Questão de Tempo

3 Chegada das Torradas indiscretas


Daniel se arrependeu de ter bebido no instante em que abriu os olhos.

Ele levantou a cabeça do travesseiro e não pôde fazer nada além de soltá-la de volta quando sentiu uma pontada aguda nas têmporas e uma sensação de tontura que não devia estar ali.

Victor já havia levantado e estava vestindo uma camiseta limpa do outro lado do chalé, ainda usando a calça de flanela azul do pijama. Ele percebeu Daniel acordando quando ouviu seu gemido de protesto ao bater a cabeça no travesseiro e olhou curioso para o garoto largado na cama, com um sorriso de deboche no rosto.

– Lembrou-se de acordar?

– Vai se foder — respondeu Daniel.

– Bom dia pra você também.

Daniel bateu a mão na testa como se isso fosse, de algum jeito, diminuir a dor de cabeça e se xingou logo em seguida por tamanha estúpidez. Ao apertar o topo do nariz com o indicador e o polegar ele percebeu como estava afundando no buraco em que ele próprio havia cavado. Primeiro o “boa noite” de Victor, e agora o “bom dia”. E tudo o que ele havia respondido até agora fora um grande nada e um “vai se foder”.

– Eu não quero ser o cuzão. — choramingou Daniel, e nem se importou ao perceber que havia dito aquilo em voz alta.

Victor sorriu seco e começou a trocar a calça do pijama.

– E eu não me importo de ser o cuzão, se é isso que você quer — disse ele, jogando as calças em cima da cama. — Mas ou você supera essa ressaca e vem me ajudar a cuidar daqueles demônios, ou eu mesmo vou aí e espanco essa sua frescura pra fora.

Daniel o encarou por alguns segundos com uma sobrancelha erguida, e então se levantou em silêncio. Victor o seguiu com a cabeça até o banheiro, mas tudo o que Daniel fez antes de fechar a porta foi virar-se sorrindo de orelha a orelha, dando um aceno irônico.

– Bom dia pra você também — ele disse. — A propósito… gostei da cueca — e fechou a porta, deixando Victor sozinho encarando sua cueca boxer com estampa de Smurfs e um dedo médio erguido para a porta fechada.

*

Quando os dois chegaram ao refeitório para o café-da-manhã, ninguém mais estava comendo, o que era um mau sinal, pois estavam atrasados. Poucas pessoas pararam suas conversas para reparar neles, mas mesmo assim Daniel pode perceber com alguns olhares de esguela que Victor mantinha aquele sorriso enorme, como se estivesse falando com o diretor do acampamento, e decidiu que nunca se acostumaria com aquilo.

Ao se aproximarem do balcão para se servirem, ambos perceberam que a única coisa restante era uma pequena tigela com cereal, e trocaram um olhar rápido em busca de algum tipo de acordo. O normal seria Victor pegar a tigela sem pensar duas vezes e sair andando como se Daniel estivesse ali, mas ele só o encarou por mais alguns segundos e foi embora, deixando a tigela no lugar.

– Você está precisando mais do que eu — Victor disse antes de se distanciar muito — Não fico tão cagado pro causa de bebida.

Aquilo era para ser um insulto, mas realmente não soou como um.

E Victor foi se sentar na mesa de Vanessa.

E de Lana, notou Daniel, curioso.

Na realidade, após perceber que Lana estava sentada com Vanessa, ele demorou um momento para notar que ela estava sentada com todos.

Todos os alunos estavam sentados juntos em uma mesa gigante, formada por três outras mesas menores do refeitório, e Daniel sorriu antes que pudesse se dar conta. Victor foi recebido imediatamente por uma dezena de “bom dias” e uma sensação de mal-estar tomou seu estômago

Culpa?, ele se perguntou.

Cuzão, sua consciência lhe respondeu.

Daniel suspirou e pegou a tigela de cereal com um pouco de resistência por ter sido mais uma gentileza de Victor, mas ele precisava mesmo comer e deu passos pesados até o lugar vago ao lado de Lana, de frente para Vanessa.

– Bom dia — disse ele, sorrindo cansado.

