R&I - Wish You Were Here
15 Capítulo 14 - O Vingador.
Notas iniciais
Queria agradecer novamente o carinho e a reviews de vocês, minhas lindezas ♥
Pois é, nosso assassino está de volta e agora vamos começar a conhecê-lo melhor e saber algumas coisinhas fundamentais... Não sei ainda que dia sairá o próximo capítulo, só sei que... melhor vocês esperarem para ler. ;)
O ódio é um sentimento tão intenso e devastador quanto o amor. Muitos dizem que ele não é um sentimento bom, que não deve ser alimentado e pouco se é falado do ódio, e muito se é falado do amor. Mas todos os seres humanos possuem ambas as capacidades: de amar e de odiar. E esses dois sentimentos são muito parecidos, mais até do que possamos supor.
Se o amor é conhecido por ser um sentimento intenso, avassalador, que domina completamente o nosso ser e nos leva a fazer coisas impensáveis, o ódio também faz tudo isso em nós. Uma pessoa que não é movida nem pelo amor e nem pelo ódio, ela é insípida. Não há emoção naquele ser e tudo o que ele vive e faz é sem graça.
Ele não era movido pelo amor. Não mais. E embora não gostasse de falar expliticamente do seu ódio, ele sabia que aquele desejo insopitável de vingança não era nada além do seu ódio gritando e da sua dor. E ele não tinha nada além disso: ódio e dor. Mas não se importava porque era isso o que fazia dele o que era: O Vingador, título que ele próprio se dera.
Não, o Vingador não foi um daqueles casos raros de pessoas que já nascem psicopatas e independente do que aconteça ao longo da vida, continuam com o instinto cruel e assassino de matar quem quer que fosse por simples prazer. Não. O Vingador era exatamente aquele tipo mais comum, que todo mundo já havia ouvido falar, especialmente os policiais, médicos e detetives: Ele era um assassino feito pelas circunstâncias da vida.
Matthew Damon um dia foi um homem simples e de coração bom. Possuía uma família a qual amava mais do que qualquer outra coisa. Sua esposa era o Sol que iluminava os seus dias e sua pequena filha era a paz que ele precisava para ser feliz. Matthew era um homem diferente. Ele trocava qualquer partida de futebol, cerveja gelada e conversa fiada com os amigos para ficar com as mulheres de sua vida. Ele amava chegar em casa mais cedo do trabalho e ganhar o beijo apaixonado da esposa e o abraço apertado da pequena loirinha que corria em sua direção gritando por "papai".
Todos os dias ele fechava os olhos no silêncio daquele lugar e conseguia ouvir o riso da sua pequena, assim como os gemidos de sua mulher. Ele conseguia visualizar com perfeição sua esposa cozinhando alegremente para eles nos finais de semana, a maneira como ela dançava sensualmente para ele nas noites mais ardentes. Cada vez que piscava ele via sua filha correndo de um lado para o outro pelo jardim, entre as flores e dizendo que se pudesse, ela seria um pássaro para voar por ai. Essas lembranças que o alimentavam ao mesmo tempo o destruíam, porque se em cinco segundos ele conseguia se teletransportar para os dias em que aqueles momentos ocorroreram, Matthew também conseguia se teletransportar para o maldito dia em que tudo foi destruído.
Queria vingança, e não mediria esforços para consegui-la. Mataria qualquer um que cruzasse seu caminho, inocente ou não. Porque dentro de si, Matthew sabia que ninguém era inocente no final das contas. Todos os seres humanos carregavam às trevas dentro de si. Ele era prova viva disso. Um dia era um homem bom, honesto e gentil, e hoje era um assassino frio e calculista. Não se orgulhava disso, mas não era culpa de Matthew. A culpa era dele. E ele iria pagar da pior forma possível.
[...]
Assim que Maura finalmente percebeu que tudo havia passado, que ela já tinha trinta anos, que não estava mais na Inglaterra na presença de seus pais, mas sim em Boston, ali, nos braços de Jane, ela se acalmou. De alguma maneira algo dentro dela dizia que agora ela poderia finalmente ter paz, e ser feliz.
Elas voltaram para cama pois ainda era muito cedo para ficarem acordadas. Namoraram mais um pouquinho, pois ainda estavam com muita saudade, ou era mesmo a necessidade de ter a outra que era enorme demais e depois voltaram a dormir.
