Querido Diário
8 CAPÍTULO 7 – TEORIA DA SINCERIDADE
Notas iniciais
POV Edward
--- O que você acha de dar um pente? – perguntei pra Bella.
Andávamos pelo shopping eu, Victoria no meio e Bella ao seu lado enquanto discutíamos o que dar pra Ronald.
--- Não, pente é coisa de mulher – ela fez uma careta.
--- Eu acho... – Victória começou.
--- Que tal uma gravata? Meu pai adora gravatas – ela falou mordendo o lábio.
--- Ele não trabalha, não precisa de gravata. Nem eu usaria uma – falei e ela riu, me imaginando usando uma gravata.
--- Um relógio? – sugeri e Bella pareceu pensar, e quando foi falar Victória se intrometeu:
--- EU acho uma ótima ideia – me sorriu falsamente e Bella deu de ombros, concordando. Caminhamos até uma loja de relógios e óculos escuros, que estava cheia. Os vendedores riam e brincavam com os compradores enquanto eles experimentavam mercadorias.
--- Sou um guarda muito durão – ouvi a voz de Bella e quando a vi estava com óculos escuros ray-ban e um relógio preto com os ponteiros prata. Ri, assim como o vendedor.
--- Sai da frente sua amadora, me deixa mostrar como se faz – falei empurrando ela levemente pro lado e peguei uns óculos pretos estilo aviador e um relógio preto digital. Passei a língua nos dedos da mão e as passei acima da orelha, criando costeletas. Dei uma bagunçada no topete e me olhei no espelho, avaliando meu trabalho.
--- Ei, você – falei pro vendedor que estava entre mim e Bella – perdeu alguma coisa aqui? Circulando! – falei gesticulando e Bella prendeu o riso.
--- É isso aí, eu tenho um cassetete e não tenho medo de usar – disse Bella erguendo as sobrancelhas tentando parecer ameaçadora e o vendedor só faltou explodir em uma gargalhada.
--- Vocês – começou mas deu uma paradinha pra poder rir – vão querer comprar os óculos e os relógios? Estão com desconto, dois conjuntos pela metade do preço – falou e eu olhei sugestivamente pra Bella.
--- Eu acho que Ronald ficaria bem de óculos aviador – Bella tocou meu nariz e eu revirei os olhos.
--- Desculpe me intrometer – Victória se pronunciou pela primeira vez, colocando-se entre Bella e o vendedor a empurrando um pouco pro lado – mas acho que não é o que estamos procurando – disse com desdém e um sorriso falso, olhando a loja com desprezo. O vendedor, que sorria, ficou cabisbaixo e deu um meio sorriso triste.
--- Tudo bem então. Sempre às ordens – ele bateu continência pra mim e pra Bella e nós sorrimos de forma solidária pro homem. Devolvemos os óculos e relógios e fomos embora. Bella abriu e fechou a boca várias vezes, mas nada disse.
--- Eu conheço a loja perfeita pra comprar um bom relógio, já que a Bella tem dinheiro não precisa ir naquele tipo de loja – ela riu falsamente pra Bella, mexendo no cabelo. Bella retribuiu o sorriso de forma mais falsa ainda – minha mãe deu de presente de casamento pra meu pai um relógio Rolex lindo, edição de colecionador, exclusivo de 1960 e acho que ficaria lindo em Ronaldo.
--- Ronald – corrigi revirando os olhos e ela me olhou, sorrindo.
--- Isso aí.
--- Ei, ei! Olá, jovens! Gostariam de experimentar o Browne Barat Oebom? – uma mulher ruiva e gorda se aproximou de nós, com brownies quentes. Bella sorriu e eu também, afinal adoro brownies, e de graça adoro mais ainda.
--- Vamos querer... – comecei, mas Victoria me interrompeu, tocando meu braço.
--- Não vamos querer seus... – ela se aproximou da bandeja da mulher com cara de nojo e respirou fundo – brownies. Eles estão horríveis, como pode vender isso? – falou e a mulher ‘murchou’ completamente. Victoria deu as costas pra mulher de nariz empinado fazendo seus cabelos esvoaçarem pro lado, puxando a mim pelo braço. Bella pediu desculpas a mulher e sorriu, pegando um brownie e lhe dando 10 dólares.
--- Qual é, não precisamos de brownies chamados Barat Oebom – Victoria disse.
--- Não precisava falar com ela daquele jeito – Bella falou entre uma mordida e outra no brownie. Victoria a fuzilou com os olhos e parou de me puxar, virando-se pra Bella, que não se intimidou com a ação.
--- Como é que é?
--- Só acho que se for pra falar porcaria é melhor ficar calada. Se não quer, não atrapalhe as pessoas que querem – Bella deu de ombros e eu franzi o cenho, maravilhado com a sinceridade da garota. Victoria respirou fundo, raivosa.
--- Você é mesmo uma mal educada hein, garota?
--- Isso não é falta de educação. Muito pelo contrário, meus pais me educaram muito bem – ela sorriu – você sim é uma mal educada, porque se fosse realmente educada, saberia a hora certa e a hora errada pra falar as coisas – Bella falou e Victoria me olhou com um sorriso zombeteiro, murmurando um “Ham” e voltando a encarar Bella.
--- Eu falo o que eu quiser pra quem eu quiser, você não tem nada a ver com isso, garota!
--- Isso não é questão de querer, é questão de respeito. Eu sei que você é dois anos mais velha que eu, mas minha capacidade de entender o que é certo e o que é errado me torna mais velha que você – ela deu de ombros e eu fiquei petrificado de tão incrédulo que estava.
Victoria comprimiu os lábios de raiva e virou pra mim. Merda, aí vem ela querendo que eu a defenda.
--- E você? Não vai falar nada? – falou pra mim e eu balancei a cabeça, indeciso. Cocei a nuca e olhei pra Bella, que estava com cara de “pouco me importa”.
--- Desculpa, mas ela está certa – falei tentando não ser grosso, dando um meio sorriso. Ela fez uma careta.
--- Vamos voltar pra aquela primeira loja, já consigo até imaginar Ronald com aqueles óculos do Edward – Bella disse animada, me puxando pelo braço. Fiquei feliz com isso, e a cara de tigre raivoso de Victoria? Impagável!
Depois de comprarmos os óculos e o relógio pra Ronald, acabei comprando uns óculos ray-ban pra mim, mas emprestei a Bella. Ela tinha ficado espetacular com esses óculos. Victoria ficou de cara feia, como se fosse soltar os cachorros a qualquer momento, mais não se manifestou.
Depois fomos seguindo caminho até a loja de perfumes. Quando íamos entrar, Victoria parou.
--- Essa loja não vende a nova fragrância da Beyonce, acho que só tem no segundo piso – ela disse e esperei que Bella protestasse, mas ela nada disse, ficou apenas parada olhando pra praça de alimentação.
