RE - FUNDAÇÃO

8 07 - A Explicação


“Vivemos em um mundo onde um fato não transgride sem um por que... Por que amamos? Por que odiamos? Por quê?..." Marcy

“Dai surge a necessidade das explicações. As lâmpadas capazes de adentrar à escuridão, e de revelar o caminho até o verdadeiro sentido das coisas " Liz

Bruna conseguira comunicar-se com a polícia local, enquanto Wandra e Thalia procuravam retalhos de tecidos que fossem capazes de manter pressão na perna de Arthur. Daniel amarrara a cientista e os demais capangas envoltos em uma coluna de madeira, não queria correr o risco de ter mais uma surpresa.

Os corpos resgatados, ainda desacordados, suavam frio num suspeito estado de febre. O único a ter uma melhora fora o de Lyver (Marcy), o ser portador do dom da cura.

Ao abrir os olhos, uma intensa e azulada coloração manter-se-á poucos segundos em sua íris.

Lyver! — Thalia gritou — Ai meu Deus obrigado! Pensei que fosse te perder dessa vez — Beijara sua testa.

To bem; Eles que precisam de mim, e de vocês — Levantara-se com auxílio de Thalia e Bruna.

Bruna os disse que tinha chamado as autoridades, e que os mesmos já iam socorrê-los.

Lyver posicionou-se e ajoelhou frente aos seus amigos, juntando às mãos sobre o peito de Amber; Os humanos prestavam atenção a cada movimento. Antes de começar o seu trabalho disse:

O que vocês verão agora terá uma explicação — Assombrados com o que viram os garotos continuaram quietos — Só peço que tenham calma... E confiem em nós.

Havia começado; feixes azuis de luz espalhava-se pelo corpo de Amber, a cada pulsar de suas mãos Lyver impulsionava mais luz.

Atônitos, esgueirados, assustados... O grupo de humanos desentendia o que era toda aquela energia, e mais ainda como Lyver sabia fazer o que fazia.

Um crescente e gradativo suspiro fora dado por Amber.

Obrigado — Agradeceu-lhe. Seus olhos cintilavam pura cor âmbar, dessa vez deslumbrada pelos humanos.

Mas o que é isso?! — Inquieto e perturbado Arthur lançara sua dúvida, que fora ignorada.

Lyver prosseguira com sua 'cessão de cura', um por um. Concluindo todo o ato com a sensação de trabalho bem feito, e fora realmente bem sucedido, os hospedeiros de pé viam novamente milhares de facetas luminosas do mundo humano.

Lyver caminhou até Arthur, e antes de tentar fazer qualquer movimento lhe perguntou:

Posso? — Olhara o ferimento. Arthur também fez o mesmo, hesitou, mas sentia que seria melhor amenizar a sua dor.

Pode sim — Desenrolou as ataduras caseiras.

Novamente Lyver usara seu dom, dessa vez observada por todos. Os hospedeiros deslumbravam tal cena, e os humanos sentiam receio, até mesmo medo.

Precisamos conversar — Intimou Will.

Um círculo involuntário fora feito.

Foi Wandra que lançara a pergunta chave:

O que são vocês?

Silenciaram-se por dois minutos, dois inquietantes minutos.

Somos seus aliados — Ann pôs fim ao mistério.

Uma vez mais houve o inquietante silêncio.

O que fizeram com nossos amigos? Por que fizeram? — Daniel aprofundou-se no assunto, em busca da explicação chave.

Antes de responderem, Thalia acrescentou mais uma dúvida:

É claro que não são os mesmos de antes. Não podem ser.

Arthur já curado ficou de pé.

E você Verena, também é um parasita? — Ao dizer isso sentira uma imesa tristeza. Verena não o olhou.

Não somos parasitas — Amber o retrucou.

A mãe divina nos mandou a Terra com um propósito... — Liz iniciara a explicação — Refundar todos vocês. Torná-los seres melhores. Não só vocês, mas também os corpos em que estamos hospedados.

