Queridos Mamãe e Papai
5 Meia-Noite
Notas iniciais
Queridos Mamãe e Papai
Eu preciso muito conta e a vocês o que houve depois que eu fui liberado da Ala Hospitalar, no dia em que caí da vassoura e quebrei o punho.
Madame Pomfrey consertou a fratura em segundos, mas preferiu que eu ficasse em observação por causa da pancada na cabeça que acabei sofrendo com a queda da vassoura. Sem ter muito o que discutir, obedeci. Acabei por almoçar e jantar na Ala Hospitalar e, quando finalmente fui liberado, já era depois do horário de recolher. Com uma autorização da Curandeira nas mãos, segui para a Torre da Grifinória, mas estava com tanto medo de ser repreendido e punido por estar fora da cama depois do horário, que acabei esquecendo a senha. Parei em frente à Mulher Gorda e pensei, pensei mas minha memória falhou novamente. Pedi à ela, implorei na verdade. Mas ela não teve dó de mim e sugeriu que eu ficasse por ali até um Monitor aparecer, devido às rondas noturnas, para me ajudar. Por fim, acabei aceitando a sugestão do quadro e sentei num canto, à espera de alguém que pudesse me ajudar. Ninguém apareceu para me ajudar. A única alma que passou por mim, nem estava viva, foi o Barão Sangrento, arrastando aquelas correntes e me fazendo ficar com mais medo ainda.
Esperei tanto que acabei acontecendo. Não tenho ideia de quanto tempo dormi do lado de fora, mas quando quando acordei, levei um susto ao ver que quem vinha em minha direção não era um Monitor, e sim Harry e Ron. E logo atrás deles, uma irritada Hermione, que reclamava por ter ficado trancada para fora da Torre da Grifinória, já que a Mulher Gorda tinha saído para um passeio. Eles me contaram a senha e me disseram para voltar, mas eu ainda estava muito assustado por causa do Barão Sangrento e de ter sido acordado daquele jeito e tinha certeza que não conseguiria mais dormir. Por fim acabei por segui-los. Ouvindo Harry e Ron conversar, percebi que o garoto Malfoy havia desafiado Harry para um duelo na Sala de Troféus e que Ron seria seu padrinho. Como já mencionei na outra carta, Harry foi criado pelos tios trouxas e não deve saber muito bem o que é um duelo bruxo. Ainda assim, ele aceitou o desafio sem pensar duas vezes.
Caminhamos lentamente até a sala onde se realizaria o tal evento e a mesma estava vazia. Não havia ninguém lá além dos belos troféus de gerações e gerações de bruxos que passaram aqui por Hogwarts. Quando a meia-noite chegou e passou, Harry e Ron começaram a se preocupar a respeito de terem sido enganados. Eu não sou uma pessoa muito inteligente Papai e Mamãe, mas até eu percebi a enganação antes deles.
Perto da meia-noite e dez, ouvimos passos apressados e em seguida a fala rouca e baixa do Sr. Filch, o Zelador. Sua voz estava cada vez mais próxima e podíamos ouvi-lo mandando Mrs. Norris, sua gata, farejar o ambiente. Eu estava aterrorizado e convencido de que estávamos perdidos, mas Harry achou uma outra portinhola, por onde saímos em segurança. Assim que saímos, seguimos andando a esmo, já que nenhum de nós ainda conhece bem o Castelo, quando a porta de uma das salas de aula se abriu e Pirraça, o poltergeist saiu e, olhando para nós com maldade nos olhos foi conversando com Harry, que estava quase quase convencido de que o fantasma nos deixaria em paz, quando Ron tomou a frente, gritou com Pirraça e ordenou que ele fosse embora. O poltergeist não gostou nada do tratamento e começou a gritar o mais alto que pode que haviam alunos fora da cama. Deixamos Pirraça para trás e corremos. Por fim, demos em um corredor que eu não conhecia, cheio de armaduras uma ao lado da outra, em vez de dispostas com certo espaço, como ficavam nos outros corredores. Estávamos andando em um ritmo médio, entre a corrida e a caminhada e ainda ouvíamos o Sr. Filch em nossos calcanhares. Num dos encorajamento dele à gata, eu acabei me assustando, tropecei, tentei me equilibrar em Ron e acabei levando comigo uma das armaduras ao chão. O barulho foi tanto, que parecia que todas elas tinham caído ao mesmo tempo. Mais uma vez, nos pusemos a correr como se não houvesse esperança. Corri junto aos meus colegas e acabamos de frente para uma porta trancada. Com agilidade, Hermione a destrancou com um feitiço, para que pudéssemos passar e nos fechou ali. Eu fui o primeiro a olhar para trás, para o interior da sala, enquanto os outros colaram as orelhas na porta, tentando ouvir qualquer sinal do Zelador. Mamãe e Papai, tenho certeza que jamais me esquecerei do que eu vi naquele cômodo: ali bem na minha frente, estava um cão de três cabeças enorme. A cabeça do meio farejava, enquanto as outras já mostravam os dentes em ameaça. A baixo de suas patas, estava um alçapão com porta de madeira, mas eu realmente não estava interessado nas patas do animal e sim, em ficar o mais longe possível das três bocas. Eu tentei falar o que estava vendo, mas minha voz não saiu, então me agarrei às vestes de Harry, tentando fazer com que ele olhasse para o cão. Quando os outros três finalmente se viraram, ficaram com tanto medo quanto eu. As três cabeças estavam rosnando e babando em nossa direção. Entre encarar o Sr. Filch e a fera diante de nós, a escolha foi bem fácil. Saímos da sala e mais uma vez nos pusemos em corrida. Acho que até aquele dia, eu nunca tinha corrido tanto em toda a minha vida!
Finalmente alcançamos a Torre da Grifinória e gritamos a senha para a Mulher Gorda, que chegou a questionar a nossa ausência em vão, pois não tivemos tempo para responder. Nos separamos de Hermione na subida para os dormitórios e cada um de nós se enfiou na própria cama, e sem falarmos mais nada, adormecemos.
Foi uma aventura e tanto!
Obrigado por serem pacientes comigo.
Neville Longbottom.
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