Queen
2 Capítulo Dois
A Capital era completamente diferente de Slorghum. Completamente. As casas eram todas grandes e luxuosas e eu não sabia para qual delas eu olhava primeiro. E o castelo? O castelo da Família Real, a família Werner, era enorme. Dava para vê-lo de muito longe. Tinha cores claras, torres, tantas janelas que eu mal podia contar mesmo quando finalmente tínhamos chegado. Meus olhos não sabiam no que se concentravam primeiro. A arquitetura era impecável, tudo extremamente belo, um banquete aos olhos.
A saída do seu reino de nascença é proibida, salvo se você por algum milagre (porque é realmente raro) nascer com um tipo de poder diferente do seu lugar natal. Aí, ao completar dezoito, você vai para o reino que se encaixa com o que você faz. Tirando essa situação, a gente não conhece outros lugares e sempre foi algo que eu tive curiosidade de fazer. Sempre quis ver os outros reinos, conhecer outras pessoas, conhecer outros dons. E agora, como Rainha, eu teria a oportunidade de fazer isso. E eu com certeza faria.
—Eu sei, é enorme. –Caesar murmurou para mim no momento em que estávamos parados no portão de entrada. Havia uma recepção ali, os criados em fila para me receber e no meio ali estavam. O rei, a rainha e o príncipe Favian que seria o novo rei em alguns dias, quando nos casássemos. Seu olhar focou em mim e os olhos não deixaram enganar. Vi naqueles olhos claros que ele sabia quem eu era. Encarei de volta, com o queixo erguido, deixando claro que eu também me lembrava.
Eu e Caesar andamos até estarmos perto deles. Fiz uma reverência junto com o azulado e depois foquei nas três pessoas ali em minha frente. O rei Henry tinha uma expressão severa, cabelos loiros quase castanhos, algumas rugas de expressão e lembrava muito o filho. A rainha Margarida era uma coisa linda. Estava com um coque que prendia bem seus cabelos negros como a noite sem estrelas e uma única mecha encaracolada pendia na lateral de seu rosto bem esculpido. Os olhos eram castanhos amendoados, a pele cor de chocolate, alta e simplesmente linda.
—É um prazer recebê-la senhorita Page. –O rei tomou a palavra. –Caesar vai mostrar seus aposentos e logo depois a gente vai ter uma conversinha, sim?
~X~
Eu deveria estar assustada com a possibilidade de falar com o rei. Mas não estava, tudo que eu sentia era raiva. Sentia raiva do olhar de Favian sobre mim, o mesmo olhar malicioso de anos atrás. Meu primeiro instinto foi sentir medo, mas depois o ódio era tão grande que me consumiu e eu senti vontade de socá-lo ali mesmo e o pior: O rei tinha o mesmo olhar de seu filho.
Antes que eu surtasse com o ódio, bati três vezes levemente na porta do que era o escritório real e ouvi um “entre” na voz grossa típica do homem que governava o mundo. Literalmente. Suspirei e entrei. Como todos os cômodos, tudo aquilo era demasiadamente grande e me doía quando as casas de Slorghum eram, em sua maioria, minúsculas, inclusive a minha. Aquilo era tão contrastante com a minha realidade, com a realidade de tanta gente.
—Senhorita Page, por favor, sente-se.
—Por favor, o senhor será meu sogro. Só Sabrina. –Sentei-me na poltrona a frente da mesa que nos separava. Mais uma vez o assento era mais confortável que a minha cama, macio e dava até sono.
—Claro, Sabrina. Eu tinha um discurso completamente pronto para a moça que entrasse aqui dentro, mas eu realmente não esperava que fosse você. Saída literalmente do lixo que é Slorghum e com um histórico interessante, então acho que vou ter que lidar um pouco diferente com você.
—Oh, histórico interessante. -Comentei com uma espécie de desinteresse na voz.
