Querido Papai
1 Capítulo 1 - Papai
Eu estava observando-o. Observando a beleza daqueles longos cabelos prateados, com finas mechas caídas pelos seus braços, fazendo uma bela combinação com os seus olhos âmbares, pacíficos e um tanto indiferentes. Ele estava lendo um pequeno livro. Eu imaginava se o livro era bom o suficiente para ele não notar a minha presença. Aquele rosto calmo, a pele tão branca que ele poderia ser comparado a um boneco – um lindo boneco, mais lindo do que qualquer um que eu já tenha visto nas lojas de brinquedos. Acho que naquele momento eu estava sentindo o que chamam de amor. Meu coração apertava um pouco e eu refletia isso abraçando fortemente o meu urso de pelúcia, que possuía praticamente o meu tamanho. O que poderiam esperar? Eu só tinha seis anos de idade. E aquele jovem, alvo do meu amor? Aquele era simplesmente o meu papai.
– Rin, não fique aí parada, vamos brincar! – O meu melhor amigo, Miroku, me chamou alegremente, puxando de leve a manga da minha blusa. Deixei de olhar para o meu papai e larguei o meu urso.
– Vamos! – Não sei por que eu aceitei. Alguns minutos depois lá estava eu, presa no alto de uma árvore, com o medo tomando conta do meu corpo. Foi naquele momento que eu descobri que tinha medo de altura. Eu pensei que subir em árvores era divertido. Minhas pernas tremiam, ou melhor, meu corpo inteiro tremia. Miroku percebeu e, desesperado, começou a gritar.
– TIO SESSHOUMARU, A RIN ESTÁ PASSANDO MAL! – Olhei na direção do meu pai, com a vista um pouco embaçada. Acho que estava prestes a chorar. Ele rapidamente largou o livro de qualquer jeito no chão e correu até a minha direção. Eu podia ver a preocupação em seu olhar.
Não pensei duas vezes e saltei da árvore com os braços abertos. Ele me abraçou, me segurando fortemente em seus braços. Papai tinha um cheiro único. Acho que foi aquilo que me acalmou. Ele disse algo para Miroku, e se sentou debaixo daquela árvore, sem me perguntar nada. Não sei quantos minutos eu fiquei ali, o abraçando, Miroku já havia até ido embora, até que senti a sua voz suave em minha pequena orelha.
– Você tem medo de altura, não faça mais essas coisas, tudo bem? Papai ficou muito preocupado com a Rin. – O soltei com a cara emburrada. Como ele sempre adivinhava as coisas? Eu não havia dito nada! Ele apenas riu da minha expressão, enquanto levava uma de suas mãos até a minha franja, afastando-a de meus olhos. Ele ficava tão bonito quando estava rindo... e eu não via ele rir para mais ninguém a não ser eu, para ser sincera, papai nunca gostou de pessoas. Era o que eu pensava. Papai apenas trabalhava e voltava sempre no mesmo horário para casa, naquela idade, eu já me virava sozinha. Apenas nós dois naquela grande casa. Nunca ouvi ou vi papai conversar com outra pessoa, pelo menos não da forma que conversava comigo.
– Papai... eu te amo. Quando crescer, quero me casar com você! – Sorri inocentemente, era a minha primeira declaração de amor. Papai ficou me fitando por longos segundos. Eu não conseguia decifrar aquela expressão... vi um brilho diferente em seu olhar. Ele levou a mão que antes estava em minha franja até o meu queixo e o segurou suavemente. Não entendi o que aquilo significava até que eu vi o seu rosto se aproximar muito do meu. Ele iria me dar um beijo na bochecha, como sempre fazia antes de dormir? Ué... mas algo está errado, ele está aproximando os seus lábios... dos meus?! – ...! – Ele juntou os nossos lábios. Papai nunca havia me dado um beijo na boca. Mas a sensação era tão boa... os seus lábios eram muito macios. Senti como se o meu coração estivesse explodindo, não sei como descrever. Mas uma coisa eu digo: Eu realmente estava muito feliz.
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