Quem Nós Somos?
26 E - E seja o que Deus quiser
Notas iniciais
"Alguma coragem você tem para quebrar minha solidão e dizer que me quer! Como ousa marchar em direção ao meu coração?
Oh, que rude da sua parte para arruinar a minha miséria e me dizer que sou bonita;
Porque eu não estava procurando por amor, não
Ninguém pediu para que eu me afeiçoasse à você
Na verdade, você me enganou e eu não estava tentando me apaixonar, mas garoto você me puxou
Então, tudo o que eu estou pedindo é que você me trate com cautela
Porque eu não me dou muitas vezes, mas eu acho que eu vou tentar hoje
Porque eu tive meu coração quebrado uma vez, e eu prometi que nunca me machucaria outra vez
Mas eu demoli minhas paredes e abri minhas portas
Então, querido, sou sua! Oh querido, sou sua (...)
Estou brava com você por ser tão fofo e mudar meu humor e alterar minha grosseria. O que tem de errado com você?
Você me deixa doente por ser tão perfeito. O que eu fiz? O que posso fazer? Oh
e eu não estava tentando derreter esse meu coração de ferro
Mas o jeito que você me segura faz o antigo eu sumir
E eu estaria mentindo se dissesse que não estava com medo de cair de novo...
Mas se você prometer que vai me segurar, então tudo bem."
I'm yours — Alessia Cara
Por Eadlyn Schreave
Kile eu estamos com as malas prontas e sentados no sofá da sala, aguardando a volta da minha família. Meu coração batia tão rápido que eu não descartava a possibilidade dele acabar pifando a qualquer momento. Volta e meia, ele perguntava pra mim sobre como eu estava me sentindo, ou fazia alguma piadinha sem muita graça, e eu respondia que estava tudo bem, mas sabia que Kile não acreditava em mim.
Me perguntei o que minha expressão estava revelando exatamente.
Meus pais chegaram em seguida, acho que não ficaram até o fim dos pronunciamentos, e acredito que isso pudesse prejudicar meu pai de alguma forma, afinal, poderia ser considerado desrespeitoso pelos outros candidatos e partidos. Assim que meu pai passou pela a porta e me viu, seu sorriso era tão grande, que meu coração se acalmou um pouco; mas assim que voltei os olhos para meu avô e suas feições estavam duras ao me analisar, acabei recordando o motivo de eu estar ali sentada já a algum tempo, esperando epela a chegada deles. Engulo em seco e dou uma olhada rápida em direção ao Kile, que também fitava.
—Você saiu fugida, querida — minha avó murmurou, caminhando até mim e colocando as duas mãos nas laterais do meu rosto.
—Desculpe, mas aquele lugar estava começando a me sufocar — respondo, e ela me fita com a testa franzida e o olhar confuso. Vovó vira-se para o lado, procurando alguma explicação de meus pais, provavelmente.
Os únicos que pareciam compreender as minhas palavras, eram minha mãe e Kile.
—Sufocando? — Vovó fala, após algum tempo.
—Vou explicar. Vamos nos sentar?
—Eadlyn, você é louca? Mudou completamente o discurso e ainda alfinetou a impresa? — Retruca meu avô, sentado-se no sofá espaçoso diante de mim, seu rosto estava indecifrável. Minha mãe e avó, sentaram-se ao seu lado, e papai ficou em uma poltrona.
—Pois eu achei o discurso de Eadlyn maravilhoso! Você terá uma carreia pública maravilhosa, querida — meu papai fala, seus olhos pareciam duas estrelas, e de repente o ar me faltou por alguns segundos.
Minha mãe me fitava atentamente, séria, e não deu nem um pio.
—Então pai, é sobre isso que eu gostaria de conversar. Eu vou largar a faculdade de Relações Internacionais.
Meu avô quase deu um pulo da sofá.
— O quê? Você está louca? Você está na metade do curso, até mais adiantada que isso!
Dou de ombros.
—Não gosto e não quero mais. Vou trancar e fazer vestibular pra Moda, e é isso, já decidi e ninguém vai me fazer voltar atrás.
Kile apertou minha mão, entrelaçando firmemente os seus dedos nos meus.
—Isso é loucura — meu avô acusa, enquanto que mamãe, vovó e meu pai permaneciam calados, pareciam que estavam digerindo meu comunicado.
—Se é loucura ou não, vô, eu não sei, mas se eu não tentar, nunca vou saber.
—Mas a política era o seu sonho, Eadlyn... — papai se manifestou, seu rosto contorcido, os olhos muito abertos.
Solto um longo suspiro.
—Pai... eu te amo, eu amo todos vocês, mas esse nunca foi meu caminho, não gosto, caí longe do pé ao que parece — falo, abrindo um sorrisinho, mas todos estavam sérios então o fechei em seguida.
—Nunca foi? — Papai pergunta, parecendo surpreso. — Mas você sempre disse que...
—Não, nunca foi — o corto. — Talvez em algum momento quando criança, mas depois disso eu só continuei nesse assunto porque não queria te decepcionar — digo, enquanto encolhia um ombro.
Meu avô parecia intratável e indignado.
—Isso é birra, Maxon, é coisa de menina mimada.
—Não, vô — respondo, ríspida.
