Querido Idiota
1 Me perdoa?
Notas iniciais
Querido idiota,
Escrita por Siriusly.
“Querida Marlene,
Ok, você não quer falar comigo. Saquei. Mas precisava te pedir desculpas de algum jeito, então essa carta foi à maneira menos – RIDICULA – ilegal de fazer isso.
Eu sei que fui um idiota— sublinhado, itálico e em negrito – e que você provavelmente deseja com todas as suas forças a minha morte da maneira mais brutal e sangrenta que consegue pensar pela merda que inventei de fazer. É, eu sei disso. Sei que fui um idiota e assumo isso.
Mereço alguns pontos pela sinceridade? Não? Tudo bem, eu supero.
Sou péssimo com essas coisas, como você já deve ter percebido.
Antes de pedir desculpas pelos meus atos da noite de Halloween, quero me desculpar pela confusão desta carta e pela falta de alma poética em mim. James é a alma sensível do grupo, então logicamente se sai melhor (ou eu que gostaria de acreditar nisso? É, acho que eu que gostaria de acreditar nisso) do que eu.
Mas não estou escrevendo isso para falar do meu melhor amigo e da falta de vergonha na cara dele (eu não estou muito atrás, mas quero pensar que sim então fazer o favor de não jogar isso na minha cara, sim? Muito obrigado).
Escrevo essa carta como um pedido de desculpas pela minha imbecilidade noite retrasada, na festa de Halloween. Você não quer sair do dormitório e Lily ameaçou jogar uma bela azaração que me deixaria careca se eu ousasse chegar perto de você, e conhecendo a Evans como eu conheço – ela sempre cumpre as ameaças dela, experiência própria – não arriscaria... Então eu decidi escrever essa carta – pedido – de – desculpas – com – cereja – em – cima para você poder cogitar a ideia de um dia voltar a olhar na minha cara.
Não ligo se Remus, Peter e James resmunguem o quanto isso é ridículo, desde que você me perdoe.
Vacilei muito noite retrasada e me arrependo profundamente por ter subido no palco e dito aquelas coisas tão pessoais suas – e minhas, e nossas. Pelo amor de Merlin, um dia você me perdoara por ter dito a todas aquelas pessoas que meu lugar favorito no mundo é entre as suas pernas com você gemendo meu nome? Espero que sim... Eu não devia ter mencionado isso não é? Se puder excluir essa última parte (porque eu meio que estou com preguiça de reescrever tudo isso) agradeceria muito. Ok, quem sou eu para pedir favores a essa altura do campeonato, não é mesmo? Desculpe-me por isso também.
Pelas vezes que Merlin fodeu com Morgana, eu sou um imbecil.
Sei que vacilei, Marley. Fui um idiota de marca maior, e tudo isso porque estava com ciúmes. Sim, ciúmes. De você com aquele idiota do Amos Diggory. Não sei nem como tive coragem de olha – lo hoje depois que falei aquelas coisas sobre, é, bem, você sabe... Sobre o probleminha peniano dele. A culpa não é minha se você decidi compartilhar os detalhes da sua vida sexual com o cara mais babaca de Hogwarts (eu, eu sou o cara).
Eu preciso focar em uma só coisa no momento – e parar de te chamar de apelidos, que devem está aumentando sua raiva nesse momento. Me perdoa por isso também? Vamos voltar ao fato de eu estar com ciúmes.
Não sei se você sabe, Marlene, mas de uns tempos para cá eu venho te considerando bem mais do que a minha melhor amiga e parceira de bebedeiras. Pelo menos não desde daquele dia em que bebemos em Hogsmead e que acabamos em uma cama. Marlene, aquele dia foi o melhor dia da minha vida, digo isso sem exageros. Não sou um cara cheio de grandes momentos na vida (mas não conte isso ao James, ok? Ele jura que o melhor dia da minha vida foi quando nos conhecemos, mas não é bem verdade. Eu o achava meio metido) Ok, eu vou tentar focar no meu propósito.