--- Então vamos logo Victoria – falei parecendo grosso, entredentes. Já estava impaciente com essa futilidade toda. Ela respirou fundo e me fuzilou com os olhos, passando na minha frente e trombando propositalmente o ombro em meu braço.
Andei atrás dela, achando ridículo tudo aquilo. Isso tudo é por ciúmes ou ela é chata mesmo?
Quando chegamos à escada rolante, senti falta de alguma coisa. Olhei pra trás e Bella não estava lá.
--- Cadê a Bella? – perguntei olhando pros dois lados e Victoria repetiu meu movimento.
--- Ela não estava com você? – ela disse com raiva na voz, como se ela mesma não tivesse gostado de ter dito aquilo.
--- Não, ela estava... – lembrei que ela estava olhando pra praça de alimentação – pode ir que eu te encontro lá – falei e virei pra trás, mas lembrei que estava em uma escada rolante. Um senhor careca sorriu pra mim. Mas que droga!
Tomara que ela não se mexa até eu chegar.
POV Bella
--- Obrigada – agradeci desajeitada o sanduíche que comprei. Nunca vi nada do tipo, e o cheiro é maravilhoso! Ele ainda vem com batatas e refrigerante, e um copinho com algo vermelho dentro... Acho que é o ketchup que Edward me falou.
Segurei a bandeja e olhei à minha volta, mas não tinham mesas vagas. Um senhor de uns 50 anos me chamou com a mão e eu andei vagarosamente até ele.
--- Pode sentar aqui, não tem nenhuma outra mesa vaga – ele me sorriu mostrando seus 5 dentes e eu sorri de volta, sentando duas cadeiras depois dele. A voz de meu pai me mandando manter distância de desconhecidos ecoou em minha mente.
--- Qual o nome desse sanduíche? – ele me perguntou, curioso, entre uma garfada e outra em seu macarrão.
--- Big Mac – sorri abrindo um guardanapo e segurando o sanduíche.
--- Oh, é do Mc Donalds. Meus netos sempre me pedem pra traze-los aqui, mas nunca posso vir e... – ele ficou falando mas não ouvi mais nada.
O sanduíche duplo era diferente de alguns que eu vi em lojas como Bobs ou Subway. Era grande e suculento, com um cheiro predominante maravilhoso. Em um ímpeto, mordi com vontade a ponta, onde escorria queijo Cheddar e um pedaço de carne.
--- Nossa, isso aqui é delicioso! – expus meus pensamentos alto demais e mordi mais um pedaço, saboreando aquela maravilha – o senhor precisa provar isso! Coma, tome aqui – falei estendendo o braço e ele balançou a cabeça pra mim.
--- Não posso, querida. Sou diabético – sorriu e voltou a falar alguma coisa sobre o Mc Donalds, que não prestei atenção.
Por curiosidade, fitei o ketchup.
Por quê não arriscar?
Peguei uma batata e melei no copinho do ketchup e passei no lugar que tinha mordido. Quando dei uma dentada, nossa...
--- Mas isso está delicioso! – falei sorrindo enquanto o senhor me fitava confuso – essa Mc Donalds é mágica, nunca pensei que comeria algo assim! E esse ketchup? Ele arde! Mas é uma ardência tão gostosa, que me faz querer lamber o copo inteiro! – enquanto eu falava quase gritando, o senhor se afastava lentamente sem tirar os olhos de mim – não sei como os diabéticos vivem sem comer isso! Todos precisam experimentar! – levantei da mesa e notei que algumas pessoas me olhavam, algumas riam, outras sorriam e outras fofocavam. Avistei Edward do outro lado, procurando alguma coisa. Sorri e acenei alegremente.
--- Ei, Edward! – chamei e ele procurou de olhos semicerrados por mim. Quando me viu, andou a passos largos.
--- Oi, Bella, vamos — ele disse já me ajudando a guardar a batata e pegou meu copão de refrigetante.
--- Eu provei! Provei o ketchup, cara, é uma maravilha! — falei ainda alto enquanto ele procurava alguma coisa na mesa que eu estava.
--- É bom né? Posso comer um pedaço? — ele perguntou olhando fixamente pro sanduíche e eu cerrei os olhos pra ele, desconfiada. Ele fez uma cara de cãozinho abandonado fofinha.
--- Você tava oferecendo pra todo mundo, por quê não pra mim? — ele piscou e eu mordi o lábio, estendendo o braço que segurava o Big Mac. Ele tentou pegar denovo, mas minhas mãos travaram.
--- Solta, Bella! — ele disse tentando puxar mas meus comandos não me obedeciam. E, de fato, eu não quero dar meu sanduíche pra ele!
Mordi os lábios e fechei os olhos, abrindo minha mão. Quando ele pegou, um pouco de ketchup pingou em meu casaco.
--- Droga — falou nervoso enquanto comia um pedaço de meu sanduíche.
--- O que? é só eu fazer isso, oras.
Peguei a ponta do casaco onde tinha um pingo de ketchup e lambi, e quando engoli, passei os lábios um no outro e lambi novamente.
--- Hm — murmurei enquanto limpava um lábio no outro, erguendo uma sobrancelha. Aquilo era delicioso.
Edward observava cada movimento mordendo o lábio inferior, totalmente paralisado. Ele ficou uns cinco segundos depois de eu fazer isso parado, olhando pra mim profundamente. Uni as sobrancelhas andando pra trás, vendo se ele reagia, mas nada. Ergui uma sobrancelha e estralei os dedos na frente de seus olhos.
--- Edward? — chamei e ele piscou os olhos algumas vezes, recuperando a consciência.
--- Er... Vamos, vamos... — disse baixo, pensativo — vamos pra loja! — disse finalmente, sorrindo e falando um pouco mais alto.
--- Vamos ué — dei de ombros e saí andando em sua frente.
Quando cheguei no final da praça, ele ainda estava parado no mesmo lugar, me fitando. Suspirei alto e voltei, pegando-o pelo braço.
(...)
--- Que cheiro bom! — falei quando senti uma fragrância doce e agradável em um pequeno papel que a atendente me ofereceu.
--- Essa é a nova linha de perfumes da Katy Perry — a atendente loira piscou e Victoria já estava com os olhos brilhando, quase chorando quando ouviu o nome da mulher que lançou.
--- Quanto custa? — ela perguntou, tentando parecer superior, mas não conseguiu. Praticamente se joga em cima do perfume com a baba escorrendo ao lado da boca. Ugh!
--- U$$ 460,00 — a mulher respondeu normalmente e o queixo de Victoria quase foi ao chão.
--- Eu quero levar um pra mim — falei sorrindo alegremente. Eu teria um cheiro bom daqui em diante.
--- Mas que ótimo — a vendedora sorriu pra uma outra vendedora que ouvia a conversa, como se eu tivesse feito uma grande revelação.
Uni as sobrancelhas e olhei pra Victoria na esperança que ela tivesse compreendido a atitude das mulheres, mas nada. Ela estava ofegando e seus olhos pareciam que iam saltar de seus olhos a qualquer momento. A atendente foi registrar a compra no balcão.