—Mas Moda, Eadlyn? Você sabe que a sua tia May lutou muito pra chegar onde está agora, não é uma profissão fácil. Você vai ter que batalhar muito pra chegar em algum lugar — minha mãe se pronuncia, me olhando com atenção, meio desconfiada da minha decisão.
Solto um longo e pesado suspiro.
—Tudo bem, eu posso lidar com isso — eu falo, tentando colocar confiança na minha voz. — Sério, eu consigo, vou ser boa e vou conseguir construir uma carreira como a tia May conseguiu a dela, só quero que vocês confiem em mim.
—Eu acho que você irá ser a melhor estilista do mundo — minha vó falou, vindo sentar-se ao meu lado no sofá e colocando um braço ao redor dos meus ombros.
Eu abro um sorriso pra ela.
—Obrigada, muito obrigada, vó.
—Eu confio em você, filha, só estou preocupada.. essa decisão repentina..
—Não é repetinda, mãe, tenho protelado a tomar essa decisão já há 21, quase 22 anos. Eu sei o que estou fazendo.
Mamãe balança a cabeça, concordando, seu rosto hesitante, mas logo abriu um sorriso reconfortante pra mim.
—Acho que não fui a melhor mãe do mundo durante este tempo, mas estou aqui pra você agora, Eadlyn. Pode contar comigo.
Meu avô bufou e olhou para meu pai, exaltado, mas papai parece pensativo.
—Se este é o seu sonho, então eu vou vivê-lo com você, querida — diz ele, antes de erguer o olhos castanhos pra mim e abrir um sorriso breve.
—Isso é loucura — meu avô falou novamente. — Desistindo de uma carreira brilhante pela a frente justo agora e ninguém está vendo o quão isso é equívocado? — Murmura, levantando-se irritado e sumindo entre as escadas, subindo para o segundo andar.
Eu não falei e não demonstrei, mas fiquei magoada pela a sua reação.
—Logo ele aceita, Eady — minha vó falou, e eu concordei com a cabeça.
—Eu sei — digo, fitando minhas sandálias prateadas.
Kile eu voltamos pra Espanha no mesmo dia, somente para pegarmos mais roupas, pois não sabíamos exatamente quanto tempo ficariamos fora. Enquanto eu arrumava minha mochila, o Woodwork foi até sua casa, dizer para seus tios que viajariamos, e em seguida ele veio me buscar. Passamos em um 24 horas na metade do caminho para o aeroporto para pegarmos nossas ecônomias que, apesar de ser bastante coisa, precisariamos gastar com cautela. A viagem foi silenciosa, ambos estávamos com sono, mas em determinado momento, enquanto meu cérebro decidia se ficava acordado ou dormia, Kile murmurou:
—Estou orgulhoso de você.
—Sou foda — respondo.
Kile riu.
Quando desembarcamos em uma cidade francesa, da qual eu não sabia exatamente o nome, ficamos fitando ao redor, nossa expressão era de paisagem.
—Você sabe falar francês? — Pergunto a ele, enquanto colocava minha mochila nas costas e puxava minha mala escura com rodinha.
—Sei falar cherie e mais algumas poucas palavras— murmurou com um sorriso divertido. — E você?
—Sei falar nada — resmungo, pensando que deveria ter escolhido algum país onde pelo menos um de nós dois fossêmos fluentes no idioma. — E agora? — Quero saber, assim que saímos para o ar gelado da tarde francesa.
Kile pesquisou algo no celular, e alguns minutos depois, ele diz:
—Tem uma pousada aqui perto, podemos ir pra lá e depois a gente vê o que faz, pode ser?
—Não temos muitas alternativas mesmo, então tem que servir.
O Woodwork abriu o GPS, mas ainda assim, estávamos um pouco perdidos, então, quando o meu salto já começava a machucar os meus pés, o garoto parou uma mulher na rua, e perguntou:
—A senhora fala Inglês ou Espanhol? — a mulher de cabelos brancos e curtos nos olhou confusa e com um sorriso sem graça. — Pourriez-vous me dire où la rue Chales et Cheavlier où est-il?
A mulher abriu um sorriso engraçado e apontou para o lado esquerdo da Avenida e murmurou algo que eu não faço a mínima ideia do que possa signifcar.
—Merci! — Kile agradeceu.
Atravessamos a Avenida e entramos em uma rua um pouco escura e não muito limpa.
—Você perguntou á ela onde fica um albergue para mendigos estrangeiros? — Questiono com o cenho franzido, enquanto olhava para o chão pra evitar pisar em algo suspeito e sujar meus sapatos caros.
Kile soltou uma risada.
—Eu acho que não — murmurou, e eu o fitei com a cara feia. — Mas calma... estamos no lugar certo, ali está a pousada Chales.
E apontou para uma construção simples de tijolos escurecidos e só Deus pra saber o por quê. Kile eu paramos em frente á porta do lugar.
—Sério, não tinha um lugar melhor? — E então olho pra ele com as sobrancelhas erguidas.
—Quer gastar todo o nosso dinheiro em dois dias só para dormir em um lugar caro? — Retruca com a voz entendiada antes de me puxar para dentro da pousada.
Só esperava não ser comida por ratos durante a noite.
Tá amarrado em nome de Jesus, amém.
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