaca qualquer e experimentou pela primeira vez o ciúme. Via as duas tornando-se amigas, compartilhando segredos, passeando juntas, rindo. Via Maura correndo pelos campos do hotel fazenda onde se beijaram e se amaram pela primeira vez após se declararem... Enxergou todas às suas brigas, tanto as que terminavam em beijos apaixonados quanto as mais "trágicas". Lembrou do dia em que brigou por causa de Maura no colégio, dos planos que elas faziam sentadas na grama verde, olhando para o céu estrelado à noite. Também lembrou da dor que sentiu na sexta-feira em que Maura sumiu, e nos primeiros dias que mais chorava. Mas suas lembranças pularam automaticamente para o dia em que viu Maura novamente na rua, e teve certeza que era ela. E depois o reencontro na balada, o beijo, a descoberta que ela trabalharia na Central, as brigas até se entenderem novamente... o tiro, o desespero, o medo que sentiu de perdê-la naqueles dias... lembrou de Maura acordando do coma, os olhos verdes brilhando para ela... Cada vez que Jane piscava os olhos nervosamente, independente se olhasse para os convidados em seus respectivos lugares, ou para os campos, ou para qualquer lugar, afim de encontrar logo Maura, Jane enxergava as duas em suas lembranças... as duas na cama se amando, no sofá, em todos os cantos, podia sentir os toques de Maura, podia ouvir a voz dela sussurrando em seu ouvido, sentir os carinhos em seus cabelos enquanto dormia... Lembrou do sequestro, do pânico, dela e de Alex correndo para salvar Maura e Lauren. Jane correndo para fora da casa em chamas, com Maura em seus braços. E os dias que teve que cuidar dela depois, e consolá-la nas madrugadas quando a loira tinha pesadelos e chorava... Suas lembranças transpuseram todas, uma a uma, até a última briga, depois do ocorrido com o Ian e da reconciliação delas após Maura se declarar daquela forma tão sincera.

Jane estava maravilhosa no altar, usando um smoking todo branco que além de lhe cair como uma luva, a deixava ainda mais bonita por causa do contraste com a pele morena. Os cabelos continuavam iguais, selvagens e soltos, pois sabia que Maura adorava. Ela estava sozinha ainda no altar, porque os padrinhos estavam ocupados ajudando a outra noiva que se arrumava, ainda eufórica, em um dos quartos do hotel.

– Eu não acredito que era essa a surpresa de Jane! — Maura repetia pela milésima vez, com um sorriso que Alex chamava de "sorriso debimental" no rosto. — Esse hotel fazenda foi onde os pais dela nos trouxeram no verão do ano que nos conhecemos. Foi onde demos o primeiro beijo, nos declaramos, fizemos amor!

– Maura, querida, nós todos já sabemos disso. Jane nos contou a surpresa, e você já repetiu isso só agora umas dez vezes, além do que eu já sabia antes, porque somos melhores amigos — Jonathan dizia delicadamente, com a mão no ombro da amiga que estava sentada, enquanto Lauren dava uma última ajeitada nos cabelos presos num coque e perfeitos da loira.

– Cara, tá demorando muito isso, Jane deve estar fritando no altar...

– Eu não gosto de ser apressado, mas acho que Alex tem razão — Opinou Anthony, que conheceu Jane e Maura alguns dias antes daquele momento, num jantar de amigos que Jonathan propôs.

– Porque você e Anthony não vão indo para o altar, enquanto eu e Jonathan terminamos de arrumar Maura? — Sugeriu Lauren, olhando para sua namorada, que estava deslumbrante usando um terno feminino preto.

– Ótima ideia, nos vemos lá, então — Alex selou os lábios de Lauren e Anthony os de Jonathan.

– Não demorem mais!

– Podem deixar.

– Vão logo!

Lauren e Jonathan seriam os padrinhos de Maura e Alex e Anthony os de Jane.

– Está nervosa, querida? — Jonathan perguntou assim que os dois sairão, olhando os olhos da amiga pelo reflexo do espelho, podia sentir o nervosismo e tensão da mesma, que estava tão maravilhosa quanto Jane, usando uma maquiagem leve, os cabelos presos em um coque delicado.

– Nunca estive tão nervosa em toda minha vida...

– É normal, hoje é o dia do seu casamento — Lauren disse animada — Finalmente vocês duas vão se casar! Já não era sem tempo. Por um momento cheguei a pensar que não conseguiriam...

– Mas vão conseguir! Você está muito linda. E Jane também. Precisa ver como aquela morena tá gata no altar.