Naquela noite em que (em termos mais poéticos e que eu nunca usaria se não fosse totalmente necessário e se não estivesse desesperado) fizemos amor, eu vi que estava anestesiado pelo efeito que você me causava. Mais do que fisicamente, mesmo que eu só fosse perceber isso depois.
No dia seguinte acordamos atordoados, nus ao lado um do outro, ambos com uma ressaca do caralho. Tudo o que você conseguia falar eram vários “não”s repetidos e tudo o que eu conseguia fazer era não reagir àquela situação. Eu ouvi todos os seus pedidos de desculpa, ouvi seus xingamentos a si mesma, ouvi quando você disse “finja que nada aconteceu” , mas minha mente se corroia atrás das memórias da noite que passamos juntos.
Duas noites se passaram depois que transamos e sua imagem não saia da minha mente de maneira alguma, nem mesmo sob seus olhares de censura e que clamavam por cuidado com a minha língua solta. Eu nunca falaria para ninguém, nem mesmo para James. Não depois de ouvir você me implorando para não fazer isso de forma tão sentida. Mas eu só fui realmente perceber que estava apaixonado por você – precisamos fazer uma pausa dramática para você começar a me falar xingar loucamente por está apaixonado por você e amaldiçoar até o meu último parente vivo?
Eu percebi que estava apaixonado por você da maneira mais clichê possível (minha vida é cheia das situações mais clichês possíveis): na aula de Poções em que tivemos que “cheirar” o caldeirão com Amortentia. Reconheci seu perfume de lavanda, o cheiro do seu cigarro favorito, e por último, o cheiro de mar, e porra você mora em uma casa na praia. Idiota de tão óbvio. Entrei em pânico e nem ao menos consegui ligar para a crise de raiva que Lily estava tendo pelo cheiro que identificou em seu próprio caldeirão – alias você poderia me dizer qual era? James ficou realmente curioso e jura que foi o dele – porque eu não podia está amando você não é mesmo? Nós conhecemos desde que tínhamos onze anos, compartilhávamos tudo sobre nossas vidas desde os treze e éramos melhores amigos desde os catorzes.
Ver o brilho azul dos teus olhos refletindo no caldeirão me fez querer chorar. Então Slughorn explicou que Amortentia poderia nos ajudar a identificar o amor, mas também poderia indentificar uma paixão de momento. O que me acalmou um pouco, mas não o suficiente para te encarar naquela noite, e nas duas seguintes.
Você provavelmente me odiou. Eu sei que já comecei sendo um idiota egoísta ai, Marlene, e que provavelmente fudi com tudo logo quando você chegou para mim chorando de felicidade porque o idiota, filho de um puta e quero acrescentar, muito amostrado, do Amos Diggory havia finalmente notado a sua existência e te convidado para sair, onde minha reação foi totalmente indiferente a sua felicidade.
Eu vi o jeito que me olhou, Marls. Eu sinto muito. Eu estraguei tudo a partir daí.
É. Acho que esse é meu grande talento: foder com tudo.
Vocês saiam com maior frequência e a cada novo beijo que vocês davam, era um passo para longe de mim. Eu não podia te culpar, é claro. Amos é tudo o que as garotas querem: rico, de bem com a vida, inteligente, realizado, honrado, bom em Quadribol e (eu não acredito que estou dizendo isso) bonito. E o que eu sou além de um rosto espetacular e um cabelo glamoroso (sem falar de poço de carisma)? Um deserdado pela família, que mora de favor na casa do melhor amigo e que não tem um centavo para se sustentar.
Prazer, Zé – Ninguém.
O pior de tudo é que você não parecia se importar com o que eu era até começar a sair com o Diggory. Marls, você não sabe como me doeu ver a forma que você me olhava quando estava com Diggory, e a forma que ele parecia gostar disso... Sei que estou parecendo bem egoísta – e estou sendo um pouco, admito. Mereço pontos por isso? – mas quando se gosta de uma pessoa, o que ela pensa de você importa totalmente. E isso me consumiu até o Halloween, quando James e eu bebemos demais e eu tive a visão do inferno de te ver agarrada ao Amos na pista de dança.
