Querido Diário

6 CAPÍTULO 5 – TEORIA DO APRENDIZADO


Notas iniciais
Oi gente, explico minha demora nas notas finais!

Nos vemos lá em baixo!

**

Querido diário,

Até que ficar no passado não está sendo tão ruim assim, mas eu preciso aprender a ser mais cuidadosa. Minhas tentativas de atravessar o vidro ao chegar a 2013 e ao tentar fugir por uma janela fechada não foram experiências muito agradáveis.

Já estou bastante enturmada com as pessoas que me encontraram e me acolheram nesse período. Edward, Alice, Jasper e Emmett são bastante cordiais e carismáticos.

A minha primeira tentativa de busca por Andrew Carlssin foi um completo fracasso. Acabei escolhendo, por engano, um mendigo. Graças a Edward e a Jasper, recuperei meu anel e um tênis que perderia através do escambo que tentei fazer com ele, em troca receberia informações suficientes para ter um contato qualquer que fosse com meus pais. Pode-se dizer que eu “colei” na prova.

Eu fui para um bar! E é bastante diferente desses que tem em nossa realidade. E tinha um karaokê. Claro que eu não cantei, apenas dancei, mas observei algumas pessoas cantarem enquanto outras dançam.

Achei admirável a forma que uma simples melodia eletrônica conseguiu reunir pessoas que nem ao menos se conheciam em uma coreografia que parecia ter sido ensaiada. Elas riam, bebiam, dançavam e algumas subiam no palco sem constrangimento, agindo como se estivessem em companhia de suas próprias famílias ou apenas antigos amigos. E é uma confraternização contagiante e harmoniosa. No Jazz, por exemplo, o som emitido pelos instrumentos faz você bater o pé no chão e chacoalhar a cabeça. E fazemos isso sem emitir nenhum comando cerebral pros pés ou pra qualquer outro lugar, tudo flui naturalmente quando se presta atenção na batida e no ritmo que a música traz. Músicas eletrônicas ou pops se dançam usando mais o corpo, balançando o quadril, pernas e braços. O ritmo é composto por instrumentos que existem até em nossa realidade: sintetizadores, gravadores digitais, computadores e softwares de composição. Existem também o country, rap, hip hop, o blues e o reggae, entre muitos outros estilos musicais. O mais difícil pra eu conseguir acompanhar foi a música lenta. Uma batida leve, porém balançante, que deve ser executada por duas pessoas, bom, eu acho... No meu caso, foi com o Edward. Foi mais ou menos como estar nas nuvens, eu me senti como se estivesse bebendo uma água gelada no deserto. Uma sensação realmente maravilhosa, e eu pretendo estuda-la mais a fundo.

Depois daquele dia, chegamos tarde em casa. Eu bebi cerveja pela primeira vez em toda minha vida, já que na minha casa beber sendo menor de 30 é o mesmo que a morte. Eu sei, o normal é menor de 18, mas meus pais prezam muito pela minha ‘inocência’.

Acabamos saindo do lugar às 2h da manhã, que suponho que seja a mudança da noite para o dia aqui, e eu não faço a menor ideia de como conseguimos chegar em casa. Na verdade a única coisa que me lembro foi de beber e apostar com Jasper que beberia mais que ele, e obviamente, eu perdi. Depois são imagens desconexas e uma música barulhenta.

Depois de acordarmos todos ao meio dia, comemos um macarrão delicioso. O interessante é que eu sempre arquitetei em minha mente que os meus antepassados comiam qualquer coisa, desde pedras ao canibalismo, mas estava maravilhosamente enganada. Acho que nem minha própria mãe faria algo assim com suas mil e uma máquinas de fazer comida. Pretendo também levar um bom livro de gastronomia pra casa, quem sabe papai não aprende a fazer alguma gororoba que não saia pulando da panela.

Alguns minutos depois de eu acordar, mandaram-me estudar a história dos Estados Unidos. Guerras, processos políticos e religiões dominantes desde os primeiros dias do nosso país, mas já que eu recebi essa mensagem antes de acordar, não tive a oportunidade de perguntar nada. Mas da próxima vou ficar mais esperta, tenho direito a duas perguntas já que a primeira foi nula. Por enquanto, isso é só.

**

Alice resolveu tirar uma soneca depois do almoço, que ela diz ter “enchido a pança” dela. Jasper e Edward foram resolver umas pendências em algum lugar e restamos apenas eu e Emmett, que está sentando no sofá de frente pra mim cheio de livros em baixo de seus braços.

Ele colocou-os sem dificuldade em cima da mesinha de centro que nos separava e pegou um dos livros grossos e passou os olhos pelas páginas abertas, sem interesse. Fitei cada movimento seu.

