Quimera

8 Capítulo 7


Notas iniciais
Yo minna *-*
Então o Kyo mordeu vcs de noite? 8D *cricricri* Não?!
Tsc ele nunca me obedece u-u *dapedala*
Esse capitulo foi o que eu mais atrasai até agora, mil perdões T-T
Mas eu estava com uma alavanca de "off" fincada no cérebro
e pra mudar pra "on" foi difícil e-e-q
Boa leitura ♥

Um barulho semelhante ao de uma maquina fotográfica ressoava no fundo de seus ouvidos, se remexeu protegendo o rosto com o travesseiro, os flashes repetitivos incomodavam suas pálpebras mais do que a luz matinal.


Agoniado por ter seu sono incomodado, se sentou, os olhos fechados ainda entorpecidos, coçou-os de maneira infantil abrindo-os preguiçosamente, aos poucos sua visão foi tomando forma e com ela a imagem de Reita apareceu, uma câmera profissional em mãos...


Seus olhos se arregalaram.


– Que porra você pensa que esta fazendo?!- se ajoelhou por reflexo, tentando compreender o que se passava mesmo que estivesse bem evidente.


Vestia apenas uma camisa do Sex Pistols que por sinal pertencia ao maior, ou seja, estava semi-nu, e ele fotografava-o .. semi-nu!


– Ha..Acordou Ruki-san- afastou a maquina da face, que não expressava nem um pingo de constrangimento por ter sido flagrado.


– Não! Eu estou dormindo de olho aberto, sou um peixe!- o sarcasmo e a raiva em sua voz eram palpáveis.


– Eu não te compararia com um peixe- sorriu, achando graça da sua reação- Pelo contrario, você está mais para um gato e dos mais ariscos- voltou a posicionar a câmera a sua frente, tirando uma foto de Ruki que pulou da cama enraivecido.


– Quer parar de bater essas porcarias de fotos! Me dê a câmera- estendeu a mão enfatizando sua ordem. Estava realmente irritado.


– Não.


– O QUE?- bateu o pé ultrajado, ele tinha o contrariado!


Levou uma das mãos ao ouvido que ardia com o grito do vocalista, era melhor se explicar antes que ele pirasse.


– Eu vou ficar três dias sem ter o Ruki-san – mirou-o fixamente, tentando passar assim sua sinceridade — Você pode até não sentir minha falta, mas eu vou sentir a sua, só queria algo pra me lembrar de você.


– Hunf- soltou o ar com força pelas narinas, não ia cair naquela conversa de bom moço.


– Mentiroso! Você quer é se masturbar com minhas fotos — sentou na ponta da cama com as pernas cruzadas, o mesmo semblante desafiador de todas as vezes que o injuriava, mas dessa vez a provocação não surtiu o efeito esperado.


– Isso também- sorriu de lado arrancando dele uma gostosa gargalhada.


– Ai... eu criei um monstro depravado- tombou pra trás olhando para o teto... aquele garoto estava um pouco mudado.


– Eu sempre fui. Você só me deu a oportunidade para despertar- se curvou em cima do outro com a maquina diante do rosto, ele ficava realmente bonito com os braços jogados no colchão e as pernas nuas.


Ajustou o foco da lente para seu ventre coberto, reparando na sombra tênue do órgão sexual por debaixo do pano.. desceu para o interior das coxas, a pele branca estava maculada por rodelas roxas — prova de sua perversão- mas por não ser pura é que aquela região era tão bela.


Ruki suspirou pesadamente, sentir o maior lhe devorar por trás da câmera era um tanto excitante, talvez não fosse tão mal.


– Esta bem- ficou no meio da cama- Pode tirar quantas fotos quiser, mas eu vou apagar depois, não posso correr o risco de isso vazar na internet.


– Mas assim não tem graça- reclamou com um bico.


– Quer dizer que tirar fotos pornográficas de mim é sem graça?- arqueou uma das sobrancelhas em um olhar arteiro.


Reita entendeu o que ele tencionava ao vê-lo abrir as pernas de forma desigual, se apoiando nos cotovelos com a cara mais safada do universo.


– “Esse baixinho ainda me mata”- sorriu andando para direita, verificando que ali a luz era melhor e tirou mais uma foto.