Lana o abraçou um pouco forte demais na hora de devolver o “bom dia” e ficou com a cabeça encostada em seu ombro enquanto contava como todos haviam decidido juntar as mesas, e a cara de choque dos mais velhos, e sobre como todos eram legais, e como a vida era bonita -- Daniel decidiu parar de acompanhar a história para focar-se em seu café da manhã quando Lana resolveu também comentar sobre como ela achava Marcos bonitão, e Vanessa entrou na conversa bem nessa hora, salvando-o de ter que concordar com algo que nem estava realmente escutando.

Sua cabeça ainda doía um pouco, mas a tontura já havia passado e o açúcar do cereal lhe dava um tipo novo de energia.

Dani foi obrigado a olhar para o lado quando Victor começou a gargalhar.

Ele estava mais próximo de Julia, Sasha e Marcos, que notavelmente o ouviam terminar de contar alguma coisa aleatória, e estavam com aquela típica cara de expectativa, antes de alguém chegar na melhor parte de alguma história. A risada de Victor era algo gostoso de ouvir, e quando ele ria seu rosto ficava tão bonito quanto quando iluminado pela fogueira…

– Daniel! – esbravejou Lana.

– Oi. — Ele pulou da cadeira, assustado.

– O que está acontecendo com você, garoto? — ela franziu o cenho e colocou uma das mão no peito dele.

– Ahn… Nada, por quê?

– Primeiro você não escuta mais o que a gente tá falando, e agora vai resolver ter uma taquicardia? Seu coração foi de normal pra corredor de maratona do nada.

– Desculpe — ele chacoalhou a cabeça. — Estou sofrendo por antecipação.

Lana ergueu uma sobrancelha.

– As crianças — explicou ele — Tô meio nervoso pra saber quais nós vamos pegar.

Lana pareceu se convencer um pouco mais e Dani relaxou.

No entanto, quando Sasha e Julia explodiram em gargalhadas ao seu lado, ele não pôde se conter e virou-se para ver encontrar um Victor sem ar, de tanto rir.

Então a ansiedade de ver as crianças aumentou, assim como seu pulso.

*

Quando todos estavam saindo do refeitório para a reunião geral antes da chegada das crianças, que a esta altura já deviam estar no ônibus, a minutos do lugar, Victor se desviou dos amigos e foi correndo até o bebedor que havia no canto mais afastado da porta, onde se entupiu de água por dois minutos.

Pior café da manhã de todos.

As vozes todas já haviam se afastado e o refeitório agora estava em silêncio, o que denunciava que já haviam ido para o QG, mas quando Victor se virou para segui-los, Daniel estava parado na porta, encarando o chão. Ele ficou surpreso, mas não disse nada. Vestiu sua carranca habitual e foram andando em silêncio. Alguns metros atrás dos outros.

– Você já parou para pensar que nós podíamos ter dividido aquela tigela? — perguntou Daniel, em seu tom de Ei, não precisa ficar com essa cara de cu para mim, eu sou legal, eu sou legal, EU SOU LEGAL, ME AME.

– Não. — Victor o cortou, chutando uma pedra com seu All Star preto — Eu me recuso a dividir alguma refeição com você.

Ele percebeu como aquilo havia soado rude. Mais rude do que planejava inicialmente, para ser sincero, mas se fosse enxergar aquilo como um revide para a história da cueca de Smurfs, não fora nada menos do que o merecido. Daniel devia deixar de ser tão intrometido e sugestivo. A tigela já estava vazia e os dois já haviam saído do refeitório, pra que, exatamente, ficar se perguntando por que eles não haviam dividido a merda da tigela? Passou.

Victor se encolheu sobre os joelhos quando sua cabeça e seu estômago pareceram se confrontar ao mesmo tempo. Ele estava com tanta ressaca quanto Daniel, apesar de nunca admitir isso, e havia rejeitado sua única opção de desjejum. Não era à toa que agora parecia uma menina com cólicas menstruais, travado com as mãos sobre a barriga.

Ele sabia que o outro garoto estava parado ao seu lado, mas agradeceu a todos os deuses, anjos e santos que se lembrou naquele momento por ele não ter oferecido ajuda ou sequer aberto a boca. Daniel apenas ficou calado durante o minuto em que ele se recuperou e se levantou como se nada houvesse acontecido, e continuaram o caminho até o QG, onde todos já haviam entrado. Porém, Victor sabia que aquilo estava por vir, e foi barrado pelo braço de Dani antes que pudessem entrar de fato pela porta.

