Quem sabe então assim ?
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Em seu escritório, Susie está concentrada analisando algumas amostras de material genético, de um pedido que ela havia feito para anexar a um caso do dia anterior, e que só agora havia chegado. Ela faz anotações,quando é surpreendida com Maura entrando no escritório, tão rápido quanto o ar refrigerado da sala de autópsia saíra,sempre que a porta era aberta por alguns instantes, resfriando todo o longo e solitário corredor que as levava ao elevador.
Maura não lhe dirigira a palavra, saiu por alguns instantes, com um humor radiante, e agora voltava com uma expressão desconhecida por Susie, tal qual a cor que sumira de seu rosto.
–Doutora Isles? Está tudo bem? -Pergunta a assistente indo em direção a loira, e notando sua palidez.
–Está sim–responde de maneira vaga- desculpe ter atrapalhado sua concentração–Maura tenta, mas seu amável sorriso dessa vez não faz companhia às suas palavras.
–Doutora, a senhora está pálida, muito diferente de minutos atrás. O que houve lá embaixo? -Susie sondava a médica, sem querer parecer invasiva, mas, sua preocupação com aquela que ela tanto admirava a obrigava naquele instante.
–Não houve nada Susie, eu já disse, só que o ar lá embaixo, é difícil de respirar, é um ar pesado, sem contar que é um almoxarifado, o cheiro de pó, e de mofo não ajudam muito-tenta tranquilizar a pobre e prestativa assistente.
–Doutora, mas a senhora está pálida, deixe eu a examinar?
–Não Susie! Não precisa, obrigada, eu estou bem, só estou com dor de cabeça, tudo bem? Maura faz um esforço maior e dirige o melhor sorriso que pôde para ela.
–Doutora Isles, com todo respeito, se a senhora não sair daqui para repousar em sua casa, terei de tomar medidas drásticas! -Susie dizia tentando ser firme, mas ao mesmo tempo, temendo pelo seu emprego, tudo que não precisava era ser dispensada do estágio com a melhor legista do estado, por insubordinação.
–E que medidas seriam essas, assistente sênior? –Pergunta curiosa enquanto espera a resposta de Susie, que não passa de um gesto.
Susie toma o aparelho de telefone, e disca o ramal da sala dos detetives, mostrando à chefe o que faria em seguida:
–Vou chamar a única pessoa que exerce poder sobre você! Vou chamar a detetive Rizzoli para levá-la para casa.
–Oq.. oque? Não! Susie! Nem pense nisso! –Dizia a médica tomando o telefone dela, e encerrando a chamada que já estava em andamento.
Susie a observa com orgulho, pois sabe que conseguiu que a doutora tirasse o dia de folga, e ela mais do que ninguém sabia que ela realmente precisava.
–Okay, okay , você ganhou ! Dizia relutante, mas ela sabia que Susie de fato chamaria Jane para leva-la para casa, e agora pelo menos, ela não a queria por perto.
–Pode ficar tranquila doutora, eu dou conta por aqui, por dois motivos, eu fui treinada pela melhor legista que possa haver, e segundo porque hoje o dia está calmo. Não precisamos de toda a sua faculdade mental por aqui, e você realmente precisa descansar.
–Bom, então, tudo bem! Obrigada! Ah, Susie, será que você poderia pedir a um dos detetives que encarregue um oficial de levar até minha casa, casa nas próximas horas algo que chegará do gabinete do governador? É que antes preciso falar com o próprio governador a respeito de algo extraoficial.
–Ai meu Deus! Não me diga que vai solicitar um novo assistente sênior!– Susie dizia assustada o suficiente para arrancar um sorriso de Maura.
–Claro que não Susie. Eu já tenho a melhor.
–Ownt- Susie não resiste, e a abraça.
–Okay Susie, já chega! Meu assunto é um pouquinho complicado, vou para minha sala, e se alguém me procurar, peça que aguarde por gentileza?
–Claro doutora, como quiser –diz Susie dando passagem para que ela seguisse então para sua sala.