Ela baixou a cabeça mordendo o lábio, tristonha. Coloquei uma mão em seu ombro.
--- Você quer um pra você? — perguntei com sinceridade e ela me encarou, incrédula e surpresa.
--- Você... Faria isso por mim depois do que eu fiz com você? — ela disse com a surpresa carimbada em sua voz.
--- Pelo que me lembro você não me fez nada. Eu apenas te disse que não podia julgar as pessoas do jeito que você julgava, mas fora isso, acho você uma ótima pessoa — dei de ombros e ela me deu um abraço inesperadamente forte. Não consegui me mover, aquilo era novo pra mim.
--- Oh, obrigada, Bella! — era a primeira vez que ela me chamava pelo meu apelido. Fiquei feliz com isso e, enfim, consegui passar os braços por suas costas, retribuindo o abraço. Um sorriso sincero apareceu em meus lábios.
Sempre me sinto bem ajudando uma pessoa, e com Victoria não foi diferente. Ela é uma pessoa... difícil, mas tudo na vida se aprende. Só precisamos achar alguém pra ensinar. E, pela primeira vez, me sinto feliz em ensinar algo a alguém!
--- Ah, Bella... Obrigada, denovo — ela disse partindo o abraço, com um sorriso sincero de orelha a orelha. Sorri, balançando a cabeça.
--- Eu... Vou pegar o perfume e entregar pra vendedora, tá? Pode... — ela parou por um instante e olhou pra algum lugar atrás de mim, parecendo decidir se dizia ou não — pode ir ajudar o Edward a achar um perfume. Eu já volto, tá? — ela disse tocando meu ombro e me empurrando levemente pra frente, me fazendo dar um passo. E o sorriso continuava lá.
Ela disparou assim que dei mais um passo pra frente. Ri e revirei os olhos, andando em frente.
Tudo aqui tem um cheiro ótimo de algo doce misturado com uma fragrância leve, a mistura do leve cheiro de um dia chuvoso com um leve toque de menta. Uma mistura de vários aromas, cada um com seu próprio toque especial que se diferencia dos outros, como se cada um fosse uma estrela com brilho próprio. Estaquei. Uma caixa dourada com aparência exótica me chamou atenção.
Peguei a pequena e delicada caixa com o perfume de cor dourada e peguei o papel com o cheirinho dele na fita que o enrolava. Quando o cheirei, me embriaguei totalmente e flashbacks vieram à minha mente; Eu e meus pais em nossos melhores momentos juntos, com um som suave ao fundo. Fechei os olhos e deixei uma lágrima escapar no canto de meus olhos. Eu sentia saudade dos meus cientistas malucos. Eu os queria aqui, comigo, me apoiando, me guiando... Eu notei um certo alívio quando eles me mandaram nessa missão em suas faces. As rugas de expressão de minha mãe deram adeus a seu rosto e Charlie... Continuou sendo o Charlie. Eu queria um sinal, de que eles realmente se importam com meu sucesso nessa missão, de que eles sentem minha falta ou apenas um bom abraço deles... Um carinho em meus cabelos quando tinha os piores pesadelos, dividindo as camas em dias chuvosos, as piadas, os risos, as palavras carinhosas, os conselhos e até as reclamações da mamãe... Tudo. As lembranças atingiram minha mente como flashes fotográficos e eu não podia detê-las devido ao chip que fora implantado em minha corrente cerebral, para que eu tivesse uma memória clara sobre qualquer coisa.
Abri lentamente os olhos e pisquei algumas vezes, tentando retomar minha consciência. Peguei a caixa do perfume e coloquei em baixo de meu braço, voltando a andar pelas sessões.
Avistei Edward colocando um perfume azul no pulso e cheirando-o. Aproximei-me lentamente dele e quando toquei em suas costas, ele se virou pichando o perfume pra todos os lados.
--- Hey, vai com calma! — falei erguendo as mãos, rindo. Ele riu sem graça pelo susto e se aproximou um pouco de meu rosto suspirando, me fazendo corar.
--- Está de perfume? — falou e eu assenti — não precisa passar, você já tem seu próprio perfume — disse depois de se afastar e soltar um longo suspiro. Um sorriso torto lindíssimo surgiu em seus lábios. Fiquei magnetizada à aqueles belos olhos.
--- Meu perfume é... Vamos ver... Ketchup! — falei apontando pra marca vermelha em meu casaco. Ele riu e pegou um perfume na estante, burrifando-o sobre mim.
--- Agora não precisa mais — piscou e eu ergui uma sobrancelha, sugestivamente.
--- E você? Com esse cheiro maravilhoso que deixa qualquer pessoa ir ao chão quer perfume pra quê? Só se for pros pés — falei naturalmente e ergueu um pouco a sobrancelha direita, com um sorriso malicioso. O que eu disse?
Droga, eu e minha boca grande!
Ele foi se aproximando lentamente de meu rosto e... Definitivamente não sei o que fazer! Os nervos afloraram dentro de mim, como se meu corpo inteiro estivesse esquentando cada vez mais por dentro e o calor estivesse insuportável. Alguém fechou as janelas ou desligou o ar condicionado? Estou sem ar, socorro!
Ele fica tão lindo assim, olhando fixamente pra mim... Dá até vontade de... Não, pare com isso, Isabella! Faça logo alguma coisa, sua tonta!
Em um ímpeto, peguei lentamente um perfume que estava ao meu lado e borrifei em sua cara. Ele fechou os olhos e a boca e ficou paradão, que nem minha mãe antes de explodir de raiva. Mãe... Aquele perfume abalou mesmo o meu juízo.
--- Hahahaha! — comecei a rir descontroladamente de tão nervosa que estava. Quando menos esperei, lá estava Edward, borrifando um perfume com cheiro de morangos silvestres em meu pescoço. Como ele fez isso sem eu sentir? Eu não sei!
--- É guerra? — piscou pra mim e eu torci a boca, erguendo uma sobrancelha e pegando dois perfumes em mãos, partindo pra cima dele.
Ele correu pelo corredor, dobrando de direção para a direita pedindo licensa pra algumas pessoas. Quando ele virou pela última vez, não o encontrei. Cerrei os olhos e procurei por ele em meio as pessoas. Andei até a sessão de hidratantes e ele não estava lá. Depois fui até aos perfumes mais caros e ele também não estava mais lá.
Quando estava começando a pensar na possibilidade de chamar seu nome sou surpreendida por uma super borrifada em meu casaco e cabelos. Virei-me pra trás e lá estava ele, com dois perfumes em cada mão, sorrindo travesso apontando-os pra mim. Arregalei os olhos.
--- Nossa! — falei antes de correr que nem louca por toda a loja. Algumas mulheres me chamaram de maluca, mas não estava nem aí. Se elas não se divertem não vou ser eu a imitá-las.