10:30 da manhã elas acordaram e com muita preguiça Jane se arrastou até a cozinha atrás da namorada.
– Que vamos ter de café da manhã? Por favor diga que aqui tem cereal...
– Não, não tem cereal — Maura olhou com uma carinha de pena ao ver a cara da detetive — Mas tem frutas, biscoitos franceses, leite desnatado, suco natural... — Jane fez uma careta enorme.
– Como alguém pode sobreviver comendo esse tipo de coisa?
Maura foi caminhando pela cozinha, tirando algumas coisas dos armários e da geladeira, colocando sobre o balcão, enquanto falava:
– Na verdade você deveria fazer essa pergunta para si mesma, pois a sua alimentação é totalmente inadequada, Jay. Sua genética é muito boa, porque do contrário, dificilmente você manteria esse corpo se alimentando dessa forma.
Jane estava tão sonolenta ainda que com os olhos quase fechados ficava balançando a cabeça para frente e para trás, como aquelas crianças altistas, pois estava com preguiça do falatório de Maura.
– Vou agradecer a minha genética por isso, então.
Maura deu um sorrisinho irônico para ela e começou a preparar seu café com grãos selecionados e importados. Jane não estava com paciência para esperar, então levantou do balcão e foi atrás de cheretar nos armários da loira, quando quase tropeçou em Bass.
– Meu Deus! — Ela disse assustada, ao olhar o animal no chão, Maura se virou e olhou para ambos — Que diabos é isso aqui? Você tem uma tartaruga?
– Cágado — Maura corrigiu — "Geochelone sulcata". Tartaruga africana de cativeiro. Ele gosta de morangos ingleses. Estou com Bass desde que ele era um filhotinho. Somos inseparáveis, não é Bass? — Ela deu um sorrisinho para o animal, que não teve reação.
Jane olhou para a namorada incrédula. Definitivamente Maura tinha gostos ainda mais estranhos do que na adolescência.
– É esse o seu animal de estimação? Poxa vida, imagino o quão imperativo ele deva ser. E Bass? — Fez uma careta — Que nome horrível.
Como a namorada era resmungona. Maura morria de saudades disso.
– Pare de implicância com Bass. É um ótimo companheiro e faz menos sujeira do que sua cadela. E Bass é uma homenagem a um antropólogo forense, William M. Bass, que fundou a famosa fazenda dos corpos.
– Really? Ah, esse Bass — Disse com ironia, já que não fazia ideia de quem fosse. Maura sabia que ela estava sendo irônica, então sorrio para ela. — Esse café frescurento vai demorar muito? Estou com fome, Maura...
– Você é muito impaciente, Jane. Já cansei de dizer que paciência é uma virtude e que você conseguiria alcançá-la facilmente se praticasse yoga — Jane revirou os olhos, a loira ficou em silêncio, fez uma cara de pensativa e então olhou com aquela carinha para a namorada, que já previa o que ela iria falar.
– Não, não, não. Eu não vou fazer yoga com você...
– Vai sim. Espere só nós concluirmos o caso V e eu irei levá-la. Você vai gostar. É uma delícia.
– Mal posso esperar...
De repente o celular das duas começou a tocar, elas correram até a sala para atender.
– Dra. Isles?
– Rizzoli?
[...]
O local do crime era tão inusitado quanto o primeiro: um parque de diversões. E não era qualquer parque de diversões, era o parque de diversões onde Jane e Maura haviam ido algumas vezes na adolescência. O corpo da vítima, outra mulher loira de aparentemente trinta anos, estava estirado de frente para às barracas. Misteriosamente ele havia sido jogado ali na madrugada de domingo e não havia sido notado até a hora dos funcionários chegarem e se assustarem ao ver o cadáver ali.
A mulher assassinada era parecida com à loira da semana anterior. Caucasiana, loira naturalmente, bonita e na mesma faixa de idade, e um detalhe crucial: também estava usando uma máscara do V.
Jane e Mauram foram no carro da legista até o parque e de cara já ficaram impressionadas com a escolha do lugar. Havia a faixa amarela envolvendo uma boa extensão do parque, pegando praticamente todas às barracas e alguns brinquedos ali próximos. Os funcionários e até o proprietário do parque estavam ali, assustados, dando seus depoimentos a Frost.
