RE - FUNDAÇÃO

11 10 - Uma Sombra Ao Pôr do Sol


A todos os meus amigos,

Sinto muito que nada tenha saído como planejei e espero que possam me perdoar em seus corações, porque eu mesmo não consigo.

Gustavo/Lith

Caminhava em direção a uma imensa sala descomunal, cheia de cadeiras acolchoadas, enfileiradas uniformemente em volta de uma mesa retangular.

Era soberba em seus passos, e ao mesmo tempo competente. Sabia que qualquer falha seria seu adeus imediato — talvez seu passe para a morte.

Já saíram da rodoviária, senhor — Entregou-lhe um tablet com as coordenadas exatas do veículo.

O sinuoso homem lançou um olhar daqueles dignos de respeito.

Tenho a aceitação unânime? — Perguntou ao levantar de sua cadeira.

Não disseram nada, com ato do balançar a cabeça comprovaram suas respostas.

Ótimo! — Sentou — Bianca reúna todos os nossos homens e prossigam para a baía de Vítória.

Sim senhor — Retirou-se.

...

Você adora nos provocar — Afirmou pelos dois, o hóspede e o hospedeiro.

Liz ajeitou-se na poltrona.

E vocês não tomam atitude — Prosseguiu com o diálogo de plural.

Marcy a surpreendeu com um beijo molhado. Em sua consciência sentira algo que nunca havia experimentado antes... O contato dopamínico entre dois corpos. Uma sensação que antes desconheciam.

Aê — Gritaram em uni som.

A dopamina crescia em ambos. Tinham a necessidade de continuarem o contato que lhes provocaram uma sensação humana. Até mesmo Liz não

Havia sentido o que sentira.

Seus amigos serviram de espectadores. Riam e aplaudiam a cena.

Tava na hora hein! — Escutaram uma voz da poltrona de trás.

Mais do que na hora! — Wandra riu ao completar.

Tudo bem?

Sim. Eu sentia algo muito forte quando me aproximava dele. Isso só foi uma consequência que já viria acontecer — Ana acalmara Liz com sua aprovação.

Não é o físico, digo o Lyver. O que me atrai é o Marcy.

Até que para um humanoide ele é bem bonitinho — Riram como duas velhas e boas amigas — Quando tudo terminar, eu me ajeitarei com o Lyver.

Que fura olho! — Socou-lhe de leve o peito esquerdo.

Calma cara! O meu lance é com a Liz.

Menos mal... Porque a Ana é minha! — Disse como se tivesse posse de um bem valioso.

Toda sua cara.

Ninguém presenciará os diálogos introspectivos que tiveram Marcy e Liz.

Cessaram com o beijo. Olharam-se de novo, e recolheram-se em suas poltronas, vergonhosos com o que tinha passado.

Até que enfim hein — Zombou Bruna.

Deixa o casal aproveitar — Arthur os protegeu enquanto segurava uma das mãos de Verena

Pra quando é o casório? — Intimou Gustavo. E os meninos riram.

Engraçadinho você — Marcy o retrucou.

...

Cerca de dez carros estavam parados formando uma barreira que impedia o prosseguimento de qualquer automóvel que tentasse passar da baía de Vitória.

Rápido! O ônibus já está chegando — A cientista Bianca tomou frente da barricada.

Os homens estenderam as armas na altura do ombro.

Só atirem ao meu sinal — Anunciou por meio de um megafone.

O ônibus prosseguira sua rota de viagem tranquilamente e em uma velocidade normal.

Já os meninos compartilhavam fones de ouvido, e encostavam suas cabeças uns nos outros.

Nos pneus, atirem nos pneus! — Ordenou.

Mais de vinte disparos foram dados nas rodas do veículo. Pessoas próximas do local corriam e os demais automóveis recuavam e davam meia volta por outra rodovia.

Fora Gustavo quem primeiro percebeu a presença de Bianca. Em seu fortalecimento contra Lith aprendera a ter o controle e a divisão de suas recordações com as de Lith.

Bianca! — Sussurrou — Acordem! Tem alguma coisa errada ali na frente! — Seus amigos começaram a despertar.

Puseram-se de pé e foram logo arremessados para trás ao estourar dos pneus.

Desçam! — A voz particular ascendeu-lhes a memória — Desçam ou morrerão ai dentro!