Quem sabe?
1 Sangue de Braço
Notas iniciais
Estava sentado em uma cadeira de madeira já em pedaços e que poderia quebrar a qualquer momento. Estava realizando automutilação pesada com uma faca que eu roubei do Sr. Carlos do Açougue e usei aquela faca pois a gillette já havia deixado de lado faz 3 anos. A faca não era tão grande mas tinha bastante dente e tinha seu próprio afiador, e esse ponto era o melhor, pois fazia sair bastante sangue. Se existisse toda essa coisa de vampiro eu tenha total certeza que eu seria um, pois além de eu gostar de ver sangue, eu o como... para não deixar nenhum vestígio ou algo do tipo. Tenho que confessar, nunca fui muito bom em esconder as coisas e muito menos de apagar todas as pistas. Não que eu tivesse medo que alguém descobrisse mas, você sabe, melhor não arriscar. Morava sozinho pois aos 15 anos eu espanquei a minha e quase a matei, confesso, nunca queria ter feito aquilo até por que só sobrou ela na minha família, mas ai eu estraguei tudo como o de costume.
No dia 17/02/1983, resolvi acabar com a minha vida de um jeito típico, rápido e muito prático. Fui até o último andar arrombei a porta do Sra. Beka, me direcionei até a janela e fiquei cerca de poucos minutos olhando para baixo. Acabei me sentando com as pernas para fora da janela, deixando as minhas mãos prontas para o impulso. Em seguida, levei um baita susto já quase com as mãos soltas, mas foi por causa da Sra. Beka. Realmente, acabei me esquecendo de verificar se tinha alguém em casa, mas com um baita som do arrombamento da porta e nem se quer nenhuma ação ou reação vinda a parte da Sra. Beka no momento, acabei prosseguindo.
Sra. Beka tinha 60 anos, tinha bastante rugas e ainda andava com apoio de algo de metal, desculpe não frequentei todo o ensino fundamental, então... e ela chegou e disse:
- Quantas vezes quis além dessa janela... quantas vezes quis fechar os meu olhos e acordar em outro corpo... quantas vezes..
- Já entendi, como a senhora é santa queria criar asas e sair por aí voando ou simplesmente virar uma anja — Interrompi
Ela caminhou até o sofá, olhou para mim, se sentou, ficou de costas para mim e ficamos em um silêncio.
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