– Depois vamos arranjar umas torradas pra você. — disse ele.

E entraram no QG.

***

Algumas horas depois, usando a camiseta polo verde do acampamento, Victor ainda não estava se sentindo melhor, e nem poderia, debaixo daquele sol quente do inferno.

Daniel estava sentado na grama ali perto (Puta merda, como esse menino ama a grama) usando uma camiseta idêntica à sua, e tudo o que eles podiam fazer naquele momento era esperar seu grupo de crianças, que Levi iria guiar até eles, e então voar para longe em um imenso “Pronto, se virem”. E o pior de tudo é que eles haviam ficado com o grupo mais velho, de nove a dez anos, mais conhecido como a idade do demônio. Victor gemia de desgosto antes mesmo de ouvir as perguntas que aquelas crianças poderiam fazer, mas estava disposto a estampar um sorriso para elas.

Daniel parecia estar querendo que ele fosse o cuzão da história, pelo o que havia entendido de manhã, então… Bem. Vocês já sabem como funciona. Não era isso o que ele iria ter.

Daniel, por outro lado, só estava pensando em uma coisa.

– Ei — disse ele. Victor virou a cabeça, desinteressado. — Quando terminarmos de conhecer as crianças e levá-las para seus quartos nós corremos lá no refeitório pra pegar suas torradas, fechou?

Victor revirou os olhos sem perceber.

– Que seja.

– Ficar parado embaixo desse sol não vai ajudar em nada na ressaca que você tá tentando esconder — Daniel continuou — Ainda mais pra você…

– Tá. Tá bom, Daniel.

– Ei, vocês dois. — veio uma voz de algum lugar ali perto.

Os dois garotos levantaram a cabeça na direção da voz de Levi e o viram chegar com uma manada de crianças atrás dele, com mochilas, malas de rodinha, bolsinhas e travesseiros embaixo dos braços. A maioria delas conversava, e Daniel aproveitou que ninguém estava prestando atenção nele para levantar-se da grama e limpar sua calça com as mãos.

– Esse é o grupo Torrada, seu grupo pelas próximas semanas — disse Levi para Victor e Daniel, com um sorriso forçado que parecia convencer as crianças — Torradas, deem oi para seus novos monitores.

Agora, por que diabos eles tinham de dar nomes de comida para os grupos de alunos? Me diz?, Victor queria matar todos com sua serra elétrica imaginária à menção de torradas mas deu um sorriso brilhante e cumprimentou as crianças, oito meninos e nove meninas, ele contou rapidamente.

– Olá, — disse ele, satisfeito consigo mesmo por conseguir esconder o nervosismo. Por que Daniel não estava se apresentando primeiro? Era ele quem já estava acostumado com essa droga de situação. — Sou Victor.

As crianças o encaravam curiosas, algumas das garotas com um brilho diferente nos olhos. POR QUE DANIEL NÃO ESTAVA FALANDO?

– E esse é Daniel — ele disse por fim, já que o outro não havia se pronunciado até então. Gesticulando com as mãos ele se virou para o outro garoto e o encontrou parado, com uma expressão branca no rosto.

Mas que…

– Então é isso, não é? — Levi disse, tirando Victor de sua posição ridícula. — Agora é por conta de vocês, Victor e Danilo. Boa sorte. Confio nas habilidades e capacidades de vocês.

– Danilo? — perguntou Daniel.

Uma vontade de esmurrar a cara do outro encheu Victor por completo naquele instante. Agora ele conseguia falar, certo?

– De qualquer modo, — Daniel chacoalhou a cabeça e virou-se para as crianças. Seguiu com um grito de animação — Quem quer conhecer os chaléeees?

As crianças berraram e alguns dos meninos literalmente urraram.

Aquilo seria três semanas bem longas.

– Alguém quer ajuda com as malas? — ele sorriu, mas sem metade da animação de Dani.

