Queen of Darkness — Interativa
3 Perdão, rainha da escuridão, mas és mais lenta do que imaginava
Notas iniciais

Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda.(Provérbio Chinês)
*Stamford, 28 de maio, 5:44PM
Após uma pequena viagem de duas horas carregando uma menina morta dentro de um carro, Daemon e Aliyah finalmente chegaram. A casa era enorme e um tanto afastada, tinha uns cinco andares e era absurdamente larga. Era um verdadeiro castelo. A cor perolada era contrastada pelo pôr do sol, que dava um tom alaranjado e mágico ao imóvel. A mansão era rodeada de árvores e flores, um jardim lindo. A menina morena olhava tudo atentamente e com graça. Finalmente um lugar para relaxar. O imtzäki estacionou o carro e saiu, pegando Giullia no colo. Abriu o portão grande e metálico em um painel onde pôs seu dedo indicador.
— Logo adicionarei sua digital ao sistema e poderá trafegar por aqui livremente.
Aliyah sorriu e o seguiu, olhando para os lados com um grande encanto. Em alguns segundos já havia atravessado o jardim do local.
— O nome desse castelo é Burghley House, ele foi construído por Sir William Cecil, tesoureiro da rainha Isabel I, entre 1555 e 1587. William o fez para abrigar os Cavaleiros, já que seu próprio filho se tornou um. Há quinhentos anos essa é a sede da Ordem. — Daemon explicava à Liah. — O corpo principal do edifício tem 35 grandes salas, distribuídas pelo andar térreo e pelo primeiro andar. Tem mais de 80 salas menores e numerosos halls, corredores, salas de banho e áreas de serviço. Sem contar com os quartos.
Aliyah olhava tudo embasbacada. Sua avó, era grã-duquesa e dona de um castelo na Polônia, mas nada absurdo como aquilo.
— Ok, agora literalmente estamos na academia dos X-Men.
A fala de Aliyah fez Daemon rir.
— Atualmente, eu e mais alguns imtzäkis que ainda estão vivos cuidamos da instituição. Agora é seu lar — e dizendo isso, abriu a porta da sede da Ordem.
Apesar de antigo por fora, o lugar era muitíssimo bem cuidado por dentro. O piso de mármore branco estava polido, sendo contrastado pelos enormes lustres de cristal que pendiam do teto. Uma escada bifurcava o hall da entrada, levando para a ala norte e sul. Várias pinturas e estátuas ornamentavam a sala. Uma mulher alegre descia elegantemente a escada, usava um vestido azul turquesa longo, que contrastava sua pele cor de oliva. Seus cabelos eram ondulados e castanhos até metade das costas, e seus olhos eram de mesma cor. Paciente, andou até a direção de Daemon e Liah.
— Oh, então és a maravilhosa Aliyah! — Abraçou-a. Olhou Daemon por um segundo com Giullia no colo e acenou com a cabeça, e ele logo saiu para se livrar do corpo sem vida da akhlin. — Chamo-me Clair, sou uma das imtzäkis guardiãs que habitam e cuidam da Ordem. Fui instruída a levar-lhe à biblioteca para começar seus ensinamentos de Cavaleira, porém suponho que a senhorita precise de um banho — disse, olhando as condições um tanto deploráveis da menina.
Aliyah sorriu para a doce mulher e assentiu com a cabeça, estava suja de mais para perguntar qualquer coisa. Seguindo Clair, a morena andou pelo palácio atenta a todos os detalhes em sua volta, até finalmente chegar no quarto que seria seu.
— Bem, minha querida, sinta-se em casa — disse a imtzäki, abrindo a porta.
Quando adentrou seu aposento, logo sentiu um odor agradável de rosas. Sorriu, amava rosas. O chão era de madeira, lhe dava mais conforto. A cama era enorme e cheia de lençóis e almofadas ornamentadas. O quarto possuía mais estátuas e mais pinturas, mas havia um notebook, uma televisão, som e outros aparelhos eletrônicos. Aliyah se sentiu onde deveria estar.
