Quebra de Acordo
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Belle voltou para o castelo do Conde e tentou fazer suas tarefas rotineiras. Ela tentava se concentrar, mas só poderia pensar no que seu pai estava preparando para ela. Não era certo. Seu pai tivera a chance de casar por amor e ela esperava poder fazer o mesmo. Talvez, se fosse com outra pessoa, ela não estivesse tão chateada, mas não queria se casar com Gaston. Lágrimas silenciosas rolavam de seus olhos. Ela tentou se acalmar. Não podia ficar assim.
— Belle? — A voz de Rumplestiltskin a tira de seus pensamentos.
— Desculpe, senhor, eu já ia levar o seu chá.
— Você está chorando? — Ele pergunta com preocupação ao vê-la tentar limpar as lágrimas.
— É bobagem, senhor. Eu já vou levar seu chá, não se preocupe. — Ela fala com nervosismo tentando recolher as coisas para o chá.
— Para o inferno com o chá! — Diz rudemente enquanto tira as coisas da mão dela. — O que está acontecendo, Belle? Alguém te fez mal? — questiona de modo mais gentil.
Ela começa a chorar mais forte e ele fica sem reação, um pouco desesperado por não saber o que fazer.
— Belle, o que há de errado? Me diz. — Pede levantando o braço que não está segurando sua bengala para ela, mas sem realmente toca-la, parando com a mão no ar.
— É meu pai! — Ela explode enquanto o abraçava.
Rumplestiltskin quase caiu no chão ao ser abraçado daquela forma. Ficou com a mão no ar por uns segundos antes de tomas a coragem para abraça-la. Fazia tanto tempo que ninguém, além de Baelfire, o abraçava. Se sentiu estranho para ele isso, mas ele não teve a coragem para tirar Belle de seus braços e deixou que ela chorasse por um tempo enquanto escondia o rosto em seu peito. Quem quer que tivesse feito mal para ela, ele mataria, decidiu enquanto a acalmava. Ela o havia ajudado em alguns momentos difíceis, salvado sua vida e ele faria o que pudesse para retribuir o favor.
— O que tem seu pai, Belle? — Ele perguntou gentilmente.
— Ele quer que eu case. — Falou fracamente.
Nesse momento Rumplestiltskin a apertou mais forte contra si. Se Belle casasse, ela logo ficaria grávida e não teria mais como trabalhar em seu castelo, teria que servir a casa de seu marido. Ele não gostava da ideia. Ela era uma das poucas pessoas que se mostrara um pouco de confiança e ele não queria deixar ela ir.
— Mas você não quer ser casar? — Perguntou temendo a resposta.
— Não com quem meu pai quer que eu me case. Eu não amo ele.
— O seu pai ainda não veio falar comigo para me informar sobre isso. Antes disso, eu posso decidir o seu destino por você. Há alguém solteiro que você goste, Belle? Eu poderia obrigar essa pessoa a se casar com você e o seu pai não poderia contrariar minha palavra quando eu desse a permissão para o noivado.
Ela, percebendo finalmente que estava abraçada ao seu senhor, se afastou dele. Rumplestiltskin sentiu falta da forma dela em seus braços, mas tentou não mostrar. Ela não deveria ter que ficar abraçada a alguém como ele.
— Senhor, me perdoe. Eu não queria incomoda-lo dessa forma. — Gesticulou para ele e o abraço que compartilharam.
— Bobagem e você ainda não me respondeu. Há alguém que goste, Belle? Você precisa me falar antes que o seu pai venha me comunicar de seu noivado. Depois que ele o fizer, eu não poderei fazer nada para te ajudar. Está no acordo que o homem da casa é quem decide o marido para suas filhas, mas posso obrigar a quem você goste a te propor e vir até mim me informar antes que o seu pai.
— Eu não tenho ninguém, senhor. Também não seria certo obrigar alguém que não gosta de mim se casar comigo.
— E é certo você casar com alguém que não gosta?
— É o certo a se fazer.
— O certo para quem? Para algumas pessoas que pensam em seu próprio benefício? — Perguntou com um pouco de raiva em sua voz. — Nunca é bom, para nenhuma das partes.
Belle o olhou e percebeu que havia uma história por trás daquelas palavras. Algo estava errado com ele, ela podia dizer, mas não tinha o direito de perguntar.
