R U Mine?

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Boa leitura:)
Até lá embaixo!

Olho para a moça dormindo nos meus braços no sofá.

Tão linda... Quem diria que eu, o cara mais azarado da face da terra, teria a sorte de ter ela.

Brinco com os cabelos dourados dela enquanto me seguro para não sair beijando cada pedacinho seu. Tão linda.

A boca e as bochechas rosadas, as marquinhas de risada no canto dos olhos, a testa levemente franzida e o peito subindo e descendo suavemente... tão perfeita.

Como nos conhecemos? Aí vai a história:

Flashback on

Era tarde da noite de uma sexta-feira. Eu andava por uma rua vazia e pouco iluminada de Nova York enquanto bebia uma coca-cola.

Ô bebida boa, viu?

Não me venha com a história do tanto de açúcar que uma latinha tem, por favor. Não vamos estragar o momento.

Eu estava passando na frente de um prédio baixo quando vi alguém. Para aquela hora da madrugada (2:00 da manhã) eu não esperava encontrar ninguém em uma rua pouco povoada e escura se empanturrando de pizza de calabresa. Bom, a não ser um bandido.

Mas aquela menina não parecia ser um. Estava apenas olhando para o nada com um fone de ouvido enquanto comia.

Resolvi me aproximar, afinal, uma companhia além da minha coca- cola não faria mal.

Cheguei perto da garota com o moletom cinza e calça legging preta e me encostei na parede onde ela também estava. A menina rapidamente ergueu os olhos para mim.

E... que olhos. Eu nunca havia visto algo assim. Os olhos dela eram cinzas como um dia de tempestade, podiam estar pensando em mil coisas diferentes, eu não saberia dizer. Eram lindos e intimidadores. Intensos, assim como tudo nela, mais tarde eu descobriria.

TInha cabelos loiros brilhantes como ouro e a pele levemente bronzeada, uma beleza exótica e completamente amável.

A garota sorriu para mim e pareceu que minhas pernas tinham virado gelatina.

Pare de agir como um idiota, Perseu.

Eu fiz o óbvio: sorri também.

—Não é seguro andar sozinha por ruas escuras tão tarde — comentei e ela soltou uma risada, o que a deixou ainda mais bonita.

—Bom, parece que nenhum de nós gosta de se sentir seguro — ela retrucou e sorri mais.

Sim, eu estava agindo como um idiota.

Se eu ligava? Definitivamente não.

—Então... — a garota continuou. — O quê te levou a vir aqui?

A verdade era que nem eu sabia. Eu só queria sair um pouco do meu apartamento, onde Nico, um amigo meu, não parava de tagarelar sobre como ele fora mal na prova de cálculo da faculdade.

—Queria sair um pouco — expliquei e ela assentiu como se compreendesse. — E você? — pedi e seu sorriso vacilou por um segundo.

—Ah... pais brigando.

Isso não devia acontecer. Quero dizer, meninas como aquela se sentirem tristes. Meninas como ela deviam ter motivos para sorrir e não para chorar, meninas como ela não deviam ter que sofrer tanto.

—Ah... então nada de voltar para casa por umas horas, né? — falei tentando animá — lá. Não funcionou.

Tá aí uma coisa que vocês devem saber sobre mim: sou péssimo em tentar fazer as pessoas se sentirem melhores.

—É... — ela falou e forçou um sorrisinho. — Coca-Cola azul?

Ah, eu esqueci de citar isso. O quê foi? Não me olhem assim, são muitas coisas para contar e nunca fui bom nessa coisa de contar histórias. Mas o fato é que eu amo qualquer coisa azul e então eu coloquei corante na minha coca-cola.

Criatividade né, minha gente.

_Expliquei isso a ela, que ficou surpresa e soltou uma risada e me explicou também que era louca por pizza de calabresa._

A menina então se escorou na parede e escorregou até o chão, sentando de perninha de índio. Fiz a mesma coisa e sentamos lado a lado.

—Então... qual é o seu nome? — ela pediu e só então fui perceber que ainda nem sabia o nome dela.

