Quase sem querer
20 Capítulo 20
Assim que cheguei a ONG corri pra tomar um copo de água.
–Laura que bom que... Você está bem?
Contei a ela tudo o que aconteceu.
–Meu Deus Laura.
–Vamos trabalhar e esquecer o Leco.
–Toma seu almoço e vem que as crianças já estão esperando.
Almocei rapidamente e fui ai encontro das crianças. Eram trinta mais ou menos.
–Olha só crianças quem chegou, a tia Laura.-a Jamile me apresentou.
–Oi crianças.
Nós tínhamos duas auxiliares mas tanto eu como a Jamile gostávamos de ficar com as crianças.
–Camila vem?
–Não, ela tem manicure hoje.
Revirei os olhos.
–Eles são tão lindos.
–Sim, eles são.
–Tia Mile, eu acertei agora?- uma menininha perguntou a Jamile, ela estava a meia hora tentando fazer a vogal a.
–Sim meu amor, está lindo. Agora deixa eu te ensinar o resto.
Jamile foi com a menininha. Olhei para todos e um me chamou atenção. Um menininho, ele estava afastado dos demais e não estava fazendo nenhuma das atividades proposta.
–Oi-falei me aproximando dele.
Ele não me respondeu.
–Meu nome é Laura- continuei- Como você se chama?
–Vitor.
–Vitor, nome bonito Vitor. Quantos anos você tem?
Ele me mostrou cinco dedos e eu ri. Ele é muito fofo.
–Porque você não esta brincando com os outros?
–Eu não quero.
–E porque você não quer?
–Eu tô triste hoje tia.
–E porque você está triste?
Ele não me respondeu e fitou o chão.
–Vitor e se eu te sentar do seu lado, você faz as atividades?
–Eu não sei fazer não tia.
–Se você quiser eu te ajudo.
–Mesmo?
–Mesmo. Vem.
Ele me deu a mão e fomos até uma mesa, comecei lhe ensinando as vogais.
Ouvi o barulho de seu estômago.
–Querido, você almoçou hoje?
Ele balançou a cabeça em negativa.
–Tá com fome?
Ele fez que sim.
–Vem vamos até a cozinha, eu te dou um lanchinho.
Fomos pra cozinha e lhe dei biscoitos com suco. Ele comeu tão rápido que parecia que não comia a dias.
–Agora vamos, temos vagais pra fazer.
Ele sorriu e segurou em minha mão.
Ficamos assim até a hora do lanche. Quando a comida foi posta na mesa as crianças comeram muito rápido, o que levou a conclusão de que não foi só o Vitor que não almoçou.
–Mile, aparti da próxima semana vamos servi o almoço também. Avise a cozinheira.
–Nós já estouramos o orçamento.
–Eu pago Mile, parece que essas crianças não vêem comida a um século.
–Nos três pagaremos. Vou ligar pra Camila.
–Certo.
No final da tarde nós brincamos com as crianças.
Na hora da saída os pais foram chegando aos poucos.
–Laura, você pode fechar a ONG hoje. Tenho um compromisso.
–Claro, pode ir.
–Certo, beijos.
Quando deu 18:30 todas as crianças já tinham ido embora menos uma.
–Vitor seus pais trabalham até tarde?
–Não tia.
–Bom, vamos fechar tudo aqui e vamos esperar seus pais lá fora.
Fechei tudo e sentamos na calçado.
–Olha só, a princesinha tá aqui até essa hora, esqueceu do namoradinho.-o Leco falou parando o carro do nosso lado.
–O que você quer Leco?
Ele estava com ar de poderoso.
–Nada, mas qual é o problema?
–Os pais do Vitor não veio busca-lo ainda.
–E ai muleque. Sobe ai que eu deixo o garoto em casa.
–Não quero sua ajuda.
–Então eu vou deixar você aqui, esperando a noite toda porque tanto a mãe quanto o pai dele são viciados em droga e devem tá tão chapados que esqueceram do filho. Vai querer a carona agora?
–Não.
–Então tá. Mas eu não garanto se aparecer um estuprador ou algo do tipo.-falou ligando o carro.
–Espera, leva o Vitor.
–Não. Só levo se você vim junto. Depois eu te deixo na portaria pro seu namoradinho.
Vou ter que engoli meu orgulho. Droga!
–Vamos Vitor.
Ele sorriu vitorioso.
Fomos em silêncio todo o caminho.
–Chegamos.
–Tem certeza que você vai ficar bem Vitor?
–Sim tia, brigado.
Ele saiu e entrou na casa deplorável.
–Isso é tudo sua culpa.
–Minha culpa? O que eu fiz agora?
–É você que vendi a droga, que faz essa criança ter um vida horrível.
–Você está engananda Laura, a culpa não é minha. Eu vendo um produto, não obrigo ninguém a consumir. Compra quem quer? Entendeu?
Revirei os olhos. E fiquei quieta.
–Laura, você deveria ter cuidado comigo, eu não sou igual aquele teu namorado pra ficar aguentando teus pitis.
–Você vai me matar, como fez com aquele homem no beco ou vai fazer comigo o memo que fez com a Sol, ela ainda tem hematomas.-comecei a chorar.
–Como assim o que eu fiz com a Sol?- tínhamos acabado de chegar na portaria da favela.
–Vai se fazer de inocente agora Leco, você...
E ele me beijou, um beijo feroz e quente. Não conseguia lutar com ele, eu só conseguia me entregar ao momento. Eu queria isso, aquele beijo me completa. Todo o meu corpo clamava pelo Leco.
Ele me soltou. Ambos estávamos ofegantes.
–Você não tinha esse direito.
–Qual é Laura, vai dizer que não gostou. Se eu não tivesse te soltado vc não me impediria.
Sair do carro e bati a porta.
O Caio não estava me esperando. Andei um pouco até um ponto de táxi e fui pra casa. Chegando lá, tomei banho e apaguei.
Nem me preocupei com o porque de o Caio não está me esperando.
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