Querido Diário
5 CAPÍTULO 4 - TEORIA DO MENDIGO REVOLUCIONÁRIO P.2
Notas iniciais
Leiam as notas finais!
What’s my Age Again – Blink 182
POV Edward
Parei de dançar no mesmo instante e esfreguei os olhos. Espera aí, aqueles eram os meus sapatos?
Isabella o puxava entre algumas pessoas que dançavam e dizia coisas pro homem, que babava pelas coisas que ela dizia. A garota subiu em uma mesa, parecendo procurar por alguém. Quando avistou Jasper, ela acenou alegremente pra ele.
POV Bella
--- Hey, Jasper! – chamei pelo loirinho que se assustou ao me ver ali. Quando ele virou as costas, corri até ele, puxando Andrew pela mão.
--- Ei, não está me reconhecendo? Vocês de 2013 tem algum tipo de retardamento? – falei em tom duvidoso. Uma informação!
--- Não... Não temos retardamento – respondeu lentamente, olhando pra Andrew como se ele fosse atacar alguém – Isabella, pode vir comigo aqui um minuto?
--- Claro! Mas e ele?
--- Pode ir falar com o Edward ali atrás – apontou pra Edward que se esfregava com duas mulheres que pareciam estar possuídas de tanto que pulam!
Jasper me puxou pra um canto menos movimentado do bar enquanto Andrew se afastava.
--- Isabella, você é louca? Quem é aquele cara? – sussurrou preocupado.
--- Oras, ele é Andrew Carlssin! Um revolucionário! – ele pareceu pensar e eu sorri.
--- Ele é um mendigo, Isabella! – ele praticamente gritou, apavorado, e pude enfim juntar as peças do quebra-cabeça. Sentado em um papelão com calças rasgadas, caneca com dinheiro, cabelos e barba por fazer... Ah, droga!
--- Ele me disse que tinha criado a caneca e lojas! – pensei alto e Jasper balançou a cabeça.
--- Ele estava te enganando! Os mendigos de Forks são todos malandros, Isabella! Ele te roubou alguma coisa? – falou me checando. Passei os dedos nos cabelos e não senti o habitual peso do anel de ouro em meu dedo e nem estava calçada.
--- O tênis que Edward me emprestou e... Meu anel – ele arregalou os olhos.
--- Era de ouro?
--- Ouro maciço! – falei com a voz chorosa e ele quase arrancou os cabelos. Droga, Isabella, o que deu em você pra pedir ajuda a um sem-teto?
Emmett, percebendo que estávamos aflitos, resolveu se aproximar.
--- Isabella, o que faz aqui? O que está acontecendo? – disse com a voz embargada e com um forte cheiro de álcool exalando de seu hálito. Fiz uma careta.
--- Ela trouxe um mendigo e ele roubou o sapato de Edward e o anel de ouro dela – Jasper respondeu passando as mãos no rosto.
--- Cara! Porque você deu as coisas pra um mendigo? Já sei, tá rolando uma química – piscou pra mim e eu não entendi.
--- Não pensa merda, a garota é ingênua, não é culpa dela – Jasper tentou ser racional. Deixei-os discutindo e saí andando em busca do suposto Andrew Carlssin.
Eu não consigo dar uma dentro. Caramba, como eu pude ser tão burra a ponto de achar que um mendigo inventaria a caneca e uma rede de lojas? Eu preciso muito mesmo aprender a observar as pessoas antes de fazer qualquer abordagem. A teoria do mendigo revolucionário vai ser meu exemplo.
Avistei Edward conversando amistoso com o homem, que se fingia de intelectual fazendo caras e bocas, ‘avaliando’ o local. Bufei e caminhei até eles.
--- Com licença, posso falar com você? – falei pra Edward e ele fez uma cara de “finalmente você chegou”. O mendigo deu de ombros e observou o lugar, acariciando seu gato. Puxei Edward até a mesa.
--- Não deve confiar nele! Ele me enganou!
--- Acha que eu não sei? – ele disse meio irritado, sorrindo com sarcasmo. Engoli em seco.
--- Eu sou uma burra mesmo – falei balançando a cabeça.
--- Você tem muita coisa pra nos explicar – Jasper apareceu com Emmett. Suspirei e indiquei pra eles sentarem e assim o fizeram.
--- Eu não sou uma garota comum – suspirei – eu vim do ano 3785 e fui mandada pra cá pra aprender seus costumes.
Nenhum deles parecia entender uma palavra. Eles ficaram parados e se entreolharam, pensativos.
--- O mendigo deu algo pra você? – disse Emmett colocando as costas da mão em minha testa.
--- Não sinto cheiro de álcool – Jasper disse se aproximando de meu rosto.
--- Ela não tem drogas – Edward disse checando minhas mãos. Fiquei congelada.
--- Eu to falando sério – falei e eles se afastaram.
--- Prove – Jasper disse já começando a acreditar na possibilidade. Talvez lembrando como eu apareci e na máquina do tempo.
