Notas iniciais
Fala gente, mais um. Espero que gostem.

Rumplestiltskin, após a batalha e conferir que o restante de seu exército estava bem, partiu a cavalo para a casa do moleiro. Mesmo não agradecendo a moça por ter salvo sua vida, sentiu que tinha uma dívida com ela. Belle morava um pouco afastada do castelo e isso fez com que ele demorasse alguns minutos até chegar ao seu destino.

–Conde, que grande honra! Quando minha filha disse que viria, não achei que fosse certo. –O Homem que trabalhava na terra disse fazendo uma reverência quando Rumplestiltskin se aproximou.

–Qual o seu nome, servo?

–Maurice, senhor.

–Gostaria de falar com o senhor e a sua filha.

–Ela não se encontra no momento, mas posso ir procura-la se assim desejar.

–Não. Isso seria uma perda de um tempo que não tenho. Vamos entrar para conversar a sós.

Rumpelstiltskin apeou do cavalo e acompanhou o servo para dentro de seu humilde cabana.

–Sua filha deve ter falado o que fez por mim. –Rumplestiltskin disse.

–Claro, senhor. Ela me contou. –Maurice respondeu, de cabeça abaixada.

–Sua filha se mostrou alguém de confiança. Queria mudar os termos de seu juramento.

Maurice, pela primeira vez desde que o Conde chegara, ousou olhar nos olhos de Rumplestiltskin. Ele estava com medo. Sabia que poderia recusar, se quisesse, mas também sabia os riscos que isso implicaria em sua vida, em sua segurança no feudo. Por mais absurdos que os novos termos fossem, ele sabia que não teria alternativa a não ser aceitar.

–Como quiser, senhor. Sou apenas um humilde servo ao seu serviço. –Maurice falou, desviando o olhar para baixo. Sentia pena de sua filha, não sabia o que o novo acordo acarretaria.

–Gostaria de levar sua filha para trabalhar no castelo. Digamos que a última criada não teve um fim muito bom e preciso de alguém de confiança. –Rumplestiltskin falou ao se lembrar que a última criada o havia traído e passado informações aos seus inimigos. A traidora teve um final terrível ao ser arrastada pelos campos até morrer. Foi um aviso aos outros que pensavam em traí-lo.

–Só trabalhar, senhor?

–Sim. Há algum problema nisso?

–Não, mas é ela quem me ajuda com os afazeres. Temo não conseguir pagar-lhe o combinado se ela não me ajudar a moer os grãos.

–Com isso não se preocupe. Posso reduzir o seu imposto pela metade até arrumar alguém para trabalhar aqui. Peça para Belle aparecer no castelo ainda hoje. Estarei esperando.

Rumplestiltskin saiu sem olhar para trás. Maurice sabia que não haveria jeito de reverter aquela situação. Só esperava que sua filha fosse bem tratada dentro do castelo da Fera.

***

Já era tarde quando Belle chegou ao castelo. Ela havia relutado muito em ir, não sabia o que poderia esperar e o que o Conde faria com ela.

– Senhorita Belle, seja bem vinda ao castelo. –Rumpletiltskin a recepcionou.

Belle estava assustada, mas, por um estranho motivo, não sentiu medo daquele homem que chamavam de Fera. Ele, andando apoiado em sua bengala, parecia bem mais inofensivo do que lhe falavam.

–Senhor, meu pai me disse do novo acordo. –Ela falou, um pouco receosa pelo que ele poderia pedir.

–A senhorita sabe cozinhar?

–Sim.

–Ótimo, você será encarregada dessa área. Sabe fiar lã e algodão?

–Não.

–Isso será um problema, mas acho que poderá aprender rápido e também aprender a técnica da costura. Com tantas batalhas, minhas roupas estão sendo rasgadas. –Ele falou, dando uma risada sinistra no final. –Venha, vou lhe mostrar onde fica a cozinha. Caçamos um veado que precisa ser limpo.

Ele a conduziu até a cozinha onde um enorme veado estava pendurado pelas patas traseiras, na posição de ser estripado e limpo. Belle ficou horrorizada com aquela visão.

–Belo animal, não? Cacei ele tem apenas algumas horas. Ainda deve estar quente. Uma flecha certeira em seu coração. Não deu nem tempo dele berrar. –Rumplestiltskin falou, com entusiasmo.

–E o que eu devo fazer com ele? –Belle perguntou, com certo nojo.

–Já limpou algum animal antes?

–Só algumas galinhas e uns peixes.

–É igual. Deve retirar as tripas e cortar a carne em pedaços. A única diferença é que esse você terá que retirar o couro. Tente não cortar muito, essa pele é ótima para roupas. As facas e machadinhas você encontrará naquela bancada. –Disse, apontando para um velho tronco que continha os objetos para corte sujos com sangue já seco.

Belle sentiu seu estômago revirar com a visão. Será que nunca limpavam os utensílios? Se perguntou há quanto tempo aquela cozinha não passava por uma limpeza.