O vocalista mudou de posição, trazendo uma das pernas para mais perto do abdômen, enquanto levantava o pano da blusa até o umbigo, inclinando a cabeça em uma expressão delicada e sensual. Daria um ótimo modelo pornô.


– Mais!- puxou a blusa até o começo do seu peito, surpreendendo-o com o ato brusco, fez um sinal para que ele segurasse daquele jeito, movendo a mão pequena que erguia a perna para o meio da coxa, deixando-a mais visível.


Ao arrumar a pose se distanciou minimamente, tendo a imagem perfeita para fotografar. Em nenhum momento o olhar do menor se desviou de si, ele estava carregado de luxuria e expectativa. Ambos respiravam ruidosamente e seus corpos se incendiavam de desejo, o caso era qual dos dois imploraria primeiro por alivio.


Acariciou a barriga lisa com a ponta dos dedos, o corpo dele se impulsionando em busca de mais contato, escorregou para seu ventre agora exposto, friccionando o indicador na rachadura do membro semi-rigido que se retesou. Ruki soltou um gemido estrangulado pelos lábios cerrados, virando de bruços e empinando bem o quadril, que se dana-se aquele maldito jogo de sedução, estava excitado.


Logo foi imprensado contra os lençóis, sentindo o falo meter-se em seu traseiro e as mãos grandes deslizarem por seu tórax, uma delas alcançando seu sexo, masturbando-o.


– Você queria isso desde o inicio não é?- a voz rouca e a risada lasciva de Reita em sua orelha arrepiou todos os seus pelos.


– Quem deveria dizer isso sou eu- riu baixo, a bochecha dele colada na sua.


Assim, o barulho de molas gastas e grunhidos prazerosos ressoou por seus ouvidos e pelo apartamento, durante toda a manhã daquele sábado ensolarado.



~//~



Adentrou a água morna, sentindo as gotículas lavarem os resíduos sexuais que havia em seu corpo, em especial o sêmen em suas pernas..costas.. e outros lugares, recordando-se dos últimos acontecimentos.


Durante aquele um mês em que conviviam, Reita havia mudado significativamente, não era mais tão tímido, muito menos ingênuo, sabia incitá-lo, seduzi-lo, e não se envergonhava com a mesma facilidade, ainda tinha o habito de enrubescer, mas não com tanta freqüência. Antigamente só de vê-lo o maior ruborizava e ficava sem jeito.


– “Tão fofinho”- sorriu leve, talvez ele tivesse se acostumado com sua natureza maldosa e aprendido a se defender, mas não era só isso..


– Com licença..- se retirou dos seus pensamentos, vendo o mais novo entrar meio receoso no Box, as bochechas desprovidas da faixa sutilmente rosadas. Pelo menos ele continuava corando quando tomavam banho juntos.


Ficaram de costas um para o outro, cada um fazendo sua devida higiene, o silencio não era incomodo, mas também não era agradável, estava acabando de se enxaguar quando dois braços fortes o rodearam e o peitoral magro colou-se em seu dorso, não era um toque malicioso.. estava mais para necessitado.


– Reita..


– Só um pouco, por favor...- interrompeu qualquer advertência que pudesse vir dele, encostando a testa em seu ombro de olhos fechados, precisava daquilo ou acabaria gritando um “Eu te amo!” em plenos pulmões.


Não contestou, deixando que a água continuasse a lhe banhar, o maior não estava só mais maduro, estava mais carinhoso também, e aquilo sim o preocupava. Tinha conhecimento dos seus sentimentos, eles eram óbvios demais para serem ignorados, particularmente, contanto que permanecesse como uma paixão idiota de um adolescente por seu ídolo ficaria tudo bem, o que não podia permitir é que isso se tornasse algo mais serio.


– “Talvez eu devesse terminar”- sim, deveria terminar seja lá o que tivessem antes que acabasse por se envolver, o problema era que.. não queria. Gostava de sua companhia, não só na cama, mas pras coisas simples, como fazer as refeições juntos, ou ficar papeando por horas e horas, não queria ficar sozinho e Kyo não era o ser mais agradável pra se ter por perto.


Se tivesse aquela pessoa então não precisaria de Reita, mas até concluir o contrato queria mantê-lo ao seu lado como um bom brinquedo.


