Notas iniciais
Perdão pela demora. Mas sabe quando você tem ideia, mas não sabe como colocar em pratica? Foi isso que aconteceu e só durante dias que consegui concluir e mesmo assim na correria. Perdão pelos erros e perdão pelo capítulo pequeno haha Compensarei no próximo. Obs: foto de hoje... Kate. Boa leitura!

Não me lembro de ter me movido, mas quando pisquei novamente estava a pelo menos dez metros da cena de sangue.

Forcei as mãos no chão e procurei a lanterna no escuro. Senti a palma da mão esquerda ser perfurada.

– Ai! — reclamei encontrando a lanterna e a pegando com a mão direita. Iluminei onde havia me cortado e puxei uma lamina fina de gelo.

Iluminei a minha frente e pude ver a Bia se afastando em passos bruscos para trás, mas não tentando fugir e sim para dar espaço a Kate que caia de joelhos.

Pude vê-la com uma expressão de dor e as mãos pressionando firmemente uma estaca brilhante e afiada de gelo fincada no seu abdômen. A Bia se aproximou e elas trocaram um olhar que nunca vi fazerem antes.

O rosto da Kate exibia ódio, algo que ela nunca mostrou. A Bia se aproximou dela e ergueu as mãos, segurou a cabeça da Kate e num movimento forte e firme, com um estalo, girou o pescoço da loira. Ela caiu imóvel no chão e ouvi a Bia soltar o ar.

Relaxei os ombros e ela se virou me lançando um olhar frustrado. Dei de ombros me sentindo um total inútil.

...

Empurrei com força a porta para ter certeza de que não poderia ser quebrada. Encostei a mão sobre a mesma e logo raízes grossas surgiram se espalhando e travado a saída.

– Sabe que isso não vai me prender aqui, não é?

Me virei fechando a cara para a Kate que estava sentada na cama de pernas cruzadas.

– Mas é o suficiente para te manter aqui por pelo menos dois dias. — falei voltando minha atenção a porta.

Ela suspirou e ouvi seus passos em direção a janela.

– É uma perda de tempo. — falou batendo os dedos na parede.

Me virei para encara-la. Ela deu de ombros e sorriu.

– Não sou eu a inimiga aqui, anjo. — falou me olhando.

– Não tenho mais tanta certeza disso. — franzi as sobrancelhas.

– Não posso mais controlar, anjinho. — falou vagando pelo quarto. — Não está mais em mim. Isso é o predador que existe dentro do meu corpo e acabou escapando. Não posso para-lo.

– Claro que pode. — olhei em volta. — Já fez isso antes.

– Antes de estar sob efeito de feitiço.

Fiquei em mudo. Não dava para argumentar.

Ela respirou fundo e passou as mãos pelo cabelo picotado. Depois me encarou de um jeito que me lembro raramente. Como se eu fosse algo novo, prestes a ser estreado.

– Sabe anjo... a sede é tão forte que mal posso escutar meus pensamentos. — ela caminhou na minha direção. — Mas posso amenizar quando faço algo físico que aumente a adrenalina, a emoção e crie sentimentos.

Ela ficou tão próxima que me senti claustrofóbico. Estendeu a mão, deslizando a ponta do dedo indicador pelo meu pescoço.

– Isso, claro que você entende. — sorriu.

– Não. Eu não entendo, Kate. — tentei me afastar, mas só fiquei encurralado na porta.

– Qual é Felipe! — ela revirou os olhos que pude notar estarem incrivelmente dourados, quase hipnotizantes. — Já fizemos isso antes e pelo que me lembro, você é bom no que faz.

– Kate....

– Se lembra anjinho? — ela passou a mão pelo meu rosto e desceu pelo meu peito, abdômen...

Segurei seu pulso quando sua mão chegou ao cos da minha calça. Fixei meus olhos nos seus e uma mistura tênue de malicia e raiva dançava ali.

– Está vendo. Essa não é você. — a fitei. Ela revirou os olhos novamente.

