Quer casar comigo?
1 EPÍLogo
Notas iniciais
Suas bochechas doíam de sorrir, seus olhos deviam estar vermelhos de chorar ao gargalhar, de tanto gargalhar. Mas Julie não podia parar.
Ela estava feliz.
Não um feliz como nunca esteve ou imaginava ou esperava ou qual feliz fosse.
Não era um feliz novo, surpreendente, impressionante.
Ela já esteve mais feliz antes e sabia que estaria mais depois, mas, ainda sim, era uma felicidade para qual não estava preparada, era uma felicidade que a aquecia e iluminava e, bem, a deixava feliz.
Julie respirou, tentando controlar seu riso descontrolado e borbulhante, contudo não sentia nem próximo esse momento, apenas os dedos de Asher em suas costelas, fazendo cócegas, o riso dele enquanto ela ria desesperada e, então, nada.
Apenas ele.
Julie fechou os olhos, inspirou e exalou, seu peito, subindo e descendo, e o sorriso em seu rosto.
—Eu ainda não esqueci — cantarolou ela, abrindo os olhos ao recuperar o fôlego e encontrando-o.
Asher.
Asher, Asher, Asher.
Julie suspirou.
—Precisamos decidir isso — disse ela.
—Não precisamos nada — discordou ele, seus cabelos loiros fazendo cócegas no pescoço dela ao balançar a cabeça. — Você quer.
—Eu sempre quero — completou, assentindo. — Você me conhece.
—E te ama.
—E me ama — concordou Julie, deixando que ele beijasse seu sorriso. — Vamos, Ash, vai ser divertido.
—Seu conceito de diversão é... — Asher pensou nas palavras certas enquanto seus lábios procuravam... algo. Ele beijou os lábios dela, suas bochechas, sua mandíbula, seu pescoço. — Duvidoso — escolheu por fim e mordeu sua orelha.
Julie sentiu-se derretendo... e o empurrou antes que perdesse seus sentidos.
—E o seu é claramente algo encontrado em livros duvidosos — retrucou, com todos os sentimentos que não tinha de irritação.
—Você não está reclamando — observou ele.
—Não — concordou Julie. — Se você me ajudar.
—Eu estou te ajudando — afirmou Asher.
Julie o ignorou. Ela não queria saber dessas ajudas.
—Datas para comemoração — repetiu Julie o que disse antes que Asher tivesse começado a fazer cócegas nelas e a impedisse de fazer algo além de rir, de se sentir feliz e amada.
—Seu aniversário — sugeriu Ash.
—Não — recusou ela.
—Foi seu primeiro beijo — lembrou. — Nosso primeiro beijo.
—Não — repetiu Julie. — Você vai querer me dar apenas um presente.
—E você vai querer me dar nenhum — resmungou ele.
—Ei! — exclamou ela, ofendida. — Pensando bem... ok, 16 de abril nosso aniversário de primeiro beijo.
—18 de abril?
—O que teve nesse dia?
Asher a olhou desgostoso.
—Nesse dia — disse ele lentamente — você me beijou por causa de uma aposta.
—Você faz parecer tão sujo — comentou Julie, impressionada. — Como se você nunca tivesse beijado ninguém por uma aposta, não é, Sr. Harrison?
—Eu nunca...
—Eu aceito — interrompeu ela. — Não precisa se fazer de difícil.
—Por que você já faz o bastante para nós dois, não é?
Julie sorriu. Deu de ombros. Inclinou-se para beijá-lo. Ficou feliz ao descobrir que lábios sorridentes tinham o gosto refrescante de chuva de verão e estrelas engarrafadas, promessas cumpridas e amores ao alcance.
—E o dia 21 de maio? — perguntou Ash, sem fôlego.
—Quando começamos a namorar — disse Julie para si.
—Você se lembra.
Asher estava surpreendido. A memória de Julie não era surpreendente. E, embora quisesse reclamar e discordar, dizer que 21 de maio não podia ser a data do namoro deles, porque namoro não era namoro se as duas pessoas não sabiam, Ash não se importava de estar namorando com ela um dia a mais do que contava originalmente.
—É claro. Foi meu primeiro encontro — lembrou Julie.
—E o dia 19 de fevereiro? — testou ele.
—Quando você me pediu em casamento. E eu aceitei.
—E 13 de março?
—Quando eu te pedi em casamento — respondeu Julie.
—E eu disse que a amava — completou Ash. — Pela primeira vez.
—E nos casamos — lembrou ela. – Oficialmente. Segundo a lei.
—Eu te amo — murmurou ele, como se estivesse impressionado por estar dizendo.
Julie estava por ouvi-lo.
Ainda.
Mais uma vez.
Novamente.
Ela sorriu.
—Eu também te amo.
E descobriu que os melhores beijos eram aqueles que não eram perfeitos, que não eram fáceis de beijar, que um ou outro ou ambos sorriam e tudo que podiam sentir eram os lábios levantados do outro, tudo que podiam provar era felicidade e tudo que podiam querer... já tinham ao alcance de suas mãos.
E que esses, pensou Julie, eram os beijos que queria para sempre, mesmo que não acreditasse assim em tanto tempo.
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