Notas iniciais
Olá amadinhos, vim postar o penúltimo capitulo, acreditam? Sei que demorei, mas eu dei uma desanimada geral na minha escrita, estava achando que eu não merecia leitores tão perfeitos como vocês, mas eu notei que: Eu os tenho por um motivo, e é esse motivo que me faz levantar de manhã criando ideias em minha cabeça, e digitando sempre que posso. Bom, ficou um capitulo medíocre, como verão, mas isso ajudará na construção do ultimo capitulo. Meu Deus, o Paraná está um forno, vou enlouquecer com isso paokapos. Boa leitura.

Hermione chegara em casa. O suspiro cansado foi solto antes que esta pisasse para dentro da casa. Hugo e Rose estavam assistindo algum programa de televisão. E pela musica Mione deduzira que era algum reality para descobrir novos talentos musicais. Rose tinha então dez anos, e Hugo tinha sete.

– Mamãe. – o pequeno ruivo pulou do sofá agarrando as pernas da morena cansada. Que mesmo com todo o seu ônus pegou o pequeno nos braços, acariciando os cabelos dele.

Era incrível como o garoto era uma copia de Ron. Os cabelos. O nariz. Os olhos. O mesmo brilho no olhar. E até mesmo as marcas sardentas de seu rosto, ombros e braços. Rose podia ser até parecida com o pai, mas não como Hugo, ela possuía aquela travessura no olhar, e o sorriso de seu pai, mas de resto ela se passaria por apenas filha de Hermione.

– Vocês não deveriam estar indo para a cama? – a mulher perguntou depositando um beijo no topo da cabeça de seu filho, sendo invadida pelo doce cheiro de algodão do shampoo que ele usava.

– Espera um pouco mais, mamãe. – Rose comentou, os olhos castanhos brilhavam docemente como um cão amável que pede algo. – Eu não estou a fim de ler para Hugo dormir essa noite, e assim ele apaga facilmente. – a garota disse com uma voz educadora para a mãe que sorriu orgulhosa.

– Só até o fim desse programa. Estarei no escritório. – a morena sorriu calorosamente para os filhos, antes de depositar um beijo no topo da testa de cada um deles.

“Estarei no escritório” não lembrava quantas vezes disse essas palavras para seus filhos quando queria ficar sozinha. Ao fechar a porta, encarou a foto que havia sobre a escrivaninha, ela, Ron e seus filhos, todos sorrindo, posando para a foto próximos ao monumento de Stonehenge. Ron havia reclamado aquele dia, ela lembrava com um sorriso, por estar com cabelos brancos.

Mais alguns dias. – ela pensou com um sorriso terno – Apenas mais alguns dias.

A guerra em Paris estava estourando a ponto de aurores de diversos países serem chamados para lutar. Havia três meses que Ron havia sido mandado, e não podia voltar para sua casa – era perigoso, alertaram, para a família dos aurores -. As cicatrizes em seu corpo ardiam mesmo que estivem completamente curadas.

Ele vira muita gente morrer. Era sua segunda guerra. Sempre que fechava os olhos lembrava daqueles que já não estavam mais ali lutando. E lembrava dos olhos de seus filhos no momento em que eles se despediram do pai. Mas a pior lembrança era ver a dor de Hermione enquanto ele partia.

A verdade era que Ron não aguentava muito tempo longe de sua morena, foram anos ao lado dela, ele era dependente da força, da vitalidade e do amor da garota. Ele não existia mais sem a garota e seus filhos.

Hermione acordou assustada e dolorida. Notou, assim que seus olhos se acostumaram com a escuridão e conseguiram desvendar o lugar onde ela se encontrava, que havia dormido sentada no escritório. Tateou o rosto gélido de suor. Aquilo havia sido um pesadelo. Ron estava bem, ela tinha quase total certeza. Mas e se não estivesse?

Ela quem não pagaria para ver. Havia sonhado com Ron. Pesadelos. Desde o ataque que quase o matara, ela havia tendo sonhos ruins com ele, e estes se intensificaram após ele ter sido mandado para a França. Sabia que desde que os Enviados, como aqueles bruxos malignos se denominavam, apareceram muita gente havia partido do nosso plano espiritual, haviam batido as botas, ido dessa para melhor, haviam morrido, e ela não aguentaria ficar sem seu marido.

