Quimerae
7 Prólogo - O Covarde Parte 2 - Final
Notas iniciais
Finalmente o exército faz o primeiro movimento. São escolhidos cinco batedores para entrar na floresta e localizar o fugitivo. Um deles é Rassufel. Gajeel e Navir ficariam junto ao corpo principal.
–– Se o encontrarem, deixem que ele os veja. E voltem para cá o mais rápido que puderem. –– diz Gaheris para os batedores. –– Sei que pode parecer estranho, mas é mais provável ele atacar do que fugir.
E com isso, os batedores entram na floresta, já com um pouco de medo. Algo no tom de voz de Gaheris passou a ideia de que eles iriam morrer e que isto não faria a menor diferença.
Rassufel avança com cautela. Apesar do que foi ordenado, ele não estava nem um pouco interessado em ser visto pelo criminoso. Os outros batedores pareciam sentir a mesma coisa. Aquela floresta apenas piorava a situação. Com suas árvores de tronco negro e folhas escuras, deixava tudo mais assustador e sombrio. Todos cavalgavam lenta e silenciosamente. Paranoicos, observavam um lado e outro, vendo monstros em cada sombra.
Passados alguns minutos muito tensos, um vulto estranho surge em frente aos batedores. Ele se aproxima lentamente. Os cavalos tremem, relincham nervosos, mas não conseguem se mover. Rassufel também tremia. Era um terror tão grande que mal conseguia raciocinar.
Todos os cavaleiros ali sabem que aquele vulto é o criminoso, mas nenhum deles conseguia fazer seu cavalo se mover. Rassufel nem tenta. Algo lhe diz que não faria diferença se ele tentasse ou não fugir. O cheiro da morte estava em todo lugar.
O vulto observa. Parecia esperar algo. O estômago de Rassufel embrulha, sentindo uma tremenda sede de sangue vinda do criminoso. Sente os músculos do seu cavalo tremer, era óbvio que tudo o que o animal queria era sair dali o mais rápido possível, mas não conseguia se mexer. Rassufel não gosta disso…
Ouve-se então o tropel de vários cavalos. Não faz o menor sentido! O plano era tirar o criminoso da floresta, e não atacá-lo nela, onde ele teria maior vantagem. Algo estava muito, muito errado. O som dos cavalos se aproxima… Aos poucos vão surgindo. Em pouco tempo todo o exército estava cercando o vulto, exceto Gaheris. O instinto de Rassufel lhe diz: “Mau sinal”.
Nenhum cavaleiro conseguia controlar seu cavalo. E estes queriam fugir, mas não se moviam, como se algo sobrenatural os estivesse segurando ao chão. Medo, com certeza. Enquanto isso os batedores apenas encaram o vulto, sem saber o que fazer. Também não conseguiam se mover.
Então o vulto sorri, um sorriso bizarro, indo de orelha a orelha, mostrando uma grande fileira de dentes serrilhados. Aquilo não era humano, era besta, um demônio!
–– Hoje vocês serão o sacrifício. Como nos tempos antigos. –– fala o vulto e, de repente, some.
É agora… Rassufel segura as rédeas com força, tenso.
Gritos começam a ecoar pela floresta. É então que percebem que os cavaleiros estavam sendo abatidos. Um a um, iam surgindo cortes por pescoços e troncos. Ninguém conseguia ver de onde vinham os golpes. E ninguém recebia o direito de uma morte rápida. Ao invés, ganham apenas muita dor e agonia, onde os atingidos sangravam até morrer.
Rassufel vê aquela carnificina e não entende como aquilo tudo poderia estar acontecendo. Era tudo muito insano! O sangue… Os gritos… Ele tinha que sair dali! Se não iria enlouquecer. Isto se não acabasse morrendo de forma tão hedionda quanto os outros.
