Réquiem
2 O diário do Imortal
18 de Janeiro, 1333.
Minha doce Catharina, se tu pudesses ler estas linhas, eu diria que nada que escrevo reflete a saudade de teu sorriso ou a pureza de teus olhos.
Diria ainda que apesar dos anos corridos, o que restou de meu coração permanece teu e assim será até o fim dos dias.
Amar-te-ei para sempre.
(...)
30 de outubro, 1658
Como as noites são frias! Assim como meu coração incapaz de amar ou de sentir nada além de cólera.
Uma ira tão incontrolável que me levaria a cometer as maiores atrocidades. Felizmente, me foi concedida a dádiva da amizade e asseguro que eu não seria tudo o que sou sem meus amigos.
Um deles constantemente me diz que terei minha vendeta, enquanto sua senhora insiste que não devo fazer desta obsessão minha razão de viver.
E minha resposta é sempre a mesma: a que devo me agarrar, então, para suportar as noites frias e esta solidão que me corrói pouco a pouco?
(...)
24 de maio, 2005
Vários séculos já se passaram desde que me tornei o que sou. E tudo que passei e minhas piores agonias estão descritas nestas páginas. Contudo, pretendo fazer dessa uma das últimas que preencho, pois estou cansado de manchar estas folhas com o sangue de minhas lágrimas; acho que já é hora de cobri-las com as cinzas de meus inimigos.
Confesso que não tenho orgulho do que sou. Catharina não me reconheceria se cruzasse comigo sob a luz de algum outdoor. E com certeza ela ficaria apavorada ao ver o que faço para continuar a viver, ou seja, cada vida inocente que tiro em cada gota de sangue que desce pela minha garganta.
É verdade que queria ter morrido naquela noite, mas, por capricho do destino, eu fui amaldiçoado a vagar sozinho neste mundo enquanto minha mente e minha alma são envenenadas pelo ódio e pelo desejo de vingança.
Jamais me perdoei pelo que houve com meu amor, no entanto, a experiência me fez entender que lágrimas e devaneios não a trarão de volta e que não sou o único culpado, mas o único capaz de retaliar sua morte.
Agora sei que nunca terei paz enquanto os assassinos de Catharina estiverem vagando pelas ruas, enquanto o sangue dela assombrar minhas lembranças.
É chegado o momento: que o diário seja lacrado e o verdadeiro réquiem comece.
Lord Elliot Tremere .
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