—Militante em rebeliões, mente por trás da grande maioria desde que era praticamente uma criança e perdeu a virgindade com meu filho. De uma forma não muito agradável.
—Estupro. Por favor, não sejamos eufemistas já que estamos sendo sinceros um com o outro aqui. –Falei e o pior é que não estava surpresa por ele saber de tudo aquilo. Ele era o rei. Deve ter revirado minha vida de fora a fora. –E qual vai ser o discurso pra mim?
—Não venha com gracinhas. Você tem uma família e uma melhor amiga e eu posso acabar com eles com um estalar de dedos. Você é só a droga de uma mulher, o que significa que não é nada. Você vai ser uma rainha comum. Vai sorrir, ser educada, dar festas e adorar o fato de que mudou de vida. Vai dizer a todos na mídia o quanto está grata por ter tido a oportunidade única de sair da vala que é o seu reino de merda. Não me arranje problemas Sabrina.
A raiva me dava reações diferentes e aquela foi bastante inesperada. Eu gargalhei. Ali, na frente do homem mais poderoso do mundo, eu estava gargalhando. Como se ele tivesse dito algo realmente muito engraçado. Eu simplesmente não conseguia parar. Eu ri por minutos a fio e por fim, tive que me controlar respirando fundo várias vezes.
—Acabou? –Perguntei limpando lágrimas que saíram por causa do acesso de risadas.
—O recado está dado. -Se o olhar dele matasse, eu com certeza teria morrido naquele exato momento.
Levantei-me de uma vez e segui em direção à porta. Coloquei a mão na maçaneta e a girei. Parei. E então girei a cabeça por sobre o ombro e o olhei, bem no fundo dos os olhos:
—Se queria me impressionar, vai ter que fazer melhor.
~X~
Depois da reunião eu pude descansar um pouco até que tive outra. Com as esposas dos nobres, inclusive a própria rainha. Enquanto estava seguindo em direção a uma das inúmeras salas onde aconteceria a reunião, eu suspirei. Não estava preparada para ouvir em como eu deveria ser submissa, ou a forma como eu tinha sorte de ter saído de um lugar daqueles para me tornar Rainha ou qualquer coisa desse tipo. A verdade é que a ameaça do rei ainda estava rodando na minha cabeça e eu não estava com paciência para muita coisa.
Entrei na sala enorme, com sofás em tom pastel, mesas recheadas de doces e comidas que pareciam deliciosas, cortinas de tecidos melhor do que as das minhas roupas no meu reino natal e janelas enormes que tornavam o ambiente bastante iluminados. Ah, e as mulheres. Beldades. Todas lindíssimas, ricamente trajadas.
—Olha quem chegou. –Ouvi a rainha Margarida que me dirigiu um sorriso tão lindo que chegava a me constranger. –Venha cá minha querida, junte-se a nós.
Ela estava sentada em um dos sofás e me chamou com as mãos. As outras todas desviaram o olhar para mim e eu me sentei ao lado da Rainha. Seu vestido estava com as mangas levantadas e a primeira coisa que percebi foram às marcas. Hematomas, de cores diferentes, em seu braço. Tive vontade de vomitar. Parece que Favian tinha aprendido em casa como bater em mulheres.
—Caesar me falou de você. –A rainha falou em um tom enquanto todas se achegavam sentando ao nosso redor. –E eu informei a elas. Ele tem razão, você é tão pequena e delicada. Nem parece a garota de personalidade forte que ele me descreveu.
—Caesar falou de mim para a senhora?
—Por favor, me chame de você. Margarida. Falou sim, na verdade falamos muito de você Sabrina. Todas nós. –Ela suspirou e levantou mais ainda a manga e eu vi mais hematomas e para o meu espanto as outras fizeram o mesmo.
