RE - FUNDAÇÃO

5 04 - Construindo Laços


“84º dia... Há uma semana estabelecemos metas, iríamos começar a agir nas decadentes vidas humanas, tanto dos nossos hospedeiros como dos nossos aliados... E assim foi feito”. Ann

Uma Semana Antes...

Durante essa semana começaremos a força-los; forçá-los a exporem seus medos, suas angustias, os motivos de terem se convertido no que são – Will pusera as ‘cartas na mesa’ – Sem desculpas, quero todos construindo laços.

Os seres de luz encontravam-se cabisbaixos, introspectivos, cada qual traçando sua não tanto particular meta.

Depois da reunião cada ser de luz ia dirigindo-se ao encontro de suas missões. Mal sabiam eles que aquela semana seria o início de muitas mudanças.

Verena estava encostada em um poste do lado de fora do colégio de Arthur.

Ele quando a viu começou a ter fortes palpitações, suava frio. Verena também sentia algo muito intenso por ele, mas desprezava, pois sabia que no término de sua estadia terrestre iria voltar à Hiranyaloka.

Oi – Arthur dissera enquanto apertava forte uma das alças de sua mochila – Minha mãe te mandou aqui?

Não – Ela disse – Começamos mal, e pensei em vir aqui pra conversar com você – Deu um longo sorriso.

Ele também sorriu.

Conversar... Do que quer falar? – Animou-se

Você – Verena deixou escapar demasiado interesse – Quer dizer, nós, jogar conversa fora sabe, só distração.

Os dois foram a uma sorveteria próxima dali. Ele e ela não sabiam que suas almas eram predestinadas desde o ano 630 a.C. Suas primeiras encarnações foram em Orfeu e Eurídice.

Liz e Marcy resolveram agir conjuntamente, Liz na consciência de Ana sabia que a mesma tinha crescentes sentimentos por Lyver. E Marcy, apesar de não confessar, tinha a plena certeza de que Lyver sentia o mesmo.

Liz revirava antigas recordações de Ana, lembranças de sua infância, traumas, desejos e sonhos. Em um canto de sua consciência teve acesso a memórias de solidão. Pode por fim achar o que a tinha transformado no que era.

Para Marcy o principal trabalho árduo de sua missão seria transformar o Lyver, Thalia não era alguém que necessitava de mudanças profundas, assim pensou. E por essa razão desconhecia o porquê de Ella ter a elegido.

Ei lindo – Thalia abrira à porta – Por que me chamou aqui?

Marcy abraçou-a e juntos sentaram num sofá.

Thalia – Segurou firmemente suas mãos – Eu quero te conhecer melhor.

Como assim? – O interrompeu – Nos conhecemos desde pequenos – riu.

Sim – Concordou – Mas tipo, conversar sério, sobre nós mesmos, saber mais um do outro – Pôs as mãos sobre as mãos dela.

Ela estranhava cada vez mais o assunto, mas como tinha um grande amor fraternal por ele resolveu ir adiante.

Era aula de matemática, a pior matéria de acordo com Bruna. Gabriel (Ann) a olhava como nunca havia feito anteriormente, tentava entender suas debilidades, sabia e reconhecia por meio das lembranças de Gabriel, que Bruna demonstrava esforços, mas nunca obtinha frutos. Decidiu agir, naquela mesma aula sentou-se ao lado da menina e a orientou. Não só isso. Como também combinaram de encontrar-se depois das aulas, Ann via ali uma grande oportunidade de conhecê-la melhor. E durante toda a semana obteve grandes resultados. Laços estavam sendo construídos.

Will estranhava e assemelhava diversas coisas do planeta Terra com o seu. Sobretudo os aparelhos celulares, em seu planeta a tecnologia era avançada de maneira que existiam séculos de diferença. Ele notou que a mãe de seu hospedeiro era alguém muito presente, e podia notar o amor nos olhos dela, já no pai ele quase não o via, e por isso começou a criar teorias sobre os problemas de Caio. Já em Wandra teve a conclusão de que o seu problema vinha a ser a vaidade e a mentira. Ele a chamou para sair, o lugar escolhido foi um mártir de suas infâncias, um lugar onde os desconectavam do mundo e os conectavam um com o outro.

No início não foi simples, Wandra não dava o braço a torcer, mas Will era firme, não se opunha aos bloqueios da amiga. Quase ao pôr do sol os dois sentaram-se na areia e continuaram observar o resplendor daquela vista, não disseram nada.

De todas as missões Amber e Jennifer era o caso mais especial. A relação hóspede e hospedeira não era válida, não se aceitavam ninguém sabia, mas diariamente Jennifer tentava recuperar o controle de si. Isso tudo teve um fim quando Amber resolveu ter uma conversa com sua suposta mãe. Era o momento de trocar algemas por laços.

O que foi filha?

É que... – Amber disse desconfortável – Mãe preciso falar sério com você.

Tá acontecendo alguma coisa? – Aproximou-se mais.

Naquele exato momento, desde o seu interior, Jennifer deslumbrava a situação.

Por que você prefere minha irmã? Por que é indiferente comigo? – Por fim disse. Jennifer ofegava rapidamente.

A mãe pôs-se aos prantos. Sem dizer nada subitamente a abraçou durante uns cinco minutos.

Me perdoa? Por favor, filha me perdoa! – Soluçava.

Jennifer ficou grata por esse momento, grata com Amber. Havia entendido o propósito dela, e por fim deixou-se entregar, fusionar-se com ela.

...

Eu estava lúcido, rindo com meus amigos em um momento, e depois já não me lembro de nada.

Afastou-se do corpo ensanguentado. Eram 07 da manhã, a primeira vez que Gustavo tinha faltado à escola, e não era isso que o preocupava, por primeira vez havia dormido fora de casa, e acima de tudo por primeira vez tinha matado uma pessoa, mesmo que não recordasse.

Saiu correndo de um gélido galpão subterrâneo no meio do nada, simplesmente nada, não reconhecera aquele lugar, e ao menos sabia como havia chegado ali.

Se pudesse ter acesso às câmeras do lugar, poderia perceber seus escuros e diabólicos olhos.