—Percy Jackson — me apresentei. — E você?

—Annabeth Chase — ela respondeu. Achei que aquele nome combinava com ela. Doce e exótico. Claro, mais tarde eu iria descobrir muito mais sobre aquela moça bonita.

—Legal — comentei.

Ok! Desculpem por isso, foi péssimo.

—Legal — ela repetiu sorrindo e continuamos a conversar. Descobri que Annabeth além de gostar de pizza de calabresa, também gostava de ler, era inteligente, praticava karatê nas horas vagas (é, talvez não tão doce assim), fazia faculdade de arquitetura, morava com os pais e tinha um hamster chamado Chico.

Ela, por sua vez, descobriu que eu estudava oceanografia, morava com dois amigos em Manhattan: Nico e Grover, era meio lerdo, gostava de surfar e tinha uma cadela chamada Srta O'leary.

É impressionante a quantidade de coisas que conseguimos descobrir em poucos minutos de conversa com uma pessoa, não? Eu não queria levantar do chão nunca mais. Não me importava com a dor nos joelhos por estar sentado por bastante tempo nem com a garoa que começara a cair, mas Annabeth falou que precisava ir antes que começasse a chover mais.

—Vou com você — por algum motivo me ofereci, provavelmente porque queria ficar mais com ela. Talvez porque era o quê minha mãe me ensinara.

Annabeth me avaliou e por fim falou:

—Tudo bem.

Nos levantamos e notei que a chuva estava mais grossa. Droga, eu sempre esqueço o guarda-chuva. Olhem o meu lado, pessoal, geralmente a minha pasta da faculdade pesa mais que eu, então pra quê aumentar o peso com um guara-chuva se você nem sabe se vai chover? E claro, também tem o meu lado desconcentrado que me leva a esquecer as coisas.

—Tem certeza que quer vir comigo? Você vai se molhar — ela pediu.

—Claro — respondi. — Em que direção você vai?

—Moro na quinta Avenida — ela explicou e me animei:

—Moro lá também!

—Bom, então vamos juntos.

Começamos a andar e notei que Annabeth tremia de frio e resolvi passar um braço por seus ombros. Ela me lançou um olhar agradecido e sorriu.

Mais rápido do que eu gostaria chegamos ao seu prédio e tivemos que nos despedir.

—Até mais Percy — ela me deu um beijinho na bochecha que me deixou vermelho. — Qual é o seu número de celular?

Então trocamos os números para mantermos contato e foi assim que nos conhecemos: numa rua deserta e escura, debaixo de de uma chuva torrencial, eu com uma latinha de coca-cola na mão e Annabeth com uma pizza de calabresa.

Flashback off

Annabeth se remexe nos meus braços mas então suspira e volta a dormir.

Sorrio.

Me aproximo e dou um beijinho em sua testa. Quem diria que essa menina dormindo calma aqui pode ser tão teimosa às vezes, hein?

Flashback on

—Annabeth, está frio, você vai pegar um resfriado se for comprar churros agora — falei.

—Não vou não! Vamos, por favor!

—Eu não, estou muito bem com a minha coberta e meu brigadeiro, obrigado.

—Você vai vegetar nesse chão, Perseu.

—Não me importo. Aqui é quentinho pelo menos.

—Chato — ela falou.

—Teimosa — retruquei.

—Sem graça.

—Impossível.

Annabeth saiu do meu apartamento e bateu a porta com tudo, voltando meia hora depois cheia de neve, segurando um churros de leite condensado firme e forte na mão.

—Hey Nico, quer um pouco? — ela pediu.

—Sim — ele falou e Annabeth lhe deu um pedaço e sentou no sofá. Fiquei esperando ela me dar um churros, mas não aconteceu.

—Tchau pessoal, vou encontrar a Thalia no shopping — falou Nico e saiu pela porta.

Silêncio.

A única coisa que eu ouvia era o som de Annabeth comendo aquele churros e eu comendo meu brigadeiro.

Mais silêncio.

—Não vai me dar um pouco, não? — finalmente falei e Annabeth me olhou.