Suspirei e olhei pros lados, checando se alguém estava nos observando. Retirei o tablet de minha coxa e mostrei a eles.
--- Um pedaço de papel? – Edward perguntou enquanto analisava-o. Neguei com a cabeça e comecei a desdobrá-lo, formando a tela retina. A medida que eu ia desdobrando, eles três arregalavam a boca e os olhos.
--- Puta que pariu! – Emmett disse.
--- Olhem ali! – Jasper disse apontando pro relógio, que marcava 3785 d.C.
Todos me encheram de perguntas só com o olhar.
Depois de Jasper pedir mais um litro de álcool pra ele e pros amigos, eles se calaram e eu contei tudo que estava acontecendo, assim eu poderia preveni-los de qualquer situação estranha ou parecida com essa sem parecer uma idiota. Ou pelo menos eles não pensariam que eu sou uma idiota.
--- Fazia parte dos seus planos que a máquina do tempo se deteriorasse? – perguntou Jasper.
--- Eu não sei. Eu só posso receber informações e tirar minhas dúvidas quando conseguir levar dados pra eles. Preciso do escambo, por isso que dei os seus sapatos pra ele – olhei pra Edward, que fitava o próprio copo, pensativo.
--- Então vamos ficar reconhecidos na história se ajudarmos você? – Emmett perguntou e eu assenti a contra gosto. Jasper o reprovou com o olhar.
--- Vamos ao trabalho! Querida, você já falou sobre as nossas músicas? – perguntou e eu balancei a cabeça.
--- Emmett, ela veio aprender coisas importantes... – disse Jasper.
--- E música não é importante? Ela ajuda a pessoa a emagrecer e dá apoio aos políticos! – disse parecendo um patriota.
--- Que música vocês ouvem? – falei dobrando o tablet e colocando-o em minha coxa. O grandão sorriu-me artreiro.
--- Isabella, posso dar uma olhada no seu tablet? – Jasper me perguntou interessado. Desamarrei-o de minha coxa e o entreguei.
--- Cuidado, eu demorei muito pra ganhar um! – avisei, mas foi mais como uma ameaça de morte. Ele fez um juramento colando seus dedos nos meus.
--- Vem, vou te mostrar nossas músicas! – Emmett me chamou animado. Essa alegria toda contagia!
Levantei-me e me encaminhei pra um tipo de pista de dança improvisada, onde várias pessoas dançavam e riam umas das outras.
--- Olha só, o cabeçudo veio dançar! – Emmett riu quando Edward se aproximou de nós, com as mãos nos bolsos da calça, parecendo estar se convencendo a parecer durão.
--- Só vou cuidar pra você não fazer alguma besteira – falou com um ar de responsável. Sorri pra ele.
--- Eu vou apresentar o nosso clássico pra ela! Ainda bem que nesse bar tem karaokê e um piano. Espera aqui Isabella! – falou Emmett animado e eu dei de ombros, acompanhando-o com o olhar.
--- O que ele vai fazer? – perguntei a Edward sem encará-lo.
--- Nunca se sabe o que ele faz quando está bêbado – falou rindo se colocando a meu lado.
Emmett discutiu com o dono do bar e ele retirou a música que colocava, enquanto alguns homens conectavam um microfone perto do piano. Emmett sentou no pequeno banco de madeira em frente ao piano e bebeu um gole de cerveja.
--- Aí gente bacana – ele chamou atenção das pessoas que dançavam – essa música vai pra Isabella, ela é nova na cidade, então vamos apresenta-la nosso estilo americano! Quem conhece me acompanha! – falou e começou a dedilhar algumas teclas do piano. O povo, ao reconhecer a música, passou a aplaudi-lo e a rirem dele. Edward começou a rir.
--- Não acredito que ele vai cantar Elton John – riu me olhando divertido. Ergui as sobrancelhas.
Bennie and the Jets – Elton John
Quando ele começou a dedilhar no piano, algumas pessoas ajudaram na batida batendo os pés no chão ou dando socos nas mesas. Quando ele começou a cantar, até mesmo o barman o acompanhou. Todas as pessoas que estavam sentadas passaram a acompanha-lo, e o engraçado era que nenhumas dessas pessoas se conheciam e nunca viram Emmett na vida. Mas através de uma canção eles se conectaram, como se fossem da mesma família ou se conhecessem a anos.
Encarei Edward enquanto ele também acompanhava o irmão. Ele interagia sem constrangimento com as pessoas à sua volta, fazendo caras e bocas, deslizando de um lado pro outro. Estava lindo.
Quando chegava ao clímax da música, ele me encarou de sobrancelhas erguidas, sugestivamente. Sem saber o que fazer, meu instinto falou mais alto e comecei a bater os pés no chão ao ritmo da batida das pessoas nas cadeiras. Edward sorriu e fez sinal pras outras pessoas me incentivarem. Logo todos estavam à minha volta assobiando e algumas dançavam e me incentivavam. Edward mandou eu prosseguir por um gesto que fez com a cabeça e eu comecei a balançar os quadris pra um lado e pro outro. Ri com isso. Eu não estava fazendo nada, apenas me guiando pelos sentidos naturais de meu corpo.