– “Acho que consigo até lá, quem sabe nesses três dias ele se desapega de mim?”- olhou-o por cima do ombro, aparentava estar aproveitando cada segundo daquele abraço. Suspirou, era mais fácil acontecer o contrario.


– Vamos sair- soltou-se do seu aperto desligando o chuveiro, o outro assentiu seguindo-o para fora do banheiro.


Retornaram para o quarto sem trocar mais nenhuma palavra, Ruki colocou apenas um short -estava calor demais para se vestir apropriadamente- se acomodando desleixadamente na cama e pegou a câmera largada por ali, conforme mudava as imagens suas sobrancelhas se envergavam para o meio da testa e sua face esquentava inconscientemente.


– “Ecchi!”- todas elas estavam muito bem fotografadas, com alta resolução e de ângulos que favoreciam a sua beleza, afinal o universitário cursava Fotografia, ele tinha que ser bom no que fazia.


Porém, havia mais de 100 fotos, que formariam uma curta animação se as passasse rapidamente. Ele havia registrado todos os seus movimentos, quando se mexia, quando virava de um lado paro outro, quando dobrava e esticava as pernas, além de vários closes do seu rosto, clavícula, glúteo. E as fotos de quando estava acordado e enquanto.. transavam.


As apagava com fúria, seu âmago se contorcendo em pensar que permitira tudo aquilo, tudo bem que havia consentido com 30% das fotografias, mas para os 70% restante se sentia usado! Mesmo que imaginar Reita se satisfazendo com elas lhe excitasse e inflamasse seu ego.


Deteve-se em uma imagem que não havia visto. Estavam com as mãos enlaçadas e os narizes se roçando, a claridade transpassava seus corpos unidos com a alvura dos lençóis os envolvendo.. era uma cena bonita, serena e afável.


Espiou o outro loiro, ele estava secando os cabelos com a toalha usual, vestindo apenas uma calça com o botão aberto e a boxer azul claro aparecendo, mirava algum ponto do chão, aéreo.


– “Que másculo”- engoliu a saliva que se acumulou em sua boca, voltando-se para a maquina, havia gostado daquela foto..quem sabe só ela..


– Toma- jogou a câmera para o maior, que a segurou um pouco afobado por ter sido pego de surpresa e quase a deixado cair- Eu mantive uma das fotos, considere um presente de aniversario adiantado.


– Eh...- piscava confuso, tinha ouvido direito..ele falou que era um presente?


– Se-serio?- abaixou o olhar para o objeto em mãos, um calor suava dominando seu peito ao ver qual foto ele não havia deletado.


– Obrigado..- sorriu.


– É melhor você guardar ela a sete chaves, porque se isso vazar na mídia eu te mato- apontou para ele se fingindo de durão.


– Hai!- consentiu alegremente, o outro virou o rosto contrariado, acendendo um cigarro e se dirigindo ao parapeito da janela.


– Estou com fome..


– Vou fazer o café- sorriu resignado, quando Ruki fumava na sua presença era um sinal de que queria ele longe, mas não se importou, estava feliz por ter conseguido ao menos aquela foto que o menor estava tão desgostoso em ceder, era um avanço.


Escutou a porta se fechar e soltou um suspiro acompanhado de fumo, se distraindo com as nuvens que andavam vagarosamente, até a porta se abrir de novo e a cabeça do Suzuki despontar da mesma.


– Ruki-san são quase onze horas, não tem trabalho hoje?- o menor se engasgou com a fumaça provinda da nicotina, apagando o cigarro no cinzeiro próximo.


– Puta merda!- disparou até o armário, vestindo qualquer coisa que fosse confortável, Kai definitivamente o mataria, onde estava com a cabeça para esquecer algo tão importante?


A resposta em sua mente foi imediata: Reita!

Se ele não tivesse o entretido de manhã não teria olvidado.


– “Maldito pirralho pervertido!”


~//~


Os quatro desciam pelo elevador, discutindo sobre a agenda cheia que tinham e assuntos corriqueiros do dia-a-dia.


– Teremos uma sessão fotográfica semana que vem, não se atrase Ruki- o baterista ditou ao chegarem no hall da empresa.


