Notas iniciais
Fala gente! Mais um capítulo. Espero que curtam e, se desejarem, deixem críticas e comentários. Eles sempre me ajudam a melhorar.

Já havia se passado mais de um mês desde que Belle se mudara para o Castelo. Ela estava começando a se habituar aos costumes e rotinas daquele lugar e já não se cansava muito. Ainda não sabia fiar direito, mas havia aprendido a tecer e aquilo passou a ser uma terapia para suas noites solitárias de insônia. Além da roca em seu quarto, agora tinha um tear. Ela havia o achado jogado em um canto empoeirado e, pedindo permissão para o Conde, o levou para o seu cantinho. Tecer era uma distração. Ela, vez ou outra, conseguia escapar e ia visitar seu pai, Maurice. Eram momentos raros e rápidos, mas que lhe davam certo alivio. Também havia feito amizade com Ruby, neta da Vovó. Era a única amiga que tinha.

Belle havia acabado de lavar e pendurar algumas roupas, para que secassem, e se dirigido para a cozinha. Estranhou de não encontrar nenhum animal para que destrinchasse. Perguntou-se, mentalmente, se haveria passado algo com o Conde. Ele sempre era pontual e deixava algo para que ela limpasse e cozinhasse. Decidiu sair para procurar por uma explicação lógica.

–Senhor! –chamou por Baelfire ao vê-lo passa pelo corredor.

–Sim, Belle. Algum problema? –Ele perguntou, de forma gentil.

–Está tudo bem com o Conde Rumplestiltskin? Ele não deixou nada para que eu cozinhasse hoje.

–Ele precisou viajar às pressas e pediu para que te avisasse, mas acabei esquecendo.

–E o que farei para o almoço?

–Não precisa fazer nada hoje. Tire o dia de folga. Vá visitar seu pai ou fazer o que tiver vontade.

–Mas o Conde não gostará de minha ausência quando voltar.

–Ele só volta daqui a uns dias, dois dias para ser preciso. Tire esse tempo para você. Eu sobrevivo. –Ele falou, com um sorriso, antes de sair.

Belle ainda ficou um tempo parada, digerindo as palavras que acabara de escutar. Ela pulou por dentro de alegria ao saber que teria dois dias livres, dois dias para voltar a sua antiga vida. Sem pensar muito saiu e foi para a casa de seu pai, mas encontrou com Ruby no caminho.

–Belle, não era para você estar no castelo? –Ruby questionou.

–O conde viajou e Baelfire me deixou livre nesse tempo.

–Baelfire, esse sim é bom. Bem que o Conde poderia sofrer um acidente e o filho tomar o posto do pai. Seríamos mais felizes.

–Ruby!

–Não vai me dizer que também não deseja isso? O Conde é o seu carrasco.

–É, mas nem por isso desejo seu mal.

–Você é muito boa, Belle.

–Apenas não quero o mal para ninguém. E vamos trocar de assunto. Como vai seu mistério? Sua avó já está louca porque você não conta de suas andanças para ela.

–Eu não estou fazendo nada de mal.

–Namorados?

–Quem dera... Se eu te contar, promete não falar nada pra ninguém, nem para a vovó?

–Prometo. Sabe que pode confiar em mim.

–Venha!

Ruby agarrou Belle pelo braço e a arrastou para a floresta, até uma caverna. Belle já não estava gostando daquilo, mas preferiu ver o que era primeiro antes de falar alguma coisa.

–Preparada? –Ruby perguntou com entusiasmo.

Belle apenas a olhou com relutância. Não sabia o que esperar, mas o que viu a perturbou um pouco. A Moça da capa vermelha soltou um uivo e, em pouco tempo, 3 lobos jovens surgiram das profundezas da caverna e se aproximaram da moça.

–Ruby, o que é isso? –Belle perguntou, surpresa pela cena.

–Os achei há alguns meses. Acho que mataram sua mãe. Tenho cuidado deles desde então.

–Ruby, isso que está fazendo é perigoso. Sabe que não pode caçar nada que seja das florestas reais. *

–Eu não estou caçando.