Korsak e Alex que já haviam chegado também, estavam perto do cadáver, observando-o. Ao contrário da vítima da semana passada, à loira não havia sido baleada, embora possuísse ferimentos de entrada. Na verdade ela estava com vários "furos" na parte abdominal e toráxica e também estava nua.
No momento em que Alex se ajoelhou e tirou a máscara do rosto dela, usando luvas, Jane e Maura se aproximaram.
– Bom dia, começamos cedo hoje — Disse Jane e seu tom pela primeira vez não soava como de reclamação.
Alex olhou para Maura e Jane. Sabia que a morena havia dormido na casa dela, porque estava usando a mesma roupa da noite anterior, e porque havia furado os pneus de seu carro. Em poucos instantes que encarou as duas, já sabia que elas haviam se acertado.
– Bom dia, senhoras. Temos mais uma mulher loira assassinada — Korsak disse.
– Baleada também? — Jane perguntou a ele enquanto Maura colocava suas luvas e já se abaixava perto do cadáver, do lado oposto ao de Alex.
– Não. Ela tem ferimentos de entrada que eu não posso identificar exatamente com o que foram feitos, mas definitivamente não foi baleada.
– Como foi à noite? — Alex perguntou baixo para que só Maura ouvisse, a loira ergueu os olhos e a olhou indignada. — Aposto que vocês transaram...
– Eu vou ter uma conversinha com você e Jonathan depois, Detetive Vause.
A morena se segurou para não soltar uma risada e então se levantou, dando de cara com Jane que a fitava seriamente.
– Eu vou querer o dinheiro dos meus pneus.
– Não faço ideia do que você está falando... — Alex disse com aquele sorriso irônico e Jane correspondeu-o.
Conversariam sobre isso depois. Agora o foco era o assassinato. Maura olhava intrigadamente para aquele cadáver.
– Mesmo não tendo morrido pela mesma causa que a Sara, ela foi morta pelo mesmo assassino. As vítimas se parecem e ambas estavam com a máscara do V — Afirmou Alex.
Jane começou a esfregar suas cicatrizes. Não gostava quando os assassinatos ficavam sem resolução rápida e gostava menos ainda quando algum serial killer aparecia. Sempre se lembrava de Hoyt.
– Eu encontrei uma coisa — Disse Frost se aproximando e pondo o braço direito na frente da boca ao ver o cadáver, estendeu a outra mão na direção de Jane segurando em mãos um envelope.
– O que é isso? — Ela segurou no mesmo usando luvas, abriu-o e ao ler sentiu um arrepio.
"Olá, Detetive Rizzoli.
Tenho mais dois "presentes" para vocês que logo mais serão entregues, espero que gostem.
Dê meus cumprimentos ao Paddy Doyle e diga à Maura que logo mais nós iremos nos encontrar.
O Vingador."
Mesmo não fazendo a mínima ideia de quem fosse o assassino e nem porque ele estivesse fazendo tudo aquilo, ao ler aquelas palavras, Jane podia sentir todo o sarcasmo encoberto de ódio e ao ver que o assassino "conhecia" Maura e dizia que ainda iria encontrá-la, isso causou um pânico inenarrável na morena.
Ela leu o bilhete em voz alta, novamente e a expressão de todos foi a mesma: Tensão, preocupação, alerta. Eles não estavam lidando com um assassino qualquer. Era um serial killer que pelo visto tinha alguma ligação com Paddy Doyle e estava de olho em Maura.
Como ninguém sabia, nem mesmo Jane, que o pai de Maura era o mafioso Paddy Doyle, ela contou a eles e explicou que nunca teve contato com o homem, que sequer sabia como era o rosto dele.
Todos foram para a Central, em alerta. Já sabiam que fosse quem fosse o assassino, não era ninguém próximo da Sara, por isso não haviam encontrado pistas, e provavelmente também não seria ninguém próximo aquela nova vítima ainda não identificada. E agora sabiam que o assassino tinha alguma ligação aparente com Paddy Doyle e precisavam descobrir qual era antes que mais corpos surgissem.
[...]
– Ele vai tentar pegar a Maura — Jane disse aflita.