Álcool, sentimentos reprimidos e magoas são uma mistura perigosa, e quando me dei conta já estava em cima do palco, vomitando asneiras e expondo tudo o que nós passamos para todas as pessoas presentes.
Certa vez alguém me disse que a tentação é uma faca que pode cortar o queijo ou a garganta de um homem. Não sei quem disse isso, provavelmente um desses escritores ingleses entediados do século XIX que escrevem aqueles livros chatos que a Remus gosta de ler, mas posso afirmar que após aquela noite em Hogsmead, a tentação era uma faca deliciosa de se ter contra o pescoço. E você é minha tentação Mckinnon, e a minha maior vontade era de expor isso para todos. Não foi muito inteligente, né?
Eu me odeio tanto por isso, Marlene. Muito, você não tem noção do meu arrependimento. Se pudesse voltar atrás nunca teria subido aquele palco, nunca teria dedicado a você uma versão desafinada da nossa musica, nunca teria dito que meu lugar favorito no mundo era entre as suas pernas (que são lindas? Alguém já te disse isso?), nunca teria dito cada detalhe intimo do seu ser e da nossa relação, e não teria revelado que “gostava” (ainda estou surpreso por usar o termo gostar, e não “EU TE AMO LOUCAMENTE MARLENE, ME FODE PELO RESTO DA SUA VIDA”) de você daquela forma.
Eu sinto tanto, e espero que um dia (o mais breve possível, porque isso está me dilacerando) me perdoe.
Do seu grandíssimo idiota,
Sirius Orion Black.
P.S: Por favor, Lenezinha, não me faça ter que tatuar seu nome na minha bunda para poder voltar a falar comigo. Preciso desesperadamente de você.”
Marlene correu os olhos pela carta, sem acreditar nas palavras escritas. As lágrimas tomavam seu rosto por completo, se misturando com a vontade de rir das coisas idiotas que Sirius falava. Ele era craque em falar coisas idiotas em momentos delicados. Uma raiva incomum estava tomando conta de seu corpo desde a desastrosa noite de Halloween, mas de repente todas as sensações ruins foram substituídas por boas e Marlene odiou isso.
Revirou os olhos, e ainda zangada abriu a porta do dormitório, deparando — se com um Sirius desolado a sua espera no corredor.
— Querido idiota, eu quero mata — lo. — ela disse ao abrir a porta.
Sirius levantou — se com um gesto automático, ficando cara a cara com a loira. Black tinha olheiras de quem não dormia a duas noites, os cabelos estavam bagunçados (o que vindo de alguém que se orgulhava de ter sido eleito o "cabelo mais bonito de Hogwarts" era surpreendente), e Marlene não gostaria de mencionar o cheiro de cigarro barato.
— Eu sabia que a carta seria uma boa ideia. — ele murmurou mais para si mesmo do que para ela. Marlene tornou a revirar os olhos, mas conteve um sorriso.
— As vezes eu me pergunto se você é mesmo um imbecil ou se só finge ser um. — ela cruzou os braços, e foi a vez de Sirius corar. Aquilo a surpreendeu: Black nunca corava. — Tudo é verdade?
— Então? Você leu a carta? Eu não achei que você...
— Sim, eu li. — interrompeu ela. — Responda a pergunta.
— Claro que é verdade! Eu queria...
— Você se arrepende de escrever qualquer minima virgula?
— Lene, sem querer ofender, estou me sentindo um criminoso de Azkaban em julgamento.
— Sirius. — ela sibilou de forma ríspida.
— Porra, é claro que não Marlene! — ele fez uma pausa. — Por que a pergunta?
— Porque ainda estou decidindo se devo beijar sua boca ou quebrar seu pescoço.
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