–Mas não estou caçando. Apenas tratei que esses lindos não morressem com fome.

–E o que vai fazer quando eles começarem a te seguir?

–Eles nunca saíram daqui. Eu os ensinei a se esconderem e a não confiarem em ninguém.

–E se sentirem fome?

–Isso não é problema. Eles sempre caçam coelhos e porcos selvagens.

–Ruby, sabe que isso é como se assinasse sua sentença. Se o Conde descobrir...

–Ele não vai se você não contar.

–Não vou. Sua avó sabe disso?

–Não, ela não entenderia.

–O que pretende fazer com eles?

–Eu não pretendo ser uma fiandeira e tecelã como minha avó. Quero algo mais para mim, sair dessa fortaleza. Eles podem me proteger lá fora. Já ouvi histórias de grandes cavaleiros que tinham lobos como animais de guarda. Eu tenho 3. Acho que devo conseguir me virar.

–Só tome cuidado e não deixe que ninguém te veja, sim?

–Tomarei. Só contei para você porque precisava falar com alguém sobre meus planos para o futuro.

Belle achou aquilo um pouco insano, porém, no fundo desejava um destino assim: de aventuras. Seu sonho nunca foi se casar e trabalhar até morrer, mas sim conhecer terras novas, viver aventuras, ser livre. Desejou sorte para sua amiga e depois seguiu para a casa do seu pai. O Velho Maurice ficou contente por ver a filha. Ela aproveitou que estava lá para limpar a casa do seu pai. Desde que saíra, ela percebeu, que aquele local não passava por uma limpeza. Também, como poderia? Seu pai agora tinha um trabalho dobrado no moinho e, certamente, não sobrava tempo e energia para afazeres domésticos.

Ela havia terminado seus afazeres na casa em tão pouco tempo que se sentia um pouco entediada. Sua casa era bem diferente do Castelo. Tinha apenas dois cômodos e um par de móveis. O Castelo era imenso com mais quartos do que conseguia contar. Ela trabalhava no Castelo há mais de um mês e ainda não conhecia o local por completo, além de lhe faltar tempo e energia, também lhe era proibido que entrasse em certos cômodos. Apesar de tudo, era divertido descobrir novos objetos em cada novo local que entrava para arrumar. O Conde era um homem excêntrico, mas tinha uma coleção invejável de objetos, que iam desde pinturas a armas de guerra. Aquilo era extremamente instigante para sua curiosidade pois, bem sabia, que essas eram as únicas coisas que veria de outros reinados, de outras terras além daquela fortaleza a qual estava destinada pelo resto da vida.

***

Os dias passaram rapidamente e Belle sabia que teria que voltar para o Castelo. Isso a deprimia um pouco. Ela apenas faria o almoço para seu pai e partiria, não esperava ver que o próprio Conde estaria a sua porta. Seu coração gelou de medo. Imaginou, por um momento, que ela era o motivo da visita dele ali.

–Perdoe-me, senhor. Voltarei agora mesmo para o Castelo. –Belle avisou, de cabeça baixa, assim que ele lhe viu.

–Senhorita Belle, não precisa de pressa. O que faz aqui? –Ele perguntou, de forma cordial.

–Eu vim visitar meu pai. Seu filho me deu permissão.

–Então não há problema. Na minha ausência, Baelfire é o senhor. Por falar em seu pai, ele se encontra?

–Está no moinho, senhor.

–Vou lá falar com ele e depois vou para o Castelo. Quer me acompanhar? Cacei alguns coelhos para que você cozinhe.

Belle assentiu com a cabeça. O Conde não era propriamente um cavalheiro já que ele foi a cavalo e ela a pé, correndo um pouco, para acompanhar o ritmo do animal. Chegaram em pouco tempo ao moinho e o Conde logo tratou de falar com o velho Maurice. Belle preferiu se manter alheia à conversa, mas escutava tudo perfeitamente. O Conde havia informado a seu pai que encontrara um novo homem para que trabalhasse com ele no moinho e que devia chegar dentro de alguns dias para que fizesse o juramento de lealdade. Belle só desejava que esse novo servo fosse alguém bom com o seu pai.