Ela, Korsak, Frost e Alex estavam reunidos no escritório, observando as fotos dos cádaveres colocadas no painel, além de algumas informações e o bilhete do Vingador.
– Não sabemos disso, Jane. Não temos certeza.
– Frost, ele tem alguma ligação com o Paddy Doyle e pelo visto não é das mais amigáveis. Ele deixou um bilhete dizendo que logo mais irá se encontrar com a Maura!
– Nós temos que manter a calma — Alex disse o óbvio e a morena revirou os olhos — Não sabemos quem é esse filho da puta, só que ele tem algum complexo na cabeça e pensa que é um tipo de "vingador" e pra ele se denominar assim é porque está querendo se vingar, provavelmente do Paddy.
– Alex tem razão. E se ele quer se vingar do Paddy, temos que descobrir o que Paddy fez a ele para sabermos sua identidade.
– Certo, eu sei disso, mas... Paddy Doyle é um mafioso assassino, procurado, acusado de 15 assassinatos, fora o que nós não sabemos. Ele já matou e prejudicou tantas pessoas que se fossemos atrás de cada um que teria motivos para se vingar nós perderíamos um tempo infinito que não temos! — A morena estava cada vez mais tensa e preocupada.
Era óbvio que o tal de O Vingador queria vingança de Paddy Doyle fazendo algo contra Maura. Muito mais do que citar ambos no bilhete, o assassino deixou isso muito claro porque as duas vítimas até agora eram mulheres loiras, parecidas com Maura e na mesma faixa etária. Era um recado. Um recado para Paddy Doyle.
– Além do mais, as duas vítimas são mulheres loiras de 30 anos. Vocês acreditam em coincidência? Porque eu não acredito!
Todos se entreolharam, tensos.
[...]
Maura estava no necrotério fazendo a autópsia da nova vítima e comparando algumas de suas marcas de tortura com a outra. Estava tentando manter sua mente ocupada para não pensar que um serial killer que ela não fazia ideia de quem fosse, estava atrás dela, porque queria se vingar de seu pai biológico que ela não conhecia.
Desde pequena ela sempre quis conhecer os pais biológicos. Uma curiosidade comum para pessoas adotadas. Mas quando aconteceu todo aquele evento lamentável em Boston, com Constance e Richard revelando de maneira cruel a identidade de seu pai e ainda usando-o como desculpa para levarem-na de volta a Londres, definitivamente Maura se traumatizou. Ela não queria conhecer o pai, porque simplesmente não deixaria um homem daquela espécie fazer parte do seu mundo. E tinha medo de descobrir a identidade da mãe.
Ela era bastante racional, tirando seus sentimentos por Jane, dificilmente Maura deixava outros sentimentos dominarem sua razão. Ela processava suas ideias, seu conhecimento, tudo de uma forma sensata, tentando sempre pôr em prática no seu dia a dia o que a ciência havia lhe ensinado, assim, ela evitaria ter a maioria dos problemas que as outras pessoas possuíam, no entanto, era um pouco difícil não ser tomada pelo pânico ao descobrir que um assassino querendo vingança de seu pai estava provavelmente atrás dela.
A morena estava tão nervosa quanto Maura, senão mais, e na primeira oportunidade desceu para vê-la. Assim que Maura viu a morena ainda no corredor, tirou suas luvas e soltou seus cabelos do rabo de cavalo que estava até então.
– Eu vim ver como você tá com tudo isso — Jane disse assim que entrou na sala, olhando de forma amorosa para Maura e se aproximando — Eu sei que por motivos óbvios o assunto do seu pai biológico já não é muito bom, somado, então, com um serial killer...
– O que eu posso dizer? — Maura deu aquele sorrisinho de impotência e então suspirou — Há algum assassino por aí querendo provavelmente me matar por causa de alguma coisa que o meu pai fez. Pai esse que eu desconheço e que muito odiei quando pensei que ele ameaçasse sua vida.
– Eu sei que não é fácil, mas não fica nervosa. Nós vamos fazer o impossível pra encontrar esse Vingador. Ele não vai encostar em você...
Ao ver o olhar tão preocupado e afetuoso de Jane, a loira não resistiu em abraçá-la. Estava se sentindo frágil. Seus braços rodearam o corpo da morena, apertou-se contra ela, encostando seu rosto no peito dela, sentindo-se ainda mais frágil naquele momento. Jane a abraçou pelos ombros e beijou o topo de sua cabeça.