Após pegar 4 livros e fazer a mesma coisa, decidiu por fim, empurrar todos no chão e pegar seu notebook.

--- Não dá, palavras muito esquisitas pra mim. Nem eu vou entender isso. Dá uma lida aqui ó – falou depois de digitar algo nas teclas e o virou pra mim, num site onde tinha todas as coisas já escritas sobre os nativos americanos e colonos europeus.

--- Obrigada – agradeci e enfiei a cara na tela.

--- Não agradeça a mim, e sim a Wikipédia – sorriu e colocou o outro pé em cima da ponta do sofá, pegando uma revista com mulheres sem roupa.

(...) 40 Minutos depois...

Estudar nunca foi divertido, e não é só porque estou numa “escola diferente” é que vou gostar. Não me interesso, mesmo que eu leia milhões de vezes a mesma coisa a informação vai se perder no lugar mais isolado de meu cérebro.

--- O que estão fazendo? – ouvi a voz de Alice, que apareceu sonolenta na soleira da porta de seu quarto. Emmett ergueu a cabeça e jogou a revista debaixo da almofada para fita-la.

--- Estou ajudando Isabella a estudar – respondeu e Alice bufou.

--- Pela internet? Fala sério Emmett, nem eu aprendo nada pela Wikipédia – falou indo até a cozinha.

--- Ela é do futuro, conhece palavras que eu não saberia pronunciar nem se nascesse denovo.

--- Pelo menos tire as dúvidas da garota – ouvimos a voz dela e ele ergueu as sobrancelhas pra mim.

--- Não entendi nada da segunda guerra mundial – dei de ombros e ele se endireitou no sofá, resmungando alguma coisa que não pude escutar.

--- Olha, a segunda guerra mundial foi uma suruba de judeus morrendo na câmara de gás porque eles forjaram a bolha de 29 e foderam a Alemanha – explicou-me com uma expressão serena – olha as fotos – falou me mostrando imagens de cadáveres nus empilhados.

--- Minha... Nossa! – consegui pronunciar colocando a mão na boca, chocada.

--- Emmett! – Alice apareceu na sala.

--- O que? Estou errado? – falou com cara de inocente.

--- Não foi bem assim... – ela tentou me tranquilizar afagando meu ombro.

--- O que é suruba? – perguntei interessada e ainda perturbada pelas fortes imagens.

--- Viu o que você fez? – falou entre dentes se virando pra Emmett.

--- Explica pra ela então, gênia – falou convencido e ela engoliu em seco, olhando de mim pro notebook.

--- Er... que tal a Wikipédia? – me sorriu nervosa.

(...) 10 Minutos depois...

--- Não adianta, não entendo nada que tem aí! – cruzei os braços de cara emburrada pro monitor.

--- É, eu também não – Alice disse, já usando seus grandes óculos de grau, tentando compreender alguma mísera palavra que fosse.

--- Vocês moram no país e não sabem nada! – reclamei e Emmett riu.

--- Só curto o dia da nossa independência, que dá um feriadinho legal na faculdade – falou.

--- Eu também – Alice choramingou – eu sou estadunidense e não sei nada sobre o meu país! Sou uma bastarda traidora! – colocou os cotovelos apoiados nos joelhos e chorou com as mãos nos olhos.

--- Para de fazer cena – Emmett reclamou e Alice engoliu o choro rapidamente. Eu ein!

--- Bom... – deu uma pausa pra fazer um “snif” – mas a parte da suruba é verdade – bastou isso pros dois caírem na gargalhada.

--- Vocês não entendem nada de história? – ouvimos uma voz diferente, e quando nos viramos pra trás demos de cara com o... Mendigo!

--- Como você entrou aqui? – perguntei assustada.

--- Não se assustem, eu o deixei dormir no meu quarto – Alice sorriu e fez um sinal pra que o homem se aproximasse.

--- Credo Alice. Se me avisasse que tá na seca, eu poderia resolver seu problema – Emmett disse com naturalidade e Alice tacou uma almofada nele. O mendigo se sentou ao meu lado no sofá.

--- Não é nada disso que você está pensando – o mendigo advertiu.

--- Caralho, sempre achei que só ouviria essa frase em filmes – Emmett sorriu.

--- E você por acaso entende alguma coisa? – perguntei a contra gosto e Emmett concordou.

--- Eu sei de muitas coisas, mocinha – ele disse ofendido, baixando a cabeça. Nesse momento me senti horrível pelo preconceito que estava tendo com o homem.

--- Desculpe – falei sinceramente, passando uma mão em suas costas.

--- As aparências enganam – ergueu as sobrancelhas.

--- Mas tente ver pelo meu lado, eu conheci você e você mentiu pra mim – assenti.

--- Eu só quis curtir com a sua cara, eu achei que estava zoando comigo, apenas entrei na brincadeira – deu de ombros.

