Notas iniciais
E eis que chega o próximo capítulo! o/ Levanta a mão quem estava ansioso para saber o que ia acontecer entre os dois o/ Boa leitura :3

Na manhã seguinte, os dois voltaram para a guilda. Em silêncio. Natsu estava envergonhado consigo mesmo por ter tentado tirar as calças de Gray, mal conseguindo olhar nos olhos de Gray. Seus olhos cansados, seu corpo um tanto dormente por causa do pouco sono.

Aquela tinha sido a noite mais difícil da vida dele.

A cama era só uma, a coberta também. As diversas almofadas serviram de barreira para que nenhum se descontrolasse e fosse para o outro lado. Se bem que, se ele realmente quisesse, podia facilmente passar por cima. Mas Natsu não era de quebrar promessas. Especialmente as não verbalizadas.

O vento frio emanando do corpo de Gray logo ao seu lado impedia Natsu de fechar os olhos e dormir tranquilamente. Se é que dormir fosse uma opção. Depois de passar os dez primeiros minutos suspirando e se remexendo na cama, Gray pediu para que Natsu ficasse quieto, e Natsu desistiu de dormir. Ficou o tempo todo deitado, observando as costas de Gray enquanto pensava porque se sentia tão incomodado por estar ali. Porque se sentia tão desconfortável e calmo ao mesmo tempo. As respostas simplesmente não vieram. Mas à essa hora, Natsu já tinha parado de procurar por respostas.

Gray, no entanto, demorara um pouco menos a cair no sono. E quando finalmente dormira, babara e murmurara coisas sem sentido com um sorriso pervertido em seu rosto. Parecia que estava se divertindo.

Quando Gray acordou, Natsu já estava de pé.

Tomaram o café da manhã do hotel e passaram pela recepcionista de ontem. Ela observou os dois por certo tempo, a postura dos dois completamente diferente da de ontem. Natsu parecia estar com um tique nervoso em suas mãos, andando um pouco mais longe de Gray que mantinha as mãos dentro do casaco branco o tempo todo, uma expressão séria e pensativa. Ela imaginou o que aconteceu entre os dois, porque parecia que eles tinham tido uma grande briga. E mais uma vez, teve de se controlar para não se intrometer na vida deles.

Foram à estação de trem. A ansiosidade e o nervosismo aumentaram significativamente. Como a guilda agiria à falta dos dois, coincindentemente no mesmo dia, ao mesmo tempo? Teria Mira contado a eles ou faltava alguma coisa para entender o que estava acontecendo entre os dois? Mas o mais importante era, como reagiriam em relação ao relacionamento entre os dois?

Natsu e Gray, que um dia foram amigos, agora tinham quebrado a linha da amizade e ido um pouco mais longe. Jamais poderiam voltar a ter o tipo de amizade de antes. Era impossível agora.

Dessa vez, inexplicavelmente, Natsu não hesitou a dar o primeiro passo para dentro do trem.



Ao sair do trem, ambos saíram em direções opostas. Uma decisão feita unanimente sem terem dito nada de saírem cada um para seu lado. Gray não olhou para trás. Natsu parou e observou o mago de gelo caminhando na direção oposta, pronto para depositar suas malas e seguir para a guilda, como se nada tivesse acontecido.

—Há uma pequena chance de que a Mira não tenha dito nada. — Natsu disse, um pouco antes de descerem do trem. — Então, talvez, não devemos tocar no assunto.

—Devemos agir como se nada tivesse acontecido. — Gray disse, a frase dita subiu aos ouvidos de Natsu com tanta clareza que rodava na sua mente até agora.

Como se fosse fácil. Natsu suspirou e voltou a andar em direção à sua casa, já prevendo o desespero do seu amigo felino. Happy pularia em seu colo e choraria. E Natsu o consolaria, como se nada tivesse acontecido. Incrível como aquilo simplesmente não saia de sua cabeça.

No entanto, ao chegar em sua casa, Happy não estava em lugar algum. Natsu jogou suas malas num canto aleatório e voltou a andar em direção à guilda. Passara em frente ao apartamento de Lucy. Cheirou o ar e decidiu fazer uma visita. Pulou a janela do quarto dela como sempre, seu sorriso de orelha a orelha como sempre.