– Eu não vou deixar que nada de mal te aconteça, Maur. Sabe disso, não sabe?
– Eu sei.
Mesmo sabendo que a detetive faria o possível e impossível para deter o tal do Vingador, pela primeira vez na vida Maura estava com uma sensação estranha em relação aquele caso, aquele homem que ela nem sequer sabia o nome, mas que pelo visto, ele sabia muito sobre ela.
[...]
Voltaram para casa e aproveitaram o fim de domingo para darem uma descansada pois sabiam que a semana seria longa. Jane fez o máximo possível para deixar Maura tranquila. Sua mãe, que soube pela televisão do corpo da nova vítima, ligou incansavelmente para a detetive até que ela atendeu e contou a mãe que havia voltado com Maura, o que fez Angela literalmente pular de alegria.
Jonathan, que também viu sobre o novo corpo da vítima na televisão, e viu também a informação que os jornalistas deram, contando sobre o tal bilhete que o Vingador deixou falando a respeito de sua amiga, preocupado, foi direto para à casa dela quando Jane não estava, pois havia ido até seu apartamento com o carro de Maura cuidar de Jo Friday.
– Querida, eu vi a notícia na televisão! Você está bem? — Foi à primeira coisa que ele disse ao ser recebido na porta, pegando nas mãos da amiga e olhando-a com preocupação — Fiquei barbarizado. Que história é essa?
Ao ver a expressão que Maura fez, ele soltou suas mãos e preferiu abraçá-la delicadamente. Embora Jonathan além de gay fosse muito mais delicado e frágil que Jane, depois da morena, era a única pessoa que conseguia passar segurança à Maura.
Sentaram no sofá para conversar.
– Eu não faço a mínima ideia do que Paddy Doyle fez a esse homem que se denomina como "Vingador" para ele estar tão furioso. Tem dois cadáveres na minha sala de autópsia de mulheres lindas e jovens que tiveram sua vida tirada a troco de uma vingança de algo que sequer elas possuíam conhecimento... É surreal.
– Deus, eu imagino. Isso tudo me parece um filme policial de terror. Mas o que ele disse exatamente no bilhete?
– Ele disse que mandava seus cumprimentos ao Paddy Doyle e que logo se encontraria comigo. O que eu achei mais estranho e nem comentei com Jane ainda, não sei se ela reparou, mas é os locais onde ele deixou os cadáveres.
Jonathan prestava atenção na amiga, olhando-a atentamente.
– O primeiro foi num museu, não é?
– Sim. E a perícia confirmou que a vítima não foi morta ali e sim levada para lá depois de morta. E hoje o cadáver foi encontrado num parque de diversões que eu e Jane frequentávamos quando éramos jovens — Disse, visivelmente incomodada com o fato de não entender aquilo. Seja lá quem fosse O Vingador, era bastante esperto e sabia mais sobre Maura do que ela poderia supôr.
– Você acha que não foi uma simples coincidência os corpos estarem em dois lugares que você gosta e já frequentou?
– Sinceramente não. Justamente porque as vítimas não foram encontradas e mortas ali. Ele as achou antes, em algum lugar, fez o que tinha que fazer, e depois teve todo o trabalho e correu todo o perigo para deixá-las onde estavam. E o corpo da segunda vítima não estava em qualquer lutar aleatório do parque, e sim perto das barracas onde foi que eu mais estive com Jane me divertindo — Ficou pensativa por alguns instantes — Ele me quer. Quanto a isso não há dúvidas. As vítimas são caucasianas, loiras, ambas de trinta anos e ele deixou isso claro no bilhete.
– Oh Deus, fico arrepiado só de imaginar que temos um maníaco a solta atrás de você! — Ele fez aquela cara de choro que sempre fazia em situações tensas e esticou a mão direita até alcançar a mão de Maura. — Mas você trabalha no Departamento. Os policiais e detetives são ótimos e já estão atrás dele. Não vão deixar que o tal Vingador encoste sequer em uma mexa do seu cabelo. Jane não deixaria, eu tenho certeza...
Maura sorrio e assentiu.
