¿Qué Hay Detrás?
35 Até o Mundo Acabar
Notas iniciais
POV Maxi
Logo depois do café fui em direção a casa de Naty de acordo com o endereço que Vilu havia conseguido para mim. Cheguei lá e meio sem coragem bati à porta. Não demorou muito para que aquela figura que eu conhecia tão bem e amava abrisse a porta. Naty estava com os olhos cansados e não tinha as mesmas feições de sempre, o que era de se esperar. Ela ficou chocada assim que me viu e até gaguejou ao falar comigo.
– M-maxi. O que faz aqui?
– Naty, eu precisava falar com você! — exclamei rapidamente.
– E você precisava vir até aqui? Por que não me ligou? Quem veio com você? Você não pode viajar! Você poderia ter se machucado... — ela jogava perguntas e frases pra mim com ar de preocupação.
– Sim, eu precisava vir aqui. Não liguei, porque não sabia se você ia me atender, e também, o que eu quero falar precisava ser pessoalmente. Ninguém está comigo. Eu sei que não posso viajar, mas não me machuquei, e se tivesse acontecido, valeria. Por você, valeria! — eu falei olhando fixamente nos olhos de Naty enquanto ela continuava com o olhar de preocupação.
– A-acho melhor você entrar... — ela falou por fim.
Naty me deu um passo para o lado me dando espaço para entrar. Adentrei na sala de estar. Sofás brancos compunham os móveis, que também incluíam um tapete vermelho, estantes e mesas pretas e uma televisão na parede. Ela fechou a porta e se encaminhou pro sofá, indicando-me para me juntar a ela. Sentei-me ao lado de Naty.
– Maxi, você não deveria ter vindo – Naty se pronunciou após um período de silêncio. — Você deveria ter seguido sua vida ao lado de todas aquelas pessoas te amam. Ao lado dos seus amigos, da sua família e até da Camila e esquecer, ou melhor não lembrar de mim.
– Isso seria impossível, você já faz parte da minha vida agora!
– Acho que eu fiz errado – ela suspirou -, deveria ter me afastado desde o começo – Naty falou e olhou para os pés evitando contato.
– Mas você não se afastou, você ficou ao meu lado me ajudando, mesmo comigo não lembrando de você e agindo tão estranho – eu completei.
– É, eu fiquei – ela admitiu ainda sem olhar nos meus olhos.
– Por quê?
– Por quê? Porque eu pensei que eu se eu ajudasse você uma vez e muitas outras você lembraria de mim – ela falou, deixando as lágrimas que vinha segurando a tanto tempo caírem e uma risada dolorosa pode ser ouvida através -, mas você nunca lembrou. Aquele sentimento onde você espera que tudo seja melhor, sabe? Eu não tive a chance de sentir isso, porque eu perdi você!
Eu precisava abraçá-la, precisava confortá-la, então, sem pensar duas vezes puxei Naty para um abraço, no qual ela finalmente colocou todas as angústias para fora, no qual ela chorou por algum tempo.
– Me desculpa Maxi, eu nunca quis fazer você sofrer, fazer você vir aqui correndo risco... — eu a abracei forte.
– Naty, olhe pra mim? — eu pedi, e lindos, porém, tristes olhos castanhos se encontraram com os meus. — Eu vim aqui, eu corri riscos, porque EU precisava ter ver, te pedir desculpas – eu continuei. — Precisava te dizer que você é importante demais para mim. E que apesar de eu não lembrar, eu tenho certeza que você fez parte da minha vida, e que todos aqueles momentos que tivemos juntos antes do meu acidente – como todo mundo, inclusive você, já comentaram sobre – e os que tivemos depois significaram muito para mim. Você mexeu comigo, com o meu mundo, com a minha vida, mudou tudo que eu achava que estava bom e fez ficar melhor. E eu sei que mudei um pouco a sua, porque você confiou o suficiente em mim para contar um segredo tão importante e pessoal para você. E eu precisava vir aqui, para dizer tudo isso olhando em seus olhos Naty, que eu quero continuar mudando sua vida, quero que você se sinta tão especial pra você mesma quanto é pra mim. Que você saiba que eu sempre vou respeitar os seus sentimentos pelo Joaquim. Que eu sempre vou querer te confortar, te abraçar e te dizer que vai ficar tudo bem quando você tiver pesadelos ou quando você não se sentir bem. Que eu estarei sempre aqui pra te proteger quando alguém te ameaçar. Precisava vir aqui pra te dizer que minha vida não seria a mesma se eu tivesse te encontrado. Precisava dizer que acho que te amo! — falei tudo do fundo do coração e olhei para Naty que estava chorando ainda, mas parecia feliz.
