Querido Professor

6 Capítulo 3 - Parte II


Notas iniciais
ta aê mais um p vocês e obrigada MESMO pelas reviews que vocês estão deixando, vocês não tem ideia do quanto eu fico feliz quando vejo que tem uma nova.... boa leitura hihi

– Por que você demorou tanto pra sair da escola ontem? – Manu perguntou, batendo o pé junto com a bateria da música enquanto ouvíamos música no volume máximo do meu iPod.

– Cheguei atrasada na aula do Lanza e não consegui terminar de copiar o relatório antes do sinal tocar – respondi, disfarçando um sorriso maligno – Você sabe que eu tenho problemas pra decifrar a caligrafia dos professores.

Estávamos sentadas no chão do pátio do colégio, de frente pra porta por onde entraríamos logo e começaríamos mais um dia de aula. Faltavam apenas dez minutos pra que o sinal tocasse e as portas das classes fossem abertas, mas ainda assim a escola estava praticamente deserta.

Olhei na direção da rua, refletindo sobre o dia anterior enquanto Manu falava alguma coisa sobre a prova de química. Como duas pessoas podiam influenciar tanto meu humor de formas tão diferentes? Primeiro o sr. Munhoz, todo carinhoso, perfeito e maravilhoso. Depois, o sr. Lanza, totalmente idiota, ridículo e frouxo. E o mais curioso de tudo, eles eram amigos! Essa vai pra minha lista de mistérios da humanidade que eu adoraria desvendar.

Enquanto observava os poucos carros que passavam em frente à escola, um suéter verde musgo ambulante chamou minha atenção. Ergui meu olhar na direção do rosto da pessoa que caminhava escola adentro, e me deparei com um par de olhos castanhos me olhando. Sorri de leve, doida pra agarrá-lo ali mesmo como sempre. Aquela blusa verde era um clássico no guarda-roupa dele, todas as vezes que eu o via usando aquele suéter, era tentação na certa. Deus, eu realmente amava cada detalhe naquele homem.

– Bom dia, meninas – o sr. Munhoz sorriu ao passar por nós, carregando mil pastas cheias de papéis e uma mochila que provavelmente continha mais pastas iguais às outras. Tenho certeza de que Manu não notou nada de especial naquele sorriso, mas eu o vi de um jeito totalmente diferente.

– Bom dia, professor – respondemos, em uníssono, o que só fez aquele sorriso aumentar. O sr. Munhoz continuou a andar normalmente em direção à sala dos professores, e eu o segui com o olhar disfarçadamente. Oi, como você consegue ser tão gostoso aos 30 anos de idade? Não posso esquecer de perguntar isso a ele um dia.

– Você tem razão – Manu disse, e eu mais que depressa parei de secar o sr. Munhoz para olhá-la. Fiz cara de pastel de vento e ela completou a frase – Ele é lindo demais.

Não deu pra não rir daquele comentário, ainda mais com os recentes acontecimentos.

– Pois é, minha cara – suspirei, assentindo devagar – Ele é simplesmente perfeito.

Manu também suspirou e começou a observar a rua vagamente. Sem vergonha, logo voltei a encarar o sr. Munhoz, que havia parado em frente à sala dos professores pra conversar com uma coisa loura, alta e magra que atendia pelo nome de Miranda Keaton. Eu ainda acertava minhas contas com aquela lambisgóia oxigenada um dia, pode apostar.

– Segura a emoção aí, Caah – ouvi Manu rir disfarçadamente, abaixando seu olhar pra disfarçar ainda mais o riso – Sua alma gêmea tá chegando.

Franzi a testa, sem entender, e me virei na direção da saída do colégio. Dei de cara com o professor Lanza chegando, com a maior cara de sono e os cabelos despenteados de um jeito proposital. E atraente, pro meu desgosto.

– Não sei por que eu fui olhar, eu já devia saber que era ele – resmunguei, revirando os olhos e olhando rapidamente pra porta da sala dos professores, agora sem ninguém ao seu redor. Beleza, o sr. Munhoz e a srta. Keaton já deviam estar no banheiro mais próximo dando sua rapidinha matinal. E eu ali, perdendo meu tempo observando o contorno dos ombros do sr. Lanza, realçados pela blusa pólo azul marinho que ele usava.