Quando faltavam apenas uns cinco ou seis a serem abatidos, o demônio para, olha para cada um dos sobreviventes e sorri novamente, mostrando os dentes bestiais. Dentre estes cinco ou seis estavam Rassufel, Gajeel e Navir. Então o vulto puxa um dos corpos agonizantes e bebe-lhe o sangue que jorra pelo pescoço!
Rassufel treme convulsivamente, enquanto os outros não parecem ser afetados pelos atos do monstro. Ele já não conseguia raciocinar direito, o medo expulsava qualquer tipo de pensamento ou razão. “Os outros também são monstros”
Cavalo algum mexia… E Rassufel agora entendia o porquê do medo que sentia antes. Era muito pior do que havia imaginado…
O demônio parece se divertir com tudo aquilo. Até que ele faz uma careta, demonstrando desgosto, e passa zunindo pelos sobreviventes. Todos, menos Rassufel, caem com cortes terríveis no pescoço, gritando e sangrando.
Ele tinha sido poupado e não conseguia imaginar o porquê. Via seus colegas de academia, gritando, morrendo… Seu cérebro gira, sem conseguir assimilar. Sabia que batalhas podiam ser sangrentas e cruéis, mas aquilo era demais! Era um monstro a torturar pequenos mortais…
Então algo o desperta para realidade: seu cavalo caindo, morto, sem cabeça. Consegue de alguma forma desmontar antes que o cavalo caia por cima de sua perna. Para por um momento, ofegante. Espia ao redor. Parecia recuperar um pouco da sanidade. “Tenho que sair daqui!”
Caminha sem rumo através da floresta, tentando ao máximo afastar-se daquele pesadelo. Depois de pouco tempo avista a borda da floresta. Uma pontada de felicidade invade seu coração. E também um outro medo. Seria outro demônio?! NÃO!
Sem muita escolha, aproxima-se lentamente da borda. Percebe que tinha ido para o ponto onde Gaheris e o exercito deveriam estar. Não havia vento e o silêncio era perturbador.
Aproxima-se mais um pouco. Vê então uma massa disforme a alguns metros de distancia dele. Com uma melhor observação, entende que aquilo era um corpo. Estava mutilado e partido em vários pedaços. De primeira, não conseguia reconhecer o corpo, pois o rosto tinha cortes profundos, mas lembra-se que apenas Gaheris não havia entrado na floresta naquela confusão. Rassufel não conseguia acreditar. Aquele era o corpo de Gaheris! Só podia ser dele.
Pensa em se aproximar para ver se era realmente Gaheris, mas o corpo começa a se mexer! Aquilo era insano! Os pedaços estavam se juntando e as feridas fechando! O medo de Rassufel ia aumentando. Em pouco tempo aquele corpo consegue pôr-se de pé. À medida que as feridas iam se curando a certeza que aquele corpo era de Gaheris aumentava dentro do pobre batedor.
Rassufel foge. Corre. Correu como nunca tinha corrido na vida. Ouve o urro de um monstro atrás de si. Agora tinha certeza de que Gaheris era outro demônio. Ele sabia instintivamente que fugir seria impossível, mas nem por isso para. O instinto também mandava-lhe correr.
De repente algo o segura pelo ombro com força e ele cai no chão.
— Calma garoto. Não é muito seguro correr assim por ai. –– fala uma voz desconhecida um pouco acima dele.
Rassufel se acalma um pouco. O medo que sentiu havia diminuído. Então resolve ver quem o tinha parado. Seus olhos veem apenas um camponês simples, de uns quarenta anos, roupas simples e aspecto sereno. Não aparentava ter a força que o tinha derrubado.
O estranho estende a mão para ajudar Rassufel a se levantar.
— Meu nome é Tifo. Não precisa me dizer seu nome se não quiser. Posso ajudá-lo a sair daqui em segurança.
Rassufel então se lembra de toda a carnificina que viu e o medo volta com força total, deixando-o em estado de choque.
— Pobre garoto. –– suspira Tifo –– Viu duas quimeras em um só dia… Deve ter sido demais para ele.
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