Notas iniciais
Fala gente! Tudo bem com vocês? Faz um tempo desde que atualizei essa história. Não vou tentar me justificar por isso, mas peço desculpas e tentarei atualizar com mais frequência. Eu não a abandonei, hehe. Sem mais, deixo-lhes o capítulo e espero que gostem. :)

Nos dias que se seguiram, Belle ajudou Rumpelstiltskin em sua recuperação. Além dela, mais ninguém ficou sabendo que ele havia sido ferido e ele era grato por isso. Ele sabia que sua serva não era uma mulher ignorante e que ela havia visto as suas ervas e poções. A única coisa que ele não compreendia era o motivo dela não tirar proveito dessa situação como Jefferson havia tirado. Ele não poderia deixar uma brecha para que explorassem suas fraquezas e, por esse motivo, decidiu falar com ela.

— Preciso falar com você, Belle. – Ele avisou, quando ela foi lhe servir o chá da manhã.

— Senhor? – Ela perguntou, intrigada.

— O que exatamente você viu esses dias em que ajudou com o meu problema? – Perguntou, gesticulando para o seu lado que estava com a ferida em cicatrização.

— Você passou algo que ajuda a ferida a fechar. – Respondeu, insegura.

— E esse algo seria? – Perguntou, desconfiado.

— Pareceu algo que não devemos falar.

— Você sabe o que era, não sabe?

Ela acenou com a cabeça em afirmação e respondeu:

— Eu não irei falar para ninguém o que eu vi, senhor. Eu prometo.

— Mesmo assim, você acha que eu estou errado, não é? Que isso é feitiçaria?

— Se servem para ajudar na cura, não podem ser tão más quanto dizem. Eu não acho que é errado procurar por coisas que nos ajudem a melhorar.

Rumplestiltskin a olhou e percebeu que ela não era uma pessoa previsível. Que ela agia diferente do esperado. Ele só não sabia se isso era uma coisa boa ou não. Ele acenou para ela se retirar e voltou sua atenção para o seu chá. Durante alguns minutos, ele esteve em relativa paz, até Belle voltar e o avisar que havia um de seus servos que gostaria de falar com ele. Não se surpreendeu ao ver que era Jefferson.

— O que quer aqui? – Rumplestiltskin perguntou de modo grosseiro.

— Apenas ver se os meus serviços são necessários. Andei pela floresta ontem e achei algumas coisas que podem ser do seu interesse. – Falou, colocando uma bolsa de couro sobre a mesa.

Rumplestiltskin pegou a bolsa e olhou para o seu conteúdo com desconfiança. Verificando quais plantas e ervas estavam lá, ele assentiu com satisfação.

— Parecem boas, mas não me lembro de ter pedido por nenhum serviço. – Comentou, fingindo desinteresse.

— Se não quer, posso largar por aí. – Ameaçou, esticando a mão para pegar a bolsa.

— Deixe isso aqui. Eu posso precisar futuramente.

— Tenho sua permissão para continuar com minhas buscas?

— Se você não continuar, será mandado embora daqui. Espero algo tão bom quanto isso para a próxima semana.

— Passo pela bolsa depois.

Jefferson abriu um sorriso, acenou com a cabeça e saiu. Logo depois, Belle voltou para recolher a xícara de chá.

— Com licença. – Ela falou, pegando a xícara vazia.

— Depois você leva isso. Preciso que guarde isso essas coisas no meu armário. – Falou, apontando para a bolsa.

— Claro, senhor. – Respondeu, pegando a bolsa e saindo.

Rumplestiltskin a olhou afastar-se. Ele ainda tinha algumas dúvidas sobre as intenções dela, mas não tinha mais sentido em tentar esconder algo que ela já sabia. O que ele poderia fazer era tirar proveito disso e se assegurar que ela não contasse para ninguém.

***

Passaram-se dois meses, nesse tempo, Jefferson encarregou-se de adquirir ervas e plantas que Rumplestiltskin pudesse utilizar. Belle continuou com o seu trabalho e, cada vez mais, observava que o que as pessoas consideravam como bruxarias nada mais era que um auxílio para melhorar a vida. Ela mesma havia se beneficiado com um chá que o Conde havia lhe mandado preparar com algumas ervas quando ela ficou doente do estômago, melhorando de uma forma mais rápida que se esperasse para passar por conta própria.