– Sim..- murmurou desanimado, só de ouvir aquela palavra lembrava do baixista de faixa.


– Bom descanso rapazes- acenou, se aproximando do carro estacionado na frente do prédio, o vidro abaixou e uma mulher relativamente bonita lhe cumprimentou com um beijo, entrou no carro que se distanciou sob os olhares atônitos dos que sobraram.


– Quem era ela?- o moreno vocalizou a duvida que assolava a todos.


– Não sei, nunca vi o Kai sair com ninguém- Uruha respondeu pasmado, mas rapidamente se desinteressou- Você vem com a gente?- sua pergunta foi para Ruki.


– Eu..- se calou, seus olhos capturando a figura esguia mais a frente, observando uma das vitrines com as mãos no bolso e a postura relaxada.


– “Se vestindo como um ganguester pra variar”- riu, se Reita não estava com sua costumeira jaqueta de couro e coturnos, estava com uma regata lisa e calças largas demais para sua cintura, e claro sem faltar os cintos de rebite- “ Pra que eles servem se não seguram a calça?”


– Ruu-chan?- despertou dos seus devaneios pelo apelido que Aoi usava para irritá-lo, mas que naquele momento parecia totalmente irrisório.


– Valeu, eu vou a pé- não esperou uma resposta e foi para onde o mais alto estava, aproximando-se sorrateiramente — As roupas dessa loja são legais.


– Ah!- levou a mão ao peito que pulou com o susto, ficando aliviado ao ver quem era- Ru-ruki-san..eu.. não ouvi você se aproximando- o menor sorriu travessamente.


– Estava esperando por mim?- ele afirmou com a cabeça freneticamente, abaixando-a em seguida, em certas situações ainda era um pouco acanhado.


– Por que não entra?- apontou para loja, ele estava encarando a vitrine como cachorro no açougue.


– Não faz o meu estilo- sussurrou, na verdade não queria fazer compras sozinho, mas tinha vergonha de pedir para Ruki o acompanhar.


– Que besteira, vem!- agarrou seu pulso, arrastando-o para dentro do estabelecimento, ele tentou resistir dizendo que não queria comprar nada, mas não o ouviu. No fundo o maior jubilou-se por aquilo, era como um encontro!


O menor guiava-o pelo espaço amplo e movimentado, apanhando todas as roupas que suas mãos profissionais podiam alcançar, as vezes pedia opinião para Reita, as vezes simplesmente lançava uma blusa em cima do mesmo, para que carregasse. Continuaram explorando a loja, rindo de algumas peças bregas que achavam perdidas no meio das outras, e cada vez mais roupas eram atiradas para o maior segurar, até não conseguir mais andar sem esbarrar em um manequim.


– Ruki-san.. não acha que é um pouco demais? Eu não preciso de tudo isso- esticou o pescoço, tentando olhá-lo pela montanha de vestimentas que segurava.


– Quanto mais opções melhor- pegou seu braço, conduzindo-o para o vestuário.


– Mas assim não é mais difícil de decidir?-refutou, deixando-se ser levado por ele, já que estava quase cego com tanta roupa.


– Não se preocupe, eu tenho um bom olho- empurrou-o para dentro de uma das cabines, sentando em um dos pufes estrategicamente colocados para os acompanhantes.


– Assim que se trocar me mostre e eu falo se ficou bom ou não- afundou no estofado, ouvindo uma confirmação do outro.


Depois de 6 camisas sociais, 7 blusas de manga, 4 regatas, 8 pólos, varias caretas, muitos nãos e alguns mais ou menos, finalmente Ruki disse sim, se levantou, pedindo para que desse uma volta podendo vê-lo melhor.


– Perfeita! Você gostou?- ele se olhou no espelho, não era o tipo de roupa que costumava usar, mas nem de longe era ruim.


– Uhum- sorriu, afirmando com a cabeça.


– Ótimo! Tire que vamos levar.


– OK – com aquele tom autoritário era impossível discordar.


Trocou-se e saíram da área do vestuário, devolvendo o resto das roupas, ia pegar sua carteira para pagar o que devia, quando o vocalista o impediu, se apresando até o caixa e passou o cartão, tampando seu rosto com a mão toda vez que tentava se opor.


