Quase sem querer
24 Capítulo 24
–Onde estamos indo?
–Você vai ver.
Fiquei séria, meus olhos inchados e ainda queria chorar, porém não queria chorar na frente do Leco.
–Muito bem gata, chegamos- ele falou parando em galpão.
–Que lugar é esse?- falei começando a me assastar. Porque o Leco tinha me trazido em um galpão.
–Um galpão.
–Isso eu já sei.
–Então porque me perguntou?- saí, eu só podia estar louca por ter acreditado que o Leco me ajudaria- Calma gata, eu só estava brincando.- ele disse me segurando- Esse galpão é meu, eu uso pra guardar umas paradas e pra outras coisas.
Fiquei parada olhando para ele.
–Vem Laura, deixa eu te ajudar.
Fomos andando lado a lado. Ele abriu a porta e com excessão de algumas caixas o galpão estava vazio.
Ele acendeu as luzes.
–Eu prometi que ia te ajudar então lá vamos nós. Eu quero que você me bata.
–O quê?
–Que me bata Laura, quero que coloque toda a sua raiva pra fora, me bata Laura.
–Não quero te machucar.
–Não vai. Agora vamos começar.
Comecei lhe dando uns tapinhas de leve no abdômen e meu Deus, aquele homem é uma delícia.
–Pense no que te fez chorar Laura, vamos lá. ME BATA.
Comecei a pensar em tudo o que minha mãe tinha me dito, todo o abandono que eu vivi durante toda a minha vida.
Quando dei por mim eu já estava chorando e socando o Leco sem parar.
Fui dimuindo a intensidade dos socos e me joguei no chão, a sorte foi que o Leco foi mais rápido e me segurou antes que eu me caísse no chão.
–Calma minha linda, respira. Vai ficar tudo bem.
Eu tentei falar mas ele me impediu.
Leco sentou e colocou minha cabeça no seu colo e ficou ali me fazendo cafuné.
Ficamos assim até eu me acalmar, o que levou muito tempo.
–Gata- ele falou rompendo o silêncio.- pra uma patricinha até que você bate forte.
Eu ri.
–Falei q eu ia te machucar.
–Machucou não, eu sou forte e gostoso.
Eu ri, imprecionante como o Leco me fazia rir com facilidade.
–Há controvérsias.
–Não pode falar de um produto antes de experimentar.
Ficamos nos olhando intensamente até que eu desviei os olhos. Olhar para aquela imensidão verde me fazia sentir coisas... inimagináveis.
–Que horas são?
Leco olhou no celular.
–São quase 13:00.
–Mas já? O tempo passou rápido. Eu preciso ir.
–Calma cinderela, falta muito pra meia noite. Vamos comer alguma coisa.
Saímos do galpão e fomos de carros até o McDonald fizemos nosso pedido e a garçonete deu super em cima do Leco, que estava de boné e óculos escuro pra não ser reconhecido.
–É sempre assim? Essas garotas...
–É que o papai aqui é muito gostoso. Quer fazer um check drive.
–Não obrigada. Vamos manter o dia do jeito que está, sem brigas.
–Tudo bem.
Comemos nossos lanches e o Leco ficou me contando histórias engraçadas dele com o agulha. Aquele garoto só se metia em roubada.
Ri de tudo.
–Acho que tá na hora de irmos.
–Verdade gata, tenho umas paradas pra resolver.
Pagamos a conta e fomos pro carro.
–Vai pra ONG?
–Sim.
Fomos o caminho até a favela calados.
–Leco, obrigada por tudo- falei assim que chegamos.
–Tudo bem gata. Use e abuse.
Revirei os olhos tentando não ri.
Sair antes que ele me beijasse, queria ter a lembrança desse dia dessa forma.
Percebi que todos me olhavam. Principalmente as mulheres, que estavam a ponto de me esganar.
Entrei na ONG voando e fui organizar umas coisas na minha sala, pra ajudar a cuidar das crianças, já que Jamile não podia vim hoje.
–Olha só se não é a princesinha.
–O que você está fazendo aqui?
–Princesinha ou putinha, tô um pouco em duvida agora.
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