Anunciando que iria sair e só voltaria à noite, Rumplestiltskin permitiu que Belle tirasse o dia para ela, para que visitasse o seu pai, se assim desejasse. Ela, porém, preferiu ir ver Ruby, a encontrando na caverna, com os lobos.

— Como me achou? – Ruby perguntou, feliz em ver sua amiga.

— Sua avó me disse que tinha saído. Só há um lugar que você costuma vir.

— Fico feliz que esteja aqui. O que aconteceu com o Conde?

— Ele precisou sair.

— Será que dessa vez teremos sorte e alguém matará ele? – Brincou.

— Ruby!

— Não é porque você gosta dele, que todos precisam gostar. Acho que você é a única que gosta dele.

— Ele não é má pessoa. Ele nunca foi mau comigo.

— Você é a protegida dele. Isso já ficou claro para todos.

— Eu não sou.

— Você vive no castelo, tem alimentos melhores que todos nós, seu serviço é leve, se comparado aos outros. Você é a sua protegida.

— Ele só é grato por eu ter salvo a vida dele.

— Eu ainda acho que há mais aí. O Conde não é um homem para demostrar gratidão.

Elas ficaram alguns momentos em silêncio, enquanto Ruby brincava com os lobos. Foi Ruby quem falou primeiro:

— Não era para você estar visitando o seu pai?

— Eu não quero ir lá e ver Gaston. Papai já está insinuando que nós poderíamos formar um par.

— Gaston é bonito.

— Mas ele não é o que eu quero para mim.

— Você já tentou conhecer ele?

— Já. Ele só sabe se gabar que consegue levantar mais sacos que qualquer um daqui, que é o mais forte e seria melhor aproveitado para um cavaleiro. Ele chegou até mesmo a me pedir que intervisse por ele com o Conde.

— E imagino que você não fez isso, não é?

— Ele ser cavaleiro significaria que eu o veria quase todo dia. O Conde é quem escolhe as nossas funções. Se ele designou Gaston para ajudar ao meu pai, eu confio que teve uma razão.

— E eu acho que você confia demais no Conde. Ele não é infalível.

— Eu sei que não, mas nisso eu confio nele.

Ruby bufou e continuou brincando com os lobos, mas, em um momento de distração, um dos lobos mordeu o seu braço acidentalmente, causando um corte. Ela rapidamente segurou o local ferido.

— Não, não, não! Isso não pode estar acontecendo. – Ruby lamentou-se.

— Calma, deixe-me dar uma olhada. – Belle pediu, puxando o braço dela gentilmente.

— Eu vou morrer! Olha o tamanho disso!

— Você não vai morrer, Ruby.

— Não?! Você esqueceu do Jean na semana passada?

Jean era um fazendeiro, responsável pelo plantio de cevada. Tendo um corte no pé, causado pela enxada, ele desfaleceu rapidamente com o corte inflamando e uma infecção se espalhando pelo seu corpo. Morreu em menos de um mês após adquirir o machucado.

— Eu sei o que aconteceu com ele, mas isso não vai acontecer com você. Você confia em mim?

— Você sabe que eu confio.

— Me espera aqui.

Belle levantou-se e caminhou um pouco. Quando estava indo para a caverna, ela havia reconhecido algumas das ervas que Rumplestiltskin usava para a cura e sabia como prepara-las. Pegando algumas delas, ela voltou até Ruby.

— O que você vai fazer com isso? – Ruby perguntou, apontando para as ervas na mão de Belle.

— Algo para te ajudar. Ela disse, pegando um punhado das ervas e a amassando com uma pedra sobre outra pedra, até formar uma espécie de pasta. – Dê-me o seu braço.

— Não, isso é bruxaria. – Ruby assustou-se, olhando para as ervas amassadas.

— Não é. Se quer melhorar, me dê o seu braço.

— Eu não quero ser queimada na fogueira.

— Você não vai se não falar disso para ninguém.

— Como você sabe sobre essas coisas? Você é uma bruxa?

— Eu sou apenas alguém que vê algo que possa ajudar. Prometo que você vai melhorar com isso, mas você precisa confiar em mim e não contar para ninguém.

