Quer casar comigo?
27 Não
NÃO
ÚNICO DIA DE NOIVADO
—Nós não precisamos fazer isso — sussurrou Asher, tremendo, apertando tão forte a mão de Julie, que ela nem sentia mais a ponta dos seus dedos ou enxergava cor, sangue.
—Você não me amava? — provocou Julie.
—Eu acho que não te amo o suficiente — murmurou ele.
—Hum? — Julie se inclinou para ele. — Eu não te ouvi.
—Eu te amo. — Asher levantou os olhos para ela. — Muito. Completamente. Muito mais do que acho possível. Mas mamãe sempre diz para não fazer tatuagens com o nome da sua namorada. Namoros acabam. Tatuagens ficam.
—Eu não sou sua namorada — concordou Julie. — Nosso namoro terminou. E é exatamente por isso que eu quero a tatuagem. Ela vai ficar.
—Eu vou ficar — disse Asher, como se Julie tivesse dito o contrário, como se ela estivesse com medo, como se não acreditasse nele.
Julie sorriu.
—Eu sei que você vai. Você só está com medo da agulha — zombou.
—Por favor, Julie.
—Eu não estou te obrigando a nada, Asher — disse Julie. — Se você não quer fazer isso, não faça. Você tem que aprender a dizer não.
—Você fez — resmungou ele. — A tatuagem.
—Sim, eu não sou você. E não tenho medo de agulhas.
—Eu não tenho medo de agulhas, é apenas... apenas...
—Como é que os jovens de hoje chamam mesmo? — Julie fingiu pensar, batendo o dedo contra seus lábios. — Aicmofobia.
—Ninguém chama assim.
—Você vai parar de resmungar? — questionou Julie. — Estou me cansando disso. Se não quiser, certo. Minha linha vermelha do destino vai estar ligada a mim mesma. Eu sou o meu próprio destino, minha própria alma gêmea.
Asher ainda se sentia... temeroso, receoso, mas sorriu ao ouvir isso, sentiu-se feliz e soube que era certo, que era isso que realmente queria e que nunca iria se arrepender.
—Eu sou sua alma gêmea, Julie? — provocou. — Seu destino?
Ela balançou a cabeça, não acreditando nisso, em nada disso. Alma gêmea? Destino? Não. Julie acreditava em livre arbítrio e no poder da escolha, que as coisas apenas aconteciam. Para o bem, para o mal, elas aconteciam; e tudo era uma reação, uma resposta, talvez uma conspiração contra ela, mas não era algo que não podia mudar, não era algo maior.
Não existia algo maior.
—Eu escolhi você — anunciou simplesmente, porque essa era toda a verdade.
—Vamos acabar logo com isso — disse, a voz falhando apenas um pouco, antecipando a dor que sentiria e emocionado por todas as palavras não ditas, mas que estavam lá, por Julie apenas tê-lo escolhido.
Asher também a escolha.
E, pff, uma tatuagem não seria nada.
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