Quebra de Acordo

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Fala pessoal! Espero que estejam bem. Eu peço desculpas pela demora em postar, mas esses dias andei ocupada escrevendo um texto que requereu todo o meu tempo livre. Agora, porém, os capítulos devem sair mais rapidamente. Sem mais, espero que gostem. :)

Rumplestiltskin não sabia mais o que iria fazer. Estava ficando desesperado. Mais dois dias que passara em busca de Baelfire e nem sinal de seu filho ainda. Enquanto isso, os normandos estavam aproveitando sua ausência e a ausência de seus soldados e cometendo saques por suas terras. O último resultou com a morte de dois servos seus.

— Você precisa comer, senhor. — Belle admoestou gentilmente ao recolher o prato com a refeição intocada.

— Eu não sinto fome.

— Apenas um pouco, senhor. Há dias que quase não come nada. — Ela insistiu empurrando o prato com os pedaços de coelho assado novamente em direção a ele, em cima da mesa.

Rumplestiltskin olhou para o prato e sentiu seu estômago revirar um pouco. Ele estava com um pouco de fome, mas o nó em sua garganta não iria lhe permitir comer nada.

— Eu não consigo comer, Belle. — Ele falou fracamente empurrando o prato para longe.

— Apenas um pedaço. Só para manter as forças. — Ela insistiu voltando a empurrar o prato para ele.

Ele suspirou, mas pegou o menor pedaço e comeu. Mastigando mais que o necessário antes de engolir.

— Pronto, um pedaço. — Resmungou empurrando o prato novamente para ela.

Ela acenou com a cabeça e, com um suave sorriso, recolheu os alimentos não comidos e os levou para a cozinha novamente.

Rumplestiltskin permaneceu ainda um pouco sentado na cadeira de sua mesa antes que um guarda entrasse para informá-lo que um grupo de normandos estava atacando e saqueando os servos na área norte de suas terras. Rapidamente, ele juntou seus guardas e partiu com a missão de expulsar os invasores de suas terras. Apesar de querer continuar sua busca por Baelfire, não poderia fazer isso agora. Os servos já estavam descontentes com ele pelos ataques anteriores e, uma das cláusulas do contrato, era que ele deveria oferecer proteção aos seus servos e já estava começando a falhar nesse sentido. Não poderia deixar isso acontecer.

***

Era quase fim do dia quando Rumplestiltskin voltou para o castelo. Ele e seus guardas conseguiram matar ao pequeno grupo de normandos que aterrorizava seus servos, mas antes de conseguirem chegar ao local, eles fizeram mais uma nova vitima. As coisas estavam longes de se acertarem e ele já não estava mais sabendo o que fazer. Seu tornozelo doía com todo o esforço que vinha fazendo, mas ele não poderia se dar ao luxo de parar ainda. Ele se deixou cair pesadamente em sua cadeira na cabeceira da mesa. Olhou para os lados e meditou em quebrar alguns objetos com a sua bengala. Sentia tanta raiva, mas, ao mesmo tempo, sentia-se tão cansado pelas noites mal dormidas. Deixou sua cabeça desabar na mesa em uma rara demonstração de derrota

— Senhor? — Belle perguntou alarmada ao ver ele com a cabeça baixa e correndo ao seu lado.

— Mais um servo morto, Belle. — Ele informou levantando a cabeça e olhando para ela. — E ainda nem sinal do meu filho.

— Você vai encontrar ele.

— Eu nem sei se ele ainda está vivo. — Soltou um bufo de riso cheio de dor. — Eles estão fazendo tudo para me desviar de achar Baelfire. Parece que sempre estão um passo a minha frente. Enquanto estou em um lugar, eles atacam em outro.

— Você ainda vai achar o mestre Baelfire, senhor.

— A cada hora que passa, fica mais difícil encontrar ele. — Suspirou e se recompôs em sua cadeira. — Pegue algo para mim no meu quarto?

— O senhor se machucou novamente? — Perguntou alarmada.

— Apenas uns arranhões, nada que vá me matar. É um pergaminho. Está dentro do meu armário. Você já deve ter visto ele.

— Já vi, mas juro que nunca mexi nele.

— Eu sei que não. Pegue-o lá para mim?

Ela correu até o quarto dele e rapidamente abriu o armário ao qual começou a ficar tão familiarizada nos últimos tempos. Tateando na prateleira inferior e puxando um pergaminho antes de voltar para onde Rumplestiltskin estava e o colocar sobre a mesa, de frente para ele.

— Esse, senhor?

— Sim, obrigado. — Agradeceu e começou a desenrolar o pergaminho sobre a mesa para revelar um mapa simplório e não muito preciso da área em que estavam. Começando a estudar ele com atenção.

Belle falara a verdade quando disse que não havia bisbilhotado o conteúdo do pergaminho, mas, como uma ávida e curiosa leitora, ela se contorcia um pouco para espreitar sobre os ombros dele, tentando ver sobre o que se tratava aquilo.

Rumplestiltskin percebeu que sua serva estava quase nas pontas do pé enquanto tentava disfarçar que não estava olhando. Mesmo em meio a todos os seus problemas, isso trouxe um sorriso quase imperceptível ao seu rosto. Ele achava era uma estranha e curiosa criatura.

— Se aproxime antes que caia em cima de mim. — Ele resmungou, tentando manter a diversão de sua voz.