– Ela insistiu em usar vestido achando que eu iria preferir, mesmo não gostando, mas a verdade é que eu preferia vê-la de smoking ou terno, porque sei que combina mais com ela — Maura disse e Lauren e Jonathan se olharam e disfarçaram suas expressões, não podiam estragar nenhuma surpresa. — Mas ela fica linda de qualquer jeito e mal posso esperar para vê-la no altar.

– Então vamos! Você já está pronta. Podemos ir.

Ao ouvir aquilo, Maura ficou séria e travou. Os dois perceberam.

– O que foi, minha rainha?

– Meus pais... — Seus olhos marejaram e as lágrimas já iriam cair se Maura não fizesse uma força tremenda para segurar e Jonathan e Lauren se assustaram com tal reação — Eu sei que eles são, no final das contas, um bando de filhos da... mas eu os amo mesmo assim. E meu sonho sempre foi ir até o altar de braços dados com meu pai, porque eu sou desastrada e fico em pânico quando estou num lugar cheio de pessoas que não sejam pessoas mortas e tenho medo de tropeçar e cair no caminho... — Confessou em um único fôlego, pegando os amigos desprevenidos.

– Mas Maura... — Lauren interveio rápido, olhando para Jonathan como se procurasse ajuda — Você... você não vai tropeçar e cair. Você é a mulher mais elegante que nós conhecemos. Seu jeito de andar além de refinado é todo certinho. Há probabilidade de você cair é mínima...

– Exatamente, querida. E nós sabemos que você deve sentir-se mal por não ter seus pais ao seu lado, ainda mais num momento como esse, mas não deixe isso te entristecer. Pense que... poxa, hoje é seu casamento. É o dia mais especial da sua vida, não é? — Maura assentiu, olhando-o pelo espelho.

Lauren fez um sinal para Jonathan e saiu do quarto sem que Maura percebesse. À ruiva praticamente correu até o altar, disfarçando um pouco, daquele jeito meio estabanado, o jeitinho "Lauren" de ser. Chegou bem perto de Jane e sussurrou para ela, Alex que estava no altar também podia ouvir.

– Maura já está pronta.

– E por que não vem logo, então? — Resmungou disfarçando com um sorriso nos lábios.

– Porque ela resolveu entrar em crise agora.

– O que?

– Ela tá com medo de caminhar até o altar sozinha.

Jane e Alex olharam chocadas para Lauren, suas expressões entregando o famoso "Really?". Lauren apenas fez um afirmativo com a cabeça, acompanhado de uma careta. Anthony apenas observava.

– Liga pro Jonathan e manda ele dar um jeito de trazer ela agora e de olhos vendados... — Jane disse antes de começar a caminhar e então Lauren a segurou pelo braço.

– Onde você vai? — Perguntou baixo, disfarçando, ao notar que os convidados olhavam curiosamente, já que não faziam ideia do que estava acontecendo.

– Só faz o que eu mandei! — Disse antes de dar às costas e sair em passos rápidos.

– Ai merda... tudo sobra pra mim — Lauren resmungou para sua namorada, que conteve um risinho. Disfarçadamente a ruiva se afastou para usar o celular e telefonar para Jonathan, que ainda estava no quarto dando uma de psicólogo para Maura.

Depois de mais alguns minutos de conversa, Jonathan conseguiu enrolar a amiga e fazê-la ir com ele, mesmo estando cheia de medo. Ele vendeu os olhos da Maura, querendo dizer que assim ela teria mais emoção com a surpresa ao ver o altar, ao ver como o casamento estava arrumado. E sem desconfiar de nada, Maura deixou-se vendar e seguiu cuidadosamente pelo chão gramado guiada pelo auxilio do amigo, que segurava em sua mão.

Quase próximos do início do tapete vermelho, que levava ao altar, Maura permanecia de olhos vendados, sem ver nada e nem ninguém, mas os convidados já poderiam vê-la e todos se levantaram, sorrindo em encantamento com a beleza da noiva. Jonathan olhou para o altar, viu Alex, Lauren e seu namorado mas nada de Jane e ficou confuso, pois Lauren havia esquecido de avisar essa parte. Tentou se comunicar com a ruiva por caretas e uns gestos estranhos com a mão, mas continuou sem entender. Ele parou com Maura na beirada do tapete e soltou-a assim que viu Jane se aproximar, chegando por trás deles. A morena apenas fez um sinal com a cabeça para que ele tirasse a venda dos olhos de Maura.

