Quero

1 Capítulo Único


Quero que todos os dias do ano

todos os dias da vida

de meia em meia hora

de 5 em 5 minutos

me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,

creio, no momento, que sou amado.

No momento anterior

e no seguinte,

como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão

que me amas que me amas que me amas.

Do contrário evapora-se a amação

pois ao não dizer: Eu te amo,

desmentes

apagas

teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.

Não exijo senão isto,

isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra

nem sei de outra maneira a não ser esta

de reconhecer o dom amoroso,

a perfeita maneira de saber-se amado:

amor na raiz da palavra

e na sua emissão,

amor

saltando da língua nacional,

amor

feito som

vibração espacial.

No momento em que não me dizes:

Eu te amo,

inexoravelmente sei

que deixaste de amar-me,

que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido

Eu te amoamoamoamoamo,

verdade fulminante que acabas de desentranhar,

eu me precipito no caos,

essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade

Ela abaixa os olhos verdes e James morre um pouco.

Cada vez que ri de uma piada alheia, sente um aperto, um desespero quase físico. Ele quer que ela ria apenas de suas piadas, que olhe apenas para ele. Tenta capturar sua atenção como se estivesse em uma floresta cheia de borboletas mais espertas que ele e toda vez que pensa ter pelo menos seus olhos em mãos, lá está ela, sendo do mundo.

Entende Petúnia, céus, como entende... Lílian não é de ninguém, ela maldosamente desapegada. O mundo inteiro é dela e ela é do mundo inteiro, James não gosta de amor regrado, ele é 8 ou 800000000...

James não acredita em astrologia, mas será que o fato dela ser de Aquário e ele de Áries explicaria aquela loucura, aquela necessidade quase enlouquecedora de querer agarrá-la e escondê-la do mundo? Quando Lílian sussurra em seu ouvido durante o ato:

“Eu te amo... Eu te amo...”

Ele sabe que ela pertence a ele, naquele breve segundo, ele tem certeza, e seu coração dispara a ponto de quase fazê-lo chorar. E ele fecha suas mãos ao redor daquela borboleta apenas para abrir em seguida e deixa-la sair. O que ele mais ama nela não é sua liberdade? Não é o fato dela ser daquele jeito tão desprendido e livre? A incerteza de que se ela retorna ele tem, mas ele sabe que retornará. Ele sabe que sim... Mas diga isso ao seu exaustivo cérebro tentando lhe sabotar.

Por que Lily está com ele? Ela vai notar que ele é carente demais, ela vai notar que se ele não fizer alguma palhaçada durante uma partida de Quadribol para arrancar algumas carícias em seu ego, ele morre. Ele é filho único, e esses são seres infelizes, ele sabe disso. Não sabe dividir, não sabe apreciar a solidão e nunca aprendeu o significado da palavra não.

“Hoje não James, vou sair com uns amigos”

“Não estou no clima, quem sabe amanhã?”

“Não, James, é só um amigo”

“Não quero fazer isso, vamos fazer outra coisa”

E ela desvia os olhos verdes e dá seu sorriso para outras pessoas, matando James mais um pouco.

Ele pensa que vai morrer de obsessão, e talvez deva afastar Lílian, ele tornaria aquilo em algo tóxico com sua carência psicopata e sua insegurança abusiva. Perde consideráveis horas do dia pensando e avaliando as companhias da ruiva, mas segura sua língua, não quer afastá-la, mas sua mente berra a cada segundo com paranoias e criações absurdas.

Por que ele precisa de reafirmações o tempo inteiro? Por que ele simplesmente não acredita que Lílian o ama?

“Porque você acha que não a merece”, explicou Sirius, concentrado em suas palavras cruzadas. O garoto abaixou o jornal, esparramado no sofá da Sala Comunal naquela manhosa tarde de domingo. Pareceu ter pena de James, apertando os joelhos. “Merlin, olhe pra você... James Potter tem uma fraqueza...”, Sirius riu, voltando para o jornal. “Bem, os olhos dela têm a cor da kryptonita”.

Por que ele acha que não merece o amor de Lílian Evans?

Será que inconscientemente eu sei que não sou o bastante para ela?, indagou-se, reservando aquela chata aula de História da Magia para refletir. Olhou a nuca de Lílian, que decidira cortar o cabelo naquele verão, assistiu-a concentrada na aula, rodeada de amigos, como sempre. Sua mente ameaçava cair em fantasias, imaginando se ela teria beijado aquele Luke alguma vez, ou se o beijo de Rupert é melhor que o seu, já que ele descobrira que os dois já tiveram um romance no sexto ano.

Lílian o olha furtivamente, parecendo sentir seus olhos em sua nuca.

E lhe reserva um sorriso.

James sorri delicadamente, assistindo-a virar-se novamente. Talvez devesse conversar com ela, lhe dizer seus temores... Lhe confessar suas aflições. Não, ela vai pensar que eu sou maluco... E talvez eu seja. Sequer namoramos, estamos apenas nos conhecendo e eu já estou ficando louco! Se eu falar, ela vai sair correndo!

O sinal toca e ele desperta, ignorando o monologo de Remus, lhe ameaçando não passar as anotações mais tarde. Guarda suas coisas e sente uma mão em sua nuca, em seguida, um beijo surpresa em seus lábios.

Ele era muito necessitado? Muito ansioso? Ele nunca se sentiu daquela forma, era tudo muito novo, não estava conseguindo administrar as coisas, sentia-se desajeitado. Colocou sua bolsa nas costas e quase tocou as madeixas da ruiva, implorando por um pouco de amor.

Lílian pegou sua mão.

“Hoje não estou no clima... Encontro vocês mais tarde?”, despediu-se Lily de seus amigos, encostando seu corpo no de James.

Ela foca seus olhos verdes nele e James sente seu coração atingir o Sol.

The XX – Say Something Loving

Notas finais
James faz a pergunta e o Sirius responde.

Como ultrapassa essa questão existencial só deus sabe, porque eu não sei hahahaha

Espero que gostem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!