Queen Of The Death
2 I'll never be a hero
Notas iniciais
Eu não dormi muito bem por aquela noite, como se todos os meus medos resolvessem aparecer em um único sonho para tentar me perturbar com ideias malucas e inoportunas. Eu não estava acostumada com isso, não estava acostumada com sonhos, com semideuses, e muito menos com o chalé de Quione que era mais frio do eu imaginava.
Me alevantei cedo, meus "irmãos" já haviam se alevantado, e bem, eu não ligava muito para eles. Em cima de uma mesinha estava algumas roupas para mim, eu sabia porque havia um bilhete com meu nome bem em cima. Eu vesti a camiseta laranja do acampamento e uma calça jeans, nos pés eu continuei com meus coturnos de sempre, prendendo meu cabelo negro em um rabo de cavalo. Eu estava normal, para uma semideusa, é claro.
Coloquei a mão em meu pescoço, eu não sei porque, mas parecia ser algo que eu fazia com frequência. Senti algo gelado sobre ele, olhei para baixo e pude ver um colar prata com uma lua ao contrario, estranho não acha?
Eu tirei o colar de meu pescoço, eu não sei porque ainda não notara ele. Eu pressionei contra a lua e algo inacreditável aconteceu. O colar se tornou em um arco grande e negro com algumas luas pintadas sobre a ponta, a arma era leve porem trazia medo em apenas toca-la, eu não sabia exatamente se no passado eu tive coragem de usa-lo em batalha.
- Kathy?- Uma voz feminina interrompeu.
- Sim?- Me virei em direção a voz e pude ver Luna parada bem na porta de meu quarto, ela vestia uma saia preta de centura alta, a camisa do acampamento e nos pés os mesmos all stars pretos de sempre, ela estava exatamente como imaginava uma filha de Afrodite, toda arrumada para nada.
- Bem, todos no acampamento precisam de uma atividade extra, estou aqui para ajuda-la- Algo em minha cabeça dizia que ela estava ali por causa de quem eu era.
Não neguei sua ajuda, eu não conhecia ninguém no acampamento e a garota estava apenas tentando ser gentil comigo, não acho que seria uma boa ser irônica com alguém tão ingenua como ela.
- Depois poderíamos tomar Coca-cola escondido de Quiron- Ela riu em quanto me guiava até a Arena.
- Coca-Cola?
- Eu sempre me esqueço que você tem mais de 300 anos- Ela sorriu.
A Arena era muito maior do que imaginava, havia um pouco mais de uma duzia de pessoas lutando entre si, eles pareciam ser mais fortes do que eu, pareciam ser mais rápidos e mais experientes. Em nossa frente um garoto sorriu, ele parecia ser o treinador, tinha cabelos ruivos e os olhos violetas, sim os olhos do garoto eram violetas.
- Josh, essa é Katheriny- Luna me apresentou como se eu fosse uma especie de premio.
- Olá- A voz do garoto era gentil e amigável- Desculpe-me, mas você me parece muito familiar, ja nos vimos antes?
- Josh, isso é inacreditável- O sorriso do dia em que conheci Luna voltou para seu rosto- Ela é Katheriny, a heroína do acampamento.
- Serio?- O garoto arqueou uma das sobrancelhas um pouco desconfiado.
- Bem- Suspirei- Sim, mas, eu não lembro de nada.
Eu estava começando a odiar aquilo, odiar o fato das pessoas acharam que eu era uma especie de heroína, eu não era, eu não queria ser. Todos pareciam me olhar honrados, diziam palavras de conforto e me tratavam de maneira diferente, nem ligavam em saber oque realmente aconteceu e se eu sou mesmo Katheriny que todos falam.
- Interessante- Ele não parecia impressionado- Bem, Katheriny oque você foi no passado não importa, saiba que não será tratada de maneira especial.
"E em algum momento eu pedi para isso? Nem me deixaram falar ainda" Eu pensei a mim mesma, não ousei questiona-lo, ele não parecia exatamente o tipo de pessoa que você deve brigar.
- Eu nunca pedi tratamento especial- Olhei seriamente a ele- Eu sei oque fiz no passado e não me orgulho disso.
Por um segundo em me lembrei do ultimo momento de minha vida.
"Eu estava com as roupas rasgadas, a minha frente Crio tentava pisar em cima dos campistas, mas eles tentavam acerta-los com suas espadas e arcos. Um garoto ao meu lado o qual eu não conhecia me olhava com o olhar de culpa:
- Não faça isso Katheriny- As lagrimas escaparam por seu rosto.
- Eu preciso- Suspirei- Prometa que vai cuidar de Molly?
- Eu não vou deixar você morrer- Ele me segurava firmemente.
- Prometa- Coloquei firmeza em minha voz.
- Eu prometo.
Corri em direção ao titã, decidida sobre oque eu queria fazer. Nada parecia importar naquele momento, era apenas e minha mente. Olhei furiosa para o titã e coloquei meu plano em pratica.
- Você me quer? Então me mate, me esmague- Tentei passar confiança em minhas palavras.
- Ótima escolha- Ele alevantou seu pé em minha direção, eu respirei fundo e fechei os olhos para nunca mais abrir.
A pior sensação do mundo percorreu sobre meu corpo. Eu senti todos os meus membros se espatifando sobre o chão, o sangue saindo rapidamente por minhas veias já estouradas, a pressão em minha cabeça era grande, eu queria gritar, mas não podia, eu não conseguia. Eu ouvi um grito de horror que eu imaginava que vinha do titã, mas não consegui presenciar sua morte, eu já estava morta. Meu olhos se fecharam lentamente, todo o meu corpo relaxou, mas eu não vi a luz branca, eu não vi nada, apenas a escuridão infinita."
Por um segundo voltei a minha realidade, todos me olhavam assustada, como se eu fosse uma especia de fantasma, e se bem que já fui um em um dia.
- Você está bem?- Luna colocou a mão em meu ombro.
- A não- Suspirei- Eu devia estar morta.
Eu não esperei para ver a resposta dos dois, corri em direção a saída, eu precisava sair dali, eu não devia estar ali, eu não podia estar ali. Quem era Molly? Quem era aquele garoto? Porque eu me entreguei a um titã? Como poderia ter sido tão tola? Naquele momento eu não me via como uma heroína, me via como um monstro, tolo e inútil.
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