– O que está acontecendo, Jonathan? — Assim que a venda saiu de seus olhos, Maura olhou assustada para Jane que estava literalmente ao seu lado, seus olhos brilharam ao vê-la. Estava tão linda. E usava smoking branco. Maura tinha imaginado-a assim várias vezes, mas nunca pensou que a realidade fosse ser tão mais bonita. — Jane... você... está de smoking... você... deslumbrante...

Jonathan rapidamente deixou-as ali e foi para o altar ficar observando-as de lá assim como os convidados.

Jane sorrio. Ela sorrio olhando dentro dos olhos de Maura. Sorrio daquela forma que só sorria para Maura, especialmente quando estavam sozinhas, em sua intimidade, em seu amor agregador. Ela sorrio para Maura como se não houvesse mais ninguém ali, e embora estivesse tão nervosa senão mais do que sua noiva, Jane tentou ser o mais calma possível, afinal, ela seria a espécie do "homem" da relação mesmo naquele momento, teria que conduzir a situação, já que Maura parecia nervosa demais para fazê-lo.

– Você está linda, meu amor — Sussurrou baixinho para a loira, que segurava em mãos um arranjo pequeno, um buquê de rosas brancas e cor de rosas. — É a noiva mais linda. E eu não poderia estar mais feliz por estar aqui com você, hoje.

– E o que você está fazendo aqui e não no altar? — Maura a olhava de forma abobada, nos olhos, fixadamente. Estavam de frente uma para a outra, como teriam que ficar no altar e não se importavam com os olhares ou aguardo dos convidados.

– Eu vou te levar para o altar. Nós vamos fazer isso juntas — Disse suavemente, virando-se de lado para ela e de frente para o altar e lhe dando o braço. Maura sorrio largamente, desacreditada. Jane estava mesmo fazendo aquilo? Que gesto mais encantador aquele, já que a loira não tinha um pai para levá-la ao altar. — Confia em mim? — Jane virou o rosto e continuou a encará-la.

Sem pensar duas vezes, Maura se posicionou da forma adequada, segurou o buquê com uma única mão e aceitou o braço de sua noiva, respirando fundo, erguendo o rosto e virando-o para encará-lo pela última vez antes de começar a caminhada até o altar.

– Sempre.

Elas desviaram seus olhares e olharam para frente. Pela primeira vez Maura pode contemplar toda a beleza daquele espaço da terra do hotel fazenda que estavam utilizando para celebrar seu casamento. As cadeiras onde os convidados podiam sentar-se em brancas e estavam enfileiradas. O tapete em baixo de seus pés eram vermelhos e haviam arranjos de rosas brancas e cor de rosa por todos os cantos. Essas duas cores eram as cores predominantes dos enfeites. No altar agora encontrava-se Jonathan ao lado de Lauren e Alex ao lado de Anthony assim como Angela, que era mãe de uma das noivas, então tinha que ter seu lugar garantido e já que o pai de Jane havia sumido no mundo faz tempo, para acompanhar Angela, Korsak estava ao seu lado no altar, também. E havia um juíz de paz atrás de uma pequena mesa com uma toalha branca. Ele usava um terno e sobre a mesa havia o papel do casamento que teriam que assinar e uma Bíblia.

Ao se posicionarem de braços dadas no início do tapete vermelho, os músicos — sim, haviam músicos — que vestiam terno, começaram a tocar seus instrumentos eruditos e começou a ecoar o som "In The Arms Of An Angel — Sarah Mclachclan". Ao som daquela bela melodia, Jane e Maura caminharam lentamente, de forma suave, como se estivessem flutuando em nuvens até o altar. Elas alternavam seus olhares entre as pessoas queridas que tanto amavam e estavam no altar entre si mesmas, virando o rosto de vez em quando, até que chegaram no altar e desvincilharam seus braços, parando lado a lado, de frente ao sorridente Juíz de Paz.

Todos os convidados se sentaram.

– É com muita alegria que estou hoje aqui realizando a cêrimonia deste casamento. Porque, mais do que ajudar a concretizar o casamento de duas pessoas, duas cidadãs que assim como tantas outras e outros tiveram que esperar muito tempo para hoje terem o direito de se casarem civilmente, de serem reconhecidas pelo Estado, estou aqui para casar dois seres humanos que se amam, duas almas que se pertencem de outras vidas! — Ele dizia num tom alto e intenso, enquanto alternava o olhar entre Jane e Maura que estavam bastante emocionadas — Quando fui chamado para realizar esse casamento, eu fui procurado pelas duas noivas juntas e imediatamente eu aceitei, mesmo sem conhecê-las e sem saber da história delas ainda, porque vi ali, na forma como sorriam uma para outra, nos olhares que trocavam, eu vi o amor que elas transbordavam. Esse amor que vocês puderam acompanhar de perto e que estão vendo agora se concretizar da forma mais especial e completa possível, que é o matrimônio.