Rumplestiltskin a deixou só para que pudesse se acomodar e começar o trabalho. Belle agradeceu, mentalmente, por aquilo. Seria vergonhoso que ele visse o nojo que ela estava sentindo.

Vendo-se sem escolha, ela pegou uma das facas e a limpou um pouco com a ajuda de um trapo que umedeceu em uma bacia com água de cor duvidosa. Ela se aproximou do animal sem vida e, com um muito nojo esfiou o objeto cortante na barriga do bicho. Ela não quis afundar muito a lâmina. Sabia que se perfurasse o intestino ou o estômago seria desastroso. Ficaria uma bagunça. Tomou coragem e fez um rasgo desde o inicio de sua barriga até o peito. Não poderia ter pior resultado: Todas as tripas caíram aos seus pés e ela sentiu seu almoço chegar à garganta. Como aquilo era nojento, ela pensou. Recolheu os órgãos comestíveis e descartou o intestino em um balde sujo que achou. Terminou por retirar os miúdos e deixou somente a carcaça limpa. Agora vinha a pior parte: Retirar a pele sem destruir o couro. Ela não sabia por onde começar. Tentou desgrudar a pele da carne com a ajuda de uma faca, mas a única coisa que conseguiu foi destruir um pedaço do couro.

–Não consigo! –Ela disse, apoiando a faca na mesa.

–Sua primeira vez? –Uma voz masculina ecoou atrás dela e a fez virar assustada.

–Senhor, sim, é minha primeira vez. –Ela falou, abaixando o olhar.

–Não precisa abaixar o olhar, não sou o meu pai. Gosto de falar olhando nos olhos das pessoas.

Belle o olhou com curiosidade. Esse devia ser Baelfire, o filho da Fera. Ele tinha uma boa fama. As pessoas diziam que ele era bom e benevolente. O Oposto do Conde.

–Não sei como retirar a pele. –Ela falou, com vergonha.

–É preciso retirar pela cabeça e força. Deixe eu lhe mostrar.

Baelfire desamarrou a carcaça e a colocou esticada sobre a mesa e depois pegou uma machadinha. Belle se perguntava o que ele faria a seguir e, quando viu, desmaiou com o susto. Baelfire havia cortado a cabeça do veado fora.

–Acorde, por favor. Meu pai me mata se eu matar a nova criada. –Ele disse, com graça, ao acudir Bella.

–Me desculpe.

–Não há problemas. Minha primeira vez também me horrorizou, mas você se acostuma. Precisamos dessa carne para nos alimentarmos. Venha, vamos retirar a pele.

Belle o observou. Ele amarrou as patas dianteiras e cortou o couro para separar elas do restante o corpo. Segurou na base do pescoço e, com força, puxou. A pele saiu inteira em suas mãos.

–Prontinho. Agora é só limpar e deixar no sol para secar esse sangue. –Ele falou, entregando a pele para ela.

–Obrigada.

–Acho que o resto você consegue limpar sozinha, não é?

–Consigo.

–Não diga ao meu pai que te ajudei.

Ele se retirou da cozinha e Belle ficou olhando para o corpo do animal sobre a mesa. Teria que utilizar uma machadinha para cortar em pequenos pedaços. Como se isso não bastasse, ainda teria que cozinhar aquilo e torcer para estar do agrado do senhor. Sua vida não seria fácil.

***

Rumplestiltskin foi para a cozinha atraído pelo aroma da carne sendo cozida. Há tempos não sentia um cheiro tão bom assim. Teve que rir ao ver a pobre moça atrapalhada para mexer o enorme caldeirão.

–O cheiro está bom. –Ele falou.

–Senhor, espero que esteja do seu agrado. –Ela disse, abaixando o olhar.

–Vai estar. Qualquer coisa será melhor do que eu tenho comido ultimamente. Vou estar na sala esperando. Quando estiver pronto, me sirva.

Ele se retirou e Belle olhou para o enorme caldeirão que borbulhava fervendo com a carne dentro. Seria difícil sua vida se tivesse que fazer aquilo todo dia.

Depois de pronto, ela distribuiu os pedaços de carne em panelas menores e começou a leva-los para a sala. Rumplestiltskin já estava sentado na cabeceira da enorme mesa retangular. Na outra ponta estava seu filho. Ao seu redor alguns outros homens que ela imaginou serem cavaleiros.

Depois de tudo pronto, ela começou a distribuir os pedaços em pratos e a encher os copos de vinho. Foi cansativo. Levou quase 10 minutos para fazer isso e imaginou que levaria mais 10 horas para conseguir limpar tudo depois e ainda tinha a bagunça da cozinha para ser limpa. Essa não era a vida que ela havia escolhido.

Continua.

Notas finais
E então, o que acharam? Sugestões e críticas sempre serão bem vindas. Forte abraço, pessoal e até o próximo.