Ruby ainda olhou desconfiada, mas permitiu que Belle aplicasse as ervas esmagadas em seu braço e enrolasse com um pedaço de pano que Ruby rasgou de sua própria roupa.

— Você sabe reconhecer isso em meio as outras plantas? – Belle questionou, levantando um ramo da erva que recolheu.

— Eu saberia.

— Tem uma grande quantidade delas por trás de sua caverna, deve ser fácil para achar. Você precisa limpar a sua ferida fazer o que eu fiz agora todo dia em seu braço. Você fará?

— Eu vou melhorar?

— Isso vai aumentar as chances para você melhorar.

— Então eu vou fazer, mesmo eu achando que isso ainda é bruxaria.

— Isso não é bruxaria, mas você não poderá contar nada disso para ninguém.

— Eu não vou. Eu não quero sofrer as consequências.

Belle acenou com a cabeça e olhou para os lobos que a amiga mantinha e apontou.

— Eles não são seguros. Deveria se livrar deles.

— Eles são seguros. Eles já aprenderam a me obedecer. Acho que mais alguns meses e estaremos prontos para partir daqui.

— Eu não estou gostando disso, Ruby. Eles estão maiores, estão comendo mais e está cada vez mais difícil de escondê-los.

— Eu sei, mas será por pouco tempo agora.

— E se eles decidirem que querem te usar como presa?

— Eu os salvei e os criei. Eles não irão me fazer mal.

— Espero que esteja certa. Eu preciso ir. Mesmo não gostando, acho que preciso visitar o meu pai, não é? Cuide do seu braço bem. – Belle recomendou, antes de dirigir-se para o moinho de seu pai.

— Belle, filha! – Maurice a recebeu com um abraço.

— Como vai, papai?

— Com saudades de você. O Conde tem te tratado bem?

— Sim, tem.

— É uma pena você só ter chegado agora. Se chegasse uma hora antes, você ainda iria ver Gaston. Ele saiu para recolher os grãos que precisaremos moer. Vocês poderiam se unir, não é?

— Eu não penso assim. Eu não gosto de Gaston, papai.

— Eu acho que vocês fariam um bom par. Ele é um homem trabalhador e quer herdeiros e você é uma mulher em idade madura e saudável. Não vai encontrar nenhum partido melhor por aqui. Ele mesmo já deu a entender que possui interesse em você.

— Mas eu não possuo nele. – Falou, com irritação e seu pai suspirou.

— Tenha um pouco de juízo, minha filha. Eu não quero te forçar, mas você sabe que eu posso, se eu quiser.

— Você e mamãe se casaram por amor, não foi? Por que eu não posso ter isso?

— Sua mãe foi uma dama da rainha que pôs os olhos em mim, eu, um homem simples do povo. Nunca vou entender por que ela me escolheu. Eu a amei mais que tudo e você sabe disso, mas as nossas circunstâncias eram diferentes das suas. Ela não respondia a ninguém e nem eu, mas nós respondemos ao Conde. Você bem sabe que ele não vai proteger mulheres solteiras, que mulheres solteiras correm o risco de serem expulsas se não tiverem a proteção de um homem. Se me acontece algo, você seria uma presa fácil aqui. Gaston pode te proteger se forem casados e nada e nem ninguém poderá exigir a posse da terra e do moinho.

— Eu não acho que o Conde me colocaria para fora de sua proteção.

— Não podemos ter certeza. Dê uma chance ao Gaston e tente se apaixonar por ele ou gostar um pouco dele. Você precisa se casar, Belle, e isso não é algo que eu estou pedindo, mas sim ordenando. – Seu pai falou sério.

Belle engoliu as lágrimas e, despedindo-se de seu pai de uma maneira fria, voltou para o castelo do Conde. Ela nunca esperava uma atitude dessas de seu pai, mesmo conhecendo e entendendo os motivos que o levou a fazer isso, ainda doía. Ela esperava se casar por amor ou, pelo menos, com alguém que pudesse ter alguma simpatia e Gaston estava longe de ser essa pessoa para ela.

Continua.

Notas finais
Se desejarem, deixem um comentário com a vossa opinião. Esse capítulo não há nada para ser explicado sobre os costumes da idade média, mas, se ainda tiverem alguma dúvida, deixem nos comentários e tentarei esclarecer da melhor maneira possível. Agradeço por lerem. Forte abraço e até mais!