Corri e Edward quase alcançou meu casaco, mas seus dedos escaparam. Me preparei quando corri novamente pela sessão de hidratantes e peguei um, colocando-o no bolso enquanto corria. Quando não vi mais nenhum lugar pra ir, fui até um corredor que encontrei e fiquei lá. Não tinha saída. Porcaria!
Virei-me lentamente pra trás dando de cara com Edward, que se aproximava lentamente.
--- Você está cercada! — piscou pra mim na medida que eu dava um passo de cada vez pra trás, no mesmo ritmo dele, mantendo a mesma distância sempre.
Quando minhas costas pararam na janela que dava vista pro estacionamento, engoli em seco, tentando imaginar se eu me acidentaria muito gravemente se pulasse mais uma janela.
--- Vale uma trégua, camarada? — falei piscando e balançando as mãos. Ele continuou com seu sorriso travesso e balançou negativamente a cabeça.
Quando seu dedo se aproximava do botão que borrifaria em mim, vi seus movimentos em câmera lenta. Peguei sua mão como quem toma a arma de um ladrão e o empurrei pra dentro de uma porta branca, enquanto ainda tentava tirar a porcaria do perfume de suas mãos. O nosso impacto ao abrir a porta foi tão forte a ponto da porta abrir e voltar a se fechar sozinha.
--- Não vou te deixar ganhar! — falei na escuridão.
Dançávamos algo semelhante à valsa selvagem no cubículo escuro: eu segurava sua mão que estava esticada segurando dois perfume e a outra, que estava mais baixa, com mais dois perfumes.
--- Mas eu já ganhei — falou com uma voz divertida e acabamos caindo juntos em cima de uma caixa. Minha cabeça caiu sob seu peitoral duro e ele tombou a cabeça pra trás. Não consegui ver o que era, só sei que afundávamos cada vez mais nas caixas enormes.
--- Sai de cima de mim! — ele disse.
--- Nem pensar! Não vou dar esse gostinho da vitória pra você — falei sem conseguir enxergá-lo.
--- Então eu vou pra cima de você.
--- O que... Ei! — falei quando ele rolou com habilidade meu corpo pro lado, colocando os joelhos em cada lado do meu quadril enquanto continuávamos com os perfumes nas mãos, decidindo quem borrifaria em quem.
--- Eu tive uma ideia, calma — falou e eu apertei ainda mais suas mãos conta as dos perfumes — AI! — disse puxando sua mão de uma vez. Ele saiu de cima de mim e eu ergui os braços, procurando por ele.
Ah, entendi! Ele está se escondendo na escuridão esperando eu sair pra enfiar uma agulha científica em mim, como nos filmes SCI-FI. Mas nesse caso são perfumes.
Levantei-me lentamente sem fazer barulho e comecei a andar lentamente. Tateei tudo à minha frente, mas não encontrei nada. Quando senti uma mão tocar minha cintura de leve minha barriga ficou gelada de susto.
--- AAH! — falei e me virei pra trás em um ímpeto, passando os braços pelo pescoço de Edward, empurrando-o em algum lugar novamente.
--- AAAAI! — ele gemeu quando caímos novamente. Mas dessa vez o baque foi maior.
--- Machucou? — falei fazendo uma careta, como se imaginasse em que ele estava deitado.
--- Sim. E como... — disse com a voz rouca, contorcendo-se abaixo de mim. Cinco segundos depois comecei a dar uma gargalhada altíssima das nossas trapalhadas. E o som das minhas gargalhadas provocaram as dele. Então o circo se armou: ríamos como dois loucos dentro do cubículo escuro, sem enxergar nossas faces. Aos pouco os risos foram se cessando, e senti algo cada vez Edward se mechendo abaixo de mim e uma sombra ficando próxima de meu rosto. Suspeitando que fosse o perfume, dei uma tapa fortíssima.
--- AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH! — Edward gritou e eu murmurei um "Ops".
--- Desculpa, pensei que fosse um perfume — falei nervosa e comecei a acariciar sua bochecha.
--- A brincadeira é atirar perfumes um no outro, e não brincar de bater no Edward — disse e sua mão tocou a minha.
Ele também passou a acariciar sua bochecha e algumas vezes nossas mãos se tocaram. Não sei o que deu em mim, mas não conseguia tirar minha mão dali. Talvez fosse o magnetismo do papelão da caixa que ficara impregnado em mim. Ou o perfume está estragado.
--- O que está acontecendo? — sobressaltamos assustados. Ele apertou minha mão e eu sentei rapidamente em suas pernas, onde tinha caído. Uma das atendentes nos fitou bestificada e enraivecida. Fiquei com medo da expressão assustadora que estava nela.
--- Nós nos perdemos — falei e Edward assentiu compulsivamente. Ela começou a respirar rapidamente. O jeito com que comprimiu os lábios e arregalou os olhos me assustou. Essa mulher só pode estar com curto circuito.
--- SAIAM AGORAAAA!!! — ela gritou e mais uma vez me sobressaltei, levantando de cima de Edward e puxando-o pela mão pra fora do cubículo escuro, que agora com a porta aberta deu pra ver que era o depósito de perfumes e caixas pra presentes.
Aproveitei-me da desnorteação de Edward e tirei todos os perfumes que ele segurava, ficando com apenas um no bolso ao lado do hidratante.
--- Onde vocês estavam? Eu procurava por vocês! Já decidiram o que vão levar? — Victoria apareceu aplicando seu perfume novo da Katy Perry em seu pescoço e pulsos. Seus olhos arregalados e sorriso exagerado davam a impressão de que ela era louca ou tinha ingerido uma grande quantidade de cafeína.
--- Eu vou levar — falei pegando meu perfume do flashback e lendo o verso — Natura Una Deo Parfum — falei e ela assentiu, transferindo o olhar pra Edward.
--- Eu vou levar — ele ergueu a mão, mas ela estava vazia. Sua expressão confusa era tão engraçada que me controlei pra prender o riso — ei, cadê o meu perfume?
--- Acho que esqueceu no depósito — falei rindo pelo nariz. Victoria olhou pra mim e pra ele, com as sobrancelhas unidas.
--- O que faziam no depósito?
--- Eu tentei borrifar perfume nela e ela me empurrou lá dentro pra se defender de mim — Edward deu de ombros e eu assenti. Victoria ficou parada por algum tempo revezando olhares entre mim e Edward, como se procurasse um vestígio de brincadeira em nossos olhos. Por fim, ela decidiu acreditar e fomos pro caixa pagar a conta.
Edward voltou correndo pro depósito e pegou o bendito perfume. Não sei porque ele quer ser mais cheiroso do que já é naturalmente.
--- Vamos fazer um bolo pro Ronald? — falei quando saímos da loja.
--- Alice vai fazer um buffet ou coisa parecida, não é? — Victoria perguntou pra Edward, interessada.
--- É — assentiu.
