Notas iniciais
Finalmente, né!? Hehe. Boa leitura, gente.

Janeiro/2014

Havia passado uma semana desde o casamento de Pablo e German não conseguia tirar Angeles de sua cabeça. O fato é que, desde que a conheceu, ele nunca conseguira tirá-la de sua cabeça. Mesmo durante o tempo que ela ficara fora do país, German pensara em Angeles todos os dias. Chegou a ligar para ela, uma ou duas vezes, apenas para escutar sua voz. O simples fato de escutar a voz de Angeles trazia paz para o seu coração.

Eram 20h de um sábado de Janeiro quando German sentou-se no sofá para relaxar após a semana tumultuada que passara. Assim que ele apoiou a nuca no encosto do sofá, escutou a campainha de seu apartamento e olhou para a porta. Franziu o cenho e levantou-se. Caminhou relutante até a porta e abriu-a. Deparou-se com aqueles olhos verdes que o confortavam e suspirou tranquilamente.

– Oi – Angeles falou com segurança e German acenou com a cabeça – Podemos conversar?

– Entre – Ele abriu um espaço e ela passou por ele. Angeles virou-se, enquanto ele fechava a porta, e observou-o. German virou-se, cruzou os braços e encarou-a – Sobre o que quer conversar? – Ele perguntou calmamente, embora sua postura demonstrasse que ele estava na defensiva.

– Eu quero falar sobre a Violetta – German esperava que ela quisesse falar sobre eles. Mas por que ele esperava isto? Ele sempre evitara conversar sobre o que eles tinham. German respirou fundo e permaneceu quieto – Eu conversei com ela nesta semana e ela me disse que sente sua falta – Angeles falava cautelosamente. German desviou o olhar – Ela não entende o porquê de você ter se afastado – German pressionou os dentes – Eu também não entendo – Angeles murmurou e German fixou os olhos nela.

– Mais uma vez você quer se meter na minha vida, Angeles? – Ele murmurou.

– Não é isto. Eu só não quero que você machuque a Violetta como... – Ela parou de falar ao se dar conta do que ia dizer.

– Como o quê? – Ele suspirou – Como eu te machuquei? – Angeles engoliu em seco. German desviou o olhar e disse baixo: – São coisas diferentes. Eu jamais machucaria a Violetta. Você sabe disto.

– Então, por que se afastou dela? – German descruzou os braços e apoiou as mãos no quadril.

– Eu não me afastei apenas dela, me afastei de todos – Ele olhou-a brevemente – Eu só quero...

– ...ficar sozinho – Angeles interrompeu-o e German olhou-a – Eu sei muito bem disto, German. E eu consigo entendê-lo e respeitá-lo por isto, mas a Violetta é uma criança e, além disto, enxerga você como um pai – Angeles deu de ombros – Como você espera que ela entenda a sua vontade de ficar sozinho?

German olhou para o chão e apoiou-se no encosto do sofá.

– Eu não espero que ela entenda – Ele murmurou olhando vagamente para o chão – Eu me afastei sem querer – Ele olhou-a – Eu nunca quis magoá-la.

– Eu sei que não – Angeles disse baixo e apoiou-se no encosto do sofá, ao lado dele – Só que às vezes você faz as coisas sem se dar conta de que machuca as pessoas – German assentiu e olhou para o chão.

– Finalmente, você percebeu – Angeles franziu o cenho.

– O quê? – German olhou-a seriamente.

– Que eu machuco as pessoas.

– E-Eu não quis dizer isto – Angeles disse baixo e German soltou um risinho anasalado.

– Não tem problema você dizer isto – Ele desviou o olhar – Na verdade, teria sido melhor se você tivesse se dado conta disto desde o início.

Angeles fechou os olhos.

– German, eu não me dei conta de nada – Ela o olhou – Eu sempre soube como você é – Ele encarou-a.

– Então, por que insistiu tanto em nós?

– Porque eu sempre soube que na maioria das vezes que você machuca alguém, não é porque você realmente quer fazê-lo – Angeles suspirou – Você é assim com as pessoas, porque tenta esconder o que você tem aí dentro – German respirou fundo – O seu jeito de ser não diz nada sobre o que você realmente é, German.

– Como você acha que eu sou? – Ele perguntou baixo.