--- Chega dessa conversa chata – Emmett se meteu – você sabe mesmo alguma coisa de história? – perguntou ao mendigo.

--- Claro que sei, qualquer americano conhece a história do país – falou normalmente e Alice voltou a choramingar.

(...)

Mesmo ele explicando palavra por palavra, eu não consigo escutar nada. Só me vem à mente o quão horrível eu estava sendo com uma pessoa que, sinceramente, tem mais experiência que todas as pessoas que eu conheci até agora juntas. Ele explica tudo como se estivesse explicando como acender a luz. E isso me deixa fascinada, como se estivesse em um outro mundo, onde tudo é diferente, nada é como eu pensei. Como uma criança descobrindo que o papai Noel não existe.

Emmett e Alice têm minha mesma concepção em suas mentes, pois estão com as expressões surpresas e até envergonhadas.

--- Eu não entendo... Com toda essa sabedoria você poderia se tornar um grande homem – falei sinceramente, sem nenhuma ponta de zombaria ou sarcasmo. Ele riu fraco, sem humor.

--- Acha que eu não tento? – continuou a rir de mim. Alice foi até a cozinha e pegou uma xícara com alguma coisa preta dentro e ofereceu ao homem. Depois ela sentou entre mim e Emmett, se aconchegando.

--- Meu nome é Ronald Davis, estou nas ruas há um ano e meio – tomou um gole do líquido preto – eu vim dos subúrbios, onde a vida é dura. Estou dormindo na calçada, nas pontes, dentro de caixas de papelão, essas coisas pra sobreviver – colocou a xícara na mesa e falou como se estivesse revivendo o momento – o inverno é a pior época – balançou a cabeça – vou em agências procurar emprego e eles me olham, como não estou bem vestido eles dizem pra eu deixar meu número. Mas como deixarei meu número se não tenho telefone? É uma luta – respirou fundo – todos os dias vou à estação de trem com o meu copo, as pessoas passam correndo. Eu começo meu dia às seis da manhã, as vezes nem consigo o suficiente pra um quarto barato, e as vezes o quarto barato é do lado ruim da cidade. Muitas vezes nem tenho dinheiro pra isso, e por isso durmo nos parques e nos bancos. Os guardas aparecem às cinco ou seis da manhã, então às seis eu começo a pedir e tento sobreviver. Preciso pedir as pessoas que vêm do trem, pois me dão trocados. Alguns gostam de mim e me dão algo, uma comida. Coisas pra sobreviver, dão dinheiro, e no fim do dia eu junto tudo pra tentar alugar um quarto – bebeu mais um gole do líquido – É muito humilhante ficar com um copo vinte e quatro horas por dia e as pessoas olham você como se fosse um vagabundo. As pessoas passam por mim e dizem “arrume um trabalho, vagabundo” e eu penso “não sou um vagabundo, sou um ser humano” – ele deu uma pausa e respirou fundo – é difícil – disse com a voz embargada – bastante. No fim do dia, quando as pessoas vão... Não querem perder o trem... Eu fico... – parou com a voz triste –... muito mal por não poder ir também. Não me importo como, mas se eu conseguir um emprego... trabalhar humanamente... arranjar dinheiro de forma honesta, poder ter um lugar pra chamar de ‘minha casa’ e dar, quem sabe – deu de ombros fungando – um lar para Seazless, ou arranjar uma esposa e no futuro ter alguns filhos... Me sentir humano... Amanhã é meu aniversário. Vejo mulheres e homens aflitos enquanto levam tortas, velas e bolas de soprar pro metrô, tudo isto pra comemorar o dia mais importante da vida de alguém, quanto a mim... eu fico lá, na porta da casa, esperando eles jogarem um mísero pedaço de bolo fora que nunca vem... – depois disso ele desabou em lágrimas.

Enquanto eu levantei para consolá-lo, Alice pegou um copo d’agua pra ele enquanto Emmett refletia olhando pro vazio. Alguns minutos depois, o mendigo fora tomar banho com algumas roupas emprestadas por Emmett e ficamos os três na sala, fitando um ao outro.

--- Vamos fazer uma festa de arromba pra ele! – me pronunciei, determinada.

--- Eu te apoio nessa! – Emmett falou visivelmente animado e Alice começou a rir em apoio.

--- E vai ter bastante bolo, cerveja, balões de festa... – usei as palavras de Ronald e a bebida deliciosa que experimentara ontem.

--- Eu vou trazer um DJ, não, melhor ainda! Vou trazer um buffet imenso! – disse Emmett.

--- Vamos fazer um evento! Vou alugar um salão bem chique e contrataremos uma banda! – Alice ficou de joelhos, tamanha era a empolgação.