Ela e Rumplestiltskin saíram de lá e rumaram para o Castelo. Dessa vez ele fez com que o animal andasse mais devagar. Percebeu que sua criada estava ficando ofegante e mais lenta para acompanha-lo.

Assim que chegaram, ele apeou do cavalo, entregou os coelhos para Belle e carregou, com certa dificuldade devido a sua perna ruim, uma enorme bolsa de couro que ela se perguntou se estaria cheia de novos objetos. Sua curiosidade logo aflorou, mas não ousaria perguntar.

–Tente cozinhar mais rápido hoje. Desde ontem que não como nada. –ele ordenou antes de desaparecer de vista.

Belle sabia bem que aquilo não era um pedido, mas sim uma ordem. Mais que depressa correu para a cozinha para destrinchar e cozinhar os pobres animais.

Depois de pronto, ela logo tratou de levar o almoço para a sala onde somente Rumplestiltskin a aguardava. Ela o serviu rapidamente, mas, na hora que estava prestes a se retirar, ele a chamou.

–Belle?

–Em que mais posso servi-lo, senhor?

–Eu trouxe um novo jogo de copos para substituir esses velhos. Estão naquela bolsa. –Ele falou, apontando para a bolsa de couro sobre a mesa. –Arrume um lugar para eles na cozinha e as use da próxima vez.

Belle assentiu e foi mexer na bolsa. Além dos copos feitos com argila e com alguns pequenos entalhes em formato de flores para decorar, encontrou também na bolsa um livro. Não pôde deixar de se admirar com aquilo. Fazia anos desde a última vez que viu um.

–Sabe ler senhorita? –Rumplestiltskin perguntou ao ver o súbito interesse de Belle pelo livro.

Belle sabia ler. Sua mãe fora uma mulher da corte e a havia ensinado antes de morrer. Ela sabia também que mulheres letradas não eram bem vistas naquele reino. As funções da mulher eram cuidar da casa e dos filhos, não ler e se intrometer em negócios dos maridos. Sentiu dúvida se falava ou não a verdade para o Conde.

–Sei ler, senhor. –Ela, por fim e após uns segundos, confessou.

–Ora, uma mulher que sabe ler. Que surpresa! –Ele falou, realmente surpreso com o fato.

Belle ousou olhar para o Conde e viu que ele a estudava de maneira curiosa. Sentiu um pouco de medo que ele pudesse lhe punir por não contar algo com tamanha significância.

–Como aprendeu? –Ele perguntou após alguns momentos.

–Com minha mãe. Ela foi uma dama da corte antes de se casar com o meu pai. Ensinou-me antes de morrer.

–Faz muito tempo que ela morreu?

–Eu ainda era uma criança. Nem sei se ainda consigo decifrar essas letras para formar palavras. Há anos não leio nada.

–Livros são itens raros e difíceis de conseguir. Eu mesmo não tenho tempo para lê-los, mas os tenho pelo valor. Se for de seu agrado e prometer tomar cuidado, leia os que tenho em seu tempo vago.

Belle olhou incrédula para ele. Esperava algum reproche, mas nunca uma permissão para ler os livros. Ela, pela primeira vez desde que chegara ali, começou a se perguntar se o Conde realmente era a Fera, o homem cruel que todos falavam. Qualquer outro a teria punido por seu saber e a expulsado sem pensar duas vezes, mas o Conde não o fez e ela não sabia o porquê.

Continua.

Notas finais
* Na idade Média qualquer pessoa que não fosse nobre era proibida de caçar nas florestas reais. Se fossem pego com algum animal morto, poderiam ser punidos com a morte. Servos também eram proibidos de portar quaisquer armas. Então, pessoal, 31 de dezembro, quase ano novo e eu aqui. Desejo um Feliz ano novo para todos e que 2016 possa ser um ano melhor que esse. Forte abraço, gente!