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1 Lápis e papel
Oi, lápis e papel!
Sinto falta de vocês.
Fico olhando para o céu
e lembrando daquele tempo em que as palavras saíam pelas pontas dos meus dedos sem dificuldade alguma.
Hoje, vocês se tornaram as teclas do meu teclado.
Está tudo tão diferente...
Não sinto falta do mesmo, mas achei que fosse ser mais fácil escrever histórias que não refletissem o passado.
De fato, aquele passado foi fruto dos meus melhores versos.
Encontrei, no âmago das minhas feridas, a cura para todas elas.
E, após curá-las, me senti novamente perdida — de uma forma diferente, amadurecida, e com a certeza de que quero algo novo.
E eu tenho mudado tudo.
Algumas coisas ainda estão no papel, mas estou indo bem. Eu estou bem!
Sim, eu parei de escrever poemas.
Estou, aos poucos — milimetricamente — desenvolvendo aquelas histórias que minha alma adolescente um dia escreveu.
É difícil desenvolvê-las com a mente e o olhar amadurecidos, dez anos após abandoná-las.
Mudei muito mais do que criei, mas estou feliz com isso.
Ainda não me conectei com vocês desde a última história.
Sinto-me bloqueada. Sinto um vazio.
Sei que vocês são o caminho para preencher as lacunas,
mas tenho estado anestesiada demais para sentir algo.
Versos não se criam sem sentimentos — não os meus!
"Todo autor é ator no final." — Silva Vitória.
Às vezes — quase sempre, se não sempre —
estamos exagerando a dosagem de melancolia em nossos versos.
Mas sempre com sentimento.
Porque atuação também contém a ação de sentimentos!
Boa noite, lápis e papel.
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