Lucy estava saindo do banheiro, a toalha enrolada um pouco acima de seus seios. Tamanha pontualidade. Lucy se irritou mais uma vez e por pouco não o chutou para fora de seu quarto. Impossível não reparar no sorriso forçado no rosto de Natsu. Ela voltou ao banheiro para se trocar e Natsu entrou, sentando-se no sofá. Antes que ele percebesse a presença dela, Lucy pôde ver o que escapou dos olhos de Natsu. Seus olhos negros quase perdiam a cor de tanta que era sua tristeza. Sua coluna levemente torta, as mãos juntas apoiadas nos joelhos separados. O olhar triste fixo no nada.

Até que ele percebeu Lucy na porta e fingiu mais uma vez um sorriso. Afinal, precisava fingir que nada tinha acontecido.

—O que aconteceu, Natsu? — Lucy perguntou, genuinamente preocupada, quase chorando por vê-lo triste daquela forma. Se ela ao menos soubesse o quanto de sofrimento Gray lhe causaria, evitaria tudo aquilo desde o começo. Ela teria ido com Erza àquela missão.

Por um segundo, Natsu não conseguiu esconder. Por um segundo, Natsu preferiu não esconder. Lucy era sua amiga, ela entenderia. Decidiu contá-la.

—Acho que eu fiz algo errado...


Gray entrara na guilda sozinho. Ao contrário do que esperava, apenas alguns olhares se voltaram à sua direção. Olhares daqueles mais silenciosos e mais perto dos portões. Olhares curiosos. Esperava burburinhos, mas tudo o que ouviu foi cumprimentos sinceros de seus amigos. Talvez Mirajane tivesse não contado afinal.

Um pouco mais cedo, a guilda inteira havia decidido não comentar sobre o assunto, deixando Gray e Natsu livres para comentar sobre aquilo caso achassem necessário. Não se intrometeriam na vida romântica dele dessa forma.

A única que não pensava da mesma forma era Juvia. Juvia era a única achar que eles estavam miseráveis, sofrendo. E o único a sofrer, não era Natsu. Natsu sobreviveria sozinho, sem ela. Juvia podia ver Gray sofrendo por dentro. Juvia sentia que deveria ajudá-lo.

Gray sentou-se numa mesa sozinho, praticamente se jogando na cadeira, encostando-se para trás o máximo que pôde, até poder encarar o teto. Ficou assim por dois segundos e então abaixou seu torso, sua coluna entortando, os braços juntos apoiados na mesa, seu olhar fixo na madeira.

—O que você quer, Juvia? — Ele perguntou, dando começo a tortura que previa. Desde que se sentara, Juvia ativara seu modo de stalkeadora e começou a observá-lo, não tão longe a ponto de Gray não perceber, porque ele obviamente percebeu. Dessa vez ela não se escondeu, porque realmente queria falar com ele sobre algo sério.

Juvia deu uma risadinha e sentou-se na frente dele. Seu rosto apoiado nas suas mãos, olhando fixamente para Gray, um sorriso pequeno e extremamente curvado. Gray estava com medo do que ela ia dizer. Parecia que ela sabia de alguma coisa.

—O que é? — Ele disse, um pouco assustado.

—Eu sei. — Ela disse, ainda com o mesmo sorriso assustador, num tom de voz baixo. O coração de Gray pulou uma batida.

—Sabe o que? — Gray perguntou como se não soubesse de nada.

—De você e Natsu, é claro.

—Besteira. Não tem nada acontecendo entre eu e Natsu.

—Sim, porque você está fingindo não ter acontecido nada, não é? — Juvia disse, suas mãos que antes apoiavam seu rosto agora apoiavam metade de seu corpo para cima da mesa, discretamente. Gray a olhou intensamente, imaginando como ela sabia daquilo. Simples, Juvia conhecia Gray. Até bem demais. — Seu disfarce pode não durar muito tempo, eu demorei dois segundos para descobrir seu segredinho.

—E o que você quer? — Gray perguntou, claramente achando que aquilo era algum tipo de chantagem. Ela sorriu mais ainda.

—Eu acho que eu tenho uma solução mais permanente para seu problema.

Notas finais
O que vocês acham que é a solução da Juvia? Quem mais odeia a Juvia? Eu não a odeio, mas também não simpatizo. u-u