— Dentro do guarda-roupa há algumas peças que separei para a senhorita, espero que goste. No banheiro há toalhas limpas e água quente, tome um banho, em meia hora voltarei para levar-lhe à biblioteca – e dizendo isso, Clair saiu, fechando a porta atrás de si.
Aliyah começou a se despir, indo em direção ao banheiro. Abriu a porta e viu uma banheira já cheia, com sais e espuma. Seu sorriso se abriu ainda mais, vai ver ser Cavaleiro tinha lá suas vantagens.
~ * ~
Aliyah acabou por vestir um short jeans e uma regata preta, já que não iria à lugar algum. Estava confortavelmente sentada numa poltrona com o notebook no colo lendo notícias sobre o desaparecimento de seu irmão quando ouviu uma batida.
— Entre.
Clair abriu a porta, sorrindo.
— Vamos? — Aliyah assentiu com a cabeça e deixou o notebook em cima da mesa. Seguindo Clair, perguntas já se formavam em sua mente.
— Só há você e Daemon aqui?
— Não, há mais outros dois imtzäkis, todavia os mesmos estão numa viagem — respondeu a mulher mais velha. Ela era muito bonita. Apesar de seu olhar cansado e de pequenas rugas de preocupação em seu rosto, devia ter uns trinta e seis anos.
— Entendi. Mas o que aconteceu com os outros?
Clair demorou um pouco para responder.
— Bem, desde que Abraham voltou, alguns de nossos guardiões vem sumindo. Por tal motivo, precisamos de vossa ajuda o mais rápido o possível.
— Por isso os outros imtzäkis estão viajando? Para não serem encontrados?
— És uma menina bem curiosa, hein? – Sorriu Clair. – Não, eles estão à procura de novos cavaleiros, assim como Daemon estava. Agora que chegaste, esperamos obter mais sucesso.
Após um tempo em silêncio, outra pergunta lhe veio em mente.
— Como diabos eu vou saber qual é o meu poder?
— Há um cristal, ele indica-lhe seu número dentro da Ordem. A partir do primeiro toque, ele fornece um pergaminho que explicita o poder de cada cavaleiro, então os mesmos mudam a cada geração. Torça para que o vosso seja bom – riu Clair.
— Como assim “bom”? — A garota levantou uma sobrancelha.
— Quis dizer poderoso. Lembro-me da geração passada, meu ryüi tinha o poder de aderência — Aliyah fez cara feia ao ouvir a palavra ryüi, o que fez com que Clair a explicasse. — É o termo masculino para Cavaleiro. As Cavaleiras, assim como a senhorita, são chamadas de kiäs — vendo que a morena havia compreendido, prosseguiu. — Ele podia escalar paredes, entretanto penso que talvez não seja algo tão poderoso. Útil? Talvez.
A biblioteca havia finalmente chegado, e a mulher mais velha tornou a pôr seu indicador num painel, o que fez a porta se abrir.
— Vossas digitais já foram cadastradas no sistema, a propósito.
Aliyah decidiu não perguntar como eles haviam conseguido suas digitais, então preferiu apenas assentir com a cabeça. A biblioteca era enorme, tal como todos os cômodos da casa. Inúmeras estantes iam até o teto, que era ornamentado com diversas pinturas. Liah nunca tinha visto tantos livros antigos.
Após andar mais um pouco, chegaram perto do cristal. O mesmo era do tamanho da cabeça de Aliyah, todo límpido e transparente. Era como um grande pedaço de vidro.
— Eu só tenho que tocar nele?
— Sim, sim — respondeu Clair, com entusiasmo.
Aliyah estendeu a mão, relutante, mas logo pôs sua palma esquerda sob o cristal. Uma luz ofuscante tomou conta da sala e Liah foi obrigada a fechar os olhos. Quando a luz cessou, a runa em seu antebraço fumegava como na noite de seu aniversário. Um número aparecia dentro do cristal, e um pergaminho flutuou por uns instantes até cair no chão. Seu número era o onze. Clair apontou para o braço da menina, e sua runa começava a voltar ao normal.