Os dois pegaram o que podiam para ajudar os pequenos e atravessaram o campo na direção dos chalés. No caminho encontraram com o grupo de Lana e Vanessa, que devia ser dos sete aos oito anos, e foram recebidos por imitações de macacos e animais de circo em geral. Daniel começou a rir e algumas crianças fizeram igual. Por um instante Victor dirigiu seu olhar a Vanessa, que o fitava de volta e deu de ombros, demonstrando que para ele não estava sendo tão ruim quanto eles estavam imaginando. Vanessa sorriu em concordância.

Ok. Talvez aquelas três semanas não fossem ser tão longas assim

Eles então chegaram às cabines que seriam usadas pelo grupo Torrada, uma para as garotas e outra para os garotos. Victor lembrou-se rapidamente que no papel que haviam recebido durante a reunião do QG estava escrito que Daniel ficaria responsável pelas garotas e Victor pelos garotos. Então ele chamou os meninos e entrou na cabine da direita.

*

– É do gosto de vocês, senhoritas? — Daniel abriu a porta da cabine da esquerda, sem saber exatamente como se relacionar com um bando de garotas de dez anos.

Algumas delas deram risadinhas, o que ele assumiu ser um bom sinal.

– Ei — disse uma delas, de repente — Eu me lembro de você.

– Oh — respondeu Daniel. — Eu venho como monitor há algum tempo.

– É. Você e a Luce, né? — essa garotinha parecia ser um pouco petulante. Era um pouco alta para sua idade e possuia algumas sardas no rosto. — Vocês estavam juntos. O que aconteceu?

– Ah — Daniel ficou vermelho, gaguejando um pouco — Nós nunca estivemos juntos, só trabalhavamos juntos como um grupo de monitores.

– Foi o que eu quis dizer — respondeu ela, e Daniel ficou mais vermelho ainda.

– Ah — disse ele — haha.

– Mas o que aconteceu? — ela perguntou, duas garotas estavam arrumando suas camas, mas as outras seis pareciam estar sentadas, esperando sua resposta com toda a calma do mundo.

– Ela não pode vir esse ano.

– Que droga! — a menina choramingou — Então agora temos você no lugar dela?

– Basicamente — Daniel deu de ombros.

A menina resolveu se mexer e foi andando até uma cama vazia, enquanto as outras decidiam se ocupar com algo também.

– Eu estava muito animada pra ver a Luce esse ano — disse ela.

– É — concordou uma outra, que estava quieta até então — Ela era legal.

Daniel grunhiu internamente. O que está acontecendo?

– Você não está triste que ela não veio, Daniel? — perguntou a garota sardenta — Você não gostava dela?

– S-sim. Estou triste que ela não veio, mas por que acha que eu gostava dela? — Agora Daniel estava fora de sua zona de conforto, sem o sorriso habitual. Voando a metros acima de sua zona de conforto, na realidade.

– Ah. Era meio óbvio.

Era?

Todas as garotas concordaram com a cabeça, como se lessem sua mente.

– Belas observadoras, vocês. — Daniel se sentou em uma das muitas camas vazias. A cada ano seu portifólio de palavrões aumentava e ficava cada vez mais difícil de segurá-lo na frente das crianças. De repente ele se sentiu muito preocupado com Victor e seu portifólio de palavrões, e como ele o estava controlando com os garotos. Isso se o estava controlando…

– E quanto ao Victor, hein? — perguntou uma das garotas.

– Quê? — Daniel virou-se rapidamente.

O que ela estava sugerindo?

– Ele é um bom companheiro de monitoria?

– Ah… — Daniel relaxou um pouco mais e encostou suas costas na parede — Ele é bom, acho. Dêem um tempo, garotas. Como eu poderia saber se não monitorei com ele por mais de uma hora?

As garotas riram, e Daniel agradeceu mentalmente. Talvez ele as estivesse ganhando agora.

– Ele é bem fofo — disse uma.

– Cala a boca, Rebeca — respondeu outra — Ele tem, tipo, uns vinte anos.

Daniel segurou sua risada, achando difícil lembrar-se de como ele e Victor pareceriam velhos quando tinham a idade daquelas crianças. Então alguém bateu de leve na porta.

– Olá? — a cabeça de Victor surgiu ali.

– Entre! — a garotinha petulante gritou de animação.