Sabia que não era a única preocupada. Harry andava preocupado com o melhor amigo também, ele não havia sido mandado para lutar por conta do seu cargo de chefia – o moreno ia oferecer um cargo ao seu lado para Ron, mas a burocracia do ministério atrasou o processo, e até agora não havia saído. Ron voltaria assim que o processo terminasse e ele entrasse para a chefia, mas e se ele não sobrevivesse até lá.

Desde o acidente anos atrás, Harry se preocupava com cada missão de Ron. Confiava nele e tudo mais, porém temia perder o amigo em alguma missão como aquela. Ele estava cuidando de mandar Ron para missões mais calmas, porém ao receber a lista de convocação para a guerra não teve escolha, já que era uma ordem direta e indiscutível.

Hermione saiu daquele escritório, toda a papelada a estava enlouquecendo. Quando se sobe de cargo aumenta-se o ônus também como bônus. A morena caminhou pela casa apagando as luzes e checando portas e janelas. Ao subir as escadas passou no quarto de seus filhos. Primeiro no de Rose. A pequena morena dormira abraçada com um livro de contos infantis trouxas que os pais de Mione a deram. A mãe delicadamente tirou o livro dos braços da filha e colocou-o na cabeceira da cama. Beijou ternamente o topo da cabeça de sua pequena menina.

Quando chegou ao quarto de Hugo, que era logo em frente ao de Rose, ela ouviu o choramingo do filho. Sabia o que era. Entrou lentamente no quarto e se sentou ao lado do pequeno. Os grandes olhos azuis do menino a focalizaram, e ele então choramingou:

– Quando papai vai voltar? – sua voz era um sussurro – Eu sinto falta do papai, mamãe. Ele vai demorar?

– Lembra-se do que tio Harry te disse? – Hermione tentava parecer mais esperançosa do que realmente estava – Faltam poucos dias, poucos dias e papai estará de volta para você. E ele lhe lerá histórias, aquelas que você mais gosta.

– Eu quero papai agora, mamãe.

– Eu também, meu amor, eu também. – Hermione sorriu alinhando o filho em seu peito para nina-lo.

Não demorou para que Hugo dormisse. E Hermione com um beijo no topo da cabeça do menino, o deixou dormir. Indo para seu quarto. O quarto onde tudo tinha o cheiro dele, e onde tudo era parte dele. Hermione precisava de Ron, e isso nunca mudaria. Ela sentia sua falta, e o queria de volta.

Mas o casal estava tendo problemas, isso eles não poderiam negar, Hermione trabalhava demais, estava em um processor de ascensão de cargo, e agora teria de trabalhar o dobro. Ron estava arriscando sua vida constantemente, e Hermione o pedira inúmeras vezes para parar, a resposta que recebia era sempre a mesma: “Se tiver tempo para mim aqui em casa, pegarei missões mais leves”. A morena não havia desistido da sua carga horária. E o ruivo não havia diminuído a periculosidade. Ambos eram muito teimosos para desistir de algo. E aquilo poderia destruir até o casamento mais forte.

O homem ruivo havia recebido uma carta do Ministério da Magia. Ele sabia o que significava. Harry conseguira. E Ron estaria voltando para casa, com um trabalho mais burocrático e menos perigoso, assim como Hermione queria. E as emoções do ruivo estavam divididas. Ele queria voltar para casa, ver seus filhos e sua esposa. Mas ele gostava da ação que ser um auror o trazia, a adrenalina que corria em suas veias era a sua fonte inesgotável de energia.

Mas ele voltaria, ele largaria o trabalho pesado, e voltaria para a burocracia, e voltaria para reavivar seu casamento. Alguém deveria ceder. Arrumou as suas coisas. Não que houvesse muito a ser arrumado, apenas juntou um par de fotos, seus sapatos, e roupas, juntou cartas e pergaminhos, e jogou tudo que havia dentro de uma pequena bolsa. Respirou fundo pela última vez o cheiro terroso da morte que rodeava todo o lugar.

Quando estava pronto para sair e aparatar para nunca mais voltar ouviu sons altos de aparatação à poucos metros dali. Eles vieram. Nem mesmo no ultimo dia Ron teria folga.

Harry avisara Hermione sobre o que conseguira. Ela e as crianças estavam aprontando uma surpresa para o ruivo que devia voltar na noite em questão mesmo. Hugo estava extasiado. Havia até mesmo tomado banho – algo que era difícil para o menino, que desde os seis anos apresentou uma pequena aversão à banheira -, Rose havia pintado uma faixa enorme e pendurado sobre o arco que dividia a sala de jantar da sala de estar.