--- Não sabemos o sabor que ele gosta — falei — eu poderia fazer um bolo através da gastronomia molecular — dei de ombros, normalmente. Não sou nenhuma mestre em física ou química como meus pais são, mas se eu sou boa em alguma coisa é em gastronomia molecular. Sempre gostei de cozinhar pra mim mesma e pra meus pais.
--- Gastronomia o quê? — Victoria parecia interessada.
--- Eu farei um bolo simples de qualquer sabor e depois pingarei uma gota de nitroglicerina, dando outro sabor a ele — falei normalmente e Edward ergueu as sobrancelhas, surpreso e interessado.
--- Então mãos à obra! -ela disse feliz e nos levou até um lugar chamado Farmácia.
Oops!... I did it again, I played with your heart, and got lost in this game, (oh baby, baby)
Começou a tocar e o som veio da bolsa de Victoria. Ela segurou um... MINHA NOSSA!
--- Oi, mãe... Sim, estou indo agora mesmo, desculpa... Tchau — ela disse e desligou uma espécie de mini tablet que eu nunca tinha visto em minha vida. Confesso que fiquei impressionada.
--- Gente, minha mãe tá me ligando pra eu ir buscar meu irmão no aeroporto — ela revirou os olhos — vou pegar um táxi. Até à noite — ela se despediu de mim com um abraço forte semelhante ao de alguns minutos depois — obrigada denovo pelo perfume, Bella. Eu o usarei hoje — ela se afastou e piscou pra mim. Edward, que estava ao meu lado me fitando fixamente, levou um... Beijo. Beijo de Victoria, isso.
--- Até de noite, meu lindo — sussurrou e saiu andando pelo shopping. Quando restamos apenas nós, o chamei pra dentro da farmácia e procurei pelo potinho da nitroglicerina, mas nada encontrei.
Geralmente, ou pelo menos no meu ano, todos os produtos são vendidos ao ar livre, mas aqui estão todos empacotados em caixas semelhantes as que derrubei Edward acidentalmente, porém há nomes escritos nos versos e em cores diferentes. Engoli em seco. Não faço a mínima ideia do que fazer.
Cutuquei o braço de Edward e ele olhou pra mim.,
--- Se eu te disser o que preciso usar, você compra pra mim? — falei.
--- Sim, vamos lá. De que a policial durona precisa? — piscou pra mim e eu sorri.
E assim Edward comprou todo o material químico que eu precisava e se ofereceu pra carregar os sacos, o que foi um grande alívio pra mim. Depois, na parte material, ele me levou a um super mercado fora do shopping. E lá, ele pegou um retângulo cheio de tiras com um fundo cavado e rodinhas em baixo, semelhante a um carrinho, só que dirigido no solo. Aquilo seria bastante útil pra segurar os ingredientes.
Ele começou a empurrar o carrinho pra dentro do supermercado. Quando minhas pernas protestaram, ele abriu a parte da frente do carro, colocando um papelão nas tiras de metal e me deixou sentar ali. Não discuti, estava cansada mesmo.
--- Massa volumosa marrom em pó, 2kg de trigonáceo amarelado e uma master pro Inox remexida — ele franziu o cenho, sem entender.
--- Que tal um bolo pronto de chocolate, 2kg de farinha de trigo e uma batedeira elétrica? — sugeriu e atribuí o que ele dissera sobre os ingredientes do bolo.
--- Isso aí, rapaz — pisquei e batemos uma mão na outra, rindo.
--- Você gosta de velocidade? – ele me perguntou de repente. Uni as sobrancelhas, confusa.
--- O que? – depois de dizer isso ele começou a empurrar o carro com uma velocidade incrível, desviando dos carrinhos à nossa frente. Com tanta adrenalina, encostei as costas perto do corrimão que ele empurrava e ergui os braços, rindo abobalhadamente.
--- Eu adoro velocidade – falei que nem uma criança arrancando uma gargalhada gostosa dele. Algumas pessoas nos olhavam como se fôssemos loucos. Oras, loucura é ficar parado que nem uma estátua e não aproveitar o que a vida oferece de melhor: a amizade e um carrinho de supermercado radical!
Edward colocou as mãos no corrimão e enfiou os pés nos ferros abaixo do carrinho, ficando em pé e levantando um braço enquanto o carrinho continuava em movimento pelo largo corredor do mercado.
--- Uhu! – gritamos em uníssono e rimos da cara um do outro.
Edward desceu quando o carrinho começou a parar e eu fiquei meio triste quando o carrinho parou na sessão de massas. Levantei-me e ajudei Edward a procurar a massa perfeita pro bolo.
--- Como você aprendeu esse lance de gastronomia molecular? – ele me perguntou sem me olhar, tateando uma caixa com uma foto de bolo na frente.
--- Aprendi na escola – ri com a lembrança – eu tinha 13 anos e aprendi a transformação molecular, então apenas fiz o teste em um bolo em casa e lá estava o bolo que troca de sabor. E eu fazia para meus pais, já que eles trabalhavam muito.
--- Seus pais são cientistas? – ele disse pegando uma caixa de flocos. Mexi no cabelo e passei os dedos pelas caixas até ficar ao seu lado.
--- Os melhores da atualidade. Vivem sempre ocupados, não param em casa nunca – falei com um sorriso triste e ele me olhou – e os seus?
--- Meus pais são separados – ele deu de ombros levando a caixa da massa do bolo pro carrinho, assim como os flocos de chocolate – levam vidas distintas demais pra ficarem juntos.
--- Já ouvi dizer que os opostos se atraem – ergui as sobrancelhas sugestivamente, sentando na ponta do carrinho. Edward largou a caixa com a batedeira elétrica no carrinho e encostou seu braço no corrimão pra me fitar.
--- Ela queria uma vida tranquila no campo e ele queria ser médico. Nem sempre as pessoas nascem pra ficar juntas, as vezes é só o acaso. Hoje em dia, por exemplo, as pessoas ficam com uma pessoa e no outro dia caem fora – ele deu de ombros.
--- Como você e a Victoria? – perguntei curiosa e ele uniu as sobrancelhas.
--- Como assim?
--- Alice me disse que vocês não se amam, só se sentem atraídos um pelo outro. Ficam se pegando às escondidas porque na faculdade são de equipes diferentes – ele arregalou os olhos, chocado e surpreso.
--- Alice é uma anã muito safada, mas é verdade – ele deu de ombros – pra que devo me prender a ela se não a amo de verdade? – disse e retirou o carro dali, indo até o caixa.
--- Edward... – perguntei, ficando de joelhos no carrinho de frente pra ele.
--- Que?
--- O que é o amor? – perguntei, confusa. Já vi pessoas falarem essa palavra como se fossem lenços descartáveis.
--- Não sou a melhor pessoa pra lhe explicar – me deu um meio sorriso – mas quando eu descobrir, você será a primeira a saber – piscou pra mim e seguimos caminho até o caixa, pois já eram quase 17h.
(...)
