Que Os Jogos Comecem!
9 Para minha doce Lice
Alguns anos atrás
- Mamãe olha pra mim! Olha pra mim! — Gritava, queria que ela me visse andando de bicicleta.
- Eu to vendo querida! Isso aí, se continuar assim vamos ter uma grande ciclista na família. — Mamãe respondeu sorrindo como sempre fazia quando me via andar de bicicleta, ela adorava. A gente era uma família feliz, mamãe tava grávida de quatro meses de um garotinho, eu amava a ideia de ter um irmãozinho na família, eu poderia brincar com ele sempre. Eu tinha seis anos na época, mais era muito esperta. Ela tava na calçada enquanto eu tava na rua tentando andar na bicicleta, quando eu viro pra vê-la meu sorriso se desfaz, quando vi ela tava desmaiada no chão, um carro na contra-mão tinha acabado de atingi-lá em cheio. Lágrimas escorreram no meu rosto, a única coisa que eu conseguir fazer foi gritar.
- Mamãe. — Apaguei.
~
Acordei, estava na minha casa, no meu quarto. "Foi tudo um sonho" — pensei. Mas não, nada daquilo foi um sonho, descobrir que a minha mãe estava internada em coma, e que perderá o bebê, meu tão sonhado irmãozinho.
Semanas se passaram e ela ainda continuava em coma, os médicos diziam que só um milagre pra ela acorda. Todos os dias antes de dormi eu rezava pro papai do céu cuida da minha mamãe, e faze-lá acorda, pra cuidar de mim. Papai estava distante esse tempo todo, não falava mais comigo, as vezes me ignorava, se tornou frio e perdeu o emprego por não comparecer mais na empresa, eu compreendia, perde um filho e souber que a mulher está em coma e que é capaz de nunca mais acorda era duro.
Dois meses se passaram desde do acidente. Papai já perderá as esperanças, os médicos já desistiram de fazer os outros exames de rotina, eles deram a proposta pro meu pai de desligar os aparelhos, eles alegavam que ela não tinha mais volta, ela não acordará mais. Depois de muito pensar ele decidiu que era hora de desligar as maquinas, ele também acreditava que ela nunca iria acordar. Eu chorava todos os dias, fazia um escândalo para ele mudar de ideia, eu sabia que mamãe logo-logo iria acordar, mais para ele tudo tava perdido
Dois dias se passaram desde que ele decidiu desligar as máquinas. Acordei com papai gritando no andar de baixo. Desci pra ver o que era.
- O que esta acontecendo papai?
- Sua mãe Lice... Sua mãe acordou.
Comecei a gritar de felicidade. Papai me pegou no coloco e começou a rodopiar, estávamos felizes peguei o celular do meu pai e mandei uma mensagem pra minha tia, irmã da mamãe.
"Titia, a mamãe acordo, vem pro hospital por favor! Xoxo, SuaLice" — Mandei.
Achávamos que estava tudo bem e que daqui pra frente tudo ficaria bem. Mas estávamos enganados.
~
Depois que ela acordou mamãe não era mais a mesma, ela enlouqueceu depois que ela descobriu que perderá seu tão precioso filho, ela passou a nos ignorar como se fosse nossa culpa, nós podíamos superar isso juntos, mas ela fazia questão de nos ignorar. Eu via tristeza nos olhos do papai, ele não era mais o mesmo depois do acidente e agora a mulher que acabará de acorda de um sono profundo de dois meses o ignora, ele estava acabado. Eu entendia que perde um filho deve ser doloroso, mais chegar ao ponto de ignora a família era maluquice.
Chorava todas as noites, papai ouvia e vinha até meu quarto, ele me consolava, falava que tudo isso ia passar rápido que ela só estava passando por uma face de negação e que logo-logo voltaríamos a ser aquela família feliz de antes. Mas ele estava enganado.
Acordei no outro dia escutando choros, ele vinha do quarto do meu pai, fui até lá e o encontro chorando segurando um papel.
- Papai o que é isso? — Apontei pro papel.
- Oh Lice — Ele estendeu a mão pra mim ir até ele, fui — Sua mãe... Ela... Ela foi embora.
Fui pro meu quarto, me tranquei lá e chorei até não poder mais. Ela foi embora, como ela pode fazer isso. Na madrugada daquela noite, ela foi embora enquanto estávamos dormindo, levando embora nossos corações. Adormeci.