Espera aí. Credo, que nojo! Por que eu agora estava com a péssima mania de ficar observando os detalhes daquele verme? Tudo bem que eu adoro ombros masculinos (não só ombros, mas isso não vem ao caso), mas ficar olhando os do Lanza já era desespero demais! Nota mental: evitar encarar qualquer parte do corpo daquele exu.

– Nem bom dia ele dá – Manu comentou, medindo-o de cima a baixo quando ele já tinha passado por nós – Dá pra entender totalmente por que você o odeia tanto.

– Eu odiá-lo tanto tá beleza, agora ele me odiar também é péssimo pra minha nota – bufei, fazendo uma careta – Mas eu não ligo, prefiro ir mal a ter qualquer tipo de simpatia com esse crápula.

– Fala, Lanza – ouvi uma voz conhecida dizer, e vi o sr. Munhoz surgir do nada com a srta. Keaton.

– Oi, Pepe – o sr. Lanza resmungou, parecendo indisposto. Provavelmente tinha comido alguma aluna do primeiro ano e como ela não devia saber nem beijar, não foi bom e ele ficou de mau humor. Idiota, quem ele pensava que era pra chamá-lo de Pepe? Ele não merecia aquela intimidade toda!

– Não esqueceu o futebol com o terceiro ano depois da aula, né? – Pepe (se o Lanza podia, eu também podia) perguntou, como se já previsse a careta que o amigo fez.

– Totalmente – ele respondeu, batendo com a palma da mão na própria testa – Se bem que eu não ia jogar de qualquer jeito, não dormi nada essa noite.

Os dois entraram na sala dos professores rindo, e não deu pra ouvir mais nada. O sinal tocou, e logo eu e Manu subimos, ainda comentando sobre o belo físico do professor Munhoz. Bem que eu quis contar tudo pra ela, mas fiquei com medo e achei melhor as coisas se firmarem um pouco mais. Por mim, eu casava com ele sem pensar duas vezes, mas eu acho que uma proposta de casamento seria um pouco assustadora pra ele.

As duas primeiras aulas se arrastaram lentamente, sem muitas novidades. Dei graças a Deus quando a professora de física saiu da classe. Aulas duplas me entediavam demais, fato. Nosso professor de história logo chegou e como era dia de prova, já foi entregando as avaliações para os alunos. Beleza, só questões de múltipla escolha, ia ser fácil. O legal do sr. Turner era que ele facilitava as coisas no primeiro bimestre e ia dificultando conforme o tempo passava, nos dando a oportunidade de já passarmos de ano sem precisarmos estudar muito a parte mais difícil da matéria. Afinal, quem em sã consciência leva os estudos a sério no quarto bimestre se já fechou no terceiro? É, até que o sr. Turner era legalzinho, se não usasse tantas palavras difíceis e transpirasse menos.

Em menos de dez minutos eu terminei a prova, com a certeza de que tinha ido bem. Todo mundo ia bem nas provas dele, porque ele praticamente colocava as respostas no enunciado da pergunta. Sem a mínima vontade de ficar sentada por mais de meia hora naquela classe, pedi pra ir ao banheiro, pra ver se o tempo passava mais rápido, e o professor apenas assentiu pra mim, atento aos alunos do fundo que não se cansavam de pedir e passar cola. Bando de burros, francamente.

Caminhei lentamente pelo corredor na direção do banheiro, soltando um bocejo e me espreguiçando preguiçosamente. Passei pela classe de Manu, que estava com a porta fechada, e pela classe ao lado da dela, que estava aberta, mas vazia.

– Ei, Trevisan – ouvi alguém sussurrar assim que entrei no banheiro, e coloquei a cabeça pra fora pra ver quem era. Uma coisa verde e sexy parada na porta do banheiro masculino, que ficava logo ao lado do feminino, sorria pra mim, fazendo meu coração acelerar. Homens como o sr. Munhoz não podiam aparecer assim de repente, era beleza demais pra se assimilar tão depressa.

– Oi, professor – sorri de volta, tentando parecer menos promíscua do que eu realmente era quando o cara em questão era ele.

– Tem um minutinho? – Pepe murmurou, com um sorriso perfeito no rosto. Ele devia entrar no Guinness Book como o sorriso mais charmoso do mundo, dica. Assenti, olhando pros lados pra ver se alguém estava vindo, mas o corredor estava realmente deserto.

Pepe me puxou pela mão até a sala vazia, e fechou a porta atrás de nós. Quando ele se virou pra mim e me encarou, tudo que eu pensava em dizer simplesmente sumiu. Eu sempre ficava meio retardada quando ele me olhava, ainda mais agora que seu olhar parecia muito mais íntimo do que das outras vezes.

