Quebra de Acordo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alguns contratos de vassalagens aqui descritos, realmente existiram, mas, quando fizer uso deles, darei uma explicação nas notas finais.
Será Rumbelle porque, até hoje, achei poucas fics em português desse dois personagens maravilhosos. É só. Espero que curtam.
Forte abraço, gente!
Era uma vez, há muito tempo atrás, na França medieval, um grande feudo comandado por um terrível homem a quem todos temiam. Seu nome? Rumplestiltskin. Ele era o Conde mais temido e o mais cruel da região, mesmo o rei não ousava se intrometer em suas decisões. Seus vassalos o conheciam como Fera.
Era apenas mais um dia comum na vida de Rumplestiltskim. Ele andava a cavalo por suas extensas terras, se certificando de que seus vassalos cumprissem com os combinados e que o respeitassem. Ele, além de cruel, era justo. Sempre cumpria com seus tratos. Ele dava proteção aos seus servos e eles lhe serviam. Era esse o trato. Havia outras obrigações inclusas nos contratos, mas isso dependia de servo para servo.
-Jefferson, vejo que sua plantação não vai bem. Sabe bem o que acontece se não me pagar no fim do prazo, não sabe? –Rumplestiltskin o advertiu, ao olhar para a plantação do pobre homem e ver que a grande parte havia murchado.
-Conde, perdoe esse seu humilde servo. Sabe que minha esposa morreu há pouco e que tenho uma filha para sustentar. Esse mês a safra não foi boa, talvez se o senhor esperar...
-Cale-se! Sabia as minhas exigências quando fez o juramento. Eu lhes ofereço proteção para que trabalhem. Tem até o prazo para cumprir com o acordo. Espero que não consiga. Estou louco para livrar a minha terra de ratos como você.
Rumplestiltskin não deu mais chance de Jefferson se explicar e, esporeando o seu cavalo, o fez correr para longe dali. Ele gostava dessa sensação de poder, de ser superior e infligir medo aos outros. Ele sabia bem que deveria ser temido para ser respeitado. A compaixão pelo próximo nunca fora o seu forte. Não era uma opção em um local repleto de guerras em que vencia o mais forte. Amor era uma fraqueza da qual ele estava imune.
-Pai! –Baelfire, um jovem rapaz de 22 anos e filho de Rumplestiltskin, chegou galopando.
-O que houve, Bae? Algum problema?
-Normandos. Eles estão chegando pelo lado sul. Estão em grande número. Vieram em dois navios.
-Malditos normandos! Reúna o exército e leve os servos para a proteção do castelo. Tenho uma batalha pra vencer.
Baelfiere se afastou tão rapidamente que, em poucos minutos, já estava fazendo o que foi pedido. Rumplestiltskin correu para o castelo e vestiu sua armadura. Não era refinada como deveria ser, era formada apenas por um peitoral, luvas e o elmo. Era tudo o que ele precisava. Uma armadura leve e que lhe permitisse mobilidade e uma espada afiada. Subiu em seu cavalo e foi pronto para a batalha.
Chegou no momento em que os normandos desembarcavam. Viu um velho conhecido seu que só o fez sentir mais raiva: Killian. Esse pirata, há muito tempo, era o obstáculo em sua vida. Eles eram inimigos declarados. Nenhum, porém, havia conseguido vencer o outro definitivamente. Na maioria das vezes, Rumplestiltskin vencia e Killian partia em retirada para reorganizar o seu exército e voltar.
Na última batalha o Conde havia levado a melhor e decepado a mão do pirata. Achou que ele desistiria depois dessa derrota. Triste engano. Ele havia voltado e, no lugar de sua mão, agora havia um gancho.
-Achei que fosse desistir depois da última vez. Quer perder a outra mão? –Rumpletiltskin perguntou.
-Só desistirei quando o meu coração parar de bater, crocodilo. –Ele respondeu, com deboche.
Crocodilo, infeliz apelido que o pirata lhe dera. Por ser um homem odiado, Rumplestiltiskin andava sempre com um colete de pele de crocodilo. Aquilo poderia não ser uma armadura, mas lhe havia salvado a vida várias vezes de ataques que sofrera. A pele dura do réptil era resistente e impedia que forcados e outras ferramentas pontiagudas perfurassem sua pele.