– Ruki-san?- ele saiu da loja ignorando-o, teve que correr para ficar ao seu lado- Por que comprou pra mim?


– Não vai estar aqui no dia do seu aniversario, é um presente- disse simples, parando ao notar que Reita não o acompanhava.


– Eh? Mas...você.. você não disse.. que a foto era..?- sentiu o ardor conhecido tingir seu rosto, o que o menor estava tentando fazer sendo tão gentil?


Ruki se virou para olhá-lo, aquilo havia sido uma desculpa por não querer admitir que gostara dela, mas agora não ligava mais.


– Era uma boa foto, por isso não exclui, não achou que eu estava falando serio ne?- riu, vendo-o se encolher e olhar para os pés, em algum canto daquele Suzuki alterado, existia o cara tímido e dócil que conhecera e agora sabia como resgatá-lo quando quisesse.


– Reita-kun- começou com a voz mansa, esticando os braços ao lado de sua cabeça, e quando ele o olhou em interrogação, bagunçou seus cabelos com vontade, fazendo-o soltar uma alta exclamação de espanto, e ficar tão quente que seus olhos giravam em espirais, como nos animes que via.


– Nunca deixe de ser fofo assim..- sorriu, deixando um Reita aturdido e de coração acelerado para trás.


Podia ouvir seus batimentos cardíacos tão nitidamente quanto os passos dele se afastando, não entendia muito bem o que se passava na cabeça oxigenada do mais velho. Quando pensava que estava tomando o controle da situação ele simplesmente desnorteava-o daquele jeito, manipulando seus sentimentos ao bel prazer.


– “O que devo fazer?”- franziu o cenho, uma sensação estranha comprimindo seu interior enquanto o observava, um brilho assustador se apossando das orbes castanhas.


– “Ah..Taka”



~//~



"Akaku chi shibuku chouchin kakae”*

"Estou carregando uma lanterna de papel que esta salpicada com sangue vermelho"



Sorria para seu reflexo no espelho de bordas enferrujadas, penteando a peruca ruiva, os fios ondulados batiam no meio de suas costas e tinham uma cor tão viva que se ele mesmo não tivesse a comprado, juraria que eram naturais, os amassou delicadamente tornando os cachos mais largos, deixando algumas mechas em cima do ombro.


– Eu fico bem de vermelho, acha que eu deveria tingir o cabelo?- perguntou para o demônio escorado na parede de braços cruzados, e com um cigarro preso entre os dentes.


– Quer mesmo minha opinião?- ergueu a sobrancelha, descrente.


– Não, foi uma pergunta retórica– balançou a cabeça franzindo o nariz, e tornou a vislumbrar seu reflexo, pintando os olhos com uma sombra chamativa, marcando-os com o delineador preto cuidadosamente para não borrar.


– Por que sempre mulher?- aquela era uma duvida que o rondava há um tempo, mas que se questionava sozinho, criando milhares de hipóteses. Agora queria saber se alguma delas estava certa.


– Como assim?- guardou o delineador, procurando o blush na pequena bolsa felpuda de maquiagem.


– Por que sempre se disfarça de mulher?- especificou a pergunta.


– Você acha que eu me disfarçaria de que?- sorriu debochado, realçando as maças do rosto com o pó púrpuro.


– Sei lá, podia só colocar uma mascara de touca comum, ou uma daquelas mascaras de festivais– rebateu.


– E que graça teria ser como um bandidozinho qualquer?- ele emudeceu, pensando sobre seu argumento.


– Outra coisa, me fingir de mulher torna tudo bem mais fácil, os homens não desconfiam de uma presença feminina, acham as mulheres incapazes de fazer mal a qualquer ser vivo, mesmo que uma delas seja claramente uma ameaça. As mulheres são os seres mais cruéis, controladores e espertos que existem. Os homens não resistem a um rabo de saia assim como larvas não resistem a um cadáver em decomposição– findou seu discurso, passando um gloss de glitter nos lábios cheios.



“Warusa warusa no ko wo mata kurau”

“ Mais uma vez eu como uma criança malvada malvada”



Teve a idéia de se travestir em seu primeiro homicídio culposo. Um senhor estranho de quase cinqüenta anos o convidava constantemente para tomar chá em sua residência, ele o vira tocando em um bar-lanchonete do bairro e se encantara pelo loiro, na época de cabelo azul e com 17 anos.