Jane olhou para o lado por um momento e viu sua mãe já transbordando em lágrimas, naquele jeitão ala Senhora Rizzoli. Jonathan e Lauren estavam muito emocionados também e não continham algumas lágrimas. Até Alex, tão durona quanto Jane, também estava emocionada. Seus olhos se encontraram com os da loira antes que ela voltasse a olhar para o Juíz de Paz e viu uma lágrima rolar pelo rosto de Maura que especialmente hoje parecia mais sublime que o normal. A morena ergueu a mão, tocou o rosto dela e limpou sua lágrima com o polegar.

O Juíz de Paz disse mais algumas palavras, citou, emocionado, uma passagem da Bíblia que falava sobre o amor e então chegou a hora das perguntas tão esperadas.

– Jane Clementine Rizzoli — Foi à primeira vez na vida que a morena não se importou em ouvir seu nome inteiro ser pronunciado, ainda por cima em público — Você aceita Maura Dorthea Isles como sua legítima esposa para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-a e respeitando-a todos os dias, até que a morte as separe?

As duas estavam agora frente a frente, fitando sem parar os olhos uma da outra. E só o olhar que trocavam já dizia tudo, já dava resposta aquela pergunta, porque ninguém precisava de muita inteligência para saber que elas se amavam. As orbes verdes brilhavam em recíproca ao olhar daqueles olhos castanhos tão vivos.

– Sim, eu aceito — Disse num tom firme, para reforçar o que todos ali já sabiam.

Maura piscou e duas lágrimas rolaram pelo seu rosto, sua sorte foi de que sua maquiagem era a prova d'água. Mas aquelas lágrimas eram de felicidade pura, de sentimento gigantesco que transborda, pois ela estava muito feliz e o sorriso não se desfazia de seus lábios em momento algum.

– Maura Dorthea Isles, você aceita Jane Clementine Rizzoli como sua legítima esposa para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-a e respeitando-a todos os dias, até que a morte as separe?

– Mil vezes sim — Foi a resposta em tom suave e então Jane não conseguiu conter suas lágrimas.

– Troquem às alianças e façam seus votos — Pediu ele, suavemente.

Rapidamente, até de forma meio afobada, que roubou um risinho de Maura e de todos ali, Jane pegou no bolso do paletó uma caixinha vermelha e tirou de dentro do mesmo a aliança de Maura. Segurou delicadamente na mão esquerda de sua amada e colocou a aliança no início de seu anelar, respirou fundo, e agora estava séria e parecia nervosa. Era o momento mais importante de sua vida. Fitou a mão de Maura por instantes até subir seu olhar de volta aos olhos verdes, que lhe davam coragem, que lhe passavam segurança e tranquilidade. Tudo estava bem, elas estavam se casando e não havia motivos para entrar em pânico.

– Você sabe que eu não sou muito boa com palavras — Começou de maneira sincera — Nem escrevendo, muito menos falando, por isso eu não preparei os meus votos antecipadamente, como qualquer pessoa "certinha" faria, mas como você mesma me disse há uma semana atrás, talvez eu não seja a pessoa mais certa — Abriu um sorrisinho sarcástico e os padrinhos no altar sorriram ao ouvir aquilo, só eles sabiam o quão complicado deveria ser para Jane fazer uma declaração em público — Eu nunca fui muito certa, organizada, inteligente e dedicada como você, Maura. A única coisa a qual eu me dediquei muito a vida inteira foi ao meu trabalho na polícia, porque é o que eu amo, é o que eu sempre quis fazer. E mesmo não sendo muito certa, eu me dedico ao que faço todos os dias, para fazer da melhor forma possível... Eu sei que não estou aqui para falar do meu trabalho, mas não pensei em nada melhor para comparar. Antes de amar o meu trabalho quase como minha própria vida, eu amo você. Tanto que só descobri minha vocação e desejo de ser policial quando nos conhecemos. E você é minha vida, Maur. Por isso, hoje, aqui e agora, selando essa união com você, eu prometo que me dedicarei pelo resto da minha vida a você, a nós, todos os dias, para sempre. Porque você é o que eu mais amo nesse Universo, porque você é a única que sempre conseguiu ver além da minha ironia, da minha chatice e de todos os meus defeitos. Você enxerga o melhor de mim e me faz querer ser alguém melhor. Eu te amo, e não seria nada sem você...

