Quer casar comigo?
31 PRÓLogo
PRÓLOGO
—Há algo que você quer me dizer, filho?
As palavras que toda criança temia que seu pai dissesse — seu pai nunca disse isso a ele.
Por um momento, Asher olhou para ele confuso, porque Julie não estava próxima e não havia ninguém para quem Andrew pudesse estar dizendo aquelas palavras e, por um momento, ele estava desejando muito ser aquela pessoa, ter aquele pai, para que pudesse perceber que era, que Andrew falava com ele.
Asher balançou a cabeça, sem palavras, com um pouco de vontade chorar, porque nunca havia conhecido seu pai e, observando Andrew, Ash via tudo que queria e idealizava em um bom pai.
—O que você acha de Julie?
—Ela é... — Asher lutou para encontrar a palavra certa para descrevê-la. Bonita. Estranha. Engraçada. Nenhuma palavra que um pai queria ouvir sobre a filha. — Eu nunca vi nada igual — respondeu, neutro e na sua.
Andrew assentiu.
—Ela será ainda pior quando crescer — disse saudoso, como se relembrasse uma memória querida e triste e ainda sim amada, que queria ver para sempre.
Asher pensou mais uma vez em como havia visto Julie quando ela se virou e seus cabelos voavam, seus olhos estavam fechados, os lábios sorrindo e o sol a iluminava, em como queria chegar em casa e estar sozinho e desenhá-la.
Azul, vermelho, amarelo, cores quentes e frias e neutras, todas juntas e misturadas para o fundo.
Azul um pouco desbotado para o céu.
Amarelo ouro nos cabelos, iluminados pelo sol.
Rosa desbotado para a pele pálida.
Rosa puxando para vermelho nos lábios.
Vermelho carmesim para a jaqueta que era dele, que ele tinha dado a ela.
Azul escuro, royal, para o boné que também era dele, mas que ela tinha roubado.
E Azul... Asher não conseguia pensar em nenhuma cor precisa o bastante para os olhos, para a intensidade que havia neles. Era uma mistura de tantos azuis diferentes, que o tornava algo único.
—Eu lembro quando vi Liz pela primeira vez — contou Andrew. Asher queria saber quem era Liz (ele imaginava que fosse a esposa dele, mãe de Julie), Asher não queria ouvir o resto. — Eu pensei que ela fosse a criatura mais fraca da minha vida e que não houvesse nada mais belo, eu queria segurá-la e a imaginava quebrando em minhas mãos. — Ele lhe deu um olhar que parecia sábio, como se estivesse vendo algo triste e soubesse que não havia nada que pudesse fazer para evitar. — Eu soube que ela era a minha queda.
—Hã — murmurou Asher, sem saber o que dizer. Obrigado por compartilhar? Bom saber?
Aquelas palavras, aquelas palavras que Andrew falou, eram as exatas palavras que você dizia sobre sua alma gêmea, Asher tinha certeza. Ele podia morrer de choque agora que descobriu isso, podia fechar os olhos e esperar o frio ou o fogo que era Ela, mas eles estavam muito arregalados para fazer algo decentemente.
—Cuide bem da minha filha — disse Andrew por fim.
Asher assentiu sem saber o que mais deveria saber, e... só... acenou para algo atrás de si, recuando com os olhos fixos nele, quase que com medo de ser atacado. Que tipo de pai dizia a um garoto que nem conhecia para cuidar bem da filha dele?
Ash podia começar a entender porque Julie era daquele jeito — era uma mistura de genética e criação e outra coisa única. Ainda bem que ele não iria mais ver nenhum daqueles.
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