R a - Virtual Warriors
4 Capítulo III: O presente de um dragão
Aoi caminhava na frente dos dois irmãos. Aquela cabeça amarela estava radiante desde o teste de admissão que passara. Os dois mais velhos escutaram a semana toda sobre seu novo elemento e também de como estavam errados ao dizerem que ele não estava preparado. Os dois sempre faziam uma careta e davam milhares de explicações do porque ainda achavam que o loiro estava despreparado. No fundo era só preocupação.
Já fazia uma semana desde a admissão de Aoi e os Hikaru’s não se desgrudavam. Os mais velhos estavam sempre atentos dentro do jogo, pois sabiam que a qualquer momento os inimigos dos Aoihana poderiam atacar o pobre loiro. Enquanto os mais velhos estavam tensos Aoi desfilavam mostrando para todos as luvas negras com aquela rosa azul nas costas, símbolo do clã.
Estavam numa floresta de Pandora, a capital do país élfico Elyos. Era um lugar absolutamente estranho com criaturas que pareciam inimagináveis, mas que certamente eram belas aos olhos do público. O sol ameno brilhava no céu, mas quase não podia ser percebido, pois a vegetação era densa.
- Aniki, você tinha que estar lá. Você iria se orgulhar ao ver como eu acabei com a Kimura-san. – Dizia o loiro ainda alegre pulando um tronco que estava no caminho.
Os dois se entreolharam com contentamento em suas íris vermelhas. Estavam orgulhosos do irmão com toda a certeza.
-Katsu... – Chamou o irmão com um tom de voz baixo. – ...Não acha que as coisas estão quietas de mais? – Disse Daichi com aquela preocupação quase paterna.
Katsu olhou o loiro que já estava bem à frente e fez que sim com a cabeça. Apressou o passo quando ouviu um grito do loiro chamando-os. Em questão de segundos estava na frente do loiro com a Feurien já empunhada enquanto ao seu lado estava Daichi com o arco Gale já com uma flecha armada.
Só então se deram conta do porque do grito do irmão: Um enorme dragão estava à sua frente. Ao seu redor fagulhava algumas faíscas enquanto aquelas escamas douradas cobriam todo o corpo. Os olhos verdes como uma fenda olhava-os com uma expressão de raiva. O grande monstro rugiu e Daichi jurou sentir uma brisa passar por seu rosto.
Katsu começou uma corrida contra o monstro enquanto Daichi disparara a flecha que batera naquelas escamas duras e caíra no chão. O de cabelos azuis estava bem próximo do dragão, quando algo o puxou para o lado. Estava pronto para xingar Aoi, que o puxara, quando um raio acertou o lugar que outrora estava.
- Esperem! – Gritou o loiro para os irmãos que imediatamente pararam.
O dragão pareceu gritar e Aoi o olhou. Algo na expressão do monstro o incomodava. Passou a se aproximar lentamente. Seus irmãos gritavam para que ele se afastasse, mas Aoi os ignorava.
- Vai ficar tudo bem... – A voz saiu doce e calma.
O monstro pareceu entender, pois pareceu se acalmar. Não que ele ainda não rugisse ou olhasse ameaçadoramente para os outros dois, mas pelo menos para Aoi ele parecia estar seguro.
- O que foi que aconteceu? – Perguntou o loiro a um palmo do nariz do dragão.
O dragão era bonito, mas tinha um bafo terrível. “Escovar os dentes de vez enquanto seria bom” pensou ao receber uma baforada do colossal dragão.
Uma série de rugidos e ganidos se seguiram. O dragão parecia ter uma boa razão para estar atacando daquele jeito, mas ninguém ali falava “dragonês”.
- Eu não estou entendendo o que você está dizendo... – Disse um pouco frustrado, mas seu rosto melhorou com a idéia que teve. – Deixe-me tentar algo.
A mão do loiro começou a sair fagulhas e o monstro pareceu entender o que o outro queria, pois em seu nariz longo havia o mesmo tipo de fagulhas. Tocou o nariz e as cargas pareceram se interligar.