Alguns longos e preocupantes minutos se passaram, durante sua conversa ao telefone.
Maura estava de saída para sua casa, apressada, pois sabia que demorou mais do que devia e gostaria ao telefone com o governador.
Ela pega sua bolsa, coloca seus óculos escuros novamente, confere se está com as chaves do carro na bolsa, dá uma olhada triste ao redor dela, suspira e deixa a porta automática cerrar atrás de si.
Ao sair, vê Susi e deixando o elevador.
–Susie, você viu a Jane lá em cima?
–Não doutora, eu deixaria ela a cargo de mandar um oficial à sua casa, mas me disseram que ela saiu apressada, e de acordo com o horário que me disseram, eu não sei como vocês não se esbarraram no elevador –Dizia Susie
–Tem certeza?
–Absoluta! Vocês se desencontraram por minutos.
–Droga!
–Está tudo bem?
–Está Susie, obrigada! Eu só ... Eu só preciso encontrá-la! –Maura dizia deixando-a para trás, confusa com a inquietude que seu comentário havia causado na legista.
–Doutora! –grita Susie, preocupada.
–Sim, Susi? Maura interrompe seus passos e volta a olhá-la
–Dirija com cuidado certo? A senhora não está nos seus melhores dias, aliás quer que eu dirija para a senhora? Eu realmente estou preocupada com você, nunca a vi tão inquieta.
Não Susie, não precisa! É muita gentileza sua e eu realmente aprecio sua preocupação. Mas pode ficar tranquila, eu vou ficar bem. Eu só preciso de uma aspirina, e de um bom banho para colocar as ideias no lugar.
–Tem certeza?
–Absoluta!
–Você como médica sabe no que implica uma noite mal aproveitada. E eu há muito tempo não havia tido uma noite tão ruim como foi essa última. Enfim, eu só preciso dormir um pouco, e pensar no que será da minha vida.
–Tudo bem, então me dê licença, não tomarei mais o seu tempo e por favor, vá em segurança para casa, assim que a detetive Jane voltar eu digo que se sentiu mal, e foi descansar -mas é interrompida por ela.
–Não Susie, não precisa dizer nada à Jane, eu realmente não posso encará-la agora, não depois de hoje. Eu realmente preciso de um tempo, de um tempo para mim, e eu só vou conseguir, estando longe da Jane.
–Okay, então vá descansar, enquanto espera os documentos, melhoras doutora Isles –Susie dizia e sorria ainda sem entender o que Maura sentia naquele momento.
Maura, enfim segue seu caminho para casa, ainda atordoada com o que acontecera mais cedo, no almoxarifado, e agora como se não bastasse, também lhe preocupava a conversa que tivera com o governador. Maura só conseguia ouvir, uma pergunta dentro de sua cabeça: O que ela faria dali para a frente?
A resposta só dependia de uma pessoa, e essa não era ela, e ela estava ciente disso, mas dadas as circunstâncias, ela tinha quase certeza que sua decisão forçada, decisão essa que seria ourtogada a outrem, possivelmente a magoaria, a tiraria o chão por longos meses, e se tivesse sorte, talvez um dia, a superasse então.
Mesmo em meio a toda essa confusão, uma certeza Maura tinha. Ela, que não acreditava em destino, mas que se acreditasse diria que ele a estava dando um ultimato para que ela agisse em prol de sua felicidade, mesmo sabendo que não seria fácil, aliás, já não estava sendo, mas ela ainda tentaria uma vez mais.
Maura estava decidida, teria uma conversa franca com Jane , mesmo sabendo que corria o risco de ser rejeitada pela terceira vez ,mas antes ela precisava encontrá-la .Mas não sem antes deitar e descansar a mente em busca de racionalidade, a conversa não seria fácil, e menos ainda seria se ela fosse mesmo mais uma vez rejeitada , deixando-a sem opções, sem rumo...Maura se atenta ao tráfego , que hoje , talvez por toda a confusão que a toma , ela julga um pouco demasiada, o caminho para casa parece demorar uma eternidade .
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