– Você... É atencioso e preocupado com as pessoas que te importam – Ela começou calmamente – É autocrítico demais, se culpa por coisas que não precisa se culpar e, no fundo, se sente incomodado ao tratar alguém mal. É orgulhoso e não aceita ajuda, acha que pode carregar o mundo nas costas. Você é autoritário e gosta que as coisas sejam do seu jeito. É cuidadoso com quem ama – Angeles fez uma pausa e sorriu sem mostrar os dentes – Às vezes, consegue ser carinhoso – Ela engoliu em seco e ficou séria – É protetor, até demais – Angeles respirou fundo e murmuou: – Você tem um bom coração, German.

German olhava fixamente para aqueles olhos, os quais só mostravam a sinceridade das palavras de Angeles. Ele ficou quieto por um tempo, apenas pensando em como, depois de tanto fazê-la sofrer, Angeles conseguia enxergar coisas boas nele. “Por que você tem que ser tão maravilhosa?”, pensou e repreendeu-se em seguida. Ele caiu em si e desviou o olhar.

– Se me enxerga desse jeito, por que desistiu de mim? – Olhou-a. Angeles entreabriu a boca e olhou para o chão.

– Quem disse isto?

– No casamento parecia que não queria ficar perto de mim. Eu tentei beijá-la e você me rejeitou – Angeles olhou-o.

– As coisas mudaram, German – Ela sussurrou.

– Então, você realmente desistiu de mim? – Angeles abaixou a cabeça e arfou. German colocou a mão esquerda no queixo dela e fê-la fitá-lo – Responde – Sussurrou e afastou a mão do rosto dela.

Angeles engoliu em seco.

– O fato de ter superado o que nós tivemos não quer dizer que eu desisti de você. Depois de tudo, eu ainda nutro um carinho por você.

A forma como ela falou, sobre o carinho, incomodou-o. Ele não sabia o porquê, mas aquilo mexeu com ele.

– Carinho?

– Sim.

– Apenas carinho? – Ele sussurrou.

Ela abaixou a cabeça, fechou os olhos e balançou-a. Mordeu o lábio inferior e olhou-o.

– Eu teria te amado a vida inteira, se você tivesse permitido.

O coração de German veio à boca só pela ideia de ter perdido Angeles para sempre. Ele não podia ter certeza, mas a forma como ela falava, parecia tão decidida.

– Isto quer dizer que... – Sua voz saiu um pouco falhada – Não sente mais nada por mim?

– Sinto carinho.

– Você sabe do que eu estou falando, Angeles – German murmurou seriamente e Angeles abaixou a cabeça – Olha nos meus olhos e diga que não me ama mais.

– Eu já falei o que tinha pra falar – Endireitou-se – Eu preciso ir – Tentou caminhar até a porta, mas German segurou seu braço, fazendo-a virar-se para olhá-lo. Ele segurou o outro braço dela e a manteve bem próxima de si. Angeles evitou encará-lo.

– Eu preciso saber, Angeles – Ele sussurrou e colocou a mão direita no rosto dela. Acariciou-a suavemente.

Angeles ergueu a cabeça e fitou os olhos dele profundamente. Embora aquilo doesse, ela tinha que dizer. Reuniu todo o cinismo e a frieza que conseguiu e murmurou:

– Eu não te amo mais.

German entreabriu a boca, respirou angustiadamente e deu um passo para trás, tirando as mãos de Angeles.

– Então... – Ele começou, com a voz baixa e fraca, e desviou o olhar – É melhor ficarmos longe um do outro.

– Você acha que é o melhor para nós dois? – German olhou-a e assentiu. Angeles suspirou – Tudo bem – Ela olhou para o chão – Espero que seja feliz – Olhou-o e virou-se.

– Espera – Angeles parou e virou-se para ele – Eu posso pedir uma coisa? – Ela assentiu. German aproximou-se e segurou, delicadamente, o rosto dela. Sussurrou: – Me dá um beijo?

– Não, German – Ela disse fracamente e ele acariciou-a. Os olhos dele suplicavam.

– Eu posso acreditar que você não me ame mais, mas eu duvido que você não sinta saudade do meu beijo.

– German...

– Por favor – Angeles fechou os olhos.

– Eu não posso – Ela sussurrou.

– Por quê? – Angeles olhou-o, retirou as mãos dele de seu rosto tranquilamente e deu um passo para trás.

– Porque agora eu tenho alguém que me ama e me trata como eu mereço – O coração de German se dilacerou – Eu quero fazer isto dar certo e eu não vou permitir que você atrapalhe – Angeles olhou para o chão rapidamente e voltou a olhá-lo – Até mais, German – Virou-se e partiu.