Ao final do discurso, obviamente a morena estava muito mais emocionante do que antes e não só ela. Angela chorava ainda mais e todos os padrinhos, sem exceção nem mesmo de Alex, também choravam sem disfarçar, e Maura... Bom, essa só não estava aos prantos porque era um momento de pura felicidade, mas seu rosto estava até vermelho de tanta emoção. Limpou suas lágrimas rapidamente com a mão livre, pois Jane ainda segurava a outra e abriu um sorriso escancarado para ela, que dizia: "Eu te amo!"

A morena empurrou a aliança até o final do dedo e beijou suavemente ali antes de soltar a mão de Maura, que pegou a outra aliança e fez o mesmo no dedo da mão esquerda de sua amada.

– Eu aceito me casar com você. Eu te disse que me casaria com você há doze anos atrás. Sempre que me fez essa pergunta, eu disse sim. E se me perguntar isso daqui há vinte anos, a resposta será a mesma. Porque desde que me entendo por gente, eu sempre fui solitária e diferente das outras pessoas. Era praticamente invisível. Não fazia diferença na vida de ninguém, nem dos meus próprios pais adotivos — Disse com pesar e duas lágrimas teimosas caíram — E então me acostumei a ser solitária, a ver o mundo em preto e branco, a não confiar nas pessoas, a não esperar que elas vissem algo em mim que nem eu mesma via. Mas você, Jane, você viu. Você viu através da minha inteligência, do excesso de informações que eu despejava o tempo inteiro em todo mundo, através da proteção que eu criava para me defender dos outros. Você viu além disso tudo e conseguiu ultrapassar qualquer barreira que eu tivesse criado. Você me mostrou que não é porque algumas pessoas não são capazes de nos enxergar e de nos valorizar que todos serão assim. Você me ensinou o que era amar, o que era ser realmente feliz, ser simples. Você me ensinou até mesmo o que é ter uma família, logo quando nos conhecemos... Nunca me deixou sozinha. Me salvou de todas as formas que eu poderia ser salva. Eu te amo mais do que qualquer coisa, e nunca vou me arrepender de dizer sim a você.

Maura terminou de colocar a aliança e beijou a mão de Jane nas costas e depois na palma, em cima da cicatriz. Olhou para ela novamente e viu que a mesma não parava de chorar, assim como ela. Nem se deram ao trabalho de olhar para ver a reação dos outros.

– Assinem aqui, por favor... — O Juíz de Paz estendeu a caneta primeiro para Jane, que se inclinou na mesa e assinou o papel e depois Maura fez o mesmo, ao final, ele disse, alegremente — Jane e Maura, vocês estão oficialmente casadas. Podem se beijar.

Como uma criança excitada, Maura abriu um sorrisão de animação e praticamente pulou em Jane, envolvendo-lhe o pescoço e segurando com uma das mãos na altura o buquê. A morena envolveu-a pela cintura e se beijaram da forma mais apaixonada possível, fazendo todos aplaudirem com veemência e emoção.

– Minhas filhas, são minhas filhas — Angela olhava para todos os convidados e apontava para as duas se beijando enquanto falava.

– Eu acho que esse é um momento propício para os padrinhos se beijarem também — Anthony sussurrou no ouvido de Jonathan, que arrepiado, parou de aplaudir e se virou para ele.

– Danadinho...

Lauren e Alex que estavam lado a lado dos dois, podiam ouvir a conversa. Alex se aproveitou da ideia e disse com aquele sorriso e olhar predatório para a ruiva:

– Propício também para um beijo entre as madrinhas.

– Você não perde uma, não é, Detetive Vause?

E assim os dois casais de madrinhas e padrinhos se beijaram também.

Depois do término do beijo, Jane e Maura foram comprimetadas por todos, primeiramente pelo Juíz de Paz amoroso, e em segundo lugar, é claro, por dona Angela, que praticamente esmagou as duas ao mesmo tempo num abraço de tirar o fôlego. Jonathan, Alex, Lauren e até mesmo Anthony, que era o novo membro daquele grupinho, abraçaram-as também de forma calorosa, enquanto diziam coisas do tipo "Finalmente vocês se casaram, suas loucas", "Graças a Deus, já não aguentava mais as brigas", "Agora sosseguem suas piriquitas" e todos cairam na risada. Depois elas foram cumprimentadas pelo resto dos convidados e então se fez uma aglomeração de mulheres desesperadas no momento em que Maura decidiu jogar o buquê. E não só elas. Jonathan também quis se enfiar no meio das moças, fazendo seu namorado, que observava de longe, rir. Mesmo achando tudo aquilo ridículo, Alex também se uniu com Lauren na aglomeração de mulheres. Animada e de costas, Maura jogou o buquê que caiu nas mãos de Alex.