– Eu não acho, eu sei que eu te amo – ela falou entre lágrimas e sorrisos.
E no segundo depois da declaração de Naty, eu diminui o espaço entre nós iniciando um beijo. Meu corpo tremeu ao sentir os lábios de Naty de encontro ao meu, e se eu tinha alguma dúvida sobre meu passado com Naty, tudo isso foi eliminado no segundo que nosso contato aconteceu. Naquele momento eu tive certeza da presença de Naty na vida. De todos os momentos que tínhamos compartilhado, de tudo que havia acontecido entre nós. Tive certeza de que queria ela na minha vida para sempre. Separamo-nos após alguns minutos, mas ficamos próximos, com nossas testas coladas. Naty sorria, e o sorriso dela era contagiante.
– Te amo – eu falei.
– Eu te amo também – ela respondeu.
POV Naty
Tudo aconteceu tão rápida e tão magicamente que eu ainda não conseguia acreditar. Maxi estava ali, na minha frente, na minha casa em Baires falando dos sentimentos dele para mim. Falando o quanto me amava mesmo não se lembrando inteiramente de mim. E eu? Bem, eu não poderia estar mais feliz. Apesar de ter tentado ser forte e deixado Córdoba e toda minha história com Maxi para trás, meus sentimentos por ele não haviam mudado. Na verdade, eles nunca haviam mudado. Haviam sido os mesmos desde o dia em que conheci Maxi, quando tentei negar a mim mesma por conta de Joaquim, até agora, quando ele se arriscou e viajou milhas para se declarar pra mim na porta da minha casa.
E agora estamos aqui, olhando um nos olhos do outro enquanto o silêncio toma conta do ambiente. Maxi quebra o silêncio, que apesar de tão bom, precisava ser quebrado com decisões e pedidos.
– Volta pra Córdoba comigo? — ele falou olhando nos meus olhos.
– Sim – eu dei um longo suspiro antes de responder. — Com uma condição...
– O quê? — ele perguntou preocupado.
– Você precisará descansar uns dois dias antes de viajar de novo – falei.
– Tudo bem, tem uma coisa que preciso fazer antes de voltar mesmo — ele respondeu sorrindo e depois me deu um selinho, fazendo-me esquecer o que se travava essa coisa.
Ficamos nos beijando e abraçando no sofá por mais alguns minutos, e resolvemos ligar para o pessoal que provavelmente estava no intervalo das aulas para contar tudo. E também para acalmá-los, já que Maxi não havia dado muito sinal de vida desde que chegara em Baires. Eles comemoraram e ficaram muito felizes por nós, pedindo para que voltássemos logo também, porque estavam com saudades.
Maxi aproveitou que estava em Baires e já conheceu meus pais à noite quando eles estavam de volta do trabalho. Mamãe preparou o jantar enquanto papai levava Maxi até o hotel para pegar os pertences dele, afinal de contas, se íamos ficar alguns dias em Baires, Maxi ficaria comigo.
Depois do jantar e da reuniaozinha em família, Maxi e eu fomos para o meu quarto. Estávamos deitados em minha cama conversando. Eu quase dormia e lutava para me manter consciente e com os olhos abertos para continuar a conversa, mas já conseguia. Lembro-me de ouvir as últimas palavras de Maxi naquela noite antes de cair totalmente no sono.
– Se o mundo acabasse hoje, eu ainda te amaria...
Sorri com as palavras e sem forças para responder somente pensei comigo mesma “te amaria além do fim do mundo” e senti os braços de Maxi me puxando para perto dele e me envolvendo, provavelmente dormindo também.
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