— O que é isto? — Tinha uma expressão assustada no rosto.
— Eu não sei, apareceu no meu braço na noite do meu aniversário.
— Aliyah, esta runa não tem um significado muito bom — a expressão da imtzäki passou a ser mais sombria, e agora a menina mais nova começava a se assustar.
— Como assim, Clair?
— Destruição. A runa de thorn é a runa da destruição — a mulher pôs a mão na cabeça. — Olhe o seu poder, vamos.
Relutante, Liah pegou o pergaminho do chão e o abriu. Surgiu uma faísca e logo o mesmo se abriu, revelando algo que não foi lá tão satisfatório para ela.
“1º CAVALEIRO *PIROCINESE
Pirocinese é a capacidade de gerar e controlar o elemento fogo. Aumentando a energia cinética dos átomos para gerar calor e combustão, possibilitando manipular as chamas, causar incêndios, e derivados.
2º CAVALEIRO *AEROCINESE
Aerocinese é um poder elemental que permite ao usuário controlar, gerar, ou absorver o elemento ar. Isto inclui produzir rajadas de ventos, tornados e aumentar a pressão do ar para esmagar coisas, diminuir a resistência do ar e derivados em geral.
3º CAVALEIRO *HIDROCINESE
A Hidrocinese é um poder elemental e cinético, que consiste na capacidade de manipular e invocar água de forma livre. A hidrocinese pode surgir como um poder-plural, que agrupa além da manipulação de água em estado líquido, a manipulação da água em estado sólido e a manipulação da água em estado gasoso.
4º CAVALEIRO *GEOCINESE
Geocinese é a capacidade de controlar o elemento terra, incluindo areia, pedras, minerais, rochas, ou poeira. É possível levitar rochas, causar tremores de terra, saber onde as falhas tectônicas estão e derivados.
5º CAVALEIRO *TELEPATIA
Telepatia é a capacidade de ler os pensamentos de outros ou mentalmente se comunicar com eles, podendo invadir e ouvir os pensamentos. Capacidade de se comunicar telepaticamente com outros, de criar ilusões telepáticas realísticas e fazer as pessoas experimentarem acontecimentos que não estão realmente ocorrendo, de manipular mentes de outras pessoas facilmente, alcançar uma variedade de efeitos. A capacidade de liberar o lado escuro da personalidade de uma pessoa, querer fazê-los parecer mais difícil ou o mal de qualquer maneira. Capacidade de induzir a dores mentais apenas tocando a testa da vítima, de controlar os pensamentos e ações dos outros.
6º CAVALEIRO *TELECINESE
Telecinese é a capacidade de manipular e controlar objetos com a mente sem o auxílio de nenhum movimento físico, podendo levitar, mover, atirar ou quebrar qualquer objeto físico em geral.
7º CAVALEIRO *PSICOMETRIA
Psicometria é um poder psíquico que permite adivinhar fatos segurando objetos. Este poder é demonstrado como ler palmas das mãos, bolas de cristal, folhas de chá, auras ou cartas astrológicas. Tudo está relacionado com leitura fria e pensamento seletivo.
8º CAVALEIRO *SUPERFORÇA
Superforça é a habilidade de levantar grandes pesos ou esmiuçar materiais resistentes mediante o exercício de sua força física.
9º CAVALEIRO *SUPER AGILIDADE
Super agilidade é uma mistura de supervelocidade, super equilíbrio e super-reação. Pode dar saltos, girar no ar e correr em grande velocidade devido ao longo período de treinamento. Pode correr pelas paredes, andar pela água e desviar de golpes que sejam desferidos contra ele, capaz de desviar-se de balas ou agarrar objetos antes que caiam no chão.
10º CAVALEIRO *MUTAÇÃO
Mutação pode se originar de um destaque não-humano da forma física do usuário (uma criatura feita inteiramente de fogo, ou de pedra, por exemplo). Poder de transformar-se fisicamente em outras pessoas.“
— Clair, não tem número onze aqui — a menina disse, pensando que o tal do cristal já estava com algum defeito.