– Não acredito nisso... — A morena disse, debochada e Lauren olhou para ela com os olhos brilhando. Jane, do lado de Maura, olhou para a amiga e caiu na risada, fazendo com os lábios "Você é a próxima".

– Aqui, Maura — Angela voltou de algum lugar com outro arranjo de buquê, agora de rosas vermelhas — Jogue mais um, afinal, são duas noivas, você e Jane.

– Ok. Garotas, preparem-se que aí vai mais um! — Gritou Maura e a aglomeração voltou a acontecer, na esperança de pegarem o novo buquê.

Maura jogou e esse foi direto parar nas mãos de Jonathan, que começou a gritar, histérico e depois a rir quando algumas das moças resmungavam perto dele, com recalque por não terem pego o buquê. Anthony rapidamente se aproximou de seu namorado.

– Eu acho que isso é um sinal de Deus.

– Sinal de Deus, Tony? — Ele perguntou aos risos — É sinal de que eu sou mais alto e mais forte do que as mulheres na disputa.

– Não, não. Você nem precisou empurrá-las. O buquê veio direto em suas mãos. É sinal de que você se casará em breve — Piscou para ele.

– Será? — Jonathan piscou de volta e abriu um sorrisinho malicioso — Só me caso com um homem bonitão, intelectual e de olhos azuis... — Descreveu as características mais marcantes de seu namorado.

– Hum... então, realmente, você se casará mais rápido do que imagina!

Depois daquilo, todos caminharam em direção ao local da festa, que era pertinho. Um salão grande e coberto, caso começasse a chover, mas por sorte o tempo estava muito bom naquela tarde de sábado. Enquanto todos iam na frente, entusiasmados com a festa e os comes e bebes, Jane e Maura, abraçadas, iam atrás. A morena envolvia o pescoço da loira, que envolvia sua cintura.

– Eu juro que quando você quis ficar encarregada de escolher o local do casamento e não quis me dizer, eu não imaginava que seria justo aqui! — Os olhos verdes brilhavam.

– Essa é a minha sorte. Você é muito lerdinha, Dra. Rizzoli.

– Dra. Rizzoli? — Maura disse com uma cara de encantamento que fez o coração da morena derreter.

– Sim, agora você é Dra. Rizzoli, ou melhor, Senhora Rizzoli. Não era esse o seu sonho?

– O meu maior sonho...

Selaram seus lábios rapidamente.

– Agora estou curiosa para as próximas surpresas.

– Quais?

– Ué, você ficou encarregada do bolo de casamento, também. E da nossa lua de mel, mesmo eu tendo insistido em dizer que queria ir para Paris... — Falava em tom de reclamação.

– Agora é tarde para reclamar. Quando eu sugeri que me deixasse me encarregar destas coisas, você não fez objeção.

– Não estou reclamando. Só estou curiosa e também com receio, confesso.

– Receio? — Jane se fez de indignada e revirou os olhos — Acha que eu escolheria um bolo pequeno ou simples, tipo de cenoura com chocolate? E acha que te levaria para uma viagem de lua de mel aonde? Na Etiópia? — Maura soltou uma gargalhada alta e gostosa.

– Ai Jane... você é fogo...

– Fogo você vai ver hoje à noite — Sussurrou de forma maliciosa no ouvido dela, fazendo-a se arrepiar e soltar outra risada antes de chegarem no salão de festa.

Todas as pessoas foram se acomodando, sentando-se nas mesas. O salão grande estava muito bem decorado e haviam garçons uniformizados passando com bandejas de salgadinhos e bebidas. Uma mesa enorme, com uma toalha branca, recebia sobre si os pratos, talheres, um imenso bolo em formato de vulcão, contendo duas bonequinhas em cima; uma loira, de vestido e a outra morena com o uniforme do Red Sox, além de garrafas de champanhe, garrafas de cerveja e do vinho favorito de Maura, que assim que viu o bolo, puxou Jane pela mão, quase correndo.