— Eu tenho que fazer o que é o certo, senhor. — Falou com tristeza.
Rumplestiltskin fechou o rosto e voltou a sua rudeza antes de falar.
— Se é assim que deseja, devo desejar então um bom casamento. Estarei esperando por seu pai. Não precisa trazer o chá hoje. — Ele se afastou dela sem dizer mais nenhuma palavra.
Belle, que já estava se sentindo mal, sentiu-se pior. Um soluço escapou dela enquanto lágrimas começavam a rolar de seus olhos. Sem ter o que fazer, ela foi para o seu quarto de onde não saiu para o resto da noite.
***
Pelos dias que se seguiram, Rumplestiltskin evitou ficar perto de Belle. Ele não entendia como ela poderia recusar sua oferta. Ela poderia ter quem quisesse para marido e, mesmo assim, ela preferia aceitar as ordens de seu pai. Talvez ela não fosse tão diferente das demais como ele pensara e se casaria com Gaston porque ela queria e estava apenas se fazendo de coitada para ele. Uma pequena manipuladora, talvez. Ele realmente não poderia confiar em ninguém além de si próprio. Mesmo agora, ele não suportava muito ficar perto dela e a dispensara dos seus serviços diários. Ele queria ficar sozinho, ao menos tentou.
— O que você quer? — Perguntou com raiva ao ver o pai da mulher de seus pensamentos parado a sua frente.
— Perdoe-me incomoda-lo, senhor, mas eu queria falar sobre o novo moleiro, Gaston, e minha filha, Belle. — Maurice explicou.
— Eles têm minha benção se é isso que veio perguntar. Agora saia que tenho coisas a fazer.
— Senhor?
— Veio me comunicar do noivado deles, não é? Está no acordo. Você é quem escolhe com quem suas filhas irão se casar.
— Então eu posso marcar o casamento?
— Tem minha permissão. Agora só arranje um dia com o religioso.
— Muito obrigado, senhor.
Com uma mesura, Maurice se retirou. Rumplestiltskin o esperou sair e soltou um grito por uma raiva que ele não conseguia nomear. Levantando sua bengala, ele quebrou um velho jarro de barro sobre a mesa.
***
— Você deveria estar feliz, Belle. Gaston é bonito, pelo menos. — Ruby tentou acalmar a amiga que tinha parado somente há pouco de chorar.
— Mas ele não é quem eu quero para mim, Ruby. Por que tem que ser assim?
— Sempre foi assim.
— Não é assim com você.
— Isso até o Conde decidir arrumar um par para mim. Vovó nunca faria isso, mas ela insiste que eu devo me casar. Na falta dela, se o conde não me arrumar alguém como par, ele vai me correr daqui.
— Eu não acho que ele faria isso com você, Ruby. Ele não é tão ruim assim.
— Ele é, Belle. Não tente se enganar. Ainda vai chegar o tempo que ele mesmo vai te usar.
— Ele não vai. Eu confio nele. Mais agora do que antes. — Comentou ao se recordar da proposta dele.
— Acho que é a única.
Belle soltou um suspiro cansado por ter essa conversa, mas desistiu de tentar contrariar sua amiga.
— E o seu corte? —Apontou para o braço da amiga.
Ruby aproximou-se de Belle e mostrou como o corte estava melhor.
— Como você sabia que aquilo iria me ajudar? — Perguntou em um sussurro.
— Foi algo que já usei uma vez. Você já se livrou daqueles bichos?
— Você sabe que eu não posso.
— Não, você não quer. É diferente.
— Também. Eles são minha saída daqui, Belle.
— Eles ainda serão sua morte.
— Belle, Belle! — Maurice, que a avistou, correu até onde as moças estavam. — Acabei de falar com o Conde e ele concordou com o seu noivado com Gaston. — Disse alegremente. — Vou dar as boas novas para ele e passar na Igreja para ver uma data. Passe pela casa mais tarde.
Belle segurou suas lágrimas até que seu pai se afastasse. Ruby a segurou enquanto chorava. Agora ela já não seria mais dona de seu destino, mas sim uma propriedade de um homem superficial. Ela sentiu como se a sua vida acabasse.
Continua.
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