Belle sentiu suas bochechas corarem por ter sido pega assim por seu senhor. Ela achou que estava disfarçando tão bem, mas no fim não foi assim. Seu pai sempre lhe dizia que sua curiosidade seria a morte dela e ela estava começando a acreditar nisso.

— Me desculpe, senhor. — Abaixou a cabeça. — Vou voltar para a cozinha. — Começou a se retirar.

Rumplestiltskin virou a cabeça e olhou para ela.

— Você quer ou não ver o que tenho aqui? — Perguntou com impaciência.

— Você deixaria que eu visse?

— Você já viu segredos piores que isso e isso é algo que não vai mandar nenhum de nós para a forca ou a fogueira.

Ela se aproximou lentamente parando ao lado da cadeira dele. Sem resistir, ela esticou o braço e passou a mão sobre a imagem de um barco sobre a água. Admirando-se com a arte que foi feita no mapa.

— Um mapa... — Sussurrou com admiração.

— Então você sabe o que é um mapa? Que tipo de servo eu tenho? — Ele perguntou intrigado como uma simples serva poderia ter tamanho conhecimento.

Ela sentiu-se corar com o comentário e voltou a passar os dedos sobre as outras figuras no mapa.

— Minha mãe me ensinou tudo o que ela sabia, senhor. Eu sei o que é um mapa.

— Eu percebo isso.

— Esse é o seu castelo, não é? — Ela apontou para uma figura desenhada.

— Sim, aqui é onde estamos e aqui e aqui é onde os normando atacaram. — Apontou para dois pontos afastados no mapa.

Ela olhou para os pontos com atenção e percebeu que eles estavam longe das águas. Eles geralmente chegavam por mar e aquilo não fazia o mínimo sentido para ela.

— Senhor, os normandos chegam pelo mar, não é?

— Sim, eles chegam pelo o mar. — Apontou para a faixa de água no mapa.

— Mas repare, senhor, eles atacaram esses pontos, não foi? — Perguntou apontando para o mapa e quando ele acenou em concordância, ela continuou — Se eles atacaram aqui, isso está longe do mar. Eles não estão vindo do mar, já estão em terra.

Ele, em um movimento brusco, pegou o mapa entre suas mãos e começou a estudar isso mais atentamente, percebendo que fazia sentido. Eles atacaram em pontos totalmente desfavoráveis para eles. Muito longe do mar. Havia também dias que ninguém via a embarcação principal deles na água, Apenas pequenos barcos que não seriam capazes de mantê-los no mar por muito tempo. Por que continuar atacando e iniciando batalhas já perdidas? A resposta atingiu ele assim que ele começou a estudar melhor o mapa. Todas os pequenos barcos estavam concentrados no lado sul enquanto que os ataques no norte. Isso só servia para afastar eles do centro onde havia uma formação de rochas no meio do mar que poderia ser visível por terra. Ele nunca tinha se aventurado ao mar antes, mas os comerciantes que costumavam passar por ali haviam lhe dito que aquela formação era uma salvação para as tempestades, que havia uma caverna ali que servia de abrigo. A resposta o deixou sem fôlego. Ele já tinha percorrido todo o seu comprimento de terras e arredores e não havia sinais de Baelfire e um comerciante que havia negociado com os normandos e havia estado dentro da embarcação principal deles havia lhe garantido que não havia nenhum prisioneiro lá. Só havia um lugar onde seu filho poderia estar.

— Senhor! O senhor está bem? —Belle perguntou alarmada ao ver como ele olhava com um sorriso no rosto e um olhar perdido para o mapa.

Saindo de seus devaneios, ele respondeu.

— Nunca estive melhor. Acho que sei onde o meu filho pode estar, Belle.

— Você sabe?

— Eu acho que sei.

Em um impulso, Belle jogou seus braços em volta dos ombros dele e descansou a cabeça dela na parte de trás do pescoço dele.

Rumplestiltskin, não acostumado para contatos humanos, congelou e ficou com o corpo tenso ao sentir os braços de sua serva lhe rodearem o pescoço, suas mãos em seu peito e a respiração dela levantando seus cabelos na parte de trás do pescoço.

Belle levou um momento para perceber o que fez e se afastou rapidamente dele, sentindo o rosto dela esquentar com o rubor.

— Eu... — Gaguejou, não sabendo como iria se desculpar por aquilo.

— Eu preciso me preparar para ir resgatar o meu filho, Belle. — Ele informou ficando de pé e enrolando o mapa — Não conte isso para ninguém. Tenho uns preparativos para fazer. — Sem outra palavra, ele começou a ir para o seu quarto. Apenas quando tinha certeza que ela não poderia ver ele, ele levou a mão atrás de seu pescoço onde sentiu a respiração dela. Ele quase ainda podia sentir isso e essa sensação fantasma lhe trouxe um pequeno sorriso no rosto enquanto ele subia as escadas.

Belle ainda estava parada no mesmo lugar não entendo o que tinha levado ela a fazer aquilo. Ela deveria estar louca por abraçar assim seu senhor, um homem a quem ela deveria respeito. Balançando a cabeça para interromper esses pensamentos, ela voltou para a cozinha determinada a fazer o trabalho para o qual foi requerida.

Continua.

Notas finais
E é a partir daqui que as coisas realmente vão começar a acontecer. E então, o que acharam? Se quiser, deixe um comentário com a vossa opinião. Agradeço por lerem e espero que tenham gostado! Um imenso abraço e até mais!