– Não, ela não deixaria. E falando nela, nós precisamos conversar sobre isso, não é, seu Jonathan? — Embora Maura quisesse parecer séria, a conversa já havia se tornado mais amenua só com a mudança de assunto.
Ele soltou a mão dela e raspou a garganta, abrindo um sorrisinho no canto dos lábios.
– Não sei qual assunto relacionado a Jane nós precisamos tratar. Não me diga que vocês duas se entenderam finalmente?
– Não era essa a intenção de você e Alex quando furaram os pneus da Jane e nos largaram sozinhas aqui? — Ao dizer isso, Maura deixou Jonathan sem graça, mas ele acabou soltando uma gargalhada, rendido.
– Ok, ok. Confesso que eu e Alex planejamos tudo. Assim que você me falou sobre Alex e que tava de amizadezinha com a Jane, no mesmo instante eu pensei em ir pedir a ajuda dela pra empurrar vocês duas de vez. Porque eu não sou obrigado a ver minha melhor amiga sofrendo como uma adolescente, por favor...
Foi a vez de Maura soltar uma risadinha, balançando a cabeça em negação.
– Vocês dois são terríveis! E se não tivesse dado certo?
– Tentaríamos novamente. Não desisto fácil, você sabe — Ele piscou para Maura e depois se reclinou no sofá, encostando seu braço no mesmo e apoiando o rosto na mão, olhando-a totalmente curioso — Mas me conta como foi isso? Eu quero detalhes até da parte +18.
– Jonan! — Maura se fez de indignada, mas já sabia que o amigo era assim mesmo, ele não tinha jeito.
Maura contou para ele tudo que havia acontecido, mas obviamente não entrou nos detalhes que ele tanto gostava. Podia não parecer muito pela facilidade com a qual ela entrava em todos os assuntos, pelo seu excesso de conhecimento, mas ela era tímida e reservada. Não gostava de expôr esse tipo de coisa.
Ao ouvir a amiga contando sobre a maneira como Jane descobriu toda a verdade, Jonathan ficou incrédulo e Maura mal terminava de falar e ele já estava chorando como um garotinho, todo emocionado, achando a coisa mais linda do mundo aquilo tudo. Desde que conheceu Maura e soube da história de Jane, ele já se via encantado com o amor das duas.
– Oh meu Deus, vocês são lindas demais! Que doçura, minha lady! Então agora vocês finalmente ficarão juntas, sem brigas, sem mágoas e sem aquela ruiva azeda? — Maura riu da parte final e sem se dar conta ela também estava emocionada. — Que perfeição. Agora só falta vocês casarem e terem babys. Imagina que coisa mais linda um bebê loiro com seus olhos verdes? E uma criança com os cabelos e as covinhas da Jane? Deus do céu!
Ela soltou outra gargalhada. Era engraçado ver a empolgação do amigo. Ela e Jane mal haviam se entendido e ele já planejava todo o futuro. Mesmo sendo cedo para isso, ela não conseguiu não visualizar a cena das duas casadas e com filhos. Realmente seria lindo.
– Você precisa se controlar, Jonan. Vamos por partes, ok? Acabamos de nos entender...
– Eu sei querida, só estou eufórico ao pensar num futuro não tão distante assim, afinal vocês já tem trinta anos, ficaram separadas por doze e não podem mais perder tempo. Só sei que eu ficarei muito ofendido se não for convidado para ser o madrinho!
– Você quis dizer "padrinho", não é? — Os dois soltaram uma gargalhada.
[...]
Assim que Jane entrou em seu apartamento foi recebida por latidos da pequena bolinha de pelos que veio correndo recebê-la. Jane se abaixou para acariciar Jo Friday e recebeu algumas lambidas.
Ela, então, deu atenção à cadela, trocando suas vasilhas de água e comida e levando-a passear. Depois tomou um banho ao voltar para o apartamento e colocou numa sacola roupas para trabalhar amanhã. Ela iria dormir na casa de Maura, com à loira. Não queria deixá-la sozinha. Sabia que mesmo não demonstrando muito, estava abalada com o acontecido.
Ela estava prestes a sair do apartamento com uma pequena sacola em mãos e ao abrir a porta, se deparou com Lauren. Ela não parecia brava como no sábado.
– Lauren — Jane disse, não escondendo sua surpresa — Eu não sabia que viria aqui hoje.