Dancei pra um lado e pro outro, chacoalhei os braços, subi e desci com as pernas. Balancei os cabelos e me permiti fazer de meu corpo o que ele me guiasse a fazer. Edward, contagiado com minha súbita animação, veio pro meu lado e dançamos frente a frente.
Ele me pegou pelo braço e me girou, fazendo o circulo de pessoas aumentar pra nos dar espaço. Eu ria como uma condenada. Eu queria parar, mas a música era a perdição para os meus sentidos! Estou contagiada pelo vírus que esse som transmite! Eu quero dançar!
Determinada e com uma animação inesperada, ergui um dedo pra Edward, mandando ele esperar e corri até o piano onde Emmett estava, sentando-me em cima dele e peguei o microfone, cantando algumas partes da música que aprendi.
Era incrível a sensação de rir e fazer as pessoas rirem, e o mais incrível ainda é saber que o motivo de eles sorrirem sou eu. Eu, a garota estranha que confundiu um mendigo com um revolucionário, eu, a garota que está vestindo roupas de um homem que mal conhece. Eu definitivamente amo essa sensação!
Voltei a realidade quando o microfone foi puxado de minhas mãos, e quem pegou o microfone? O mendigo!
Ergui as sobrancelhas mas não me importei. Nesse momento não existiam mentiras, decepções ou nada que estragasse o momento. Éramos todos desconhecidos em um mesmo espaço, partilhando os mesmos gostos musicais.
Desci do palco improvisado e voltei a dançar com Edward, esse já estava com Jasper e Alice em seu enlaço.
Depois tocaram muitas outras músicas. Me apresentaram ao Glam Rock através de Elton John, o pop com Britney Spears, o reggae com Bob Marley, o Rap Eletrônico com Flo Rida e o Country com Taylor Swift. Eu dancei com Emmett, com Jasper, com Alice, com o dono do bar e com um outro homem que eu nunca sonhei em conhecer cada ritmo musical apresentado.
Flightless Bird — American Mouth
Quando começou uma música lenta, não soube o que fazer. Até agora só ouvi músicas agitadas e sempre dancei sozinha, mas acontece que com essa eu não consigo dançar.
Olhei em volta e todos já estavam em pares, colados enquanto balançavam no ritmo leve da música. Virei pra trás e Jasper estava com uma modelo alta e magra, com uma cara bem satisfeita. Emmett o acompanhava enlaçado a uma morena cheia de curvas e roupas mínimas. Até o mendigo estava dançando com Alice. Não haviam alternativas, então, apenas rumei até a mesa que estava a bolsa de Alice.
--- Ei – Edward falou e eu me assustei, virando pra trás e dei de cara com ele – não quer mais dançar?
Lá estava ele. Convidativo, com os cabelos em um topete bagunçado que o deixava ainda mais bonito e um sorriso torto simplesmente lindo nos lábios. Tem como dizer não?
--- Não sobraram pares e eu não sei dançar esse tipo de música – falei timidamente e ele me sorriu, pegando minha mão e me puxando pro meio da pista de pessoas.
Quando paramos, olhei pra ele sem ação. Ele levou uma mão à minha, me fazendo sentir um arrepio involuntário. Fiquei estática apenas observando suas ações. Sua outra mão foi até a minha cintura, onde a apertou para me erguer e colocar meus pés em cima dos seus. Quando seus olhos encontraram os meus, sorrimos. Fiquei na ponta dos pés pra ficar na sua mesma altura, mas não deu sucesso. Nasci baixinha e vou morrer baixinha.
Logo começamos a nos balançar, e eu levei minha mão a um pouco abaixo de seu ombro. Meu coração palpitava em meu peito, e estou torcendo para que Edward não perceba. A música lenta realmente não pode ser executada por uma só pessoa.
--- Viu? Está dançando – falou me despertando dos devaneios, com um sorriso arteiro nos lábios.
--- Nos seus pés – falei e ele riu, mostrando sua fileira de dentes perfeitamente brancos.
--- Ainda bem que não está usando saltos – brincou e eu ri involuntariamente.
--- Dá pra me imaginar usando um salto? – pensei alto e ele voltou a rir.
--- Ficaria graciosa – me elogiou e eu tive certeza que estava corando. Para ele não ver e rir de mim novamente, repousei a cabeça em seu peito, e assim, me entreguei a paz total que a música transmitia.
Notas finais
Respondendo a algumas perguntas que me mandaram no face:
- Sim, o Jake participará da história;
- Sim, o mendigo vai ficar até o fim;
- Sim, a fic vai ser 100% Beward.
Mais uma coisa galera, eu realmente estou me esforçando pra escrever essa fic e só duas pessoas comentaram até agora. Comentem, mandem críticas, mandem sugestões, mandem um OI! Façam meu esforço valer a pena! Comentem, por favor, o dedinho de vocês não vai cair e é só um minutinho!!!
Bom São João pra todas vocês, fantasminhas ou não!
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