Aoi havia aprendido que os monstros que possuíam o elemento elétrico podiam se comunicar com os player’s através de uma habilidade específica chamada: Atração Magnética. Hiroshi havia ensinado esta técnica para o garoto através de um treinamento especial que estivera fazendo durante toda a semana.
Após esse estranho contato Aoi virou-se para os irmãos com uma expressão desgostosa. Parecia com raiva de alguma coisa. A esta altura o grande monstro estava como um cachorro recém adestrado, permitindo que Aoi acariciasse seu rosto.
Um raio atravessou o céu e acertou uma árvore próxima ao local. O dragão agitou-se novamente e rugiu. Aoi pareceu entender o que o monstro havia dito.
- É ele! – Gritou junto com o dragão.
Daichi e Katsu estavam completamente confusos com a situação. Seu irmão parecia simplesmente um dragão furioso e sedento de vingança. Logo Aoi que era sempre tão dócil parecia rugir como um dragão com aquela voz raivosa.
- Aoi...O que... – Mal teve tempo de terminar a frase, pois uma risada irônica tomou conta do lugar.
- Olha só... É aí que você se esconde? – Disse um garoto que saíra do meio da floresta.
O garoto tinha os cabelos prateados com aqueles olhos verdes e arrogantes. Aquela camiseta vermelha só era visível porque a jaqueta marrom de manga curta estava aberta. As mãos estavam no bolso da calça jeans segurada por um cinto preto davam-lhe um visual bem despojado. O que mais chamava a atenção dos dois garotos era aquela azagaia dourada presa nas costas do garoto. Parecia pesada.
- Deixe-o em paz... – Gritou o loiro faiscando em eletricidade. – ..Draco só quer viver em paz.
O garoto de cabelos prateados riu.
- Se soubesse o que esse monstro dropa, você o teria matado... – O garoto já segurava a alabarda dourada nas mãos. — ...Se me ajudarem eu divido o prêmio com você.
O monstro se remexeu, mas Aoi o olhou com ternura e disse a ele que poderia se acalmar e para que fugisse e que deixasse tudo com o loiro. O dragão pareceu descordar, mas o olhar de Aoi deve tê-lo convencido, pois o mesmo levantou vôo.
- Oh...Que pena! Ele fugiu, mas... – O garoto girou a alabarda no ar numa demonstração de força. Pousou a lâmina dourada em forma lunar no chão. — ...Ainda me restou uma presa! – A expressão de fúria se acumulou no garoto e ele disparou contra o loiro.
Quando estava próximo de alcançar o loiro uma enorme parede de fogo o parou, fazendo-o olhar para os dois irmãos que estavam com expressões nada agradáveis. Um sorriso surgiu no rosto do prateado enquanto, abaixo de seus pés, começava a brotar água do chão.
— Um segundo elemento? — Espantou-se Katsu.
-Já ouvi falar nesses caras... – O moreno armou uma flecha. — ...Desde quando foi descoberto que dragões dropavam asas elementais, os mais ousados passaram a caçá-los, mas descobriram que por mais que seus esforços para derrotar os dragões fossem grandes, era difícil derrotar algo que possui seu próprio elemento. Na maioria das vezes os dragões ganhavam. Então...Alguns poucos passaram a tentar despertar novos elementos que os ajudassem a derrotar esses dragões.
— Mas achei que isso fosse impossível. Uma pessoa só pode ter um elemento! – Katsu expandia sua parede até que formasse um círculo envolta do loiro.
— Há rumores de que isso seja uma habilidade chamada plágio. Antes da última atualização, esses plágios eram permitidos, mas pelo que eu soube ele foi banido. – Daichi estava com a flecha apontada para o inimigo enquanto aquele volume de água parecia aumentar.
— Então eles roubam as habilidades alheias? – Indagou Katsu com sua espada empunhada.
— Sim, a habilidade plágio foi banida para as novas contas, mas para quem já a usava antes, ela ainda funciona bem. – O garoto sorriu enquanto, com um movimento de mão, um jato d’água partiu na direção dos dois.
Katsu sorriu e cortou o ar em diagonal e a água virou vapor tapando um pouco a visibilidade. Estava usando a manipulação do fogo para evaporar a água, mas isso havia levantado uma cortina de vapor que permitiu o estranho se aproximar.