Senti vontade de vomitar. A grande maioria delas tinha machucados gritantes, daqueles doloridos. Cerrei os punhos. Por que aquilo acontecia? Aquilo era um crime! Uma crueldade. Como alguém poderia acreditar que isso era aceitável simplesmente porque eram mulheres? Céus, isso era uma atrocidade.
—Eu sei o que meu filho fez a você. –A rainha disse baixando os olhos como se estivesse envergonhada. –Nós todas sabemos. Sim, eu consegui as informações do meu marido. Nós todas vivemos nisso Sabrina. Mas achamos que você veio mudar isso.
—O que?
—Você tem uma personalidade que nenhuma de nós tem. Caesar soube disso nos seus primeiros quinze dias. Você é forte. E sei que não suportará viver assim, assim como nós não estamos aguentando mais. E por isso, por favor, saiba, que será apoiada por todas nós. É uma de nós agora. E sei que veio para fazer uma grande diferença.
Minha surpresa foi enorme. Primeiro por saber que todas elas estavam insatisfeitas pela vida que levavam. A minha vida toda me fizeram sentir-me errada por não aceitar a forma como as mulheres viviam. Os parentes me chamavam de louca, rebelde. Era como se a errada fosse eu, não o mundo. Mais tarde descobri outras mulheres, mas agora ver que elas existiam também além de Slorghum fez meu coração saltar no peito com uma emoção gostosa que me tomava inteira.
—Obrigada. Eu sinto muito por tudo isso. Isso é uma atrocidade, o que fazem conosco o é. Tentaram nos convencer de que somos inferiores, mas não o somos. Somos pessoas, como eles e merecemos dignidade e eles não podem, não devem e não vão mandar em nós. Não mais. Isso vai acabar. Eu não sei como, mas vai. Não sei como posso mudar isso, mas nós vamos dar um jeito. Tudo que eu sei é que eu prometi a mim mesma que nunca mais seria fraca na frente de um homem e eu chamo vocês a fazer o mesmo. –Abri um sorriso para todas aquelas mulheres ali em minha frente. –Nós temos que nos ajudar e a união de vocês mexe muito comigo. Eu sei que todas que estão aqui passaram por alguma crise existencial porque fizeram pensar que vocês estavam erradas por estarem inconformadas. Fizeram vocês pensarem que estava louca, que era histérica, que tinha mania de grandeza, que queria mudar a ordem do mundo, que estava fazendo tempestade em copo d’água. Mas não são vocês que estão erradas, é o mundo que está todo errado e se não fizermos algo será errado para nossas filhas, para nossas netas e para aquelas que vierem depois de nós. Isso vai acabar aqui. De algum jeito.
~X~
A reunião com as garotas tinha me deixado nas nuvens. Eu não sabia como fazer para cumprir a promessa de mudar o mundo para nós, mas sabia que daria um jeito. Pelo menos de impedir que aquela violência continuasse. Elas eram tão fortes, oferecendo seu apoio e eu me senti tão em casa. Agora entendia porque Caesar disse que eu seria rainha naquele dia. Porque ele também compartilhava de certos ideais.
Estava liberada para passear pelo castelo e logo fui para o jardim. Tão grande como o resto dos locais. Como meus poderes eram ligados à natureza, eu sempre me sentia mais a vontade perto dela. Fazia-me muito bem. Especialmente a água que era o meu elemento específico. Por isso me sentei à fonte e fiquei brincando com a água. Fazia ela, com simples movimento de mãos se moverem, erguerem-se, dançarem a minha frente e ria muito com aquilo.
—Olha quem está por aqui.
A água caiu no momento em que ouvi aquela voz e me virei para Favian. Aquele olhar, ainda me causava arrepios. Olhar para ele me causava dor, nojo e fazia minha pele se arrepiar de medo. Eu sentia vontade de sair correndo, mas acima dessa vontade, sentia vontade de socá-lo até que aquele rosto ficasse irreconhecível. Até mesmo Margarida repugnava o filho que tinha sido educado basicamente pelo pai. E que seria meu marido. Apenas a palavra me fazia ter ânsia de vômito.