– Eu te chamei aqui porque queria conversar sobre ontem – ele falou, se aproximando com as mãos nos bolsos da calça jeans larga e uma expressão misteriosa – Mas eu mudei de idéia.

Me assustei com o que ele disse. Mudou de idéia? O que ele quis dizer com aquilo? Eu beijava tão mal pra fazê-lo desistir de mim em um dia?

– C-como assim? – gaguejei, numa tentativa desesperada de disfarçar meu pânico. Totalmente em vão, claro, meu pavor tava na cara.

O sr. Munhoz não disse nada, apenas continuou se aproximando cada vez mais. Quando ele já estava bastante próximo, envolveu meu rosto com suas mãos, e parou com o corpo bem pertinho do meu. Se ele não estivesse segurando meu rosto, acho que teria desmaiado assim que seu perfume encheu meus pulmões.

– Eu descobri que te beijar é muito melhor que qualquer conversa – ele murmurou, abrindo um sorriso lindo, e tudo que tive tempo de fazer foi também sorrir, aliviada, antes de sentir seus lábios nos meus. Deslizei minhas mãos pelos ombros dele, gravando cada toque na minha memória pra jamais esquecer, e o abracei pelo pescoço, puxando-o pra mais perto. Pepe embrenhou uma mão em meus cabelos e escorregou a outra até meu quadril, fazendo qualquer espaço que ainda houvesse entre nós sumir. Nossas línguas se acariciavam numa sintonia perfeita, como se já fôssemos íntimos há muito tempo, fazendo meu corpo inteiro formigar.

Aquele sem dúvida foi o melhor beijo da minha vida, com o homem mais perfeito do mundo. Ele conseguia ser firme e delicado ao mesmo tempo, me segurando perto dele e me provocando sensações novas com o mais sutil dos toques, como nunca ninguém havia conseguido. Fomos intensificando cada vez mais o beijo a cada segundo, até meus lábios ficarem dormentes e meu fôlego acabar. Mesmo ofegante, continuei beijando-o com a mesma avidez, sem querer desgrudar dele nunca mais.

Pepe me abraçou pela cintura e me levantou do chão. Acho que ele fazia isso porque eu era relativamente baixinha perto dele, e quando ele me levantava as coisas ficavam mais fáceis pro seu lado. Sem pensar direito, envolvi sua cintura com minhas pernas, e ele pareceu gostar da idéia. Cambaleando um pouco enquanto eu bagunçava seu cabelo, ele me sentou sobre a mesa onde os professores colocavam seu material, me fazendo ficar da sua altura.

Tirei minhas pernas de sua cintura, mas logo senti suas mãos apertarem minhas coxas num pedido mudo pra que eu as colocasse de volta. Fiz o que ele pediu, ficando perigosamente sem ar, mas sem ligar pra uma besteira como oxigênio numa hora daquelas. Pepe segurava minha cintura com força, me prensando contra seu tronco sem ousar romper o beijo. Acho que todo aquele desejo reprimido durante três anos estava se revelando ali, e não era só da minha parte.

Sem conseguir mais resistir, passei discretamente minhas mãos por debaixo da barra de seu suéter, tocando a pele quente de sua barriga. Seus músculos se contraíam a cada toque, assim como os meus reagiram aos toques dele em meus quadris por debaixo do uniforme. Como se procurasse fôlego naquele beijo, ele me puxou pra mais perto ainda, e eu fiz o mesmo com minhas pernas, sentindo um volume assustador mais embaixo. Olha só, o homem que já era perfeito tinha acabado de me mostrar a única qualidade que faltava comprovar.

Senti as mãos de Pepe descerem um pouco, alcançando os bolsos de trás da minha calça jeans. Nem liguei, afinal quem tinha começado com a mão boba fui eu. Mas assim que ele fez menção de colocar as mãos por dentro dos bolsos, Pepe partiu o beijo e ficou me olhando com os olhos levemente arregalados, num misto de surpresa e medo. Ficamos alguns segundos em silêncio, paralisados, enquanto eu apenas o observava, totalmente confusa.

– Eu acho melhor a gente ir com calma – ele balbuciou, parecendo um pouco desconcertado – Alguém pode nos pegar aqui, e...