– Não anjo. — puxou seu pulso da minha mão. — Esse não é você. Olha só no que a Bia te transformou.

Balancei a cabeça e olhei o chão por segundo.

– Você sabe que é verdade. — ela falou se afastando de mim. — E não gosta disso.

– Isso não importa. — resmunguei.

– Não minta pra mim Lipe. — se aproximou novamente. — Sabe que não pode, não é?

Ergui os olhos e ficamos nos encarando por um tempo considerável.

– É melhor ficar sozinha. — falei me virando e encostando a mão na porta.

– Ela pode controlar você. — ela chegou a boca perto do meu ouvido. — Mas não pode controlar os impulsos do seu corpo.

Acho que me arrepiei ate o ultimo fio de cabelo, mas ignorei isso e movi as mãos fazendo as raízes recuarem e por fim abri a porta, fechando-a em seguida e lacrando tudo o que era possível.

Me arrastei escada abaixo e encontrei a Bia enroscada num cobertor sentada no sofá e a Vick olhando pela janela.

Me sentei ao lado da Bia e ela me olhou fixamente esperando uma conclusão. Suspirei e falei com uma voz monótona:

– Aquela não é mais a Kate.

***

Claire

Desci da moto e joguei o capacete no Rick que praguejou alguma coisa. Corri em direção ao carro do Vicente. Ele estava parado colocando alguma coisa no porta malas.

– O que está fazendo? — perguntei contornando o carro e ficando perto dele.

– Indo embora. — respondeu sem me olhar, jogando outra mala no carro.

– O que? Por que?

– Porque prometi que levaria o bando embora. — falou ajeitando a roupa e me olhando. — Eu disse que não era permanente, Claire.

Encarei-o atônita demais para argumentar. Ele respirou fundo e passou as mãos no capo do carro. Olhou em direção a moto do Rick e sorriu torto.

– Então vocês finalmente reataram?

Olhei na mesma direção que ele e o Rick estava da mesma maneira com que o deixei. Encarei o Vicente e ele sorriu esticando a cicatriz.

– Ainda estamos resolvendo isso. — respondi. — Mas vocês não podem ir. Como a garota vai ficar?

– O Daniel vai cuidar disso. — falou olhando por cima do meu ombro.

– Quer dizer então que ele vai ficar? — meu coração se alegrou.

– Em uma missão especial. — ele sorriu de canto e senti meu próprio rosto formar um sorriso. — Só não deixe um triangulo amoroso surgir.

Assenti sorrindo sinceramente pela primeira vez pra ele.

– Vai voltar algum dia? — perguntei sentindo uma pontada de esperança.

– Não sei. — ele suspirou. — Talvez.

Assenti e suspirei também.

– Onde eles estão? — perguntei.

– Lá dentro. — apontou para a casa.

Me virei seguindo para a casa do lago, mas antes olhei para trás e falei:

– Quando estiver indo, me avise. Ate os velhos inimigos precisam se despedir.

– Com certeza dominadora. — ele sorriu calorosamente e eu segui meu caminho.

...

Entrei na casa e dei de cara com a garota da casa incendiada sentada no sofá. Ela arregalou os olhos se assustando comigo, mas no instante em que o Rick passou pela porta resmungando alguma coisa de "estou com fome!", ela relaxou encarando-o fixamente.

– Tudo bem? — perguntei tentando me aproximar devagar para não assusta-la.

Ela assentiu e olhou em direção a cozinha onde o Daniel voltava com um copo de agua. Ele sorriu pra mim e trocou um olhar zangado com o Rick.

Me aproximei do Daniel e perguntei o mais baixo possível.

– Vai mesmo ficar?

Ele suspirou e remexeu no cabelo.

– Ela é minha responsabilidade. Preciso ficar.

– Fico feliz de ter você por perto.

Ele me encarou por um segundo e quase pude deduzir algo oculto no seu olhar, mas ele assentiu e deu um meio sorriso.

– Como ela está? Vocês conversaram? — perguntei tentando desviar o assunto.