Acordei com o rosto molhando por causa das lágrimas e percebi que tinha um envelope em cima da minha escrivaninha, peguei e vi que estava escrito "Para minha doce Lice". Abri e era uma carta de despedida da mamãe, que fora deixada ali enquanto ela partia.
"Oh Lice, oh minha doce Lice.
É com lágrimas nos olhos que eu escrevo essa carta de despedida para você, eu vejo nos seus olhos e nos olhos do seu pai a tristeza que eu concebi, eu não queria nada disso, mais aconteceu, um dia você irá me entender, perde um filho é uma dor terrível, uma dor que eu não recomendo para ninguém, nem pros meus piores inimigos. Eu queria ser uma boa mãe, mas souber que eu acabará de acorda de um sono de dois meses e que perdi meu filho que tanto queria, me enlouqueceu, me matou por dentro, eu não aguentava mais ver as cara de vocês e não ligar, eu amo vocês mais e o melhor para todos. Você sempre foi e sempre será a minha princesinha, e mesmo que eu esteja longe agora, você sempre ocupará o meu coração, eu te amo e sempre amarei até o meu último suspiro.
Com amor mamãe."
Comecei a chorar mais ainda, perder minha mãe era doloroso, e difícil, ela era o meu porto seguro, mesmo ela que ela não esteja morta, eu sinto como se estivesse porque ela não estava aqui comigo. Porque ela tinha que ir embora hoje? Justo hoje que eu faria sete anos.
Não estava com clima pra festas, mas minha tia fez questão de organizar uma para mim, na qual ela alegava que eu iria me divertir muito, o que eu e ela sabia que não era verdade.
~
Hoje faz exatamente um ano desde que minha mãe foi embora das nossas vidas para sempre, eu ainda choro, hoje eu completaria meus oito anos e assim como ano passado eu não estava nada feliz. Aquele ano foi tenebroso pra mim, praticamente parei de ir na escola, ia dia sim e dia não, era alvo de bullying por ter perdido a minha mãe.
Esse ano não era diferente, eu ainda era alvo de bullying, mas agora eles arrumavam outros motivos pra praticar o ato comigo. Eu ia pro colégio normalmente. Sentia falta da minha mãe, eu e meu pai mudamos de casa, ele alegava que aquela casa lembrava muito a minha mãe, o que era verdade.
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Meu pai começou a namorar um mulher, ele planejava se casar com ela, eu ficava triste, porque sabia que ele já tinha superado minha mãe. Ela veio morar na nossa casa, ela era legal comigo, mas mesmo assim eu não conseguia tirar o fato de que ela indiretamente estava "tirando" meu pai da minha mãe. Eu ainda tinha esperança de que ela voltaria para nós.
Meu pai era agora um homem rico, dono das maiores empresas do nosso país. Por mais dinheiro que tivesse ainda não estava feliz. Como eu passei a ignorar a nova mulher dele, ela passou a me maltratar enquanto ele não estava em casa. Eu contava pra ele o que ela fazia mas ele nunca acreditava e falava que era só coisa da minha cabeça, que era só pra ele não se casar e passa a vida inteira sozinho chorando por uma mulher que nos abandono.
Eu sabia que depois daquela mulher o meu pai não era mais o mesmo, ela tinha feito a cabeça dele de alguma forma, ele não era mais aquele homem doce que era no começo do relacionamento, ele passou a me ignora cada dia que passava, aquilo me magoava, primeiro a minha mãe e agora ele? Voltei a chorar todas as noites.
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Meu pai se casou com aquela mulher, que por aventura eu chamava de bruxa ou de rouba marido. Meu pai deixou uma boa quantia em dólares pra mim, e foi viajar pra sua lua de mel, na qual nunca mais voltou.
Com nove anos, abandonada em casa, com um milhão de dólares no cofre do meu quarto, que por aventura se eu fosse roubada eu não perderia meu dinheiro.
Anos se passaram e nada do meu pai voltar, eu sabia que ele fez que nem a minha mãe. Me abandonou como se eu não fosse nada.
Hoje, eu com dezoito anos, abandona pelos pais, morando sozinha, e sendo sustentada pelo meu pai, que não deixou de depositar uma boa quantia em dinheiro na minha conta bancaria, ele continua o mesmo. Depois daquela briga que nós tivemos ele não me ligou e espero que nunca mais volte. Mas o meu problema só estava começando.
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