Baelfire chegou com o exército e a luta começou. Apesar de ser uma confusão total, havia uma regra entre os piratas: Só Killian podia lutar contra o Conde.
Rumplestiltskin, apesar de ser mais velho que Killian, era habilidoso em lutar. Sem apear de seu cavalo avançou em direção ao pirata que se esquivou do golpe.
Killian não era bobo, sabia que se quisesse vencer o Conde teria que o fazer descer do animal. No chão ele não seria tão rápido por ter a perna prejudicada. O pirata não sabia quem havia ferido o Conde, mas sentia inveja da pessoa. Ele queria fazer aquilo, mas ainda havia uma perna boa e que ele poderia prejudicar, não? Com esse pensamento, ele correu para a mata. Isso atrapalharia o cavalo.
-Covarde! Não fuja! –Rumplestiltskin gritou.
-Você se diz o herói, o nobre. Desça daí e venha me pegar. –Killian disse, entre os arbustos.
Rumplestiltskin não viu outra saída a não ser apear de seu cavalo e avançar. Sabia que assim estaria em desvantagem, mas precisava eliminar aquele pirata de uma vez por todas. Ele avançou em Killian e uma luta de espadas começou. Killian era ágil, mas não tinha tanta técnica. Rumple, num golpe mais habilidoso o desarmou e o jogou no chão, mas o pirata lhe lançou terra nos olhos e ele ficou, momentaneamente cego. Isso deu o tempo para Killian recuperar sua arma.
Killian sempre ansiou por aquele momento, queria matar o Crocodilo e essa era sua melhor chance. Ele se preparou para dar um golpe certeiro, pelas costas, mas uma mulher gritou e avisou o Conde que, mesmo com a cegueira, fez um movimento rápido e acabou cortando um pouco o braço do pirata.
-Vai pagar por isso, dona. Assim que eu terminar com ele. –Killian gritou.
Ele estava prestes a terminar seu serviço, mas um de seus marujos apareceu correndo, sendo perseguido por Baelfire. Era oficial: Mais uma vez teriam que bater em retirada. O Crocodilo havia ganhado mais uma batalha.
-Ainda vou te ver de novo. –Killian gritou enquanto corria.
-Você está bem, pai? –Baelfire correu e socorreu Rumplestiltiskin.
-Estou, Bae. Só um golpe baixo de um pirata sem princípios.
Baelfire ajudou seu pai a tirar a terra dos olhos com um pouco de água do seu cantil. Mesmo com os olhos irritados, Rumplestiltskin já conseguia enxergar.
-Qual a contagem, filho?
-6 mortos e 5 feridos, mas os piratas tiveram a pior. Matamos mais de dez e ferimos alguns que conseguiram fugir.
-Algum prisioneiro?
-Não.
-Bom. Vá ajudar os outros que eu preciso resolver uma coisa.
Baelfire foi ajudar aos feridos e Rumplestiltskin foi procurar pela voz que lhe salvara a vida. Estava curioso para saber quem era a mulher. Subiu em seu cavalo e começou a andar pela região. Achou uma mulher que tomava água no rio. Lembrava-se vagamente dela. Era filha do homem que cuidava do moinho. Só poderia ser ela.
-Senhorita. –Ele a chamou.
A pobre moça se assustou e abaixou a cabeça, em sinal de reverência.
-Senhor Conde, em que posso servi-lo?
-Por que me salvou? Eu sou o mais odiado daqui e sei que a maior parte de vocês me mataria se tivesse a chance. –Ele perguntou, ao reconhecer a voz que o salvara.
-Eu não faço parte da maioria. –Ela respondeu, sem ousar olhá-lo nos olhos.
-É a filha do moleiro?
-Sou.
-Qual o seu nome?
-Belle, senhor.
-Ótimo, Belle. Diga ao seu pai que depois passarei para falar com ele.
Sem olhar para a moça, Rumplestiltskin foi embora. Ele se sentia agradecido, era verdade, mas também era orgulhoso e até medroso demais para demostrar gratidão. Gratidão era e sempre seria uma fraqueza. Ele não poderia ser um homem fraco.
Continua.
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