German fechou os olhos e fincou os dedos no cabelo. “Eu não posso perdê-la”, pensou. “Ela nunca foi sua, imbecil”, uma segunda voz interveio, “você rejeitou-a desde o início, aguente as consequências”. Ele ficou nervoso por conta daquela discussão interna entre seu consciente e seu subconsciente e lançou um chute no sofá. Em seguida, parou, respirou fundo e sentou-se no sofá. Apoiou a cabeça no encosto e ficou olhando para o teto.

**

– Quem é? – A pessoa do outro lado da porta perguntou.

– Sou eu, Angie – Um rapaz de cabelos pretos e estatura mediana abriu a porta e franziu o cenho.

– Ei – Angeles abraçou-o. Ela chorara após sair do apartamento de German, por isto, seus olhos estavam vermelhos e um pouco molhados ainda – O que foi? – Ele correspondeu ao abraço.

– Você é a única pessoa capaz de me deixar bem agora, Diego – Ela murmurou e apertou o abraço.

– O senhor Castillo, não é? – Angeles suspirou e olhou-o.

– Sempre ele.

Diego assentiu e suspirou.

– Vem. Entra. Vamos conversar.

Angeles entrou e dirigiu-se à primeira porta à esquerda, onde ficava a sala. Sentou-se de lado no sofá e encostou a cabeça no encosto. Diego sentou-se também e pegou a mão dela.

– O que foi?

Ela respirou fundo.

– Eu fui à casa dele para falar sobre a Violetta – Diego arqueou uma sobrancelha – Eu sei o que você pensa sobre eu me meter na relação dos dois, mas eu não podia deixar que ele a magoasse.

– Tudo bem, Angie. O que ele fez que te deixou mal? – Ela encolheu os ombros.

– Nós estávamos conversando tranquilamente, até ele mudar o rumo da conversa para nós dois.

– Ele fez isto? – Diego perguntou, de certa forma, surpreso e Angeles assentiu.

– Ele disse que eu finalmente percebi que ele machuca as pessoas, falou que eu desisti dele – Os olhos dela lacrimejaram e ela os fechou – Me pediu para olhar nos olhos dele e dizer que não o amo mais.

– E o que você fez? – Diego perguntou calmamente e Angeles olhou-o.

– Eu fiz o que ele pediu – Angeles balbuciou. Diego colocou a mão no rosto dela e acarinhou-a.

– Como ele ficou?

– Parece ter ficado abalado, mas eu nunca sei o que realmente se passa dentro do German – Ela desviou o olhar e o rapaz suspirou.

– Angie, – Chamou-a e ela encarou-o – você tem certeza que ele não sente nada por você? Tem certeza que não vale a pena lutar por esse amor?

Angeles negou com a cabeça.

– Eu sei que ele sente alguma coisa, mas o que quer que seja, não vai fazê-lo mudar. Eu não estou mais disposta a sofrer por ele. Eu preciso esquecê-lo – Angeles suspirou e desviou o olhar – Eu não sinto raiva dele, Diego. Eu queria que ele fosse feliz. Mas isto não está nos planos dele.

– E se você for a felicidade dele? – Angeles olhou-o.

– Mesmo que ele me ame, ele jamais aceitará isto – Ela balançou a cabeça – O German é uma pessoa difícil, Diego. Ele reprime demais as coisas que sente. Ele mesmo se sufoca. Só que para ele isto é o melhor a se fazer – Ela encolheu os ombros – Eu não posso fazer mais nada.

– Não pode, mas tenta! – Diego afirmou tranquilamente – Olha... Eu sei que você não quer que ele magoe a Violetta, mas é que, se você quer esquecê-lo, tem que estar disposta a se afastar de todas as formas.

– Está dizendo que eu tenho que me afastar de tudo o que está relacionado a ele? Quer dizer, me afastar de Matias, dona Margô, Violetta?

– Não – Diego falou calmamente – Claro que não. O que eu quero dizer é que, mesmo que você se preocupe com ele ou com o que ele faz com as pessoas, não é você que deve intervir.

– É que... – Angeles desviou o olhar – Dói ver a forma como ele quer que a vida dele siga. Dói vê-lo sofrer.

Diego beijou a mão dela carinhosamente.

– É difícil, eu sei. Mas você tem que ser forte. Se você se afastar, talvez as coisas fiquem melhores. Lembra quando visitamos a França, Espanha e, depois, a Itália? – Diego sorriu – Estávamos muito bem, não é? – Ele fez uma careta – Ou a senhorita estava fingindo que estava tudo bem? – Angeles sorriu.