Assim que chegamos em casa não tivemos nem o trabalho de colocar os sacos de compras na cozinha ou na mesa. Já fomos à caminho do sofá tirando nossos tênis e ficando apenas de meias, jogando-nos de qualquer jeito no sofá. Estávamos definitivamente exaustos.
Edward estava esparramado ao meu lado, com os joelhos pra fora do sofá e a cabeça no meio do encosto. Assim como eu.
--- Precisa de ajuda com o bolo? – ele perguntou já de olhos fechados.
--- Você quer dizer “quer ajuda pra comer o bolo?” – falei imitando a voz dele e ele riu.
--- É isso aí – bateu sua mão na minha e rimos. Suspirei e fechei os olhos.
--- Que horas é o aniversário? – perguntei.
--- Às 20h – ele respondeu.
--- Vou fazer as 19h – falei bocejando e me espreguiçando.
--- Tá afim de ver um filme? – me perguntou com a voz sonolenta. Assenti e ele levantou, me chamando até seu quarto. O segui e assim que entrei me joguei de qualquer jeito em sua cama, deitando em um travesseiro. Uau, que cama mais macia... E cheirosa. O cheiro de Edward está impregnado em todo local, e cada objeto de seu quarto grita seu nome. Ele ligou um aparelho largo e virou-se para me fitar.
--- De que tipo você assiste em 3785? – me perguntou com um sorriso divertido, apesar dos olhos cansados.
--- Ficção científica, claro! – ri – e que tipo você vê? – pisquei sugestiva e ele fez uma careta, me fazendo rir.
--- Ação e terror, baby – falou – mas vou te dar um desconto. Vou colocar um de ação e romance – piscou pra mim e eu assenti, concordando. Isso seria interessante.
Ele colocou o disco fino dentro do aparelho retangular e a TV deu sinal, começando a passar algumas cenas de outros filmes. Edward se deitou ao meu lado e ficamos lá. Mas quando o filme começou, apaguei completamente.
(...)18h10min
Acordei e estava nos braços de Edward, que ressonava tranquilamente. O filme já tinha acabado e a TV estava desligada. A iluminação solar amena que vinha da janela denunciava o fim da tarde e o início do meu trabalho.
Minha cabeça estava sobre o peito de Edward, e seu rosto dormindo era como o rosto de um anjo. Nunca fiquei tão perto dele a ponto de sentir seu perfume, que era algo semelhante à menta misturada com madeira nova. Uma essência simples, porém deliciosa. A cara dele. Aliás tudo nele é único. Se ele usasse o azul que usamos no futuro, seria único pra ele, como se fosse vermelho.
Sei que me odiaria depois, mas tive que fazer isso.
Levantei-me do peito de Edward e desamassei minhas roupas, indo até a cozinha.
(...)
Quando acabei de coloca-lo na brasa do fogão, o que levou aproximadamente 12 minutos já que eu não sei mexer nisso, preparei a nitroglicerina e deixei em cima da mesa. Fui pro quarto de Alice e fiquei desesperada: com que roupa irei à festa?
Passei as mãos pelos cabelos, agoniada. Nada de Alice dá em mim, droga, era pra eu ter lembrado!
Se a Alice chegasse aqui agora...
--- Bella, você já fez o bolo? – Edward apareceu na soleira da porta de Alice coçando os olhos, sonolento. Os cabelos mais bagunçados que nunca.
--- Ainda bem que acordou! – dei um sorriso aliviado e ele franziu o cenho, com cara de sono e um biquinho fofo.
(...)
Consegui convencer Edward a me levar pro shopping, já que eu não poderia usar mais uma de suas roupas em um aniversário. Muito menos quando até mesmo o prefeito fora convidado.
Edward ligou pra Alice e deixou ela na linha enquanto procurávamos algo pra mim. Ela queria me vestir de rosa à todo custo, mas eu ainda prefiro o clássico azul. Edward apoiou minha decisão, o que me deixou bastante feliz. Alice, depois de muito reclamar, mandou eu pegar alguns vestidos azuis que agora estou no provador, experimentando um por um.
--- Esse? – perguntei saindo do provador com um vestido de mangas cheias com o comprimento até o pé, com alguns X em pretos desde a cintura pra baixo. Eu particularmente odiei.
--- Não – disse com uma careta engraçada. Voltei a me vestir com um cheio de alças e um decote que ia do pescoço até a b... Não, não usarei isso! Fiz uma careta e joguei a peça no chão. Peguei o último, era bege da cor da minha pele, fazendo parecer que era apenas a renda azul em desenhos singelos de flores, curto com mangas longas azuis escuras. Era justo e destacava minha silhueta. Eu particularmente ODIEI esse vestido.
--- E esse? – perguntei saindo do provador entediada colocando as mãos na cintura. Edward, que cochilava no sofá cor vinho, abriu os olhos rapidamente e olhou pra algum lugar abaixo de minhas mãos. Acho que pra minhas pernas. E lá estava ele, naquele estado inconsciente denovo.
Andei até ele me equilibrando nos saltos agulha que Alice me obrigara a usar e estralei os dedos na frente de seus olhos. Assim, ele sacudiu a cabeça.
--- Eu não gostei desse – confessei e ele balançou a cabeça.
--- Eu... Eu gostei – disse acenando com a cabeça, olhando hipnotizado pra meus olhos. Como ímãs, claro que também fiquei olhando para os seus.
POV Edward
Não entendo como essa garota consegue me atrair tanto. Ela é, sem dúvidas, a maior definição de complicada. Se pesquisar complicada no dicionário do ano que ela estava, concerteza tem uma foto bem grande dela.
POV Bella
Não sei o que deu em mim, mas de repente eu estava lá, andando pra mais perto dele cada vez mais, como se estivesse sendo puxada por uma força que vai além da minha compreensão. E foi quando seus olhos se fecharam que eu vi. Ele estava lá, parado, lindo, bem em minha frente. Saí andando em sua direção, como se fôssemos feitos um para o outro.
POV Edward
E quando pensei que Bella me beijaria, ela não estava mais em minha frente. Olhei pros lados mas não a vi, só seus saltos estavam lá. Eu estava sonhando? Sacudi a cabeça e o alarme da loja começou a tocar e eu me sobressaltei, levantando, ainda meio confuso.
Logo dois homens, que deveriam ser os seguranças da loja, passaram correndo por mim em direção à saída e o bolo de pessoas se formou na frente da loja afim de ver o que estava acontecendo. Bando de fofoqueiros. Aproximei-me do bolo pra acompanhar tudo. Tive que empurrar algumas garotas que se metiam na minha frente.
--- Senhora, precisa devolver o vestido – ouvi a voz grave do segurança e quando vi lá estava Bella, parada de frente a uma vitrine. Arregalei os olhos, atônito.
POV Bella
--- Você não está vendo? Olha só esse vestido! – falei, mas o homem segurou meu braço enquanto o outro homem me puxava pelo outro – me larguem! Eu não fiz nada! Não vão me obrigar a comprar esse maldito vestido! – falei esperneando e tentando me soltar, mas foi em vão.
