Quase sem querer
7 Eu não sei o que fazer
Notas iniciais
– Isso está totalmente fora de cogitação. Eu não vou morar com ele nem sob tortura
– Eu não quero essa doida na minha casa
– Eu tenho meu apartamento que por sinal eu nem terminei de pagar
– Bianca eu acho que você tá exagerando, eles vão se matar – Fabi disse
– Não, EU vou matar ele – Apontei pro imbecil
– Por duas semanas. Só duas semanas. É o tempo suficiente.
– De jeito nenhum. E tempo suficiente pra quê?
– Eu vou ter que apelar então? Ok. Se vocês não aceitarem eu conto pro papai. E pros seus pais também – Referiu-se ao Pedro
– Você não faria isso.
– Quer pagar pra ver? – Ela disse em um tom ameaçador.
– Se você contar eu sumo do mapa e ninguém mais vai saber de mim.
– Pode ir a vontade desde que meu filho fique
– Ha-Ha, nos seus sonhos!
– Eu entro na justiça pra ter a guarda
– Ah é, é? Até agora você tava reclamando "Ai eu sou muito jovem, ai eu sei lá o quê" – Imitei-o
– Eu não falo assim.
– Que seja, Mané!
– Bom, meu recado tá dado. 8 da noite vou fazer uma visitinha lá no bairro do Catete. – Bianca disse e saiu da sala
– Tá vendo só o que você fez? – Gritei com Fabi
– Eu? – Apontou para si mesma e fez cara de indignação
– É! Você que começou essa história de "Parou a palhaçada vocês dois"
– Pô, Fabi não precisava né?! – Pedro disse
– Ah, não? Vai dizer que o que eu falei foi tudo mentira?!
– Foi sim, tá! – Hesitei um pouco e dei de ombros, cruzando os braços e olhei pra parede. Ela suspirou
– Ok, Karina. Mas agora, o que vocês vão fazer?
– A gente não vai fazer nada, que vai é você.
– Eu?!
– É, a doida aí tem razão. Cê que botou essa ideia doida na cabeça da Bianca.
– Querem saber? Eu é concordo com ela. Isso sim.
– O quê? Não Fabi, você não pode fazer isso comigo
– Fabi eu te pago um danoninho
– Danoninho? Sério, Pedro?!
– Eu gosto de danoninho, tá? E não, não vou aceitar nada. Acho bom ir arrumar as malas – Ela deu uma piscadela e saiu rindo.
Senti meus neurônios ferverem de raiva e taquei a primeira coisa que vi em cima da mesa em direção a porta.
– URGH!
Por um instante o silencio pairou até Pedro quebrá-lo
– O que vai ser?
– Não sei
– Olha eu não to nem um pouco afim que meus pais descubram isso agora.
– Ah, é, porque eu devo estar louca pra contar pro seu Gael. – O sarcasmo pingou de meus lábios junto com as palavras. – Ele iria me matar
– Não, ele iria no máximo te dar uma bronca e ME matar. Fazer picadinho da minha pessoa e servir no jantar.
– A criança nem seria formada direito e já seria órfã. – Por meio milésimo de segundo eu ri
– Isso significa que você não quer que eu morra, Esquentadinha?! — Curvou a boca em um sorriso debochado
– Não, isso significa que... Que... Ai olha, vê se me erra, tá?
– Agora não vai ser muito possível
– Infelizmente. O que a gente faz?
– Oi? Karina Duarte pedindo minha opinião pra alguma coisa? Eita que vai chover batata frita.
– Para de fazer gracinha e me ajuda.
– E ainda ta pedindo ajuda? O Brasil precisa saber disso.
– É, e vai sair gritando pra todo mundo igual o "Eu beijei a esquentadinha e não apanhei?" – Imitei sua voz
– Você lembra disso? – Perguntou surpreso
– E tem como esquecer esse mico? Como também aquela vez que você me chamou de pamonha pro bairro inteiro ouvir? Ou então aquela serenata ridícula?
– E tem como esquecer? Apanhei todas as vezes, pô!
– Na verdade na serenata ridícula eu te joguei um balde de água.
– Não fica jogando na cara, eu só estava tentando... – O cortei
– Ganhar dinheiro para sua demo? É eu sei.
– Eu era idiota, K.
– Era? – Fui irônica outra vez
– Digamos que estou evoluindo
– Ok Pokemon, mas agora é sério. O quê vamos fazer? – Ele suspirou
– Eu não sei... E se a gente fingir?
– Como assim fingir? – Perguntei franzindo o cenho
– Você leva uma mala com algumas coisas suas pra lá e finge que tá morando comigo, caso a Bianca apareça, eu digo que você saiu. – Até que não era uma ideia tão péssima
– É, até que você sabe pensar de vez em quando. Pode ser que dê certo. Mas e se ela for para o meu apartamento?
– Só não atender, avisa o porteiro e ta tudo certo. Você não tem carro mesmo
– Valeu por jogar na cara
– Eu não to zoando, só tô constando os fatos.
– Ok. Talvez possa funcionar por alguns dias. Até ela tirar essa ideia maluca da cabeça.
– Na verdade eu acho que tamo fazendo tudo errado.
– Por quê? – Perguntei sem entender
– Porque a Bianca vai ver que não estamos nos matando e vai achar que "Oba, Perina existe, eu sempre falei pra vocês" – Ele fez uma voz extremamente afeminada e foi impossível não cair na gargalhada
– Você é estranha – Ele falou rindo também
– É a convivência – Tentei recuperar o fôlego. – Acho que voltamos a estaca zero
– O melhor jeito de acabar com isso é o mais óbvio.
– Que seria...?
– Garota cê ta lerda hoje hein?
– Tá querendo apanhar, moleque? – Ameacei ir pra cima dele
– Não, não, não! – Ele se afastou comprimindo os olhos – Não ta mais aqui quem falou – Levantou as mãos em sinal de rendição
– Hum, acho bom mesmo. Continue
– Como eu ia dizendo, o melhor jeito de acabar com isso realmente é você indo morar comigo. Pensa nós dois vivendo debaixo do mesmo teto, eu não vou sobreviver.
– Pensando bem, você tem razão. Acho que vai dar mais certo, aliás, eu sei que vai dar certo apesar do meu esforço de realmente não tentar cometer um assassinato
– Ou do meu de tentar ficar vivo e deixar a casa inteira. – Dei um tapa na sua cabeça.
– Ai!
– Bem feito. Agora cai fora
– Com prazer – Ele saiu da sala e mais uma vez senti vontade de berrar. Pelo menos um problema estava resolvido. Agora faltava os outros mil. QUE ÓDIO!!! Será que minha vida acabou?
Fale com o autor