– E eu não iria vir, mas vi na televisão que mais um cadáver apareceu, do mesmo caso que vocês estavam trabalhando na semana passada e quis vir te ver. Posso entrar?
A morena ficou pensativa por alguns segundos, estava prestes a ir para a casa de Maura, não queria deixá-la sozinha por muito tempo naquele dia, mas provavelmente ela estava ainda na companhia de Jonathan. Jane olhou para a sacola em sua mão e Lauren também, mas a ruiva não perguntou nada.
– Claro, entra...
Fechou a porta assim que ela entrou e deixou a sacola do lado da mesma, seguindo para sentar com ela no sofá.
– Você tá bem, Jane? Sua cara... me parece preocupada — Disse num tom normal, e até mais baixo olhando para a morena. Ela não queria, e nem deveria, mas se importava demais com Jane.
– É difícil não ficar preocupada quando surgem esses seriais killer's. Se bem que não sei se podemos enquadrar "O Vingador" na lista de seriais. Ele não mata por prazer, mas sim por vingança.
– Ele quer se vingar de um mafioso, não é? Eu vi a reportagem muito rápido lá no apê, e as meninas estavam fazendo muito barulho, não consegui ver muita coisa. Um tal de Paddy...
– Paddy Doyle.
– Isso! Maura é filha de um mafioso? — Lauren perguntou realmente surpresa.
Jane soltou um suspiro. Ela detestava a mídia por causa disso. Aquele tipo de informação passada nas televisões, nos jornais, definitivamente não era algo muito bom.
– Infelizmente. Mas ela não o conhece. Eu te disse que ela era adotada — A ruiva assentiu, lembrava-se disso. Jane estava nitidamente preocupada — O problema é que Paddy Doyle é foragido da polícia, ainda mais a polícia de Boston. Nós não sabemos onde encontrá-lo, do contrário seria mais fácil descobrirmos quem é esse Vingador.
– Sim — A ruiva ficou fitando o tapete e então tornou a olhar para Jane. Ela sabia a resposta, e mesmo a situação sendo delicada o suficiente e exigindo de fato a preocupação de todos, isso a incomodava bastante. — Você está preocupada com a Maura, não está?
Ela encarou os olhos azuis de Lauren. Sabia desde o início que a garota realmente gostava dela. Que apesar de ser daquele jeito todo doidinho e impetuoso, Lauren era sincera em seus sentimentos. E por saber disso não deveria tê-la deixado criar expectativas, não deveria tê-la pedido em namoro. Sabia que acabaria magoando-a e não era o que queria.
Passou a língua por entre os lábios, deu aquele sorrisinho tenso.
– Estou, bastante. Ele deixou claro no bilhete que iria se "encontrar" com Maura, fora que os cadáveres são de mulheres loiras...
– E vocês não tem nenhuma pista de quem ele seja? Nenhuma informação além do bilhete? Nada? — Jane fez que não com a cabeça — E como vão detê-lo antes que ele mate mais pessoas, ou até mesmo antes que ele... — Ela não completou a frase ao ver a expressão de Jane.
– Eu não posso deixar isso acontecer. Eu não... — Foi respirar fundo e teve dificuldade para fazê-lo. Era incrível como se tornava difícil sequer respirar sob a hipótese de algo acontecer com sua Maura. — Lauren, nós precisamos conversar. Sábado você me deixou falando sozinha na lanchonete.
– Eu queria me desculpar por isso. Não deveria ter falado contigo daquele jeito e nem saído daquela maneira... — Ela estava realmente tentando parecer calma, mesmo sabendo que a errada era Jane por tê-la deixado sozinha e ir jantar com Maura. Estava com tanto medo de perder a morena que preferia se fazer de cega.
Jane percebeu o que ela estava tentando fazer, mas não iria adiantar. Ela não sustentaria aquele namoro sem futuro nem mais por meia hora que fosse.
– Tudo bem, Lauren. Você ficou irritada e eu te entendo. Você... você tinha razão nas coisas que me disse — Mesmo vendo os olhos azuis começarem a ficarem cheios de medo, ela não iria parar até que dissesse tudo — Eu não consigo ser só amiga da Maura. Não consigo mesmo. Eu bem que tentei. Eu gosto de você, de verdade, pensei que nós pudéssemos dar certo juntas, mas nós não podemos, Lauren. Porque infelizmente eu não tenho o amor que você quer. E se eu tenho, ele não é seu. Ele é da Maura.