Victor passou pela porta, cumprimentou as garotas e então olhou para Daniel.

– Ahn… É… Você quer ir — disse ele, e continuou depois de uma pausa enorme, procurando as palavras certas — ir fazer aquela missão super secreta que discutimos mais cedo?

Daniel franziu o cenho.

– Missão super sec… Quê? Ah! As torradas!

Victor revirou os olhos.

– Mas você disse que não queria… — começou Daniel.

– Agora eu quero, tá? Pode vir aqui fora por um segundo?

– Ok, já vou.

Victou fechou a porta e as garotas se aglomeraram em volta de Daniel.

– Missão secreta?

– Torrada?

– Você não acha o Victor fofo, Daniel?

– Você fala muito alto, pirralha — Daniel respondeu para a petulante. — Agora eu só devia deixar vocês aqui para desfazerem suas malas e colocarem as roupas para as atividades do dia, ok? Vejo vocês depois.

– Tchau, Daniel — um coro de vozes finas ecoou atrás dele quando fechou a porta atrás de si.

Lá fora Victor estava chutando algumas pedras no chão. Seu rosto se iluminou ao ver Daniel saindo do quarto, e Dani quase se sentiu envergonhado por ele. Victor levantou a mão e o chamou até uma mesa de piquenique que havia ali perto. Ele se sentou, descansando a cabeça nos braços, e Daniel se sentou no banco ao seu lado, cabeça na mão, cotovelo na mesa. Eles ficaram alguns minutos em silêncio, no sol.

– Daniel — Victor o chamou — Quando nós devíamos pegá-las?

– As crianças ou as torradas? — respondeu ele — Se bem que agora as crianças também são as torradas, por causa desse nome de bosta, mas…

– As crianças, Daniel — ele o cortou. — As crianças, saco.

Sua voz estava meio sonolenta, mas mesmo assim encarava Daniel com a cabeça deitada nos braços.

– Uma meia hora? — respondeu Dani.

– Hmm… — Victor grunhiu e fechou os olhos.

– Como são os garotos?

– Hmm…

– Legal. — Dani começou a conversar com a mesa, percebendo que Victor não cooperaria mais com o diálogo. — As garotas também.

Após alguns segundos tentando se convencer de que a mesa era uma companhia bem melhor que Victor, Daniel não conseguiu se segurar:

– Você tá se sentindo melhor mesmo sem a torrada?

– Porra, Daniel. Não fala sobre a torrada.

– Porra, Victor.

– Acho que um cochilo ajuda melhor que uma torrada, ok?

– Tá. Mas só cinco minutos.

– Foda-se.

E Daniel sentiu seus olhos começarem a pesar.

***

Daniel pulou, acordando de repente com o que deviam ter sido dezessete crianças gritando em seu ouvido. Ele assistiu Victor fazer o mesmo ao seu lado.

– Porra! — disse Daniel. — ..da e bomba. Porrada e bomba. É isso mesmo. Alguém gosta dessa música? — Por pouco.

Os olhos de Victor pareciam pesados e sonolentos. E certamente fofos também.

– Huh? — disse ele — Por quanto tempo nós dormimos?

– Vocês deviam ter buscado a gente dez minutos atrás — respondeu um garotinho de óculos e um relógio de pulso grande demais para sua estatura.

Daniel esfregou seu rosto com a mão e Victor deu uma espreguiçada indiscreta.

– Não estamos tão mal assim, então — disse ele.

– Vocês estavam bem fofos — uma das garotas comentou — Mas seus rostos estavam muito perto um do outro. Vocês normalmente dormem assim?

Era aquela garotinha petulante de novo. Droga.

– Qual seu nome? — perguntou Daniel.

– É Ellen.

– Ellen. Legal.

E Daniel não estava querendo admitir, mas sentia seu rosto mais quente do que nunca, e ao virar-se para Victor descobriu que o outro também estava vermelho de orelha a orelha.

– Todos vestidos para uma caminhada? — perguntou ele, como se não tivesse acontecido nada.

– Vamos lá! — Daniel concordou e os dois levantaram, sem saber realmente o que fazer.

Notas finais
Ficou um pouquinho menor do que eu tava esperando, mas... well ^^ enfim. Estão gostando?