– Está abalada. Não falou muita coisa além de ficar repetindo que é culpa dela. — ele falou mais baixo.

Me virei para a garota que tomava goles pequenos da agua. Ela mantinha um olhar fixo na parede ou no Rick.

– Posso? — gesticulei para o sofá.

Ela assentiu e eu me sentei ao seu lado.

Me fitou rapidamente com olhos grandes e castanhos. Por algum motivo senti algo familiar naquele olhar. Parecia ter quinze ou dezesseis anos, talvez.

– Então... quantos anos você tem? — decidi começar com algo mais fácil.

– Dezesseis. — respondeu com uma voz fina.

– E... a quanto tempo você... bem, se transformou? — confesso que minha voz saiu embaraçosa.

Ela olhou para o Daniel como que em procura de ajuda, mas respondeu colocando o cabelo liso atrás da orelha.

– Há mais ou menos um ano.

– Você se lembra quem transformou você? — olhei de esgueira para o Daniel.

– Não o vi como humano. Nem me lembro direito. Acho que desmaiei no dia.

Encontrei o olhar do Rick, que ate então estava quase invisível encostado na parede. Ele moveu os olhos e assentiu como se nossos pensamentos estivessem conectados.

– Acha que pode ser... — comecei.

– Juliana. — o Rick completou recebendo um olhar atento da garota ao ouvir sua voz. — Ela estava rondando por aqui há um ano atrás antes de.... morrer.

Daniel pigarreou e todos nos viramos para ele.

– Vicente tem a mesma teoria sua. — olhou para o Rick. — Mas...

– Você acha que não foi ela? — perguntei olhando rapidamente para o Rick.

– Eu não sei Claire. — Daniel deu de ombros. — O problema é que Alice se transformou e parou de envelhecer.

– E como sabe disso se só tem um ano? — o Rick falou. — Adolescentes não envelhecem rápido.

– Um alfa pode sentir isso em outro da sua espécie. Sentir as células amadurecendo. — falou Daniel. — E o Vicente, como alfa, não sente nada disso nela.

– O que quer dizer afinal? — perguntei sem entender mais nada.

– Acho que ela não foi transformada por um simples lobo. Pode ser algo diferente.

– Como um hibrido? — o Rick falou dando uma risadinha e me virei repreende-o com o olhar.

– Não Henrique. — respondeu Daniel seco. — Um mutante.

***

Rick

Mutante? Que diabos de mutante seria? Pra mim esse monstro hibrido ficou maluco de vez. Talvez ainda esteja com dor de cotovelo por eu ter ganhando a partida em relação a Claire.

Discutimos por mais alguns minutos. Tudo o que eu falava o santo Daniel tinha um argumento, e ele estava começando a me irritar de verdade. Isso enquanto a pobre garota ficava em silencio apenas observado tudo. As vezes olhava pra Claire e a maioria pra mim.

Já ia soltar mais uma provocação ao lobo demoníaco, mas fui impedido pela a Claire que se levantou e pegou meu pulso, pediu licença aos dois e me arrastou pelo corredor ate onde deduzi que seria o seu quarto.

Ela me empurrou para dentro e fechou a porta atrás de si. Dei um sorriso malicioso, mas ela fez cara feia cruzando os braços.

– Qual é o seu problema? — perguntou me olhando seria.

– Nenhum. — dei de ombros.

– Rick, será mesmo que eu vou ter que te passar uma bronca?

– Por que? O que eu fiz dessa vez?

– Não seja sínico. — ela começou a andar de um lado para o outro. — O Daniel estava aqui antes de você, então por favor, o respeite e para com essas suas piadinhas ridículas de provocação, porque ele está aqui para ajudar aquela menina e...

– Eu estava aqui primeiro. — interrompi-a.

Ela me encarou com uma expressão de confusão. Me aproximei enquanto ela recuava ate bater as costas na porta. Estiquei a mão passando por sua bochecha e desci ate o rumo do seu coração, que senti estar batendo freneticamente.

– Eu estava aqui primeiro. — apontei para o seu coração. — Não me culpe por defender o que é meu.