--- Você precisa devolver o vestido, senhora – um deles disse. ARGH!
--- Ei, soltem ela! – Edward apareceu gesticulando e eu sorri vitoriosa.
--- Ela precisa devolver o vestido – o homem mal encarado disse e as pessoas começaram a se juntar a nós, pra ver o que estava acontecendo.
--- Não precisam pegá-la pelos braços, ela pode ir sozinha – disse já pegando minha mão, fazendo os homens me soltarem. Agarrei seu braço, com medo de ser puxada novamente. Ele andou até o provador comigo com os homens atrás de nós.
--- Ela está certa! Essa loja é muito cara, o que nos resta é roubar! – alguma maluca gritou e mais algumas mulheres vaiaram a loja. Edward deu uma risada leve e me deixou no provador. Quando ele tentou ir embora, continuei agarrada a seu braço.
--- Não deixa eles me pegarem – falei com os olhos brilhando, que nem uma criança com medo da escola. Ele riu e agarrou minha mão, apertando-a firme.
--- Eles não vão fazer nada com você, eu estou aqui – piscou pra mim e eu assenti, libertando-o. Eu senti que ele realmente me protegeria de qualquer coisa.
Tirei o vestido e coloquei a roupa que estava antes, saindo do provador. Os seguranças me pediram o vestido e revistaram minha bolsa, pra garantir que eu não tinha pego nada da loja. Quando ele me liberou, voltei a agarrar o braço de Edward, me sentindo mais segura. As mulheres nos aplaudiram e abriram espaço pra nós quando saímos da loja. Edward sorria de leve pra elas, quanto a eu, tímida, escondi o rosto em seu ombro.
Guiei-o até a loja que eu estava.
--- Porque saiu com o vestido da loja? – ele me perguntou olhando pra mim.
--- Por ele – falei fitando o vestido tomara que caia azul escuro – esse é o vestido mais lindo que já vi! – falei me empolgando, sentindo a mesma determinação que senti ao comer o big Mac. Algumas mulheres se aproximaram de mim e de Edward.
--- Nossa, ele é lindo – alguém disse.
--- E é a metade do preço da outra loja!
--- O que estamos esperando? Atacar! – falaram e todas entraram rindo e gritando dentro da loja, pra alegria das vendedoras, que correram pro balcão.
--- Vamos! Tenta pegar o vestido! – falei pra Edward e ele assentiu.
--- Nos encontramos fora da loja – ele disse.
--- Ok! – falei jogando um bolo de dinheiro em cima dele pra que ele tentasse comprar e serpenteei em meio à tantas mulheres e procurei pelos cabides o meu vestido.
Fui empurrada bruscamente pro lado por uma gordinha, e acabei caindo em cima de uma garota, que se levantou como se nada tivesse acontecido. Até que eu vi uma risca azul em um dos cabides do outro lado da loja, e meus olhos brilharam. Quando eu tentei levantar fui levada por uma manada de mulheres que já iam ao caixa, sem nem ao menos olhar pros lados. Acabei caindo denovo. Avistei Edward, tentando tocar nos cabides, mas sendo empurrado por outras duas mulheres que pareciam jogadoras de basquete. Jogadoras de basquete? Tive uma ideia!
--- Edward! – gritei do chão mesmo e ele, ao ouvir meu nome, olhou pra trás e se deixou ser empurrado por uma ruivinha. Ele me avistou e serpenteou até tocar meus dedos com a mão, segurando firme.
--- Você já achou? – me perguntou gritando, tentando me levantar.
--- Me coloca em seus ombros! – gritei de volta e ele uniu as sobrancelhas, confuso. Quando ia falar, fui empurrada por uma mulher que estava perdida em meio à um bolo de calças em frente ao rosto. Fui arrastada até o caixa até que Edward conseguiu tocar a manga do meu casaco, puxando-me firme até ele. Bati minha cabeça contra seu peito e ele me abraçou imediatamente, fazendo a próxima mulher que tentaria me empurrar empurrá-lo. Passei os braços por suas costas e levantei a cabeça, encarando ele.
--- Parecem leões famintos – falou.
--- Só tem aquele vestido, vamos! Me coloque em seus ombros! – pedi e ele assentiu, me colocando atrás dele. Abracei sua barriga pra não me perder e ele serpenteou até o pequeno palco que tinha os manequins. Me ajudou a subir e eu sentei em seus ombros, dando as mãos pra ele. Senti um arrepio me correr a espinha e minha barriga gelou, e tudo à minha frente parecia ter ficado em câmera lenta. Então percebi que tinha enlaçado os dedos no meio dos dele, dando a mão de forma errada. Senti meu estômago embrulhar, algo explodindo em mim, um desejo incrível de agarrar-me a aquela mão rígida e protetora. Sacudi a cabeça e encarei Edward abaixo de mim.
--- Upa upa, cavalinho! – falei imitando um dos trailers de filme que passara no filme que Edward colocara pra assistirmos em casa. Ele deu uma gargalhada alta e só então um sorriso satisfeito se formou em meus lábios.
--- Não abusa da sorte – falou e eu ri de leve, mas logo parei quando ele se abaixou pra me tirar de seus ombros. Peguei o vestido ao mesmo tempo em que uma mulher morena estava o pegando, e nos encaramos imediatamente. Ela era até bonita, mas beleza não é vantagem em nada, pelo menos no futuro não será.
--- Eu peguei primeiro! – ela disse, raivosa.
--- Eu vi primeiro! – falei me sentindo uma vencedora.
--- Eu compro aqui a mais tempo!
--- Eu que atraí as pessoas pra cá!
--- Mas eu...
--- Dá logo esse vestido! – eu e Edward gritamos pra ela, impacientes, a impedindo de falar. Eu riria da estranha coincidência se não estivesse irritada. Ela passou a língua nos dentes e puxou-o bruscamente de minhas mãos e correu pro caixa.
--- ARGH! – gritei antes de correr atrás dela com Edward em minha frente. A fila estava gigante, pelo menos teríamos vantagem de tempo. Edward tocou o braço da mulher, obrigando-a a parar.
--- Escuta aqui, você até pode parecer a Megan Fox, mas a Bella merece esse vestido muito mais que você – Edward falou e a mulher olhou pra mão dele e depois pra ele.
--- Eu pareço a Megan Fox? – ela sorriu e mexeu nos cabelos. Edward piscou pra mim e eu entendi o que era pra fazer. Andei lentamente por trás dele e me abaixei pra que ela não me visse. Se bem que ninguém se distrairia conversando com Edward, porque além de ele ser lindo, é bom de papo.
--- Sim, você é linda – ele deu seu sorriso torto e fiquei hipnotizada por uns 4 segundos. Quando ouvi a voz enjoada da mulher, voltei ao meu plano. Ali estava ele: perfeito. Lentamente, retirei o tecido das mãos da mulher, e sobressaltei quando ela largou a peça no chão sem virar pra trás. Fiquei confusa, mas por fim dei de ombros e peguei o vestido.