– Eu não acredito! Um bolo em formato de vulcão! — Seus olhos brilhavam diante aquela preciosidade. Fixou os olhos verdes nas bonequinhas — Que gracinha elas são...

– Já que eu não poderia me casar com a roupa do Red Sox, achei interessante a ideia de vestir a bonequinha assim. Gostou?

– Se eu gostei? — Maura se virou para sua esposa — Eu amei a surpresa da minha esposa! — Deu ênfase no "minha esposa" e a morena sorrio, mostrando as covinhas antes de beijar os lábios de Maura lentamente, mas o beijo foi interrompido por um flash forte.

– Que isso? — A morena resmungou ao ver Alex com uma câmera — Tinha que ser você...

– Qual é Rizzoli, é hora de tirarmos fotos! Quero foto de tudo, vamos lá. Junta aí com a Maurinha perto do bolo...

– Eu odeio tirar fotos — Disse fazendo careta, enquanto Maura ajeitava o vestido para tirar a foto.

– Não resmungue, Jane, hoje é seu casamento — Advertiu Lauren — E vocês estão lindas demais para tirarem fotos.

– Alguém falou em foto? — Jonathan chegou correndo, arrastando o namorado pela mão — Eu quero!

– Sai pra lá viado, que agora é foto só das noivas — Alex disse em tom brincalhão.

– Não, se Jonathan preferir ele tira foto com a Maura e vocês me deixam de fora!

– Nada disso, Jay! — Maura retrucou, beliscando o braço dela.

– Au, isso dói...

– Que está havendo aqui? — Angela aproximou da aglomeração dos amigos.

– Sua filha não quer tirar fotos no dia do nosso casamento — Dedurou Maura, recebendo um olhar de reprovação da esposa e Angela parecia indignada.

– Não quer tirar fotos? Ficou louca, Jane Clementine Rizzoli? — Disse séria, beliscando o outro braço de Jane, fazendo todos rirem. — Trate de obedecer sua esposa e tirar fotos!

– Vocês duas são impossíveis!

Depois de ser "agredida" em seu próprio casamento, Jane não teve escolha senão posar para milhares de fotos ao lado de Maura, em posições e lugares diferentes, e depois fotos coletivas com os amigos, até que ela já não mais aguentava os flash's e foi começarar a beliscar os salgadinhos junto aos outros e Maura, enquanto as músicas ecoavam animadas pelo salão. Alex e Lauren, dançarinas fogueteiras natas, já estavam na pista, juntas, obviamente, se acabando de tanto dançar e beber champanhe. Mesmo não sendo o casamento delas, estavam muito felizes.

De repente as músicas animadas e de ritmos diferentes pararam, fazendo todos ficarem em alerta e todos os casais, incluindo Alex e Lauren pararem de dançar e saírem da pista assim que uma valsa iniciou.

– É a valsa das noivas! — Korsak anunciou em tom alto.

Jane e Maura se olharam com encantamento e a morena prontamente estendeu sua mão esquerda para sua esposa.

– Me dá a honra desta dança?

– Mas é claro que sim, cavalheira.

Jane conduziu Maura pela mão até o meio do salão. Segurava sua mão delicadamente e a outra mão pousou sobre suas costas. Maura apoiou sua mão livre suavemente no ombro da morena engravatada e assim elas deram início à valsa, começando a dançar devagar, inicialmente, em passos lentos e suaves e aumentando um pouco o ritmo, acompanhando a bela melodia enquanto todos estavam vidrados naquela visão espetácular das duas noivas mais lindas e apaixonadas dançando de forma tão sublime que pareciam estar nas nuvens.

O mais interessante era ver Jane, uma detetive tão durona e "butch", dançando valsa no papel de homem, e ainda assim dançando de uma maneira tão delicada e sublime, como se ela dançasse a vida inteira, desde sempre.

A pista enorme era só delas e várias luzes giratórias davam mais brilho a situação, assim também como uma fumaça leve e branca. Os fotógrafos corriam para tirar as melhores fotos daquele momento.

A valsa do Imperador foi dançada da forma mais espetácular possível pelas duas, que não desviavam seus olhares, estavam conectadas numa troca não somente de passos, de contato físico para fazer a dança dar certo, mas uma troca silenciosa de promessas, de sentimentos eternos. Elas não viam mais nada além de uma a outra. E os sorrisos estampados nos lábios eram contínuos. No final da valsa, Jane terminou tombando Maura em seus braços e colando seus rostos, a loira tomou a iniciativa de beijá-la e então a música parou, o silêncio não reinou nem dois segundos, pois todos, sem exceção, aplaudiam com mais veemência ainda do que na hora da cerimônia e até gritos poderiam ser escutados.