Havia se mudado para Tókio com a intenção de seguir com sua carreira musical e fugir do histórico criminoso que tinha em Kanagawa, apesar de nenhum policial nunca ter descoberto o que fez. O senhor morava no mesmo quarteirão que ele, e sempre que saia para o trabalho o velho o importunava, irritado e com a intenção de começar logo a “recolher” as almas que precisava, aceitou o convite, não bolando um plano concreto, não tinha experiência e ainda se sentia traumatizado e inseguro pelo seu ultimo ato.


Ultrapassando esses pequenos obstáculos, foi até sua casa arrumado o suficiente para agradá-lo e discreto o suficiente para não levantar suspeitas. O senhor foi muito gentil do começo, mas não conseguiu enganá-lo, Ruki podia sentir suas segundas intenções a metros de distancia.


Simulou ser iludido pela ladainha do homem, que o regava de elogios e promessas asquerosas, e quando ele lhe pediu que se vestisse de Lolita com a desculpa de que ficaria ainda mais lindo, não negou, achando a idéia curiosa, por que não conceder aquele desejo para um homem que estava prestes a morrer?


Foi o que pensou, e tê-lo ajoelhado aos seus pés, beijando-os com devoção e desejo esculpido nos olhos, deixou tudo mais hilário e interessante. Quando se dá ao ser humano o que ele quer, este passa a ser maleável, como um cachorro ao ganhar seu biscoito favorito.


O velho pensando que estava na melhor tentou violentá-lo, mas antes que conseguisse encostar um dedo em si, pegou o primeiro objeto pontiagudo que encontrou e atravessou sua barriga. Não se sentiu culpado, na verdade ficou satisfeito por ter livrado o mundo daquele lixo humano, foi então que decidiu o tipo de pessoa que mataria e em que estilo seria.


Ao terminar de se maquiar, ajustou os seios postiços no vestido de paetê* prateado, puxando a bainha que estava enrugada para baixo, o vestido se modelou ao seu corpo, menos na parte que queria esconder- sua genitália- se curvou para mais perto do espelho, notando uma pequena falha causada pelo rimel preto.


– E por que você não mata mulheres?- Kyo se pronunciou novamente, era outra coisa que o deixava curioso- Tem muita vadia por ai que merece.


– Tem razão, mas.. eu não posso, me faz lembrar daquela mulher– limpou as marquinhas de baixo da sobrancelha, o cenho fechado.


A memória dela o sufocava, a mulher que deveria ter sido sua mãe, que deveria tê-lo amado e prezado por ele, estava ocupada demais em seu mundinho psicótico. Levou a mão ao pescoço, na segunda e ultima vez que a vira ela estava pendurada na cerejeira do quintal, uma corda a estrangulando e sangue escorrendo de sua boca, formando uma possa no chão, que sujava as pétalas jazidas ali de carmim. Não era uma cena muito saudável para uma criança de 7 anos.


Mas não era a isso que lhe perturbava e sim o que aquela mulher representava. Durante sua infância inteira foi acusado de filho de lunática, projeto de demônio, miniatura de débil mental, mesmo que não fizesse mal a uma mosca. Tinham medo de si, medo de que herdasse a psicose da mãe, de certa forma estavam certos. E era tudo culpa daquela mulher, mas não a odiava, o que sentia por ela era uma incógnita que não queria decifrar.



“Haha no miyage to kubi wo katate ni”

“Uma lembrança de minha mãe e uma cabeça em uma mão”



– Iku– calçou a bota de camurça negra e cano baixo, colocando a chave dentro desta depois de trancar a porta. Saiu pelos fundos do prédio, pegando um taxi para Shinjuku, mais especificamente Kabukicho, o famoso distrito da luz vermelha.


Desceu perto de onde desejava, pagando uma quantia exorbitante para o motorista, viajar aquela distancia de taxi não era nem um pouquinho viável em questões monetárias, mas também era sua única alternativa, não podia pegar o trem ou o metro vestido de prostituta.