Verena virou-se para Arthur:

Não Arthur, eu sou o único ser que possui um corpo próprio. Este é o meu corpo desde minhas últimas encarnações — Ele sentira um alívio com as palavras de Verena.

E os nossos amigos? — Perguntou Bruna.

Eles continuam aqui — Will apontou em direção ao corpo de Caio — Fusionaram-se conosco. Foi um pacto entre eles e nós.

Assim que ao término de nossas missões eles retornarão ao controle — Completara Marcy.

" As explicações são seguidas por confiança e lealdade... São pioneiras de

uma trama; Dão movimento ao roteiro " Ann

Nunca pararam pra pensar em quais situações nos conhecemos?... Você Arthur, eu te conheci a beira de um suicídio — Arthur abaixou a cabeça. Os meninos não conheciam quase nada sobre ele, e ao saberem disso sentiram uma fraternal compaixão.

Conhecemos todos os nossos hóspedes em situações entre a vida e a morte... Wandra se lembra do assalto? — Will a perguntara.

Ela o confirmou balançado sua cabeça.

Liz prosseguiu:

A Ana é a minha missão... A salvei de um afogamento; a ajudei aceitar-se e trouxe pra ela uma nova mensagem de vida: A compaixão com o outro — Nesse momento Ana chorara com as palavras que ecoaram em sua mente.

Jennifer e eu tivemos muita dificuldade para aceitar uma a outra — Amber riu — O que fez com que nos juntássemos fora a confissão de sua mãe, a resolução de um problema que doía há anos nela. E agora me encarrego de você Daniel — Ele obteve interesse — Vou ajudá-lo a ter aceitação do problema do seu irmão; Vou estar lado a lado em seus problemas, irei descongelar o seu verdadeiro eu — Lágrimas caíram do rosto dele; Uma sensação de alívio percorrera seu corpo.

Thalia eu e você estivemos frente a morte! Lyver não existiria, mas eu cheguei a tempo para salvá-lo. E juntos conseguimos estabelecer um acordo — Marcy esclarecera.

Ann aproximou-se de Bruna.

Sei o que Gabriel significa pra você. Ao entrar em contato com a alma dele pude perceber que vocês dois possuem uma pura amizade, e isso não vai acabar — Ann ajeitara os óculos de Bruna.

Não sabemos o porquê de terem nos sequestrado, e nem ao menos quem foi o mandante, mas acredito que a partir de agora nada será igual — Will encerrara o círculo de conversas.

Passou-se dez minutos, ao término da conversa ninguém havia dito nada, esperavam quietos a viatura. Quando os policiais chegaram, os disseram que foram vítimas de um sequestro, e não quiseram falar mais nada, só pediram para voltar pra casa, e dar fim aquele dia.

70º Dia...

Eles nos salvaram? — Soou como uma pergunta, mas que já tinha sua resposta.

Sim Liz — Ann a respondeu pela terceira vez.

Liz encheu-se de alegria, admiração para com os humanos.

Will vasculhava um espesso livro, atrás de uma explicação a respeito do obscuro ser.

Verena entrou na sala carregando duas sacolas de papel marrom.

Oi — Saudou contento. E não teve retorno.

Amber concentrava-se na montagem de um aparato que pudesse verificar a existência de outros seres não físicos como eles. Will sabia que quem os tinha raptado seria alguém que possuísse o conhecimento de suas existências, portanto um de sua espécie.

Algum progresso? — Ann perguntou.

Não. Ainda não — Apertara um pequeno parafuso solto.

Encontrei! Depois de uma semana procurando eu encontrei! — Will gritou exaltado com a descoberta.

Todos foram de encontro ao livro.

O que você achou? — Perguntou Ann olhando fixo para a gravura de uma mulher.

Will virou-se com o livro e apontou para a imagem.

A explicação que faltava.

Com a verdade dita os humanos resolveram afastar-se dos seus aliados, não mais por medo ou desconfiança, e sim porque queriam ter um momento para poderem filtrar todas aquelas confissões. Desatar os nós que ainda restavam e estabelecerem o que fariam dali por diante.