Depois da valsa, outras músicas aleatórias e de gêneros diferentes voltaram a tocar, e os casais todos puderam retornar a pista, mas Jane e Maura não queriam mais sair dali. Queriam dançar e aproveitar ao máximo a festa de seu casamento. Elas dançavam tanto e sem parar, que chegou um momento que Maura soltou seu coque, ficando com os cabelos soltos e tirou seus sapatos, que eram de salto e já estavam machucando seus pés. E a loira tão elegante não se importou em tirá-los, afinal, os convidados eram todos pessoas próximas e queridas e aquele era seu casamento. Jane tirou o paletó e desabotoou a manga da camisa branca, dobrando a mesma até a altura dos cotovelos. Elas dançavam sem parar, e sorriam, riam, se beijavam, despreocupadas com tudo.

– Esse é o dia mais feliz da minha vida — Jane sussurrou no ouvido de Maura, suas duas mãos segurando na cintura delgada dela — Eu te amo...

– Eu também te amo — Maura beijou-a na bochecha e foi escorregando os lábios até alcançar a boca da morena, enquanto segurava seu rosto com as duas mãos — Mais que tudo... — Sussurrou antes de beijá-la de forma apaixonada.

A festa já estava durando há algumas horas, quando uma música muito animada começou a tocar, então Alex, Lauren, Jonathan e Anthony deram a ideia de todos dançarem juntos. Eles deram as mãos para Jane e Maura, cada um de um lado, fazendo um circulo enorme, junto de outros convidados, de Frankie, Tommy, Lydia, Frost, Susie e até mesmo Korsak e Angela. De mãos dadas, lado a lado, todos balançavam as pernas, pulavam e riam, até que viraram-se e formaram uma fila indianada, colocando as mãos sobre os ombros de quem estava na frente e seguindo todo um caminho pela pista, fazendo os poucos convidados que não estavam na dança, rirem. E os fotógrafos, é claro, correrem para fotografar e filmar também.

Quando chegou finalmente a hora, Jane e Maura cortaram o bolo em forma de vulcão juntas e então depois de comerem e beberem juntas, Jane sua cerveja e Maura seu vinho, de braços entrelaçados, poucos minutos depois disso, Jane sabia que era a hora que elas teriam de partir da festa, deixando todos ali e irem curtir o início de uma longa história de amor, que só estava começando. Era a hora de irem para a lua de mel, então, discretamente, ela falou com um dos empregados do hotel fazenda e pediu que ele trouxesse algo para perto da entrada do salão.

– Agora é a hora que eu rapto a noiva — Jane sussurrou no ouvido de Maura, que estava sozinha, tomando um gole de champanhe e tomou um leve susto.

– Como se você precisasse raptar sua esposa... — Foi a resposta em tom baixinho e animado, enquanto ela deixava a taça de champanhe em cima de uma mesa qualquer.

– Vem comigo.

Maura segurou na mão de Jane e elas saíram correndo para a porta que estava próxima sem serem notadas por ninguém. Ao chegar lá fora, elas riam e ofegavam. O Sol já havia caído no horizonte. A luz que emanava do céu era a luz do luar e das inúmeras estrelas que enfeitavam o céu escuro.

– Aqui, princesa — Jane que havia pedido para ela esperar alguns minutos, voltou em cima de um cavalo branco, completamente branco e todo lindo — Eis aqui nosso veículo de transporte — Disse, soltando uma risadinha, esperando a reação da loira, que tinha um brilho nos olhos marejados.

– Jane... — Estava sem reação — Não acredito que até o cavalo você arranjou...

– Achou que eu ia te levar para a lua de mel dentro de um hotel fazenda como? De carroça? — O humor sarcástico continuava ali, mas era suave — Vem, me dá sua mão... — Estendeu a mão para Maura, que segurou e apoiou o pé, subindo com cuidado, por causa do vestido, na garupa da morena. — Segure-se firme, Senhora Rizzoli!

Maura a obedeceu, abraçando o corpo da morena com força e carinho, encostando seu queixo no ombro dela e sentindo o perfume que emanava de sua nuca, de seus cabelos. A loira fechou os olhos por um instante quando a morena começou a cavalgar e silenciosamente agradeceu a Deus por aquele presente maravilhoso.

Notas finais
Finalmente o tão esperado casamento rizzles.
Gostaram?