Se esquivou pelos becos estreitos e pouco iluminados, afastado do centro rico daquela região, entrou na primeira porta a direita, encontrando um bar espaçoso com uma pista de dança ao fundo, passou os olhos astutos pelo local, focando-os no homem baixo de aparência descuidada sentado em uma das mesas. Sorriu, se aproximando felinamente, em passos calculados, o homem só percebeu sua presença quando as unhas postiças tamborilaram na superficie de acrílico, sentou a sua frente recebendo um olhar de esguelha.


– Não pensei que viria, trousse o que eu te pedi?- apoiou o queixo nas mãos entrelaçadas, ele — que naquele momento era “ela”- escorregou na cadeira tirando o objeto de dentro da roupa intima sem que o outro visse, mas deixando a entender o que fazia. Pós a embalagem transparente sobre a mesa, voltando a sentar de forma ereta.


– Boa garota. É pura?- pegou o saco com o pó branco, sentindo a textura pelo plástico, a ruiva fez um sinal de “ok” com os dedos.


– Por que não fala?- estranhou.

"Ela" fechou a mão como se segurasse um cilindro, empurrando o interior da bochecha com a língua, enquanto encenava colocar o objeto imaginário na boca, sussurrando um “Dor de garganta” roucamente, o homem entendeu automaticamente, soltando um riso sacana.


– Por que não vamos para um motel, posso te curar rapidinho- levantou, afagando os cabelos rubros. Ruki teve vontade de gargalhar, esperava por aquele convite, mas se contentou em sorrir também sacana, fazendo um gesto para que o seguisse.


Foram para o motel planejado pelo mais alto — já que com aquele salto ficava maior que o traficante- um lugar discreto onde a identidade dos clientes era um detalhe irrelevante. Ao alcançarem o quarto o homem tirou os sapatos e apressadamente despejou o conteúdo da embrulho na mesa, dividindo as carreirinhas para cheirar.


Aproveitando que ele estava muito ocupado se entupindo de cocaína, foi para o banheiro separando sua verdadeira arma, inocente mais mortal, um suco do fruto e da raiz da planta beladona, misturado com outras substancias que aceleram os seu efeito, derramou em um copo de whisky que trazia no seio postiço — que servia como uma bolsa- junto com o veneno, retornando ao aposento.


O homem estava jogado no chão, na maior “viagem”, quando disse que a droga era pura não estava mentindo, se agachou na frente de suas pernas, engatinhando por cima de seu corpo fétido, com o copo em uma das mãos, balançou-o na frente de seu rosto, chamando sua atenção.


– O que.. é isso? – perguntou meio zonzo, podia ver o liquido verde reluzindo, não parecia atrativo.


– É uma nova bebida, vai te deixar doidão- viu que ele receava em aceitar, aborrecido sentou em seu ancas, rebolando parcamente sobre seu membro, não queria toca-lo, mas sexo é o meio mais fácil de se induzir um homem. Ele gemeu e convencido sustentou o peso do corpo com os cotovelos, bebendo o conteúdo do copo.


– Bom garoto- rodeou seus lábios com o indicador, que se abriram projetando o rosto pra frente a procura do osculo, sorriu, empurrando sua crânio de encontro ao piso com força, saindo de cima do seu quadril.


– ARG! Sua vaca!- xingou se retraindo de dor, levou as mãos a cabeça, dando auxílio a mesma que sangrava.


– Por que fez isso PORRA?!- tentou se erguer do chão inutilmente, seus batimentos cardíacos estavam mais acelerados do que quando costumava usar a droga, enxergava apenas borrões a sua frente e uma secura insuportável dominara sua garganta, a cocaína não estava fazendo isso.


– Que merda você me deu?- falou um pouco mais baixo do que antes, sua laringe ardia. Ruki permanecia de braços cruzados fitando-o tediosamente.


– O QUE VOCÊ FEZ SUA PUTA?- tossiu, virando de barriga para baixo se contorcendo. Faíscas dançavam sobre seus olhos, o teto girava... ele girava e de repente fora transportado para um parque de diversões... os cavalos do carro-céu passavam por ele...rodando... subindo e descendo, pintados de cores vibrantes que o cegavam como luzes de danceteria, estava tendo alucinações.


O outro descruzou os braços, tratando de apagar qualquer indicio de que esteve naquele quarto, não demoraria muito para o traficante morrer de parada cardíaca, se dirigia à porta quando teve sua canela presa por ele, em seu ultimo espasmo de força.


