Que você ficasse.
1 Capitulo Unico!
Notas iniciais
2hs…
Segunda…
Quarto…
Só…
Acordei em sobressalto hoje. Na verdade eu dormi pouco. Tentei de todas as formas não pensar em você. Lembra da garrafa de vinho que você trouxe pra ocasião especial do mês passado, cujo a qual não aconteceu.? Então, no momento a garrafa está sobre a cama. Vazia… ela está vazia. Meu copo… Vazio. Eu… também.
Pensei em tudo que aconteceu entre nós. O engraçado é que a gente grudou feito cola em cerca de minutos. Nunca havia feito isso com ninguém. Sem fui aquela eximia pessoa que respeita os outros e naquela noite não houve respeito de nenhuma das partes. Mesmo que eu só fosse descobrir isso um bom tempo depois. Tempo… meu pior inimigo. Ele sabe disso e zomba de mim todas as noites.
3hs…
Segunda…
Banheiro…
Vomito…
Minha tentativa foi me envolver e eu consegui. Você estava só naquela noite e eu estava a meses só. O tempo novamente brincou comigo. Me fez recorrer aos seus braços. Na época por desejo. Hoje por carência. Se tornou uma obsessão. Beirando a loucura. Acordo pensando e durmo pensando e sonho pensando. Você!… Sempre você. Hoje as coisas não são mais tão banais como naquele primeiro dia. Hoje eu comento os erros sabendo que são erros, mas o que eu posso fazer, me libertar? Não, eu agradeço. Sei que se me libertar, você também ganha liberdade e ai… Prefiro nem pensar.
Me sinto em uma prisão, mas eu gosto. Uma rede de seda bordada com todos os nossos segredos. Somos bons em mantê-los. Eu aprendi bem e aprendi rápido. Você sabe que segredos nunca foi o meu forte. Lembra da festa de natal? Eu, com certeza, lembro bem, lembro de cada segundo. Banheiros tem um lugar especial guardado em nossos momentos. A música que tocava eu ainda me recordo. A ouço bastante. Por vezes coloco pra repetir e adormeço a ouvindo toda a noite e ela me lembra você. O vinho também me lembra. Ele me faz companhia todas as noites. Seu lugar… ele aquece.
4hs…
Segunda…
Cozinha…
Chocolate…
Sorvete também me faz pensar em você. Aquela noite sobre o balcão, sorvete sobre meu corpo… língua… beijos… desejo… calor… sexo. Hoje ele está no pote, ao lado de outra garrafa de vinho. Essa veio na primeira vez. Eu guardei. Foi a primeira vez que não aconteceu. Muitas vieram depois. Elas me fazem beber quando você não está. É um coral de convite cantando sob minha mesa a musica mais sedutora do mundo e eu bebo. Me fazem querer te ligar, mas eu não ligo. Eu nunca ligo. Sei que isso lhe agrada. Já pensou em ligar quando toma umas? Você não tem culhões.
Culhões… Nunca foi o seu forte. Me lembro da primeira vez em que prometeu voltar. Sua desculpa no dia seguinte? Coragem! Grande erro o meu não perceber ali a falta de culhões. Eu também não tenho. Afinal nunca questionei, nunca fui atrás, eu aceitei. “Fui incrível”— como você sempre diz quando fala sobre mim. Certeza que está é outra qualidade minha que mais gostas. A falta de culhões. Bom ela lhe é conveniente, eu admito!
5hs…
Segunda…
Corredor…
Joelhos…
Sei que invadi seu espaço primeiro. Eu forcei. Reconheço sempre que diz isso, mas odeio quando finges que não teve culpa nisso tudo. Sabemos que apenas uma pessoa não é a culpada e essa pessoa não é nenhum de nós. Deixa estar. Afinal, eu cheguei interrompendo. Não consigo controlar. Existe algo em mim que está sempre a beira de te beijar. Deve ser por culpa desses lábios… esse corpo… os olhos… a nuca… sua mente, talvez. Eu simplesmente não controlo. Quando vejo, estou sobre você e sabemos que gostas. Afinal nunca ouvi nada ao contrário, nenhuma fala em negação. Não de você. Já ouvi de mim, mas pra que dá ouvidos a sua própria mente?
Estou me arrastando para o quarto agora e sinto como se isso fosse uma metáfora de tudo que temos. Você aparece… Eu existo… Você some… Eu me arrasto… Você aparece… Eu existo… Você some.. Eu me arrasto… Você aparece… Eu existo… É um ciclo. Sabemos disso. Coexistimos dentro dele. Gostamos dele até. Ou melhor, você gosta dele.
5hs…
Segunda…
Armário…
Cheiro…
Estou sobre suas roupas. São muitas! Não me lembro de acumular tantas. Todas tem o seu cheiro. Me pergunto se seu coração, como as portas do armário, está aberto. Se sim, que horas ele fecha? Eu estou dentro… Estou fora… Onde eu estou? É como se eu não pudesse ser eu ate ter te por perto. É confuso, não é? Em noites como essa suas roupas são meu conforto e hoje elas serão mais do que isso. Elas serão meu alicerce.
Vi vocês! Juntos! Mão dadas! Sorridentes! Por isso estou aqui. Sabemos que amanhã você volta. Mas sabemos que eu sempre espero que você fique. “Tente entender, eu tenho uma família”, Você sempre diz… Eu sempre entendo… Eu choro… Eu calo… Eu me arrasto… Você volta… Eu existo.
6hs…
Segunda…
Banheiro…
Banho…
Em 1 hora estaremos juntos. Contei os minutos. Você provavelmente não. Mas me diga se o que sinto por você é recíproco? Você existe quando está comigo? Eu sou o que precisas para viver bem. Se não, porque volta? Eu sei que não podaremos falar disse hoje. Afinal as noites foram feitas principalmente para dizer as coisas que não se pode dizer durante o dia. Ouço você buzinando lá fora. Sei que você está só. Sei que sua mão não está dada a ninguém. Sei também que a outra mão sabe que a sua será minha hoje. Ela também se arrasta. No momento ela não existe. Ela sabe disso. Hoje você é minha mão dada.
7hs…
Segunda…
Carro…
Mão dadas…
Beijo…
Eu existo!
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