Pepe desistiu de continuar falando, com o olhar fixo no meu. Minha vontade foi de dizer que ele podia fazer o que quisesse comigo, mas ao invés disso, eu apenas falei, com um sorriso compreensivo:

– Tudo bem, professor.

Ele suspirou, olhando pro lado como se estivesse em dúvida. Logo voltou a me olhar, mordendo discretamente seu lábio inferior, que estava bem vermelho, e disse:

– É que eu nunca fiz isso antes, sabe... Nunca me envolvi tanto assim com uma aluna, tenho medo de ir rápido demais e acabar te assustando... Entende?

Enquanto falava, Pepe fazia carinho em meu rosto e observava cada detalhe dele com insegurança no olhar. Sem reação diante daquele jeito cuidadoso, apenas assenti devagar, com um sorriso besta no rosto. Ele afastou uma mecha de cabelo que estava sobre meu olho e sorriu de volta, mais aliviado.

– E agora? – falei, arrumando timidamente o cabelo dele que estava todo bagunçado e fazendo-o fechar os olhos com o carinho.

– Não faço a menor idéia – ele respondeu, sorrindo de um jeitinho gostoso e lentamente abrindo os olhos – A única coisa que eu sei é que quero você.

Fiz uma cara involuntária de perplexidade após aquela declaração. Preciso dizer que eu também queria demais aquele cara? Acho que eu nunca quis tanto alguém como eu o queria, sem mudar nada em sua personalidade e em seu jeito de ser. Naquele momento eu percebi que realmente amava Pedro Munhoz, e que seria capaz de acordar todos os dias ao lado dele, ouvi-lo rir de qualquer coisa idiota que eu dissesse, observá-lo enquanto ele estivesse distraído vendo TV ou lendo algum livro, beijá-lo e abraçá-lo a qualquer momento... Resumindo, eu queria aquele homem só pra mim, pra sempre, não importava se aquilo era errado. Abri um sorriso encantado, com o olhar fixo no dele, e aproximei nossos rostos devagar até alcançar sua boca e beijá-lo calmamente.

– Não dá pra acreditar nisso tudo, sabia? – murmurei, partindo o beijo e unindo nossas testas – Nunca pensei que um dia eu estaria beijando o senhor...

– Me chame de ‘você’, pelo amor de Deus – ele interrompeu, erguendo as sobrancelhas – Chega desse ‘senhor’, me sinto um vovô quando você me chama assim.

– Nunca pensei que um dia eu estaria beijando você – repeti, frisando a última palavra – E te ouvindo dizer coisas assim pra mim.

– Eu tentei ignorar esse meu interesse por você, eu juro que tentei – Pepe falou, acariciando minha cintura enquanto eu brincava com a gola de seu suéter – Mas ontem eu não agüentei mais me segurar, não sei o que me deu... Tava tudo escuro, e você totalmente sozinha lá atrás... Eu detesto te ver sozinha na classe, já falei isso.

– Não liga pra essas coisas, eu não faço questão de ser amiga de ninguém daquela classe – sorri, ao ver que ele estava ficando meio bravo. Pepe entortou a boca e me olhou, cedendo logo depois e sorrindo comigo.

– Falando em classe, acho que te roubei de alguma aula – ele lembrou, fazendo uma careta sapeca – Não é melhor você voltar?

– Infelizmente é – suspirei, triste – O Turner deve estar estranhando minha demora no banheiro.

– É só falar que comeu waffles no café-da-manhã – ele riu, e eu franzi a testa, sem entender – Ele sempre tem dor de barriga quando come waffles, vai se identificar com o seu sofrimento.

– Bom saber – gargalhei, e ele logo me calou com um beijo caloroso.

– Amanhã eu dou um jeito pra gente se ver – Pepe avisou, me abraçando pela cintura e me colocando no chão – Vai lá, pequena.

Dei um sorriso fofo pra ele, e sem conseguir resistir, puxei-o de novo pra outro beijo. Pepe não reclamou, pelo contrário, pareceu gostar da surpresa. Eu não queria me afastar dos braços daquele homem nunca mais. Era tudo muito lindo pra ser verdade e eu não queria acordar daquele sonho de jeito nenhum.

– Até amanhã então – murmurei, quando partimos o beijo, e saí da sala sorrateiramente, deixando-o com um sorriso de orelha a orelha em seu rosto. E no meu também, claro.

Notas finais
eaaaae, o que acharam desse? escrevam se gostaram.. xoxo @arrobastefanie