– Por..que..eu?- encarou-o com ódio, que foi igualmente repelido, a voz grave e medonha foi a ultima coisa que ouviu.


– Porque você é tão podre quanto eu..- chutou seu braço, se livrando do aperto, ficou parado esperando seu corpo parar de convulsionar, checou seu pulso antes de partir, para garantir seu óbito.


– Ei, não vai se livrar do corpo?- descia as escadas de dois em dois degraus, atrás do vocalista.


– Não to com vontade, a policia provavelmente vai deduzir que ele misturou duas drogas poderosas e morreu de overdose, ninguém liga pra um viciado de merda que nem ele– parou no final da escadaria, o pagamento já havia sido acertado na entrada.


Olhando em volta em busca de um taxi, um ramo de flores crescendo no canto da calçada despertou sua atenção, chegando mais perto conseguiu identificá-las, beladona, branca com as pontas rosadas, sorriu, arrancando-as pelo caule, aquilo era tão irônico que não sabia se significava algo bom ou ruim.


Deu de ombros, arremessando as plantas para o alto e seguiu seu caminho, seu destino já estava traçado de qualquer forma.



“Koyoi mo hotoke wo niramu”

“Estou fazendo careta para Buddha novamente esta noite”



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Um Nissan preto parava lentamente em frente à uma das casas de sexo de Kabukicho, logo uma garota de programa se aproximou, entrando pela porta traseira como lhe indicaram pelo telefone. Não conseguia ver a face de quem dirigia, mas sabia que era um homem pelos ombros largos e as mãos robustas no volante.


O que não lhe cheirava bem era o fato de após sua demissão, ter recebido uma ligação dizendo que seu antigo chefe – que a odiava- havia lhe indicado para um cliente muito rico, que pagaria uma boa quantia para ter seus serviços a domicilio, porém, não tinha nada a perder, era isso ou trabalhar em outra espelunca barata que lhe daria apenas abrigo e restos de comida, e com o dinheiro que o cliente estava prometendo, poderia viver bem por uns tempos.


Foi aconselhada a não falar nada durante o percurso, mas começou a ficar preocupada quando se distanciaram do subúrbio, subindo um morro cuja estrada não era usada há séculos, não pela maioria da população.


– Etto.. pra onde estamos indo?- silencio- Serio, pra onde vamos?- tentou novamente, recebendo a mesma resposta.


Resolveu aguardar, quem sabe algum casarão surgia do nada, olhou o céu pela janela fechada, naquela área dava para ver as constelações..



“Tsukiyo ni mau hanafubuki no naka”

“Na cerejeira dançante floresce sob uma noite enluarada”



Estava inquieta, sentia que tinha feito a escolha errada ao entrar naquele carro, descruzou as pernas, cruzando-as para o outro lado, chacoalhando o pé incessantemente. A roda passou por um buraco e fez o automóvel pular levando seu corpo junto, deu um gritinho assustado, ficando ainda mais nervosa.


– Pra onde você ta me levando? Eu to ficando com medo- choramingou covardemente, o motorista bufou enfadado.


– Me diz?!- gritou.


– Para o cemitério- sacou a arma, atirando em sua testa sem fita-la, o sangue espirrou no vidro traseiro e o corpo desfaleceu nos bancos de couro, rolando para frente conforme o carro dava mais um solavanco. Jogou a pistola no banco de passageiro e prosseguiu com o trajeto, agora sem a voz irritante da garota para lhe importunar.



“Oni no men de ware wo kakushi”

“Estou me cobrindo com a mascara de um demônio”



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Notas finais
*Trechos da musica Oni no Men, eu coloquei a tradução dessa vez pq combinava com o capitulo xD
*A roupa de lantejoula do Ruki em Red só q vestido-q
Me pergunto se quem coloca pra acompanha a fic está lendo, e se sim, se está gostando..hum..*momentodinossauro-q*
É não da pra saber se vcs não disserem
Então se alguém q esta lendo quer mesmo uma continuação, mande sua opinião aqui em baixo
Ela me da inspiração e me ajuda a não atrasar(tanto)
Não vou implorar nem chantagear dessa vez pq não mereço y-y
Matta ne ♥