Notas iniciais
Minha primeira fic de Hetalia.
Belaruss é minha preferida!

QUEIMADO A GELO

Nevara há alguns dias, e agora com o surgimento do sol, a neve depositada começava a derreter, deixando as calçadas enlameadas e escorregadias. Rússia apertou o passo e ajeitou o cachecol, para proteger-se do vento. Logo estaria em casa e poderia ficar aquecido ao lado da lareira, ouvir seus programas preferidos no rádio e degustar uma boa garrafa de vodka.

Abriu a porta de casa o mais rápido que pode, colocou o casaco de pele no aparador e se encaminhou para a sala, logo acenderia a lareira e... notou que sua casa já estava bastante aquecida e ouviu a madeira estalar sob o fogo. Entrou na sala e viu que a lareira crepitava em fogo alto, deixando o ambiente bastante abafado.

Percebeu uma figura sentada em uma das poltronas, os pés estendidos sobre a mesinha de centro e o semblante encoberto pelo jornal.

- Você demorou, onde esteve? – perguntou Bielorrússia, sisuda, baixando o jornal.

- Ah... Bielo?... – Ivan não esperava visitas, muito menos a da irmã caçula.

- Onde esteve? – perguntou ainda mais séria.

- Eu... ah... você deveria ter me ligado, dizendo que viria me visitar, não preparei nada de especial e acho que a geladeira está vazia... – Rússia tinha fama de ser sádico e autoritário, mas até ele temia as explosões de humor da irmã.

- Não vim para visitá-lo – disse, apontando para um canto da sala. As malas se apoiavam umas sobre as outras, encostadas a parede.

- Você está... de mudança? – perguntou, temia a resposta aquela pergunta.

- Estou de volta. – respondeu, atirando o jornal sobre a mesa de centro.

- Mas... e a sua terra?

- Lá é muito chato – disse encolhendo-se no sofá e abraçando os joelhos. – Eu quero ficar aqui com você.

- Natalia, e os seus amigos, eles não vão ficar preocupados?

- Amigos? Que amigos? Aqueles idiotas só sabem me criticar. Dizem que só faço coisas estranhas e não respeito às vontades de ninguém. Eles me acham assustadora – e seus olhos assumiram aquele brilho que realmente deixava Bielorrússia assustadora.

Rússia engoliu em seco e ajeitou o cachecol para disfarçar seu desconforto. Natalia, mesmo sendo tão jovem, era obsessiva e assustadora. Passava por cima de todos para conseguir o que queria. Tortura, violação dos direitos humanos, para ela isso era apenas um jogo macabro. O que ela tinha de bela, tinha de terrível. Várias vezes se perguntou se sua presença na criação da menina tinha sido má influência para ela.

- Nii-san, está me ouvindo? – perguntou inclinando-se na poltrona, tentando tirá-lo de seus devaneios.

- Ah, o que você disse? – perguntou, voltando a realidade e tentando afastar os pensamentos de culpa.

- O que há com você, anda muito distraído...- disse analisando as feições do irmão que tanto amava. – Está apaixonado? – perguntou, furiosa. Levantou-se e postou-se diante do irmão, seus olhos queimavam.

- Não diga besteiras Natalia, claro que não – e realmente não estava, mas mesmo que estivesse, seria péssima ideia confidenciá-lo a Bielo. Ainda se lembrava do olhar enciumado e psicótico que ela lançava sobre Yekaterina.

- Então não precisa se preocupar – disse envolvendo as mãos do irmão. – Eu ficarei aqui com você para sempre – sorriu animada, com uma expressão quase sonhadora.

Rússia sorriu, sentia-se solitário desde a dissolução da família soviética, talvez ter companhia novamente não fosse ser assim tão ruim.

- Obrigado por voltar, irmã.

- Será melhor ainda quando nos casarmos, nossa relação se tornará mais íntima e eu ficarei tão feliz. – as mãos dela apertaram as dele com mais força.

- Ah, Natalia, você não acha que é muito nova para se casar? Além disso, nós somos irmãos e... – ouviu seus dedos estalarem sob o aperto da menina, os olhos faiscaram e ela ergueu-se nas pontas dos pés para encará-lo.

Bielorrússia estava cansada das evasivas do irmão, sempre a evitando, declinando seus sentimentos. Será que não entendia o que ela sentia, não tinha sido clara o suficiente? Por que era tão frio com ela, tão distante? Ela o amava, mais do que a si mesma. Queria tê-lo só para si, ser somente dele e tudo seria perfeito. Sem irmãos, sem aliados. Apenas Rússia e Bielo.

Ela afrouxou o aperto, desceu nas plantas dos pés, fechou os olhos e respirou fundo.

- Desculpe ter atrapalhado Nii-san. Eu não quero ser um incômodo. Talvez o América tenha um quarto sobrando – disse com conformismo. Passou as mãos pelos cabelos e deu um delicado sorriso. – Bem, eu estou indo.

Virou-se para buscar as malas, mas sentiu um puxão no braço. O irmão a segurava, o rosto surpreso e aflito.

- Do que está falando? Esta é a sua casa – puxou-a para si, envolvendo-a num abraço caloroso.

Não podia permitir que Natalia partisse. Ela era estranha e perigosa, mas ainda sentia carinho por ela. Com o tempo ele a tornaria obediente, como fizera na época da grande família soviética. Mas não podia permitir que Alfred a levasse. Já não era suficiente ter perdido sua amada Ucrânia? Ver a Europa seduzir seus irmãos? Ao menos Bielorrússia ainda permanecia fiel.

Natalia abraçou Ivan e aspirou seu perfume, ela gostava muito daquele cheiro, daquela proteção. Ela nunca o abandonaria, ainda mais pelo América. Sorriu vitoriosa, sua estratégia funcionara melhor do que esperava. Ivan não a amava, isso era óbvio, mas o medo de perder para o América e terminar solitário sempre o fariam ficar ao lado dela.

Não era o que ela queria, mas poderia viver aquele tipo de relação. Já estava acostumada com o frio.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!