--- Preciso de um apoio pra anotar meu número... Posso usar seu braço? É que não quero tirar os olhos de você – ela deu um sorriso oferecido.
Balancei o braço de Edward e indiquei com a cabeça pro caixa. Ele entendeu e retomou sua cara de tédio. Não pra mim, mas pra ela. Quando ela percebeu que era eu ali, ficou com uma cara de leoa raivosa.
--- Tchau – disse simplesmente sem olhar pra ela e estendeu o braço pra mim. Eu o agarrei e saímos serpenteando até o caixa. A morena ainda tentou alcança-lo, mas ficou pra trás.
Depois de comprar o vestido, enfim, estávamos no carro a caminho de casa. Edward ainda precisava se arrumar e eu também.
--- Quer dizer que é romancista? – quase ri. Ele balançou a cabeça.
--- Não, eu uso a beleza a meu favor – piscou e eu ri.
--- Convencido.
--- Realista – ele me corrigiu – mas não sou o único bonitão. Um careca tentou tirar fotos suas no provador.
--- Sério? – arregalei os olhos, olhando pra ele – mas que ridículo!
--- Pois é. Quase me botaram pra fora da loja quando ameacei o cara – disse e eu cerrei os olhos.
--- Não me espionou, não é? – falei ameaçadoramente e ele me olhou, de sobrancelhas unidas.
--- Não sou desse tipo – disse e pareceu soar sincero. Ficamos quietos por uns 5 segundos até que eu me pronunciei.
--- Você deve saber dar cantadas – pisquei e ele me olhou, nervoso.
--- O que? Não, não sei do que está falando, ninguém mais quer ouvir isso... – tentava argumentar e eu apenas ri, me contorcendo no banco.
--- Então porque está tão nervosinho? Anda logo, conta uma! – dei uma tapinha na sua perna e ele me olhou por alguns segundos. Retribuí o olhar me mantendo forte, e ele bufou, derrotado, olhando pro volante novamente. Endireitei-me no banco pra ouvi-lo.
--- Não sou eu que sei, é o Emmett que fica vendo na internet – disse.
--- Conta logo! – insisti.
--- Se quiser ficar comigo dê um sorriso, se não quer dê um mortal pra trás – disse e eu arregalei os olhos colocando a mão na barriga, dando vazão à uma gargalhada altíssima. Ele se contagiou com minhas risadas e começou a rir também.
--- Tem coragem de dizer isso pra alguém? – pisquei.
--- Eu disse pra você agora – disse olhando pra mim com seu sorriso e eu corei, desviando os olhos. Ele riu.
--- E se eu der um mortal pra trás? – falei insegura.
--- Aí eu te pago 50 pratas – ele caiu na gargalhada.
--- Eu quero outra coisa – falei com a voz baixa.
--- O quê?
--- Meus pais – falei abraçando os joelhos. Ele olhou pro volante, atordoado. Por fim, virou-se pra mim e colocou uma mão em meu ombro.
--- Quem precisa de pais quando se tem um gato desses por perto? – disse piscando pra mim, erguendo levemente a sobrancelha. Até tentei prender o riso, mas foi inevitável.
(...)
Assim que entramos foi uma correria só, já que Alice ligou dizendo que Jasper já estava no último item do museu que levou Ronald.
Tomei um banho rápido e passei meu mais novo perfume da sorte. Dei um jeito pra controlar a juba dos meus cabelos e passei apenas um gloss básico, nunca gostei de maquiagens pesadas. Só usava quando saía pro trabalho de meus pais por... por... Tá, eu confesso! EU NÃO SEI PASSAR MAQUIAGEM, DROGA!
Em casa eu tinha a Rosie, que saudade daquela máquina dos infernos!
Mas aqui? Um horror! Muito pó, muitos pincéis, muita variedade de cores! Eu me sinto apavorada! Pra uma pessoa que usou azul e laranja a vida toda é muito, muito estranho.
Quando já estava pronta, decidi dar uma avaliada no espelho. Eu não era o “ideal” de beleza feminina. Não era a mais alta, nem a mais baixa, não era a mais bem arrumada nem a mais esquisita, não era a mais bonita nem a mais feia. Eu era, concerteza, uma espécie ainda não descoberta pela ciência.
--- Bella, vamos! – Edward me gritou e eu saí do quarto de Alice e ele estacou, assim como eu. Corri meus olhos dos seus pés à sua cabeça, admirando cada mínimo detalhe.
Ele estava muito lindo, apesar de trajar roupas simples. Usava uma jaqueta preta de couro com uma blusa quadriculada marrom de botões com umas poucas listras amarelas. Usava um jeans preto skinning e um de seus sapatos estava com o cadarço desamarrado. Mas isso não importava.
Sei que ele não passa maquiagem (com certeza não!) mas havia algo diferente em seu rosto. Um brilho diferente talvez. É aquele lance de luz própria que eu mencionara anteriormente. Ele tinha um ar tão másculo e tão... Tão encantador ao mesmo tempo! Minha barriga esfriou quando notei que ele também me olhava, assim como eu estava olhando pra ele. Limpei a garganta e ele ergueu as sobrancelhas, se livrando do “transe” mental.
--- Vou pegar o bolo – disse nervoso e correu para a cozinha. Suspirei alto, e quando soltei o ar, lá estava ele ao meu lado novamente. Andamos até o elevador do prédio e entramos.
(...)
Notas finais
O que acharam da capa??? Eu adorei, a DS_Pati arrasa! Damas do Photoshop, vocês são demais!!!
E do trailer? OMG KKKKK
O cap foi escrito por mim (BellaCullen13) só o comecinho, até depois da parte do quase beijo da Bella e do Ed. Depois foi feito pela minha gatinha Cutie.
Quero agradecer pelo review da Anne Mesk. Gostei de verdade do seu review, principalmente por achar a fic legal. Eu estou escrevendo ela com meu melhor humor possível, mas nesses últimos dias desde que o amor da minha vida se mudou eu to deprê demais, por isso, pra não desviar a parte humorada da fic pra uma parte triste ou com lemon logo no início, talvez eu demore a postar. Talvez, com um review ou outro, eu me anime mais e poste mais um grandão. Já tinha algumas ideias pra festa louca do Ronald, mas não coloquei pq a Cutie me pediu o finalzinho do cap e eu achei que ficaria grande demais se eu emendasse a festa.
Por conta da minha depressão, decidi usá-la ao meu favor: to fazendo uma fic dramática, isso mesmo, kkkk' mas vai ser uma one-shot bem romântica... Quando ela for postada eu colocarei o link pra vocês, se quiserem. Acreditem, quando eu to deprimida, escrevo quase como uma Stephenie Meyer da depressão! kkkkk' sqn sqn.
Beijos, nos vemos no próximo!
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