—Olha quem veio me atormentar. –Resmunguei voltando meu olhar para a água.
—Você está mais linda do que da última vez. Mal posso esperar para ver debaixo dessas roupas.
Nojo. Eu sentia tanto nojo dele. A presença dele reproduzia na minha cabeça cenas que eu queria esquecer. Quase conseguia ouvir meus gritos e a dor voltava a minha cabeça. A forma como fiquei atônita. Como fiquei meses sem deixar que encostassem em mim, ninguém. Ou quanto tempo demorei para ficar sozinha com um homem novamente, ainda que fosse o meu pai.
—Vá procurar o que fazer Favian. –Praticamente rosnei para ele, o olhando nos olhos, com a postura que dizia algo óbvio. –Ainda não estamos casados, então faça o favor de sumir.
—Arisca. É fácil te domar, eu me lembro exatamente como.
Eu precisei de muito autocontrole para não socá-lo ali. Respirei fundo contando até dez mentalmente e então me levantei e o olhei de um jeito que já dizia tudo. “Você me quebrou, me deixou em pedaços e me tirou algo que eu nunca vou conseguir reconstruir. Você invadiu meu corpo, o que eu tenho de mais precioso, minha morada. Mas eu me reconstruí, eu colei meus cacos aos poucos e estou aqui de pé na sua frente para dizer que não tenho medo de você.”
—Eu adoraria ver você tentar. –Dei as costas para ele e eu mesma saí daquele lugar.
~X~
—Na praia? Um casamento na praia? –Caesar e Margarida franziram o cenho quando fiz esse pedido para eles.
—Por favor, se conseguirem. –Meus olhos estavam suplicantes para eles, como se implorassem. –Eu preciso que seja na praia. Por favor.
—Consigo arranjar sem problemas. –A atual rainha apenas deu de ombros como se dissesse que tudo bem. –Ele te incomodou em algum momento?
—Uma única vez, mas eu estou bem. Não tenho mais medo dele Maggie. –Era o apelido carinhoso que dias de convivência com ela me deram a intimidade de chamá-la assim. –Só não consigo imaginar ter que ir para cama com ele. Não consigo imaginar com ninguém, na verdade.
—Eu sinto muito, queria que existisse uma maneira de evitar isso. Acho que posso tentar um sonífero na bebida dele. –A morena começou a ponderar, com a mão no queixo.
—A gente vai pensar em algo, em você ele não toca, não de novo. –Caesar estava com os punhos cerrados e a proteção deles acabou me fazendo sorrir. –Estamos aqui por você Sah.
—Obrigada. –Abri um sorriso enorme para os dois porque precisaria deles no momento certo. E sabia, mesmo os conhecendo há pouco tempo, sabia que estariam do meu lado e me ajudariam quando eu precisasse.
~X~
O vestido de noiva tinha se encaixado com perfeição no meu corpo. Tomara que caia, corpete justo e a saia rodada enorme. Os cachos acinzentados ficaram livres escorrendo lindamente. A areia debaixo dos meus pés me acalmava completamente, mesmo quando estava dizendo ao meu estuprador “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe” o observando. Toda mídia estava filmando o casamento, todos estavam olhando para nós como se fôssemos à coisa mais interessante do mundo. Estava passando em todos os reinos, para todos verem o que estava acontecendo. Por isso eu não podia demonstrar que aquelas palavras doíam como facas passando pela minha garganta, que eu estava com asco e que as mãos dele segurando as minhas era um martírio.
Finalmente aquela tortura acabou e estávamos oficialmente casados e automaticamente o pai de Favian colocou a coroa em sua cabeça. Maggie colocou a dela na minha com delicadeza, acariciando meu rosto levemente e sorrindo para mim como se dissesse que estava ali comigo. A coroa delicada era leve, não pesava em minha cabeça. E eu sorri. Havia um microfone para que o novo rei falasse.