--- Poderíamos chamar Elton John! Aquele cara que ele cantou no karaokê! – pronunciei e os três rimos enquanto planejávamos.

--- Chamar Elton John? Eu ouvi direito? – ouvimos a voz de Jasper invadir o local. Ele e Edward entraram na sala, com uma grande caixa.

--- Vamos dar uma festa bombástica pra Ronald! – Alice bateu palminhas e eu sorri.

--- Quem é Ronald? – Edward perguntou confuso, vindo sentar conosco.

--- O suposto Andrew Carlssin. Ele é um homem muito inteligente e batalhador, merece uma festa de aniversário titânica! – Emmett falou e Jasper engoliu em seco, vindo se sentar ao meu lado.

--- Ele é apenas um mendigo, ficará feliz com uma festa humilde entre amigos – assentiu.

--- Esse lance de ‘humildade’ é coisa de pobre! – Emmett disse se levantando.

--- Ele tem razão. Ronald ficará ainda mais feliz com uma grande festa com toda a população convidada! – falei decidida e empolgada. Edward me olhou com uma sobrancelha erguida.

--- Mas como conseguirão dinheiro pra fazer isso? – perguntou-me.

--- Simples, eu peço dinheiro aos meus pais – dei de ombros e todos me olharam confusos.

--- As cédulas do futuro ainda são como as nossas? – Alice perguntou.

--- Não, mas achamos bilhões de dólares antigos todo ano nas escavações – falei animada e todos ficaram de olhos brilhantes.

--- Eu vou reservar o buffet! – Emmett disse indo pro seu quarto.

--- Eu vou alugar o salão e cuidar da decoração! – Alice foi pro seu quarto.

--- Eu vou ligar pro agente do Elton John! – Jasper disse voando pro seu quarto. Restaram apenas eu e Edward.

--- Eu posso comprar os presentes – Edward deu de ombros – quer ir comigo?

--- Eu?

--- Sim, não sei quanto irei gastar em cada coisa, e podemos dar um rolé no shopping depois disso – me sorriu e eu engoli em seco, sem saber o que fazer ou responder.

--- Tudo bem, eu preciso mesmo de roupas – falei tocando a blusa larga de Edward que usava.

--- Minha blusa ficou bem em você – falou com um meio sorriso, se aconchegando no sofá. Ruborizei completamente com o... Elogio.

--- Oh, obrigada! Ela é bonita e tem um cheiro tão bom... – falei mas acabei expondo demais meus pensamentos. Ele riu e eu me senti um pimentão humano.

--- Obrigada, você também tem um cheiro ótimo – dessa vez foi a minha vez de rir. Sentei mais perto dele

--- Que nada, o meu cheiro é o que passa de você pra mim. Quer dizer, das suas roupas – falei timidamente e ele fez uma careta.

--- Amanhã vamos a loja de perfumes também – ele falou.

--- Vai ser divertido – falei e começamos a rir.

--- Acho que essa é a primeira vez que eu uso uma blusa e não a sujo de heinz – franzi o cenho.

--- Aqui em 2013 chamamos de Ketchup – ele riu. Quando abri a boca pra responder, a porta foi aberta.

--- Oi – uma voz feminina disse.

Notas finais
Desculpem os errinhos...

Gente, eu me atrasei porque eu fiquei MUITO doente, vomitando sem parar e com uma dor horrorosa depois da viagem que fiz... Mas graças a Deus fiquei melhor e pude terminar esse capítulo.

Desculpa se ele está meio fraquinho, é que eu estava com uma ideia em mente antes de adoecer mas a dor que eu senti foi insuportável, acabei perdendo ela. Escrevi e reescrevi esse capítulo umas 3 vezes e essa versão foi a melhor que eu achei pra postar.

Quero agradecer aos reviews, ri e chorei lendo cada um! Vocês são incríveis! Só por eles tentarei postar o próximo amanhã mesmo!

A história do mendigo foi meio deprê, eu sei... mas essa foi a intenção, e ele não vai ser assim a fic toda hahaha, ele ainda vai fazer vocês rirem muito! E no final? kkkkk o final dele vai surpreender MUITA gente...

Quem será a mulher misteriosa que apareceu no momento fofs da Bella e do Edgato? kkkkkkkkkkk vocês vão pirar nessa minha nova loucura.

Mais uma vez agradeço a anyh, Belky, brigaderow da lovato e a natwancar_vi e a Bella Leving que comentaram no cap! Vocês são demais, minhas lindaaaaaaaaaaaaaaaaas!!! kkkkkkk

Anyh, consegui encaixar sua ideia direitinho em uma trama, mas ela só vai ser daqui a uns 2 ou 3 capítulos. Garanto que vai gostar do que imaginei pra ela!

Comentem, lindonas!