Quem Sou Eu?

1 Vontade De Viver


Eu não sei quem eu serei no futuro, mas eu sei quem eu sou agora...

Hoje de manhã o dia estava cinza, percebi isso logo que me sentei a mesa observando a movimentação de carros e pessoas pela janela. Por algum motivo senti que alguém estava feliz por mim, Deus talvez? Não sei até por que nunca fui muito próximo de Deus, não o suficiente para ele parar qualquer coisa que estava fazendo para prestar atenção na minha história. Não gosto muito de pensar sobre qualquer assunto que envolva deuses ou algo relacionado, me faz pensar em coisas pessimistas. Assuntos assim me lembram minha mãe, ela diz que se eu quero ir pro céu, nesse mundo de corrupção de almas, eu devo ser como um cavalo, usar um cabresto que não me permite olhar em outras direções que não fossem a minha frente, que não fossem deus.

Faz tempos que não ando no parque, faz tempos que não visito minha mãe, faz bastante tempo que não encontro minha amada; e mesmo ficando sem velos por tanto tempo, ainda não consigo esquecê-los... mas decidi retomar minha vida, o amor da minha mãe, o amor da minha amada, o amor-próprio que eu tinha.

Liguei para ela, me senti nervoso nos primeiros segundos mas minha voz fluiu normalmente depois que ouvi a voz dela:

-- Alô?

--Oi Érica.

--Ah, oi Diego -- Ela parecia ocupada, como se carregasse várias folhas impressas, cada uma um currículo diferente. --Poderia falar de pressa, estou atrasada para uma reunião.

—-Quer sair comigo hoje à noite? No parque por volta das 7, tudo bem pra você?

—-Diego... pensei que seriamos só amigos. Eu disse para você, que a gente não daria certo.

--Não Érica, eu quero começar de novo, agora eu te conheço melhor, você não é uma completa desconhecida pra mim.

—-Hum-- Ela deu uma pequena pausa como se estivesse pensando, sobre tudo que já passamos juntos, mesmo que fosse pouca coisa. --Tudo bem, mas não sei se vou sair a tempo, acho que vou me atrasar um pouco.

--Eu vou esperar. Até.

--Até.

Conheci Érica numa loja perto das favelas, eu gostava de ir até aquela loja pois eu era amigo da caixa, Isabela; Isabela também foi uma das minhas paixões mas nada mais que isso, apenas ficávamos horas e horas falando sobre livros. Estava procurando algo diferente na loja algo que eu jamais pensei em levar, então vi Érica, olhando a prateleira de câmeras antigas; fiquei intrigado a ponto de pensar:‟oque uma mulher com roupas tão chiques, está fazendo em um lugar como esse?”. Não sei como aconteceu mas quando voltei ao normal, me vi perguntando o nome dela; e ela o meu. Depois disso começamos a sair para cinemas, teatros eventos culturais, nunca faltava assunto entre nós. Então comecei a pensar em como ela uma amiga legal para mim; e foi ai que comecei a amar Érica, pensava nela assim que acordava, e mal podia espera para sair com ela de novo. Até que resolvi dizer para ela; começamos a namorar, nosso relacionamento era perfeito, quase não brigávamos. O que fez nossa relação ruir, foi a depressão, a minha depressão. Achei melhor não contar para ela, achei que nós estávamos indo tão bem, que eu não precisava sequer expor meus problemas para ela, mas estava errado. Brigamos porque eu achava que ela estava me deixando de lado, e isso me agoniava de tal forma que eu tive vontade de terminar tudo com ela, terminar com a minha vida... eu tive uma crise na frente dela. Disse a ela que ela era oportunista, abusava das pessoas apenas pelos seus interesses pessoais, então apenas virou o rosto cheio de lágrimas e disse:‟ me desculpe por te amar”,bateu a porta e foi embora. No outo dia me mandou uma mensagem:‟vamos ser só amigos ok?” não respondi. E assim ficamos 3 meses sem nos falar.

Liguei para minha mãe, disse que estava indo ver ela e a mesma não fez muitas objeções, então passei numa loja de conveniências e comprei um jarro de cerâmica com flores e uma borboleta estampada, e andei em passos largos até a casa dela.

Minha mãe nunca foi muito simpática fez questão de engrossar a voz ao me receber: -- O que veio fazer aqui? Me dar mais trabalho?

--Ué mãe, você não sabe mais receber uma visita? Deve ser porque ninguém te visita. -- Ela franziu a testa com raiva, igual fazia com meu pai quando ele chegava tarde em casa.-- Entra logo, sabe oque eu odeio? Essa sua sorte, acabei de assar o bolo.

—-Percebi pelo cheiro de bolo que está por toda parte.

Me sentei a mesa me sentindo quase um intruso, mas não importava pois estava ali para me reconciliar com a minha mãe.

—-Para você -- entreguei a jarra envolvida em uma fita vinho logo depois que ela se sentou a mesa.

—-Por que está me dando isso?

—-Porque eu te amo mãe, e eu queria te pedir perdão por tudo que eu já te disse de ruim, não sei porquê você não gosta de mim, se foi algo que eu fiz eu–

—-Droga Diego, não é nada disso eu te amo você é meu filho, mesmo que eu te trate com grosseria, eu não te odeio. Só queria distância de você, simplesmente não queria ouvir que eu era uma velha arrogante.

--Eu te amo mãe, te amo muito mesmo --Não consegui segurar minhas lágrimas nesse momento, apenas não acreditei que minha mãe me amava esse tempo todo e eu estraguei tudo com algumas simples palavras.

—-Eu também te amo Diego.

Passei a tarde toda com minha mãe, até precisar ir embora para encontrar Érica.

Érica estava radiante como sempre esteve, vestia um vestido tomara-que-caia lilás, em quanto seu cabelo caia sobre seus ombros.

--Oi. -– assim que me viu me seu olhar mudou, mas não enrolei muito cheguei mais perto e olhei nos olhos dela. -– Érica eu quero esclarecer tudo, olha por mais que eu não goste de me expor, se isso for o necessário para nós ficarmos juntos eu te direi. Eu tenho depressão, trato com remédios, mas conflitos muito estressantes me fazem perder a cabeça. Eu te amo Érica e não sei como pude duvidar disso. Por mais que seu trabalho seja exaustivo você poderia ficar mais tempo comigo, ou ir dormir lá em casa, que seja só quero que fique perto todos os dias pelo menos por 1 minuto e... você quer reatar nosso relacionamento?

—-Quem diria não para isso? Diego eu peço desculpas, eu não soube lidar com seus sentimentos, e quando disse para sermos só amigos você não falou comigo por 3 meses. Achei que estava com raiva de mim.

—-Não estou, nunca estive. Vamos cuidar um do outro de agora em diante tá?

—-Claro.

Cheguei em casa e corri para o chuveiro enquanto a água batia em meus ombros tensos eu lembrava...

Meu nome é Diego,

29 anos

68 kg

1,82

Cabelo preto

Jornalista/Colunista

Alguém de quem eu devia gostar muito, Diego mesmo sabendo pouco sobre você, eu sei que deveria te amar, vamos começar do zero, amigos?

Claro Diego, amigos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!