– Rick n...

– Você é só minha. — a interrompi novamente. — E não vou correr o risco de ficar sem você de novo.

Ela ficou muda. Fixei meus olhos nos seus e deslizei as mãos de volta ao seu rosto. Me curvei encostando a boca na sua. Sua respiração bateu no meu rosto e fechei os olhos pressionando meus lábios nos seus. Puxei seus lábios e apertei sua cintura colando nossos corpos.

Suguei seu lábio inferior e seus braços se fecharam no meu pescoço. Uma dança de línguas começou. Desci a mão pelo seu short, mas ela me parou.

Empurrou meu peito e respirou fundo.

– Ainda estou zangada com você. — resmungou.

Revirei os olhos, mas abri um sorriso.

– Problemas primeiro. — ela se esticou e depositou um beijo nos meus lábios e já seguiu abrindo a porta.

...

O Daniel estava sentado num sofá olhando vagamente para a televisão, enquanto a garota olhava as próprias mãos. A Claire foi tomar um banho rápido.

Parei perto do sofá e a garota me olhou interessada. Sorri e apontei para o seu lado.

– Posso ficar ai com você? — perguntei.

Ela assentiu rapidamente e sentou no canto do sofá dando espaço para mim. Sentei-me e lhe lancei outro sorriso. Sem muito a esconder ela retribuiu sorrindo abertamente.

– Então... qual o seu nome mesmo? — perguntei me virando de lado para ficar de frente pra ela.

– Alice. — respondeu. — E o seu?

– Henrique, mas se gosta de apelidos e algo mais fácil me chame apenas de Rick.

Ela sorriu.

– Você se lembra do que aconteceu?

Ela meneou a cabeça e olhou para os pés.

– Foi culpa minha. — sussurrou. — Estavam nos caçando desde a minha transformação.

– A culpa não é sua. — falei. — As coisas, as vezes, acontecem de forma errada. Eu, por exemplo, fiz algumas coisas erradas durante esses meses.

Senti o olhar do Daniel pesar em mim, mas o ignorei. Ela levantou a cabeça para me olhar.

– E agora? Está fazendo o certo? — perguntou.

Fitei seus olhos a procura de algo, mas ela parecia esconder bem as coisas.

– Estou tentando consertar os erros. — respondi dando um sorriso de canto.

– E está se saindo bem? — ela agora me olhava curiosa.

Olhei para o Daniel e sorri.

– Oitenta por cento.

Ela passou as mãos pelo cabelo e me olhou atenta, me analisando. Chegou mais perto e franziu as sobrancelhas.

– Seus olhos são...

– Estranhos?

– Bonitos. — ela completou sorrindo. — O que você faz?

Manobrei minha mente a não dar duplo sentindo a pergunta e respirei fundo. Levantei a palma da mão direita para cima, me concentrei e senti a pele ficar quente para em seguida uma chama dançar sob meus dedos e se juntarem ocupando toda a minha mão.

– Eu domino e crio fogo. — falei recebendo um olhar de surpresa dela. Talvez ate mais do que eu esperava.

Ela encarou a chama na minha mão, depois meu rosto e seus olhos se arregalaram. Fechei a mão extinguindo o fogo e esperei sua reação.

– Meu deus! — ela cobriu a boca.

– Não se preocupe, eu controlo bem. Não precisa ficar assustada. — falei imediatamente, mas ela pareceu não me ouvir.

– Você está... eu não acredito. — vi seus olhos ganharem tal surpresa que pensei que fosse chorar.

– Tudo bem. — me aproximei estendendo a mão.

– Não. É você. — ele se aproximou demais e vi pelo canto do olho o Daniel se levantar.

– Alice, do que está falando? — ele perguntou.

Ela o olhou e depois pra mim.

– As historias.... as historias da mamãe. É ele Dan.

– Eu o que? — encarei seus olhos marejados.

Ela então me encarou intensamente e senti algo se formar no meu peito.

– Você é meu irmão. O dominador do fogo.