—Não. Você não quis ir comigo — falou.

—Tá frio, Annabeth.

—E daí? Eu que fui lá fora na neve buscar o churros, não você. Vai ficar sem.

—Annabeth, para de ser chata!

—Pare você de ser idiota!

Bufei e revirei os olhos.

—Chata — repeti.

—Idiota — ela falou.

—Chata.

—Idiota.

—Chata.

—Atchim!

Olhei para Annabeth, que estava com o nariz e as bochechas vermelhas e ela soltou outro espirro.

—Atchim!

Eu falei que ela iria ficar doente.

Flashback off

Annabeth continua dormindo ao meu lado. A puxo mais para perto e acaricio sua bochecha rosada e lisinha. Encaro seus lábios carnudos e vermelhos e relembro nosso primeiro beijo.

Flashback on

Estávamos no mesmo lugar onde nos conhecemos. Era uma noite quente de verão e eu estava com uma bermuda branca e uma blusa azul. Annabeth estava linda como o mar resplandecendo ao sol, com uma calça jeans preta e uma blusa branca com a escrita: carpe diem.

Ah, e sim. Eu também sou péssimo em comparações.

Haviamos comprado uma pizza de calabresa para cada um e eu havia colocado corante azul em duas coca-colas.

Estava tudo perfeito. Nós dois estávamos sentados em perninha de índio no chão encostados na parede e conversávamos sobre a faculdade e músicas até que começou a chover.

Coincidência, será? Bom, você que decide, mas não acredito em coincidências.

—Droga — falamos ao mesmo tempo. Ta aí uma coisa que tínhamos em comum: Sempre nos esquecíamos de levar guarda-chuva quando saíamos.

—Quer apostar corrida da chuva? — pedi com um brilho nos olhos e ela sorriu.

—Eu vou ganhar, Cabeça de Alga.

—Vamos ver, Sabidinha.

Annabeth disparou na minha frente e eu arranquei atrás dela.

Corríamos pela chuva a toda velocidade. Annabeth estava cinco passos na minha frente. Acelerei e ficamos empatados. Ela olhou para mim com um sorriso no rosto e continuamos a correr até cansarmos, o que não demorou muito.

Uai, eu ultimamente não estava praticando muitos exercícios, então eu não estava exatamente na minha melhor forma. Bom, a não ser que conte como exercício lavar a própria roupa.

Paramos em frente ao Empire State. Eu e Annabeth ríamos muito é eu a abracei, fazendo ela se encostar no prédio. Lá em cima os trovões ribombavam e a chuva nos encharcava. Nos afastamos o suficiente para olharmos um para o rosto do outro e, para mim, Annabeth nunca estivera tão linda. O cabelo grudava no rosto, os olhos estavam uma confusão cinza e a boca vermelha como o sangue. Aproximei meu rosto do dela e ela aproximou o rosto dela do meu. Quando nossas bocas se encostaram foi como se um choque percorresse meu corpo, eu não sentia mais a chuva, nem o frio, nem medo. Eu estava ali com ela, e isso bastava.

Poderiam ter passado vários séculos ou apenas alguns segundos, eu não saberia dizer.

O fim do mundo poderia ter vindo e ido, eu não ligava.

A única coisa que eu conseguia sentir era o corpo de Annabeth contra o meu, nossas respirações ofegantes e os sorrisos em nossos rostos.

O beijo acabou rápido demais. Acho que quando se ama alguém tão incondicionalmente, todo o tempo do mundo não é suficiente para demonstrar esse amor.

Flashback off

—No que você está pensado? — Annabeth pede ao meu lado e sorrio, encarando aqueles olhos mais lindos do mundo. Eu estava tão focado em minhas lembranças que nem notei que ela havia acordado.

—Em nós — respondo sorrindo e ela sorri também.

—Você é meu? — ela pede.

—Pra todo o sempre — respondo. — Você é minha?

—Sim — e então nos beijamos.

Notas finais
E aí? Espero que tenham gostado!
Beijos
~Yeda
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!