Respirei fundo e antes que Favian o alcançasse, eu o fiz. Todos me olharam com crescente espanto já que mulheres não falavam em público e aquele era o momento dele. As esposas todas me olharam com curiosidade, assim como Margarida e Caesar, tentando entender o que eu iria fazer. O loiro me fuzilou com o olhar e o antigo rei me fuzilava, provavelmente tentando imaginar o que eu iria fazer.
—Para todas as mulheres, meninas e senhoras que estão me escutando aqui. Minha conversa é com vocês. Desde pequenas fomos ensinadas a sermos inferiores, fomos ensinadas a servir, fomos ensinadas a baixar a cabeça. Fomos ensinadas a sermos mandadas, fomos ensinadas a sermos reprimidas, fomos ensinadas a não falar. Fomos ensinadas a apanhar sem falar, fomos ensinadas que os filhos eram responsabilidade nossa. Fomos ensinadas que somos posse, fomos ensinadas que alguém tem que mandar em nós. Fomos ensinadas que a casa é só nossa. Fomos ensinadas que se um homem nos toca sem permissão nós somos as culpadas. O mundo nos ensinou isso e o mundo está errado. E isso acaba hoje aqui. –Todos me olhavam com crescente espanto, espantados demais para fazer alguma coisa. –A partir de hoje está decretado que nenhuma mulher vai se casar por contrato. Está decretado que é crime que um marido bata em sua esposa. Está decretado que estupro é crime, em qualquer situação, vindo de qualquer pessoa. Sobre pena de morte. E vou começar agora.
Estendi a mão em direção a Favian. O sangue é praticamente composto de água e fiz algo simples. Comecei a evaporar toda a água do corpo dele. Seus olhos arregalados de dor enquanto sentia a vida se esvaindo dele. Ouvi dizendo para me deterem e vi as garotas agindo. Em um piscar de olhos poderes vindos das mulheres, impedindo que se aproximassem de mim. Favian caiu, sem vida. O rei deles estava morto. Alguns conseguiram ultrapassar a barreira sem que elas percebessem em minha direção, do exército.
O exército tinha ido em peso ao meu casamento, afinal, era a coroação do rei e um ótimo momento para um ataque. Claro, não estavam pensando que viriam da Rainha, mas ainda assim estavam ali para agir contra. E eu não estava com medo deles. Percebi que os poderes da natureza, o meu poder com a água, o poder que eu amava e que dominava também ainda que sendo rejeitado, era poderoso ao extremo e que eu poderia derrotar todos eles. Os que ficavam invisíveis, os elétricos, os com força exacerbada, aqueles com visão e audição avançados... Todos eles poderiam cair. Senti o céu criando uma tonalidade cor de rosa enquanto o mar se agitava. Uma pessoa com poderes da natureza, ainda que controlasse apenas a água, quando agia mexia com todo o natural ao seu redor.
Dei um sorriso e pisei no mar, andando cada vez mais para o fundo. E claro que eles não poderiam me seguir, pelo simples fato de eu ser a única com poderes da natureza ali. Pássaros me cercaram enquanto eu levantava a água e começava a arrastar com ela o exército para dentro do mar. Vi com certo gosto as garotas todas utilizando seus poderes contra os maridos, para impedir que fizessem algo contra mim ou contra elas. Sabia que poderia contar com elas quando o momento chegasse. O exército que sobrara começou a perceber o que estava acontecendo e pararam. E com crescente surpresa, vi eles se ajoelharem e entendi o que tinha feito. Eu poderia ajudar. Poderia fazer um mundo diferente na igualdade, poderia fazer um mundo diferente porque eu era a rainha.
—Acabou. Eu sou a rainha agora. –Falei alto o suficiente para que todos ouvissem. –Eu sou uma mulher, eu vim de Slorghum e eu sou a rainha de vocês.
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