– Papai está demorando, mamãe. – Hugo resmungou cansado. Eles estavam esperando há horas pelo som da aparatação, este que não veio.

– Eu sei, meu amor. A carta deve estar demorando à chegar, apenas isso.

– Eu quero que o papai chegue logo.

Hugo era louco pelo pai, vivia grudado ao pai, e isso sempre deixou Hermione muito feliz. Menos nessa situação.

O barulho alto de um estouro assustou as duas crianças que quase dormiam sentadas. Os três se levantaram de sobressalto, e encararam a porta. Não demorou muito até que a porta se abrisse. E lá aparecesse um ruivo, os olhos azuis cansados encaravam a família a sua frente. Um sorriso fraco surgiu em seus lábios e ele largou sua mala ao lado do corpo, se ajoelhando para receber o abraço de seus pequenos filhos.

Hermione que ficou mais atrás apenas esperando que os filhos matassem a saudade, notou que havia sangue atrás de uma das orelhas de Ron, e também em seu braço. Ela lhe lançou um olhar questionador, aquele olhar questionador que ele sempre amou. Ele deu de ombros, e então se aproximou dela.

– Senti sua falta. – sussurrou.

– Você está sangrando. – a morena disse em tom acusatório.

– Houve uma confusão no momento em que eu estava saindo, só vi faíscas e feitiços voando para todos os lados. – Ron sorriu fraco. Eu preciso dormir. Quero minha cama.

– Ultimamente suas missões só lhe trazem cicatrizes e sangue derramado. Além de me trazerem uma preocupação nunca sentida. – Hermione o acusou com a voz baixa.

– Agora não mais. – o ruivo sacudiu a carta em frente ao rosto da esposa. – Vou para a burocracia do meu trabalho.

Hermione nada respondeu, mas seu sorriso disse tudo, queria deixar todo aquele medo constante de lado. Ela se precipitou alguns passos e o abraçou e beijou como há muito desejava fazer.

Após levar as crianças para a cama, Ron e Hermione partiram para sua própria cama. Ron se sentara na cama após o banho longo que tomara, as costas nuas por conta do calor do verão. Hermione que lia um livro na cama, encarou aquelas costas nuas e fechou o livro. Em um movimento leve e rápido ela estava o abraçando pelas costas.

– Você anda trazendo muitas cicatrizes para casa. – ela choramingou.

– São ossos do oficio. – ele tentou sorrir, mas não conseguiu. – Me desculpe. – ele pediu – e virou seu olhar para a garota – eu tive muito medo nesses três meses. Medo de nunca mais te ver, de nunca mais ver nossos filhos. Vi tantos homens bons morrendo, vi tantos caindo perante a força do mal, e pensei que poderia ter morrido sem ver seus olhos castanhos novamente, e isso quebrava meu coração, além de me dar adrenalina suficiente para acabar com aqueles Enviados.

– Não precisa mais temer, meu amor. – a voz da morena saiu aveludada e incrivelmente sexy. – Agora estamos juntos. – ela pausou a frase e descarregou alguns beijos sobre as cicatrizes que estavam no topo das costas do marido. – Estamos a salvo. – ela acariciava os braços dele – E estamos juntos, isso é o que realmente importa. – ela o sentiu sorrir antes que este virasse e a beijasse.

Não foi um beijo repleto de desejo, foi além disso, foi um beijo repleto de amor. Amor que lutava para se libertar. Assim como o primeiro beijo, assim como aquele beijo onde Ron pensou que talvez nunca mais tivesse essa chance. Porém ela o dera essa chance, e ele era muito grato por isso. Grato pelo amor que transbordava deles, grato pelos filhos que tiveram. A vida de ambos era perfeita, e talvez, na cabeça de Ron, não houvesse mais ninguém com a vida assim, tão boa, tão palpavelmente feliz.

Apenas uma coisa podia deixar a vida assim. E era o amor. O mais doce e puro sentimento que existia.

Notas finais
E ai, acharam tão ruim? Por favor, não me digam que ficou horrivel, eu sei que ficou. Bom, logo vem o ultimo capitulo, e será o fim da nossa querida QDQSF. Beijos, e deixem reviews.