– Eu estava realmente bem, bobo – Ele sorriu de novo.

– Pois então – Diego ficou sério – No casamento do Pablo, você ficou mexida por tê-lo visto, mas é porque foi o primeiro contato de vocês depois de muito tempo – Diego suspirou e continuou tranquilamente – Você não deveria ter ido ao apartamento dele, Angie. Você tem que deixar as coisas acontecerem naturalmente e aí você vai vê-lo quando for necessário, apenas – Angeles abaixou a cabeça – Angie, lembra do nosso pacto? – Angeles olhou-o – Eu lembro que eu disse que queria esquecer a Francesca e você me disse que o que mais queria na vida era esquecer o senhor Castillo. Lembra? – Angeles assentiu. Diego suspirou e murmurou: – Você realmente quer esquecê-lo?

– Sim – Respondeu com a voz falhada.

– Então, confia em mim, meu anjo. Nós vamos ajudar um ao outro e seremos felizes – Diego sorriu e Angeles abraçou-o.

– Acho que você é o cara mais maravilhoso com quem eu já fiquei, sabia?

– Eu sei – Angeles soltou uma risada.

– Convencido.

Diego sorriu e afastou-se.

– Vamos assistir um filme?

– Só se você deixar eu escolher hoje?

Diego bufou.

– Tá tá, tudo bem.

**

Uma semana depois...

– Você! – German afirmou desdenhosamente assim que abriu a porta de seu apartamento.

– Boa noite, German. Posso entrar?

German abriu um espaço.

– Parece que eu serei atormentado pela família Saramego até o fim da minha vida, não é mesmo, Enrique?

O senhor sorriu e entrou no apartamento.

– Provavelmente, apenas por mim – Enrique disse enquanto German fechava a porta – Afinal, você fez o favor de perder a minha sobrinha.

German bufou e ficou sério. Caminhou até o bar no canto da sala e preparou um whisky.

– Eu não perdi a sua sobrinha – Ele murmurou – Eu nunca a tive.

– É melhor se convencer disto do que aceitar que só dependia de você para ficarem juntos, não é? – German respirou profundamente.

– Se veio para falar sobre ela, pode ir embora – Ele disse rispidamente – Eu não quero falar sobre Angeles.

– Tudo bem – Enrique murmurou – Eu vou. Mas antes... – Ele caminhou até o bar e retirou o copo de whisky com gelo da mão de German – Você me preparou um whisky, rapaz, eu não posso recusar um whisky – Enrique falou descontraidamente e caminhou até o sofá.

Sentou e cruzou a perna tranquilamente. German arqueou uma sobrancelha, balançou a cabeça e sentou-se na poltrona ao lado do sofá.

– Você é um cara de pau, Enrique.

German murmurou amistosamente.

– Eu sei – Enrique suspirou – E como foi o casamento do Pablo? – German encolheu os ombros.

– Foi normal. Pablo estava feliz. Jackeline também parecia estar feliz. Estavam todos felizes – German falou monotonamente.

– Exceto você!? – German suspirou – E Angie – Enrique completou.

– Ela parecia bem feliz – German murmurou.

– Talvez ela estivesse feliz pelo casal, mas por ela mesma...

German bufou e desviou o olhar.

– Ela parecia animada dançando com o novo namorado dela – German tentou dizer com o máximo de indiferença possível.

– Ela deve ter se animado depois de ter passado um tempo com você – Enrique sorriu e German olhou-o – Fiquei sabendo que os dois sumiram por um bom tempo e voltaram juntos depois – German respirou fundo – O que aconteceu?

– Não interessa.

– Mas é claro que interessa – Enrique suspirou – German... Por favor... Você sabe que eu sou a pessoa que mais torce para que vocês fiquem juntos.

– Nós não vamos ficar juntos – Ele disse baixo – Ela parece bem agora, com aquele rapaz...

– Diego.

– Sim – German encolheu os ombros – Parece que ele vai conseguir fazê-la feliz. Eu não vou atrapalhar isto, Enrique.

Enrique bufou e pensou por um momento.

– O que você sabe sobre Diego? – Enrique perguntou.

– Ele trabalhou no escritório por um tempo. Saiu um pouco depois dela ir embora. Todo mundo gostava dele. Parece ser um bom rapaz – German falava baixo e olhava vagamente para o chão – Acho que ele será capaz de cuidar muito bem da sua sobrinha, Enrique.