A mulher mais velha estava paralisada, e logo caiu de joelhos numa reverência.
— Então a profecia é verdade, oh céus.
Os olhos verdes de Aliyah permaneciam vidrados. Sua cabeça estava explodindo de dor, e mil pensamentos rondavam em sua mente.
— Clair — insistiu a menina morena —, me diga o que infernos está acontecendo — a mais velha continuou calada. – Agora!
Assustada, a guardiã levantou sua cabeça e olhou para a Cavaleira.
— A profecia...
— Eu não sou surda, escutei bem o que quis dizer. Explique-me o que é essa profecia e levante-se, você está sendo estúpida.
— Bem — começou, voltando a olhar para baixo e se levantando —, há quase quinhentos anos atrás, a primeira linhagem de Cavaleiros foi “criada”. No século XIV o mundo passou por acontecimentos importantes como a Guerra dos Cem Anos e a Peste Negra. A natureza, juntamente com nós, animais guardiões, receou-se de que o homem causaria a destruição neste mundo. Para tentar ajudar a situação humana, dons eram dados para mundanos a cada sete décadas — vendo que Aliyah compreendia, prosseguiu —. Há duzentos anos atrás, um mago muito poderoso surgiu na Terra. Seu nome era Abraham. Ele foi, como Daemon explicou-lhe, o criador dos akhlins. Naquela geração, os Cavaleiros, felizmente, já haviam aprendido a lidar com seus dons. Em 1789, durante a Revolução Francesa, Abraham pretendia dizimar boa parte da França e logo após partir para o resto do mundo. Contudo, os Cavaleiros conseguiram detê-lo. O poder de tal mago era enorme, derrotá-lo parecia praticamente impossível. Insistentes, os humanos continuaram e conseguiram enfim prender Abraham num portal tridimensional para sempre. Bem, era o que pensávamos.
— Depois de toda essa aula de história, ainda não entendi onde a profecia se encaixa — interrompeu-a, Aliyah.
— Se deixas-me terminar, entenderás — Liah pediu desculpa, e Clair continuou —. Antes de ser preso, Abraham lançou um feitiço e disse que a sétima geração após aquela conteria um de seus descendentes. O novo Rei da Escuridão. O Velho Mestre, nosso profeta e guia, não conseguiu desfazer tal encanto. E bem, aqui estou eu, falando com a tatara-tatara-tataraneta de Abraham, Décima Quinta Cavaleira da Sétima Ordem e nova Rainha da Escuridão — Clair terminou, num suspiro.
— Uou — Aliyah levantou uma sobrancelha. — Sinistro. Mas ainda assim, como sabe que essa é a profecia e que eu sou a descendente dele? O pergaminho não disse nada.
— Exatamente — Clair riu, com escárnio —. O pergaminho é um objeto sagrado e de luz, jamais iria escrever entre suas entranhas explicitando como tu destróis o mundo.
— Não entendi.
— Deuses — bufou Clair —. Perdão, rainha da escuridão — disse debochada —, mas tu és mais lenta do que imaginava.
Antes que morena pudesse reclamar, ela continuou.
— Aliyah, entendas, este pergaminho nos mostra o poder de cada um e como usá-lo. Para que a natureza iria querer ensinar-te a dominar a escuridão? É, com certeza, o poder mais poderoso e perigoso que já existiu. Chega a ser caótico, tu tens a forma de destruir o mundo dentro de vós. Acho que ainda não se deu conta de quão poderosa tu és.
A mais nova olhava para baixo tentando assimilar o que estava acontecendo. Antes que pudesse abrir a boca para fazer mais uma de suas estúpidas perguntas à Clair, a porta da biblioteca abriu-se num estrondo. Era Daemon, estava ofegante e parecia que havia corrido uma maratona.
— Eu acho que vocês vão querer ver isto aqui.
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