Imediatamente os olhos da ruiva marejaram, fazendo-a ter que olhar para cima e respirar fundo, não deixando que lágrima nenhuma caísse. Só ela sabia o quão duro era ouvir, finalmente, o que já sabia dos lábios de Jane. Mesmo sabendo que ela amava Maura, Lauren chegou a ter esperanças. Não podia culpar Jane por isso. Ela aceitou namorá-la mesmo sabendo de toda a história das duas.
– Eu já sabia disso. Só não quis ou fingi não enxergar. Mas eu sabia — Abriu um sorriso doloroso e Jane não disse nada. Sabia que estava magoando-a profundamente. Mas era melhor dizer a verdade de uma vez. — Eu só quero saber uma coisa: Vocês ficarem juntas ontem?
Imediatamente Jane vacilou, fugindo o olhar. Ela podia não ter crises de urticária como a Maura, mas não gostava de mentir, especialmente naquele tipo de situação, porque ela tinha algo chamado: caráter.
– Ficamos — Admitiu e logo abaixou a cabeça.
– Porque será que não estou surpresa com isso? — O tom de Lauren era ironia pura. — Você poderia ter tido ao menos consideração de ter terminado comigo antes quando discutimos na lanchonete. Eu te disse que você não conseguiria ser só amiga dela, e o que você me respondeu?
– Eu sinto muito, Lauren. Não queria que as coisas acontecessem assim. Eu dormi na casa dela por um acaso, ou melhor, por uma armação dos amigos dela. Furaram os pneus do meu carro e...
Ela soltou uma risada, que fez Jane encará-la.
– Acha mesmo que eu vou acreditar em alguma coisa que você me diga, agora?
– Mas estou te dizendo a verdade. Não tenho motivos para mentir.
– Mesmo assim. Devia ter me dito a verdade antes e ter terminado comigo ao invés de me trair. Não teve um pingo de consideraçaõ por mim! — Falou num tom mais sério, agora com raiva — Ela te abandonou, Jane. Pensei que você não pudesse ficar com ela depois disso.
– E eu não podia, mas agora eu sei dos motivos que ela teve pra fazer isso. É diferente.
Novamente Lauren soltou uma risada debochada. Ela, que nunca havia errado sequer uma vez com Jane, não era dignada o suficiente para receber o seu amor e Maura que havia abandonado-a há anos atrás, ganhava Jane de bandeja.
– Não interessa os motivos. Ela te abandonou e mesmo assim você a escolheu.
Jane não discutiria aquilo com Lauren. Estava nervosa, magoada, e com razão. Não adiantava discutir com cabeça quente e não interessava o que ela pensava em relação à Maura.
– Eu a escolhi porque eu a amo. Eu a amo há doze anos. Mesmo com todo esse tempo longe dela, eu continuei a amá-la. Se isso não é motivo suficiente para se escolher alguém, então eu não sei qual é — Disse com toda sinceridade do mundo.
Lauren sorrio e nada mais havia de ser dito naquele momento. Ela estava despeçada. Não. Não havia jeito nenhum dela e Jane darem certo. Nunca. E ela sabia disso desde o início. Agora teria que se conformar.
Se levantou do sofá e disse antes de virar e sair pela porta:
– Adeus, Jane.
[...]
A campainha tocou e Maura sentiu um frio na espinha e uma sensação ruim. Jonathan já havia ido embora, ela estava sozinha. Será que agora seria assim toda vez que sua campainha tocasse? Ficaria com medo de ser o Vingador?
Assim que abriu a porta se sentiu aliviada e feliz ao ver a figura de Jane.
– Vim devolver seu carro e se você não se importar, vou ficar aqui essa noite com você.
Maura viu a sacola na mão de Jane e então sorrio largamente.
– Nada me faria mais feliz do que isso!
Após entrar e fechar a porta, Jane deixou a sacola ali no chão mesmo e agarrou Maura pela cintura, apertando os braços fortemente ao redor dela, abraçando-a com força. Maura fechou os olhos e a abraçou pelo pescoço. Estar com Jane era tudo o que ela precisava. Naquele abraço ela encontrava sua paz.
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