– Ninguém nunca vai cuidar tão bem dela quanto você, German – Enrique disse seriamente e German olhou-o – Ela só vai ficar feliz ao seu lado.

– Não é verdade – German murmurou – Angeles já superou o que passou comigo e, se não superou, vai superar em breve – Enrique bufou e olhou ao redor.

– Ok. Então... Suponhamos que ela realmente tenha superado e não te ame mais – Enrique fitou German – E você? O que acontece com você? – German pressionou os dentes.

– Sigo minha vida, como tenho seguido desde sempre.

– É diferente agora.

– O que faz ser diferente agora?

– Você a ama, German – German desviou o olhar – Por mais que tente negar, você a ama e não vai conseguir seguir adiante como tem seguido desde sempre.

– Você também pegou essa mania chata de dizer que eu sinto coisas que eu não sinto? – German olhou-o – Por favor, Enrique... Não suponha coisas sobre a minha vida, assim você mantém a simpatia que eu tenho por você – Enrique soltou um riso anasalado.

– Ora, German...

– Chega de falar sobre ela – German murmurou seriamente.

– Tudo bem, mas seja sincero, por favor... Vai me dizer que, em nenhum momento, durante este ano, você se pegou pensando nela? Não sentiu nem um pingo de saudade da Angie? – German desviou o olhar – Tem certeza que ela não mexe nem um pouco com você? – German bufou, levantou-se, virou-se e deu alguns passos. Repousou a mão direita no quadril e a mão esquerda esfregou nervosamente pela testa.

– Mas que merda, Enrique – Falou duramente e virou-se – Eu tenho certeza absoluta que ela não mexe comigo – Ele gesticulou – Eu não me peguei pensando nela e nem senti saudade dela. Vê se para de me encher o saco com isto – Ele falava rispidamente – Eu não aguento mais todo mundo querendo se intrometer na minha vida.

– Está bem, German – Enrique disse calmamente e levantou-se – Acalme-se. Está tudo bem.

– Não está tudo bem – German disse alto. Enrique arqueou uma sobrancelha e ficou olhando-o. German passou as mãos pelo cabelo e virou-se.

– Por quê? – German olhou para o chão – Por que não está tudo bem, German?

– Por nada – Ele murmurou e respirou fundo – Eu quero ficar sozinho, Enrique – Virou-se e encarou Enrique – Por favor.

– Por que é tão difícil aceitar?

German demorou um pouco para falar. Ele olhou para o chão e balançou a cabeça, em seguida encarou Enrique.

– Eu cheguei ao meu limite, Enrique – German murmurou seriamente – Estou cansado de todo mundo se intrometendo na minha história com Angeles – Ele respirou fundo – O que aconteceu entre nós é só nosso e ninguém, além de nós dois, tem o direito de ficar remexendo nisto.

Enrique assentiu. Aproximou-se de German e apertou o ombro dele.

– Desculpa, German, mas é que eu quero ver os dois felizes.

– Angeles está tentando ser feliz com outro homem – German suspirou – Não vamos atrapalhar, Enrique.

O senhor assentiu resignado.

– Tem razão. Se ficarmos insistindo, ela não vai seguir em frente. Mas... – Enrique desviou o olhar – Eu ainda acho que vocês podiam ser felizes juntos.

– Eu nunca seria capaz de fazê-la feliz – Enrique olhou-o.

– German...

– Chega, Enrique, por favor – German murmurou com certa dor na voz.

– Tudo bem. Eu vou indo. Até mais, German.

– Até...

Enrique caminhou até a porta e partiu. German ficou olhando fixamente para o chão, com as mãos apoiadas no quadril. Em seguida, fechou os olhos e balançou a cabeça. Abriu-os e caminhou até a cômoda da sala, que ficava a dois metros atrás do sofá. Ele abriu a primeira gaveta e retirou uma foto. A foto que tiraram no noivado de Pablo, onde estavam junto com Violetta, Pablo, Matias e Jackeline. Eles pareciam uma família feliz. German só conseguia reparar no sorriso de Angeles. Aquele sorriso era capaz de fazê-lo tão bem, que ele acabou abrindo um sorriso discreto ao ver aquela foto. Depois, ele ficou sério, caminhou até o sofá, sentou-se e passou o polegar pelo rosto dela, como se estivesse acariciando-a.

– Eu te perdi, – sussurrou – mas eu espero que seja feliz... – Ele fechou os olhos com certo pesar – Meu amor.

Notas finais
E aí? Se tiver algum erro de concordância ou gramatical, me avisem, porfa.