Daichi usou de seu domínio sobre o ar para dissipar o vapor, mas ele já estava próximo demais deles. Katsu havia se colocado na frente do golpe que não chegou a ser executado. A alabarda estava presa no ar e quando notou era Aoi que havia enrrolado seus fios na grande lança.
— Era para você ter ficado dentro da barreira! – Gritou Katsu irritado investindo contra o garoto que largou a arma pulando para trás e desviando do ataque.
— Não sou mais uma criança, onii-san! – Disse puxando a arma e segurando-a firmemente.
— Desarmado e lutando contra três oponentes... – Ele pareceu pensar sobre o assunto.
O loiro se moveu rapidamente e antes que o de cabelos grisalhos pudesse perceber já estava perto o suficiente para apontar a alabarda contra ele. O outro até fez menção de se mexer, mas percebeu que estava completamente envolto em fios e preso por eles.
— Quando foi... – Indagou confuso, não havia percebido a velocidade do loiro.
Até pensou em disparar alguma descarga elétrica, mas sabia que o loiro iria transferi-la. Havia sido capturado.
— Você terá a punição que merece.
O sol acima deles foi coberto pela enorme criatura que voltara trazendo consigo um homem coberto por um manto negro. O monstrengo rugiu enquanto aquela figura sombria descia de suas costas.
— Disso Kamui pode ter certeza, Aoi-kun! – A figura sombria disse enquanto se aproximava de Aoi. – Kamui, você será banido de R.A. por motivo de caça ilegal.
Kamui focou seus olhos no chão. Lá no fundo bateu-lhe uma tristeza, agora seria banido do jogo e nunca mais poderia jogar. Aoi, por algum motivo se comoveu da expressão do garoto.
— Não pode dar a ele outra punição? – Disse antes que percebesse.
— Bom, posso pensar em uma bem terrível... – A foice prateada reluziu no pescoço de Kamui e um sorriso medonho se desprendeu da figura. — ...Daqui para frente ele é escravo seu!
Aoi arregalou os olhos com as palavras do GM. Essa talvez fosse uma punição pior ainda, mas pelo menos ainda poderia jogar.
— Não sei porque, mas acho que ser banido me era bem mais atrativo. – Disse Kamui com uma face não muito contente.
— Eu diria que deu sorte, Aoi não tem pulso firme. – Disse Katsu desapontado. Queria que fosse pior.
— E quanto as habilidades de plágio? – Daichi indagou.
— Quanto a isso não posso fazer nada, ele já as possui... – A figura retirou a foice da garganta de Kamui, mas ainda assim ele emanava uma aura ameaçadora. — ...Além do mais tenho mais o que resolver...Tchau! – Desapareceu em um vórtex, como de costume.
Aoi ainda estava confuso com tudo. Agora ele tinha um escravo? Como deveria agir quanto a essa questão? Resolveu então simplesmente ignorar esse fato e dar um abraço no dragão que acabara de salvar.
— Agora você esta a salvo, Draco. – O loiro parecia radiar com todo a sua alegria.
A criatura rugiu em resposta e levantou um breve vôo fazendo algumas acrobacias no ar, para logo depois um raio acertar o pobre Aoi em terra. Seus irmãos gritaram em desespero, mas após o término da descarga, perceberam que seu irmão estava com lindas asas de plumas azul-prateadas. A sua volta, algumas fagulhas se desprendiam de seu corpo e no chão estavam dois cards.
— Cara, você ganhou uma asa! – Katsu disse enquanto os outros só podiam admirar.
— Aoi sempre foi sortudo! – Admitiu Daichi admirando o irmão.
— Isso só pode ser o meu castigo eterno. – grunhiu Kamui.
Aoi bateu as asas e se juntou ao vôo alucinado com o dragão. Era incrível a sensação do vento no rosto que o loiro sentia, havia uma liberdade, como se nada mais pudesse Pará-lo. Tinha impressão de que podia ganhar qualquer um com aquele presente de seu mais novo amigo. Tinha ainda os cards. Um deles era um mascote e o outro uma carta que chamaria Draco onde quer que ele estivesse. Estava feliz, estava cada vez ficando mais forte.
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